Naive - Hiatus
16 Capítulo quinze
Notas iniciais
A Mary sumiu total então tô postando o capítulo sem beta mesmo, relevem qualquer errinho.
Ajeitei-me desajeitadamente assim que ouvi seus passos, quando seu cheiro chegou-me antes mesmo das batidas de seu coração.
Já havia acordado a algumas horas e Cassie já havia ido até o quarto, aberto as janelas, ajudado-me com o banho e com o vestido leve que trajava. Penteou-me os cabelos, prendendo-os em forma de cascata para cima e empurrou-me um café da manhã, o qual comi apenas algumas frutas de mal agrado. Não sabia por quê, mas parecia que depois do ataque a comida humana passasse com um gosto cada vez pior por minha garganta.
Lá fora o sol brilhava jubiloso, lançando seus raios dourados e ondulantes pela janela e banhando todo o quarto em sua aura resplandescente. Havia pedido à Cassie que fechasse as cortinas, não sabia o que era pior, a claridade que irritava-me a vista ou o dia límpido que fazia lá fora sem que pudesse estar no jardim em meio as minhas flores coloridas ou lendo um de meus livros, mas a donzela havia argumentado que o sol faria-me bem e tratou de deixadas bem abertas. No momento as luzes solares faziam-me apenas ficar com calor e irriquieta por ter de ficar em repouso naquela cama.
Os passos de Jacob soaram mais altos, mais próximos e ouvi sua risada rouca em meio a um gracejo qualquer com alguém. Segundos depois e ele estava parado na porta, analisando-me com seus olhos negros e nas mãos tinha a mesma caneca de prata de ontem. O cheiro que provinha dela fez-me a boca encher de água e a garganta arranhar novamente.
— Bom dia — Ele disse.
Vestia suas calças negras ajustadas em suas coxas torneadas, as botas negras, altas e polidas postas por cima dela e a camisa de algodão egípcio com os dois primeiros botões abertos, um colete branco de couro com bordados e adornos em negro por cima dela e havia cortado os cabelos.
— Bom dia — Respondi-o.
Aproximou-se alguns passos e entregou-me a caneca que cintilava com as luzes provenientes do sol e enquanto bebia os primeiros goles não demonstrou expressão alguma, diferente da outra noite seu rosto permaneceu exatamente o mesmo, inalterável e impassível.
O sangue desceu doce por minha garganta, como gelo, sanando qualquer calor ou chamas que poderia antes sentir e mesmo no meio do frenesi que sempre era quando bebia-o pude notar que aquele sangue não era o mesmo da noite passada. Decidi que o melhor era não fazer perguntas sobre aquilo, que direito a contestar a origem do sangue teria afinal? Quando eu própria já havia escapado incontáveis vezes em busca de sangue, de quem fosse, noite afora, além de Jacob não ser a pessoa que mais estivesse inclinada a responder as minhas perguntas em todo o mundo. Ele sempre desdobrava-me de alguma maneira e acabava por responder apenas aquilo que ele queria que eu soubesse.
— Como se sentes? — Esperou perguntar até que tivesse bebido todo o conteúdo do copo e seus olhos atentos e obsequiosos seguiram minha mão quando depositei o copo na cabeceira ao lado da cama.
— Bem — Disse simplória e sinceramente.
Jacob anuiu, concordando com a cabeça e movendo-se nervosamente no outro canto do quarto. Não deixei de notar o quanto parecia mais novo quando cortava o cabelo, parecia com seus reais dezoito anos, um menino e não o senhor herdeiro de fortunas e terras Black.
No meio de seu andar sua camisa aberta mostrava parte do peito amplo, foi quando vi, uma linha fresca a escarlate que tingia em seu peito e levou cerca de meio segundo até que entendesse e assimilasse o que era.
Ofeguei com a vista cravada na ferida, o coração pareceu parar durante esse tempo, assim como o ar pareceu faltar e tudo o que desejava era ter forças suficientes para pôr-me para fora da cama sem necessitar da ajuda de alguém. Tentei e senti o estalar de minhas costelas. No segundo seguinte Jacob estava ao meu lado, segurando-me os braços e encarando-me com os cenhos franzidos, a face séria.
— Não tomas jeito Nessie? — Disse nervosamente. — Será preciso que mande amarrá-la nesta cama para que aí fique quieta?
Ajeitou-me cuidadosamente nas almofadas e sentou-se ao meu lado na cama, no lado que costumava ser o dele, quando este quarto, mesmo que em um breve período, fora dele também.
Pensei que talvez teria tido uma ilusão. Jacob estava ao meu lado e não havia linha vermelha alguma em seu peito, mas soltou um suspiro sonoro que bastou para que sua camisa ondulasse com a respiração e lá estava ela de novo, um corte superficial e longo que estendia-se horizontalmente no peito direito mas que ainda assim exalava o cheiro de sangue recém coagulado.
Meu sangue amontoou-se nas têmporas e a onda de calor que senti obrigou-me a entrecerrar os olhos. Minha mão direita, como se tivesse vontade própria, saltou para onde havia o corte, o sangue seco mas ainda vermelho e os dedos finos e delicados tocaram na ferida. Jacob acompanhou meus movimentos com os olhos e não fez menção em tirá-la dali.
— O que foi isto? — Disse com a voz num suspiro.
— Não foi nada — Disse ele. — Estava apenas praticando espada com alguns amigos, cortei-me, não foi nada.
A mão deslizou por seu peito pairando na beirada de sua camisa aberta, encarei-o com os olhos luzentes em um desespero surdo. Jacob não parecia dar importância aquilo, ele nunca parecia dar importância a nada, seu rosto era incorruptível.
— Deve tomar-me como uma perfeita tola, não? — A voz saiu alterada, mais alta e mais forte. Sentia-me alterada por dentro. — Fora atrás dele não fora?
— Não fui. — Disse tranquilamente mas com a voz segura.
No entanto eu poderia sentir, o prurido remexendo-se por dentro agora mesmo, alertava-me de que ele estava mentindo e só por pensar em ter Jacob em perigo deixou-me abalada e uma mão parecia apertar-me o peito em um duro aperto de aço.
— E deixe de ser teimosa, se disse que feri-me com uma espada é porque assim foi. — Exprimiu com sua voz austera, deixando claro que não haveria ali espaço para contra argumentações.
Focou seu olhar nas janelas, no dia claro e límpido que fazia lá fora e recostou-se nas almofadas da cama, foi quando notei que minhas mãos ainda apertavam-se nervosamente em sua camisa e o quão próximos nós estávamos. A respiração agitou-se de pronto, o coração tamborilou contra os ouvidos altos como uma banda em um dia de festim e aquilo parecia ser algo que nunca mudaria assim tão fácil.
Seu cheiro viajou até mim, seu aroma limpo e animal enchendo-me as narinas e depois de algum pesar e hesitação não foi preciso muito mais do que um singelo reclinar para poder tocar seus lábios fartos e afáveis, bastou que fechasse os olhos e sentisse sua respiração quente contra o rosto. Gentilmente nossos lábios se moldaram, como sempre deveria ser e senti todo o desejo, fervor e paixão que explodiam em uma intensidade incontrolável.
O beijo era suave, calmo como nunca havia sido antes mas não retirava o encanto que parecia ter. Sua língua quente e sedosa irrompendo em minha boca, atraindo-me para a sua e suas mãos rondavam-me o corpo, seguravam-me a cintura com tamanha delicadeza, parecia ter medo de tocar-me mais profundamente e quebrar-me com seus gestos bruscos.
Afundei a mão em seu cabelo e beijei-o o mais calorosamente que podia, trazendo seu corpo para mais perto do meu, envolvendo-o com meus braços. A mão de Jacob subiu pela lateral de meu tronco, ainda comedida, tímida, apalpava-me entre seus dedos calorosos. Parou-a quando chegou ao seio e apertou-o, em uma deliciosa carícia que fez-me soltar o ar preso entre os lábios semicerrados.
A respiração agitada fez-se mais rápida e enquanto olhava fixamente nos seus olhos tentei levantar o corpo para que pudesse sentar sobre seu colo, mas no mesmo momento as costelas estalaram e doeram e Jacob parou assim que ouviu o estalo. No segundo seguinte suas mãos não estavam mais em meu corpo, fazendo-o arder e nem seus lábios estavam mais em minha boca. Minhas mãos deslizaram pelo vazio até encontrar-se com o colchão e as cobertas e Jacob levantou-se e andou em direção a porta.
O suspiro que saiu de minha boca era um suspiro cansado, não sabia por quanto tempo mais poderia aguentar toda aquela situação, porém, contrariando minhas especulações, Jacob fechou a porta atrás de si e trancou-a, e quando voltou a andar fora para regressou à cama. Sentou-se em seu terminal, com um sorriso entre os lábios.
Agarrou-me os calcanhares e flexionou minhas pernas, abrindo-as e parando no meio delas. As mãos subiram cada uma em uma perna e o longo vestido acompanhou seu movimento. Quando tocou em minhas coxas a respiração apresentou-se falha novamente e tudo o que podia enxergar eram os cabelos negros e desalinhados de Jacob em meio toda aquela confusão de tecidos que era o vestido enquanto sua cabeça oscilava. Por sorte não usava panniers ou farthingales, não necessitava, passaria todo o resto do dia deitada, assim como no outro e no outro.
Suas mãos continuaram o caminho sinuoso que já provocava as primeiras sensações em meu corpo. Seus dedos sondaram e acariciaram o canto oculto a que tinha no meio das pernas dedilhando-me, deixando-me molhada, inchada e latejante, completamente entregue sob seu toque. A respiração pareceu ficar presa na garganta quando seus lábios depositaram um beijo suave em meu sexo e depois tantos outros causando um frenesi insano, não tive outra reação além dos gemidos profundos e guturais que suas carícias arrancaram de mim.
Berrei quando sua língua deslizou pela minha fenda, deixando-a mais molhada do que já estava, latejando, desejando que sua língua fosse mais fundo. Aprofundou o movimento, enterrando sua língua quente e úmida cada vez mais profundamente em mim, fazendo-a deslocar-se ao longo de todo meu sexo, alternando seu movimento entre beijos e sugadas que arrancavam-me gemidos incontroláveis e incoercíveis.
Sua boca sugou-me havidamente o clitóris, lambeu-o com sua língua ardente e faz-me arquear as costas em um arco, ainda que doessem, para ele, inclinando meu quadril contra sua boca, implorando por mais, ficando mais aberta para ele enquanto suas mãos passeavam livremente por debaixo do vestido. Me sentia completamente tomada pelo prazer de ter Jake sugando-me com tanta vontade e nada mais importava.
Meus braços ergueram-se e minhas mãos adentraram pelos cabelos sedosos de Jacob sem dificuldade, mergulhando no mar negro que eles eram e puxei-o, fazendo com que assim sua boca se pressionasse ainda mais contra meu sexo. Apoiou as mãos contra minhas coxas, apertou-as tanto que senti doerem sob suas palmas e sugou meu clitóris pressionando-o em seguida entre seus lábios macios.
Meu corpo se contorcia, minhas mãos passeavam por seus cabelos e suas costas amassando o tecido de sua camisa. Aquilo estava bem acima do que qualquer sanidade poderia aguentar mas Jacob continuou penetrando-me e sugando-me até que senti minhas paredes se contraírem e o calafrio que sempre antecipava o orgasmo. No segundo seguinte sentia espasmos pela onda violenta de prazer e o líquido quente que escorreu por entre as pernas, molhando-me a coxa. Jake sulgou-me uma vez mais, fez-me arfar aberta para ele uma vez mais e sussurrar seu nome uma vez mais enquanto meus dedos agarravam-se com força ao lençol da cama fazendo-o romper-se e rasgar-se assim como o grito escapado por entre meus lábios.
Ainda sentia os espasmos que atingiam-me o corpo tenro pelo prazer quando voltou o caminho antes feito pelas mãos com a boca. Seu rosto primoroso apareceu-me entre os tecidos quando ainda tinha os lábios febris pressionados contra minha coxa.
— Minha doce Ness — Ronronou.
Sua voz nunca soou tão doce ou afável aos meus ouvidos, suas palavras eram quase como uma carícia e fizeram-me o coração pulsar rudemente contra as costelas, parecia como se fosse sair do peito.
Apoiei as mãos contra o colchão, forcei os ombros para cima mas o máximo que consegui fora novamente o estalar das costelas. Suspirei em frustração, tudo o que queria era dar a Jacob algum prazer. Sabia que não tinha o mesmo poder que ele tinha sobre mim, mas alguma coisa poderia fazer. A falta de experiência, que a Jacob não faltava, em mim sobrava e zombava de mim agora mesmo, pois não bastava ela, tinha que ter as costelas doloridas também?
Jacob percebeu minha agitação. Ergueu os grandes olhos negros e tocou-me a barriga ainda com as mãos por debaixo do vestido, pressionou meu corpo gentilmente para baixo, sabia o que eu estava tentando fazer.
— Não deve esforçar-se, — Disse relaxado com a mão ainda na minha barriga, fazendo círculos com os dedos sob o tecido. — poupe suas forças.
Não conseguiu mais que um suspiro. Ficou ainda algum momento mais entre minhas pernas, com o olhar perdido e divagando antes de falar:
— Ficará algum tempo na casa de seus pais — Entoou.
A cabeça pareceu girar contra as almofadas e pensei em tantas coisas nesse momento. Experimentei, de novo então, do mais puro desespero. Jacob iria mesmo livrar-se de mim? Mandar-me de volta para casa como seu pai havia aconselhado? Depois de tudo aquilo, eu deveria prever.
— Por que? — Foi tudo que consegui dizer tenerosa, a voz quebrada e esganiçada.
— Terei de viajar, — Respirei em pleno alívio. Então não seria permanente, em breve estaria de volta. — tenho negócios para resolver...
O alívio durou pouco, quase nada, apenas o tempo que a cabeça necessitava para juntar as peças.
— Não pode! — Vi-me gritar pelo quarto ao interrompê-lo. — Sabe que Cameron está atrás de você. Não pode simplismente ir, não pode simplismente me deixar — Concluí em um fio de voz.
Jacob encarou-me, pareceu ponderar mas então sacudiu a cabeça obstinado.
— Não pararei minha vida por causa de Cameron, Ness.
— Quanto tempo ficará fora?
— Uma semana.
O desespero batia à porta novamente.
— Irá caça-lo não é? Jake será que não ouviste nada do que lhe disse?
— Não vou caçá-lo e se quisesse não precisaria de uma semana, encontro-o em um dia se quiser — Disse ele carrancudo. — Por Deus, pare de preocupar-se com coisas tolas Renesmee, e com o que não lhe diz respeito.
— Coisas tolas Jacob? Que não me dizem respeito? — Perguntei incrédula. — A mim não parece.
— Pois a mim sim — Disse rude, autoritário.
Ergueu mais o corpo de mal humor, até que desse para vê-lo da cintura para cima e ajeitou-se sobre a cama.
— Seus pais já estão informados, consentiram, assim que retornar mando uma carruagem para buscá-la.
Encarou-me com o rosto sério, assim como sua voz. Os cenhos franzidos e agora parecia novamente um homem apesar do cabelo cortado.
— Por favor, procure controlar-se neste tempo e não saia esgueirando-se pelas janelas para fugir. Não quero ter de colocar um de meus criados à sua porta e dar-lhe ordens para que entre em seu quarto quando ouvir ruídos, levando-se em conta que prefere janelas. Leve Cassie com você se assim preferir e isto está fora de discussão.
O tom por ele usado por si próprio já dizia que aquilo estava fora de discussão e nada poderia fazer além de ter de lidar com minha aflição por uma semana.
Levantou-se da cama, faz a madeira ranger. A minha frente sua figura estendia-se turva, em meio às lágrimas que banhavam os olhos, mas uma última tentativa deveria fazer, era minha obrigação, para poder dizer a mim mesma depois que não havia desistido tão fácil.
— Por favor, não vá — A voz saíra baixa mas Jacob ouviu-me. Parou o passo, já havia cruzado metade do quarto em direção a sua saída, mas minha voz levou-o à cama novamente.
Olhou-me com os olhos cheios de pesares, parecia não gostar daquilo tanto quanto eu, mas então por que diabos teria de ir?
Inclinou-se, agarrou-me o pescoço delicadamente e puxou-o depositando um beijo sobre minha testa úmida pelo calor e por segundos pensei que as simples palavras sussurradas poderiam fazê-lo mudar de ideia.
— Tenho que ir — Disse contra meus cabelos.
Ergueu-se, olhou-me mais uma vez e disse:
— Cuide-se.
E saiu porta afora em seu passo forte e altivo.
A tarde os criados já haviam preparado tudo para a partida. Jacob já havia ido e não havia passado no quarto novamente. No outro canto do cômodo Cassie arrumava as últimas coisas em uma mala de mão e assim que fechou-a voltou-se para mim com um sorriso nos lábios.
— Podemos ir duquesa?
Estava feliz por requisitar sua companhia, bem mais feliz com a visita à casa de meus pais que eu própria. Ao que parecia Cassie, com os seus muito maus vividos dezessete anos, havia saído tão poucas vezes do castelo e de suas redondezas que poderia se contar nas mãos as ocasiões.
— És tu que me diz Cassie, está tudo pronto?
— Absolutamente — Respondeu-me eufórica, assemelhando-se a Alice.
— Então podemos ir.
Cassie caminhou até o corredor, chamou por alguém e algum momento depois um criado adentrava pelo quarto, vestido com libré curvou-se ao encarar-me numa gentil saudação. Ajudou-me a sair da cama e a parte mais difícil fora descer as escadas. Estava no meio de Cassie e do criado com a maior parte do peso inclinada sobre ele enquanto atrás de nós mais criados desciam com as malas.
Ao saírmos pelo grande portão vislumbrei do pôr do sol. Sua bola incandescente e inchada parecia tocar na floresta obscura, banhando sua copa com suas luzes alaranjadas e agora não parecia tão assombrosa ou assustadora como de fato era.
A carruagem já esperava à porta e os lacaios e criados carregavam a bagagem para ela. Jacob havia deixado a mais garrida das carruagens, talvez os negócios a que tinha para tratar não eram assim tão importantes.
Com a ajuda de dois criados subi-a, senti os ossos rangerem e a dor nas costelas, mas passou assim que reclinei-me nas numerosas almofadas de penas que Cassie havia colocado por todo o lado na carruagem. Sentia-me livre apesar das dores que agora eram mais tênues e longínquas. Não usava espartilho e tentei, mas não consegui recordar-me de uma única vez em que não o havia usava depois dos doze anos. Por fim sentia que poderia realmente respirar.
Cassie subiu na carruagem logo depois com a ajuda de um criado e sentou-se ao meu lado sorrindo como uma criança que era presenteada no dia de seu aniversário. A carruagem pôs-se então em movimento e a viagem foi tranquila, bem mais tranquila do que me recordava que fora no dia de meu casamento. Dentro da carruagem bem mais parecia uma cama do que qualquer outra coisa era certo, mas de alguma forma o caminho parecia também menos pedregoso e traiçoeiro. Não havia saído do castelo ou de suas redondezas desde que havia ido para lá e no entanto não sentia-me mais hílare por em fim fazê-lo.
Os cavalos trotaram e a carruagem parou abruptamente, sua estrutura rangeu e abri o tecido fino de seda dourada vislumbrando o enorme casarão que um dia já fora chamado de minha casa.
Não houve tempo para apreciar a visão. No segundo seguinte o lacaio que seguia conosco na carruagem abriu sua porta e ajudou-me a descer, mantendo-me de pé, com seu braço ao redor da minha cintura sustentando-me. Cassie saiu da carruagem e seus olhos claros cor de mel brilharam assim que viram a grama verde que ondulava com o vento forte assim como as ondas do mar oscilavam.
O chofer pegou nossas malas e nos dirigimos a porta, golpeou a aldrava e segundos depois era minha mãe quem a abria, juntamente com um sorriso afável. Atrás dela dois criados dividiram as malas que estavam com Mitch e Cassie passou a sustentar o meu corpo. Mitch e o lacaio seguiram caminho à carruagem a fazendo pôr-se em um movimento ruidoso antes que entrasse em casa.
Lá dentro o velho cheiro do espargido e do estável alcançou-me assim como cheiro de Lisa que andava desajeitadamente em minha direção numa tentativa falha ao que parecia de correr.
— Querida! — Disse ao envolver-me entre seus braços finos.
— Lisa! — Disse contra seu pescoço.
Era bom tê-la ali, manteria os nervos mais controlados durante a semana.
— Vim assim que soube que passaria algum tempo aqui, farei-te companhia, até quando puder — Sorriu.
— Querida, deve estar cansada. Jacob deu-me instruções para deixá-la em repouso, por mais que não queira. É melhor que suba ao quarto, pelo menos por agora. Importa-se de ir com as meninas? Tenho que supervisionar o jantar, seu pai saiu mais estará de volta para ele.
Pensei, por um momento que fosse, que aqui, talvez, poderia fazer o que bem quisesse, sem ter de me preocupar com as costelas, a cabeça ou a fadiga, mas tentar convencer Isabella Cullen era inútil. Sabia bem o quão teimosa e irrefutável era. Acabei por fim dizendo:
— Não se preocupe mamãe.
Deu-me um beijo na testa, alisou-me os cabelos com um meio sorriso e seguiu o patamar no caminho em direção à cozinha.
Subi as escadas com a ajuda de um outro criado e ter de ser carregada para um lado e para o outro como um bebê já estava começando a enervar-me. Atrás de mim Cassie e Lisa seguiam em uma conversa animada.
Quando o criado chegou à porta do quarto e abriu-a seu cheiro acertou-me por inteiro. Ainda que alguns criados tivessem entrado no quarto, ainda que as janelas estivessem abertas, ainda que as minhas malas já estivessem no cômodo, seu cheiro sobressaltava a de qualquer outro. Havia estado aqui, a uma noite no máximo e os pelos de meu pescoço eriçaram-se nervosamente.
— Nessie? — Ouvi a voz de Lisa chamando ao fundo, distorcida e tênue, como se não estivesse ao meu lado.
Tudo parecia mais brando agora, a cabeça parecia girar.
Cassie parou em minha frente, encarou-me com uma expressão apreensiva ao perguntar:
— Duquesa, está tudo bem?
Levou alguns segundos até que conseguisse obter uma resposta. Os segundos que necessitava para sair do transe, do entorpecimento. Balancei a cabeça, com os olhos brilhosos encarando seu rosto em meio a névoa.
— Tudo — Disse. — Desculpem-me, só estava recordando-me de todas as lembranças que este quarto traz-me. Recorda-se Lisa?
Era uma desculpa, uma desculpa que havia dado certo pois Lisa pôs-se a sorrir no mesmo instante e respondeu:
— Oh sim! Mas de qual delas discorre? Há tantas!
Levou as mãos ao alto, sorrindo enquanto o criado acomoda-me na cama e deixava o quarto.
— Lembra-se da vez em que a criada contou-nos histórias horripilantes e que dormimos abraçadas debaixo da cama de olhos atentos a porta? Isto é, antes de corrermos aos berros para o quarto de seus pais — Soltou uma gargalhada e eu sorri assentindo.
Cassie parecia bem interessada nas histórias de Lisa e enquanto conversavam minha mente vagava para bem longe daquele diálogo. Agora não teria que temer apenas por Jacob ou por mim, teria a família também e Cameron parecia sempre saber de tudo, estar sempre um passo à frente e isso deixava-me tão apavorada que não era capaz de exprimir em nem mesmo o mais nervoso dos choros.
Levei as mãos às têmporas. A semana seria longa.
Notas finais
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Beijinhos.
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