1° Capítulo

Karina Narrando:

O tédio estava mais que evidente em meu rosto, eu queria viajar. Mas como sempre meu pai preferiu pagar a passagem da Bianca... Sinto que ele me odeia. O por que... Não sei!

Cruzei meus braços, franzi o cenho e olhei para o meu pai

— Pai... Eu só quero ir a uma viagem... — comecei a falar e fui interrompida

— Nem começa Karina, você é muito nova para ir pra essas viagens! — ele me respondeu

— Eu já tenho 16 anos! — afirmei incrédula e descruzando meus braços

— Nossa! Super adulta. Hein? — falou e senti a ironia em sua voz

— Calma Ka. Vai ter outras viagens e você poderá ir — Bianca falou com aquele tom calmo dela

— Você só diz isso por que vai. Sonsa! — eu falo me levantando

— Ka... Se você arrumar o dinheiro eu deixo você ir — falou em tom de ironia novamente

— Que saco!

— Karina, KARINA — o ignorei e fui pra praça

Autora Narrando:

Karina se sentou no banco da praça, se perdeu em seus próprios pensamentos, estava tão distraída que não percebeu que lágrimas escorriam por suas bochechas

— Iaê esquentadinha — Pedro falou sem perceber que ela estava chorando — ficou muda agora? — falou e se afastou se preparando para levar um soco ou um chute

— Não me amola, Moleque — o respondeu com a voz trêmula

— Você tá chorando? — ele a perguntou confuso

— O que você acha? — o respondeu com outra pergunta em um tom de ironia

— Acho que sim. — ele falou e ela revirou os olhos — Por que você está chorando? — a perguntou

— Por que eu te diria o motivo?

— Para de ser um pouco marrenta, esquentadinha!

— Para de me chamar de esquentadinha

— Por que eu faria isso, esquentadinha? — ele falou e conseguiu arrancar um pequeno sorriso dela — A esquentadinha sorriu? É isso mesmo produção?

— Ah me deixa em paz! — ela falou se levantando irritada e começou a andar na direção a casa dela

— Espera! — ele disse e ela parou de andar — pode me dizer o que aconteceu, não é todo dia que te vejo chorar, é até estranho te ver chorar — ele falou e fez uma expressão confusa, ela voltou e se sentou no banco da praça novamente

— Eu queria ir pra viagem da escola, mas meu pai preferiu pagar a da Bianca...

— Só por isso?

— Me deixa falar moleque! — disse e ele levantou as mãos em sinal de rendição — a família da minha mãe mora na cidade e eu queria ir visitar eles, você sabe que eu perdi minha mãe — ela falou e os olhos dela marejaram

— Calma esquentadinha, acho que posso te ajudar...

— Como vai me ajudar moleque?

— Dessa vez é você que está me interrompendo — falou e ela revirou os olhos — eu te pago a passagem se eu puder ir junto — falou e ela sorriu

— Sério mesmo?

— Mas...

— Sempre tem esse "mas" que estraga a felicidade das pessoas — disse bufando irritada e ele revirou os olhos

— Na volta você tem que fingir ser minha namorada por 2 semanas — ele falou e ela arregalou os olhos

— Como assim? Tá doido moleque? Eu não vou fingir ser sua namorada — falou rapidamente e incrédula

— É pegar ou largar. Se você fingir ser minha namorada você visita sua família, mas se não, nada feito

— Isso é suborno

— Pense como quiser

— Mas por quer que eu finja ser sua namorada?

— Lembra da Tainá?

— Sim. Por que?

— Eu estava saindo com ela, começamos a namorar mas ela me traiu e eu disse pra os meus amigos que eu já estava com outra garota — ele falou sem graça passando a mão nos cachos dele

— Você ainda gosta dela?

— Sim.

— Quer fazer ciúmes a ela e também mostrar que estar por cima?

— Exatamente

— Ok, ok. Eu topo, amanhã vai ser a viagem, esteja pronto "namorado" — Karina falou e acabou soltando uma risada, Pedro riu junto

— Ok "namorada", tchau! — falou e deu um beijo na bochecha dela

— Não te dei essa intimidade moleque!

— Olha a Tainá ali — ele falou e apontou disfarçadamente com a cabeça. Karina viu olhou pra ele e sorriu maliciosamente

— Vamos começar o plano agora

— Como assim?

Sem responder a pergunta do moreno ela o beijou, ele logo guiou uma de suas mãos para a cintura da loira e a outra para o rosto da mesma, enquanto ela puxava levemente os cachos dele

Se separam por falta de ar e a tempo de ver Tainá sair pisando fundo

— Tchau moleque — falou e saiu deixando Pedro lá parado no meio da praça

Continua...