Namoro de brincadeira
8 Convite
Notas iniciais
Três semanas depois
Isso provavelmente é meu celular tocando em algum lugar do quarto. Tentei esquecê-lo e voltar a dormir, mas a pessoa é insistente e resolveu me ligar até eu atender na terceira vez.
–Alô?
–Vem cá, você tava dormindo de novo?
–Tava e daí? – agora meu namorado está bancando a minha mãe.
–Você não acha que dorme demais não?
–Não, não acho. – respondi curta e grossa.
–Adoro seu bom humor de quando você acorda.
–Ai Biel, desculpa, mas você me conhece né? Ligou na pior hora.
–Conheço e também conheço uma festa para a gente ir hoje.
–E você sabe que eu ainda estou de castigo. – respondi relembrando que minhas últimas semanas foram as mais tristes possíveis.
–Mas você poderia tentar né? É sexta, já faz três semanas.
–Se eu tentar mais uma vez acho que ela acaba aumentando a minha sentença.
–Mas você vai fazer o que então?
–Vou ficar em casa, como tenho ficado há um bom tempo.
–É...- ele ficou mudo por alguns segundos. – Eu vou ai ficar com você então.
–Não, não. – na verdade isso seria ótimo. – Não precisa Biel. Vai para a festa. – Eu não queria ele lá sozinho. – Você não precisa deixar sua vida de lado por minha causa, relaxa.
–Você tem certeza? – Não seu filho da puta.
–Claro que tenho! É a festa do seu amigo do peito, vai lá. – vai ter um monte de meninas mesmo, você vai adorar.
–Amigo do peito Gabriela? Que porra é essa? – ele perguntou junto com uma gargalhada.
–Você prefere Best Friend Forever?
–Volta a dormir vai Gabi, você ta precisando.
–Beijo mor.
–Pera, o que você disse? – mais uma gargalhada. Por isso que eu não sou carinhosa com as pessoas, porque eles riem quando eu faço isso.
–Sabe que eu não gostei, não falo mais.
–Tchau Gabi.
–Tchau.
Desliguei enquanto ele ainda ria. Vi a luz de seu banheiro acender pela janela. Olhei no relógio e já eram quase 20h. Levantei devagar, fui até a escrivaninha do meu quarto e liguei o notebook. Abri o Skype, o Facebook, mas logo cansei e deixei de lado. Girei na cadeira e procurei algum livro para passar o tempo. Achei mais um da Agatha Christie. Seria o quinto em duas semanas. Abro na primeira página. Porém, não tenho tempo de começar a ler e ouço o barulhinho do Facebook de chamada no chat. Voltei ao notebook e me surpreendo quando vejo que é o Mateus, talvez foi um pouco mais do que apenas surpresa.
“Ei namorada”
“ahahahahah eu já avisei que não estou mais disponível.”
“Duvido que para mim você não esteja” – Serio mesmo que ele sempre tem que achar o gostosão?
“O que você quer?” – talvez eu tenha sido um pouco grossa, mas ele tem que saber que eu sou assim.
“Ué, eu quero minha namorada.”
“...”
“Queria saber se você não quer ir numa festa comigo amanhã naquele mesmo esquema”
“ahahahahah mesmo que eu quisesse (o que nunca aconteceria) eu não posso”
“Por que? Agora você não pode sair com o seu namorado?” – Ele só estar brincando comigo.
“Pra começar que agora eu realmente tenho um Namorado e acho que ela não gostaria que fosse, não?
E depois eu fiz bosta e meus pais estão meu controlando”
“Achei que você não fosse o estilo que namora”
“CARALHO até você? Não faça isso tá?”
“Enfim, os dois problemas a gente resolve de boa, você não tem desculpa para não ir”
“E eu posso saber como você resolve isso ‘de boa’? “
“Pro seu namorado você fala que saiu com as suas amigas, uma noite de meninas. Certeza que ele vai acreditar, não deve ser muito inteligente para namorar você.”
“Obrigada pela parte que me toca e não se esqueça que, segundo você, eu sou sua namorada então você quis me namorar. E eu nunca mentiria pro meu namorado.”
“Então daí o problema É Você e não que você Tenha um problema”
“Sabe que eu não tinha percebido como você é gentil”
“Eu sou sincero hahahahahah”
“Mesmo assim, ainda tem os meus pais...”
“O problema ainda é você”
“Será que antes de insultar você pode dizer a solução?”
“Você que se deixa ser controlada. Você poderia muito bem fugir, quando chegasse em casa de volta só ouviria outro sermão e pronto.”
“Pronto? Isso e mais tempo sendo controlada”
“Não se você não se deixar ser controlada”
“Eu não sou controlada pelos meus pais, só q eu ainda moro na casa deles.”
“e daí caralho? Você pode fazer o que você quiser!”
“Pelo jeito você é expert em deixar os problemas de lado!”
“Sempre que precisar de ajuda, eu estou à disposição”
Juro que estava chocada. O moleque nem me conhecia direito e já queria fazer uma lavagem cerebral em mim para eu fazer o tipo de coisa que ele faz. Eu não sou assim, posso ter as minhas festas, fazer coisas de adolescentes, mas eu respeito meus pais e meu namorado.
“Bom, a escolha é sua. Qualquer coisa me avisa.”
Antes que eu pudesse responder ele saiu. Ele realmente é muito cara de pau, isso porque falou que eu nunca mais iria ouvir falar dele. Eu deveria ter percebido, acho que eu não quis perceber. Porém, se eu for ele vai achar que faço o que ele quer quando quer. Além de que, seria horrível com Biel e com meus pais, eles perderiam totalmente a confiança em mim. Não posso fazer isso.
Fechei o notebook e voltei ao livro. Sempre que eu leio algum livro da Agatha Christie tenho a sensação de que, mesmo se eu me esforçasse muito, nunca faria algo tão brilhante como ela. No meio das histórias de Poirot, acho que perdi a noção do horário lendo o livro, porque Biel me mandou uma mensagem falando que já estava voltando para casa. Falei para ele vir me ver e jantar comigo, acabei me relembrando que eu tinha que comer algo. Desço e sento na poltrona de frente para janela para vê-lo chegar. Quando ele está se aproximando já abro a porta e ele apressa o passo e me abraça pela cintura me levantando do chão. Dou um beijo carinhoso em seu pescoço e ele me volta ao chão me beijando agora no lugar esperado. O toque do beijo dele me reconforta, ao mesmo tempo que me acalma, me deixa nervosa.
–Você bebeu? – perguntei quando chegamos a cozinha.
–Só um pouco, mas não se preocupe, não como você.
–Engraçado você né? Eu percebi. – respondi abrindo a geladeira. – Me acompanha? – coloquei duas garrafas de cerveja em cima da mesa.
–Que deu em você? Vai beber agora? – ele questiona, mas já estava abrindo-as. – Seus pais vão perceber que tem duas garrafas faltando.
–Eles sabem que eu bebo e já devem estar dormindo há umas duas horas. – eu estava precisando de bebida para esquecer um pouco as coisas.
–Você tem certeza Gabi?
–Tenho Biel, que isso? – pergunto dando um beijo nele.
–Ook então, por mim ta ótimo.
Eu achei uma pizza pela metade e nós dois dividimos. Bebemos um pouco e subimos para meu quarto. Deitamos na cama abraçados e eu o olhei com atenção. Seus olhos refletiam tanta paz e calma que não havia como se sentir bem e segura olhando-os. Percebi que tinha o melhor namorado de todos quando me toquei que ele não foi para meu quarto com segundas intenções, ele só queria ficar comigo.
–Sabia que eu achei que uma semana depois você iria terminar comigo. – ele quase sussurra por causa de nossa proximidade.
–Por que você achou isso?
–Você nunca teve um namoro firme mesmo e nós éramos muito amigos..
–Você ainda é meu melhor amigo Biel. Para mim você sempre será meu melhor amigo, mas também meu namorado. – um sorriso surgiu no meu rosto quando terminei a frase quase que automaticamente.
–Eu quero ser seu melhor namorado. – ele começa a rir, não sei porquê.
–Você já é Biel. – coloco nossos lábios a poucos milímetros de distância. – Eu espero conseguir te aguentar por um bom tempo, porque eu quero muito ficar com você. – selo minha frase com um beijo.
–Eu te amo Gabi. – ele responde olhando nos meus olhos e me fazendo sentir como ninguém mais consegue.
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