Naive - Hiatus
10 Capítulo nove
Notas iniciais
Obrigada a todas pelos reviews do último capítulo.
Despertei decepcionada apesar do sol alegre que se filtrava pela janela, apanhando as bolinhas de pó que dançavam no feixe de luz como se tivessem um propósito. Alguma das donzelas havia entrado em silêncio, aberto as cortinas, ascendido o fogo da lareira e voltado a sair sem despertar-me, eram excelentes todas as donzelas que viviam no castelo.
Bocejei, estirei-me sentindo cada músculo tenso protestar e deixei cair os pés por um lado da cama antes que tudo voltasse a reaparecer em minha mente, como um raio. Meu pequeno conflito com Jacob na noite anterior. Como iria erguer-me da cama e enfrentar mais um dia a seu lado como se nada houvesse acontecido, como o próprio havia sugerido? A resposta veio quase que imediata e pus-me de pé de um salto e adotei uma postura reta. Enfrentá-lo-ia sem problemas, e lhe daria exatamente o que ele queria: uma anfitriã. Inundaria-me naquela ocupação, não me esconderia em minha suíte nem andaria chorosa pelos cantos do castelo. Faria o mais impecável dos trabalhos e evitaria a aquele homem o quanto pudesse.
Quando Cassie, minha preferida entre as donzelas, adentrou pelo quarto com seus audíveis passos contra o chão luzidio de madeira já tinha retirado do armário um vestido cor de pêssego, adornado em seda no decote.
Penteou-me os cabelos até que estes estivessem brilhando e prendê-os em cascata para cima. Depois de várias tentativas falhas de arrumar as mechas ao redor do rosto Cassie elevou as mãos em gesto de conformada derrota. Teria que deixá-los assim. Não importava, não era como se eu estivesse tentando impressionar Jacob, afinal, não era mais sua esposa realmente, na verdade nada mais era do que um belo vaso para que ele pudesse exibir aos amigos.
Quando cheguei a sala de café Jacob já estava sentado à mesa. Desfrutava de um prato de ovos de ganso cozidos e pães torrados temperados com tomate e ervas, um lacaio servia-o de suco de amora. Mal olhou-me quando inclinou a cabeça saudando-me.
O café da manhã resultou tão formal como de costume, naquele e em todos os outros dias que sucederam-se.
— Está tudo tão lindo Nessie! — Lisa suspirou ao meu lado enquanto seus grandes olhos azuis brilhavam com as luzes das inúmeras velas espalhadas pelo grande salão.
— Obrigada. — Lhe sorri.
E estava, de fato, tudo gracioso. O lustroso piso branco reluzia com ainda mais intensidade do que habitual naquela noite. Ao centro do salão abobadado pendia-se um vistoso lustre de cristais, dezenas de velas ardiam de cima dele, tingindo todo o salão com cores jubilosas. Em suas paredes brancas eminências douradas, quadros que eu não me atrevia a especular o preço e grandes e grossas cortinas verde oliva pendiam do teto até o chão.
Lacaios vestidos com libré que andejavam pelo salão com suas bandejas e acima de tudo garrafas de vinho ou bebidas ministrando as pessoas. O cheiro doce de bebida já subia no ar.
Havia sido apresentada a vários amigos de Jacob, tantos que o maxilar ainda doía de tanto ter de sorrir. Alguns amigos novos de Devon, outros que viajaram de Berks para o baile. Não importava, só sabia que o salão estava cheio com as mais importantes famílias das redondezas e metade daquelas pessoas não me eram conhecidas até então.
Alice dançava animadamente no meio do salão, rodeada de outras donzelas que rodavam seus vestidos volumosos de um lado e para o outro. Seu rosto cintilava e seus cabelos prendiam-se em sua testa suada. Estava iluminada e cheia de vida, como sempre estava e seus risos melodiosos podiam ser ouvidos por cima da música animada que tocava.
Rosalie havia sumido a pouco menos de uma hora, Emmett também não encontrava-se no salão então imaginar onde poderiam estar e o que estariam a fazer não era difícil.
Mamãe e papai estavam sentados em um canto do salão onde bebiam vinho enquanto conversavam com o brilho que sempre estava presente em seus olhos quando estavam perto um do outro.
Jacob encontrava-se no outro canto. Alex, o marido de Lisa; Jasper e outros rapazes haviam formado uma roda onde conversavam e riam uns dos outros enquanto bebiam. Jacob uma vez ou outra rodeava o salão com os olhos procurando-me.
Ao final de tudo era uma noite feliz, feliz para a maioria pelo menos.
— Venha, vamos tentar nos divertir um pouco também. — Lisa puxou-me pelo pulso divertida.
Seus olhos varreram a sala e quando achou um lacaio aproximou-se comigo ao seu encalço.
Minutos depois o vinho já começava a apresentar seus primeiros efeitos até mesmo sobre mim. Minha visão preludiava de certo desfoque, uma tênue nuvem turva que havia instalado-se diante de meus olhos. O raciocínio e os sentidos debilitados e lentos, mas a ardência em minha garganta havia diminuído consideravelmente e eu agradecia sobre aquilo. O melhor era a sensação de euforia, o calor de uma passageira felicidade que me abraçavam como braços quentes de urso.
Lisa diante de mim estava bem pior. Agarrava-se ao cálice de vinho como se disso dependesse a vida e o tom de voz havia aumentado gradativamente. Mal conseguia por-se direita em pé e falava embolado.
— Você é tão linda Nessie e eu te amo, amo-te de verdade como se fosses uma irmã! — Lançou os braços ao ar e envolveu-me em um desajeitado abraço.
— Eu também Lisa — Disse retribuíndo o abraço e suportando seu peso em meus braços.
Às suas costas Alex caminhava calmamente em nossa direção. Sorriu quando viu o estado de Lisa e tocou-lhe o ombro. Lisa desvencilhou-se de meu abraço para estreitar-se ao redor dos braços de Alex em um abraço fervoroso.
— Amor! Eu te amo tanto — Disse a ele.
— Talvez alguém tenta excedido-se um pouco na bebida.
— Jamais. Nunca estive tão sóbria.
— Nota-se. — Disse rindo, divertindo-se com a situação.
Enlaçou a cintura de Lisa com um braço sustentando-a.
— Agradeço por cuidar-lá Renesmee.
— Não há porquê.
Fez a melhor reverência que poderia, Lisa abraçava-o pelo pescoço com o corpo brando e depois partiu a caminho da saída do salão.
Não pude deixar de notar o quanto Alex era diferente de Jacob, no modo como se comportavam, pensavam, agiam, em tudo. Enquanto Jacob despejaria milhões de broncas e sermões por eu ter bebido Alex fora compreensivo. Ele era maleável, amável, enquanto que Jacob era inflexível, teimoso, tinha que estar sempre com a razão.
Estava pronta para seguir o exemplo deles e ir dormir, mas a figura de um homem esgueirou-se a minha frente bloqueando o caminho.
— Com sua licença senhor — Disse sem ao menos olhá-lo nos olhos, o que menos necessitava agora era de algum bêbado inoportuno.
Quando não moveu-se elevei a vista crispando os olhos encarando o homem. Era jovem e vestia um colete bordado em um azul profundo, combinava com seus olhos. Os cabelos castanhos quando tocados pela luz das velas apresentavam-se avermelhados e caiam em caracóis até quase a altura dos ombros. Tinha uma barba negra por fazer e abriu-me um sorriso brando quando viu-me encarando-o.
— Não há porque ter pressa senhorita.
— É senhora — Corrigi-o com a voz firme. — E estou acompanhada, se me der licença...
Tentei esgueirar-me, mas o salão repleto de pessoas dançando não fazia de caminhar rápido uma tarefa fácil, além do vinho que ainda prejudicava-me a destreza. Suas mãos tocaram em meus braços e olhou-me nos olhos com tanta intensidade que tive de desviar, a essa hora os meus próprios olhos rondeavam apressuradamente todo o salão, procurando pelos olhos dele. Mas onde diabos estava Jacob quando se precisava? Havia passado a festa inteira vigiando-me, provavelmente temendo que eu sugasse algum de seus convidados, mas quando precisava-se dele, sumia.
— Eu quero apenas conversar, parece-me sozinha.
— Mas ela não está sozinha, ouviu-a dizer isto Andrew — A voz de Jacob ressoou em minhas costas dura como rocha, senti a garganta apertar.
Virei-me, encarando-o. Tinha as feições tensas, as mãos apertadas em punhos com tanta força que as dobras estavam brancas.
— O mais insólito nisto tudo é que está na casa dela, deveria saber quem é a senhora, ou de quem ela é mulher. Ou talvez saibas e tudo o que falta-lhe é respeito, bom senso e amor à própria vida ao invés de informações.
Andrew mostrou-lhe um sorriso zombeiro.
— De fato não foram poucas as vezes em que ouvi falar sobre a linda nova senhora Black, a doce e adorável Renesmee, mas devo confessá-lo, os murmúrios não fizeram jus a vossa beleza. Confia-me quando digo-te que não sabia que tratava-se de sua mulher Jacob. Peço desculpas a senhora se insultei-a.
Esboçou uma reverência e deixou-nos rapidamente. Jacob bufou ao meu lado visivelmente aborrecido, não parecia nem um pouco convencido com a explicação de Andrew.
— Com sua licença, retirarei-me para os meus aposentos.
Abaixei os joelhos e inclinei a cabela, fazendo a formal reverência mas as mãos de Jacob seguraram-me pelo pulso.
— Espere — Ele disse. — Vamos dançar.
O salão abria-se em um caminho repleto de olhares curiosos enquanto Jacob e eu caminhávamos rumo ao seu centro. A mão de Jacob segurava a minha por cima da luva e mesmo com o tecido reluzente da seda bege parecia queimar-me com o seu calor.
Quando chegamos ao centro do salão a música recomeçou, um pouco mais lenta do que a anterior e os convidados pareceram agora entreter-se em suas próprias danças, conversas e bebedeiras novamente.
Jacob sorriu-me gentilmente, suas feições perfeitas iluminadas pelo lustre acima de nossas cabeças. Então colocou-me de frente para si e enlaçou-me a cintura com um braço, sua mão segurando-me firmemente a cintura enquanto a outra segurava minha mão. Parecia tão irreal, parecia um de meus sonhos. Jacob havia comportado-se como um verdadeiro cavalheiro a noite toda, a educação impecável sem nenhum resquício do homem amargo que havia habitado o castelo nos últimos dias.
Demorei meio segundo para raciocinar e então elevei minha mão esquerda apoiando-a em seu ombro.
Jacob conduziu a dança com passos ágeis. Fazia meu vestido balançar, pela primeira vez naquela noite, de um lado para o outro e minhas incertezas e interrogações esvaíram-se quando juntou mais nossos corpos, conseguia sentir seu coração batendo feroz contra meu peito. A onda de felicidade voltou, e o mundo parecia ser um lugar bonito de novo, sem monstros, sem o meu monstro interior.
Ao final da dança não tinha mais fôlego e soltava risos audíveis pelo salão. O baile parecia tão mais belo agora. As luzes douradas pareciam mágicas, reluzindo por todos os cantos. Centenas de cores provenientes dos vestidos e chapéus dos convidados enchiam-me a visão e a música, juntamente com o corpo de Jacob tão próximo ao meu, faziam meu coração quase chegar à garganta.
Do outro lado do salão Edward e Bella observavam-me, tinham sorrisos felizes e satisfeitos no rosto, fizeram-me sorrir ainda mais abertamente de volta para eles.
Contra meu pescoço a respiração de Jacob tentava normalizar-se. Desejei que não conseguisse tão cedo, era boa a sensação de sua respiração quente contra minha pele. Elevou o rosto e olhou-me nos olhos, colando nossos lábios de maneira açodada mas terna.
A magia da noite deixava-me ébria, entontecida pelos seus encantos, arrebatada por suas belezas.
O coração estava a pleno galope quando segurou em minha mão de novo, desta vez destinando-se às enormes portas do salão com que os lacaios abriram de pronto.
Fizemos o caminho todo de mãos dadas, contonamos o patamar até chegar a escada. Pessoas e lacaios andejavam por todos os lados do castelo mas quando chegamos ao segundo andar Jacob não seguiu o caminho das escadas rumo ao terceiro andar, o lugar onde era seu quarto agora. Adentrou ao patamar do segundo, juntamente comigo, ainda segurando minha mão e entramos juntos no quarto, fechando a porta por detrás de nós.
Notas finais
Espero que tenham gostado. Reviews, recomendações, críticas, sugestões, estamos aí..
Beijinhos
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