Naive - Hiatus

24 Capítulo vinte e três


Notas iniciais
E aí galerinha! Como anda a noite de segunda-feira? Tô correndo pra postar pra vocês, beijão! :)

Quando abri os olhos o sol lá fora já havia nascido a horas e horas. Podia dizer isto fosse pela maneira como brilhava vigorosamente lá fora, e não tímido como nas manhãs, ou pela maneira como o estômago roncava, reclamando pela falta do desjejum.

No outro canto do quarto ouvira ruídos, uma breve agitação de tecidos e braços. Cassie tratava de algumas roupas e arrumava uns objetos em um móvel próximo. Havia aberto uma das cortinas, assim como a janela, fazendo com que o vento fresco e o sol pudessem entrar, inundando quase que metade do cômodo com suas cores. A claridade havia feito-me crispar os olhos, sensíveis por sua grande luminosidade. Passado se havia tempo e o sol forte ainda encomodava-me a vista em dias claros como aquele.

— Bom dia — Disse com a voz a soar rouca aos meus próprios ouvidos.

— Oh, duquesa — A donzela deixou alguns panos por sobre a escrivaninha e dirigiu-se a mim, tomando a tarefa de arrumar a um dos móveis ao lado da cama. — Bom dia — Deu-me um dos seus singelos sorrisos. — Como se sente?

— Bem, — respondia-a. — acho que dormir fez-me bem. Sinto-me com as forças recuperadas.

Estava como estaria em qualquer outra manhã, apenas mais preguiçosa, se pudesse dizer. Sentia que podia passar o resto do dia ali, repousada naquela cama enorme entre inúmeros lençóis e travesseiros de penas, sem qualquer problema, e não teria então fora isto o que decidi assim que o pensamento passou-se por minha cabeça, tentador demais para ser posto de lado.

A sede ainda estava ali, parecia sempre estar, mas ainda assim não sabia o porquê, sentia-me mais saciada, mais controlada agora, não era como se estivesse prestes a pular contra o pescoço de Cassie a qualquer momento, a qualquer lufada de ar mais profunda que tomasse, como antes havia sentido.

— Isto alegra-me — Cassie disse.

— Cassie, sinto por meu desmaio no meio do enterro. Foi desairoso de minha parte.

Lembrava-me bem da onda de fraqueza que assolou-me, o foco ali deveria ser a menina, mas sabia que assim que fui ao chão as atenções foram viradas a mim.

— Não há porque desculpar-se — Ela disse sorrindo. — Desmaios não são coisas que podemos controlar senhora e eu e minha família estamos gratos por deixar que enterrássemos Anita nas terras da família. Foi uma honra que jamais poderemos recompensar.

— Não foi nada — Disse sinceramente.

— Além do mais os motivos de vosso desmaio são jubilosos demais para ter de desculpar-se ou sentir-se envergonhada com alguém.

Ainda não sabia o porque do desmaio, era algo que intrigava-me de fato. Pensava que vampiros fossem seres fortes, que nunca adoeciam, pelo menos fora isto o que contavam as histórias de quando era pequena, mas por mais que pudesse pensar e pensar não conseguia encontrar um único motivo que fizesse ser de um desmaio algo bom.

— Por que? — Finalmente perguntei.

Cassie encheu os pulmões antes de responder-me sem conseguir esconder o sorriso entre os lábios.

— Porque está grávida duquesa. Carrega um bebê de Jacob em teu ventre, apenas posso imaginar a alegria que está sentindo.

Tudo pareceu ir mais devagar neste momento. Mas, um bebê? Grávida? Do que Cassie falava afinal? Não seria possível, seria? Jacob havia dito-me, com todas as letras antes que não era possível. Entretanto a donzela a minha frente parecia bem convicta nesta ideia.

— Claro. — Fora tudo o que conseguira e limitara-me a dizer.

Não sabia bem o que sentia. Fosse a alegria, medo, tristeza, euforia ou terror. Afinal se estava grávida o que o bebê viria a ser? Um monstro como os pais? Não era isso o que queria para uma criança. Não era isso o que desejaria para ninguém, mas ainda assim senti no peito inflamar algum tipo de alegria irracional. Poderia então ser mãe, poderia gerar em mim a vida de outro ser, outro ser que seria meu e de Jacob e que dependeria de nós. Já estava apegada demais a criatura que crescia em meu ventre, e que a momentos atrás nem mesmo sabia que estava lá.

A última lembrança que trazia fora a de sentir uma onda de fraqueza antes de ter o corpo desmaiado sobre a terra, enquanto chovia e ventava bastante forte. Tudo depois disso parecia tão turvo quanto a água que caia do céu mas ainda conseguira sentir o cheiro de Jacob tão forte e distingui-lo no meio da multidão que amultoado se havia a minha volta.

Jacob! O que pensava Jacob disto tudo? A pusilanimidade então assolou-me completamente, quase podia senti-la em meus nervos. O que estaria sentindo agora? Estaria vibrante de ter seu almejado herdeiro ou despejaria todo o desprezo que sentia por vampiros também sobre o filho?

— Jake, onde está? — A voz saíra um tanto aguda devida a urgência.

— O duque ficou a manhã inteira ao lado de vosso quarto duquesa, esperando que acordasse, mas saiu não faz muito tempo, disse que tinha negócios importantes a tratar, mas que tentaria não se demorar.

Afinal o bebê seria uma parte vampira, como eu, não seria? Fosse o que fosse vir a ser não permitiria que o filho passasse pelo o que eu havia passado, que fsentisse algum dia o desprezo e asco do próprio pai. Não o faria sentir da mesma dor, que dilacerava a cada dia esperando pela aprovação dele, nem mesmo que para isto fosse preciso deixar Jacob, em definitivo desta vez, mas seria capaz de cuidar de um bebê sozinha? De um bebê que ao menos sabia o que seria? Eram perguntas em demasia para muito escassas respostas.

— Deseja alguma coisa duquesa? — A donzela despertou-me de minha mente. Tinha uma cesta cheia de roupas em seus braços esguios e estava prestes a deixar o quarto. — Algum suco, alguma fruta? O médico disse que precisa de muito suco e frutas. Vai querer o seu desjejum ou deseja que suba com vosso almoço? Ou vai fazer a refeição na sala de jantar?

— Não desejo nada agora Cassie, obrigada, estou sem sede.

— Quer que abra mais algumas janelas? Mais algumas cortinas?

— Assim está ótimo, só diga a Jacob que o espero quando regressar.

— Tudo bem. — Disse encaminhando-se a porta. — Sua família vem vindo, Matt disse que ficaram radiantes quando disse-lhes de vossa gravidez.

Então tudo poderia complicar-se ainda mais.

— Ótimo! — Disse ao vê-la sair.





— Já sente os enjoos? — A voz de uma Lisa mais que entusiasmada questionava-me ao meu lado enquanto seus olhos brilhavam mais do que diamantes.

— Por Deus Lisa, Renesmee descobriu ontem que está grávida e você já a quer enjoada? — Rosalie questionou-a. — Espero sinceramente querida que só o sinta nos últimos meses de gravidez, é tão desagradável — Disse enquanto rolava seus olhos verdes em uma careta. — Levantava todas as manhãs e a primeira coisa que fazia era vomitar.

— Isto, absolutamente é a mais pura das verdades. Rose foi a grávida mais enjoada que já vi — Debochou Emmett.

A família toda reunida no quarto tornava o até então gigantesco cômodo pequeno demais. A princípio a súbita visita não havia alegrado-me, apenas deixado-me mais aos nervos ainda. Queria conversar com Jacob antes de tudo, ter tudo em pratos limpos antes de sair por aí festejando um filho que poderia vir a não ser assim tão bem vindo. A família ali impediria que a conversa acontecesse por um tempo, entretanto tê-los ali, felizes pela minha felicidade era melhor do que podia expressar e esse era o perigo. Sabia que fariam-me ficar feliz e sonhando com o bebê e não queria ser mais a sonhadora e ingênua Nessie. Além do mais ao menos sabia se poderia ficar com o bebê. Ainda assim haviam-me feito colocar um sorriso bobo e fácil nos lábios que parecia que nada poderia tirar. Era a primeira vez em que sentia-me realmente bem nos últimos dias.

— Na verdade, já sinto alguns enjoos — Disse.

— Isso é ótimo querida. — Alice disse.

— Mas, está se alimentando direito Renesmee? Naquela semana que passou em minha casa pude ver bem, quase não come. O bebê precisa de comida.

Era a voz urgente de Isabella. A voz que ela usava sempre que queria repreender-me por algo que eu estava fazendo, sua voz de mãe e Emmett, do outro canto do quarto, já começava a soltar dos seus risinhos, pronto para assistir mais um dos típicos chiliques de mamãe.

— Eu estou bem mamãe — Disse tentando tranquilizá-la.

— A vontade que tenho é a de montar guarda aqui, sabe menina? Para certificar-me de que está comendo tudo o que necessita — Disse ela séria e franzindo os cenhos.

Bella não estava de brincadeira, o que fez-me fazer uma careta.

Quando tratava-se de Isabella Cullen sabia bem que mesmo a boa educação não a impediria de ao menos tentar a ideia insólita, que sabia que passava-se a muito tempo em sua cabeça. Papai pareceu notar também já que disse rápida e astutamente:

— Não será necessário Bella. Falarei com Jacob para que certifique-se disto mais tarde. Este bebê será forte como os Cullens.

— Como os Black você quis dizer — Jasper disse com um sorriso contido nos lábios.

Lisa sentada no sofá ao meu lado tinha a xícara de chá esquecida entre seus dedos finos e rolou os olhos impaciente. Estava tão feliz com a notícia do bebê quanto nenhuma outra, mais parecia uma criança em dia de festa. Sua felicidade, entretanto só não ultrapassava a de Edward. O pai sempre fora rígido e austero em absolutamente tudo o que fazia e nunca fora de seu feitio demonstrar mais emoção do que o necessário com nenhum outro que não fosse Bella. Mas mesmo papai, com toda sua imagem contida não conseguia deter o mesmo sorriso que não saia do rosto de ninguém naquela sala. Apesar de sua árdua tentativa em manter-se inflexível sabia que era o mais feliz de todos pelo bebê. Edward Cullen, por baixo da hirsuta barba ruiva vibrava ferozmente por ter então seu neto tão querido.

— Espere só até o bebê começar a se mexer! — Lisa disse colocando o maior dos sorrisos em seus lábios. — Não há sensação melhor do que senti-lo crescer dentro de você. E nossos bebês terão apenas meses de diferença. Serão melhores amigos ou amigas, assim como nós o somos Nessie.

— Ou prometidos — Alex interviu.

— Oh não! — Exclamou Alice ao soltar os braços pelo ar. — Prometer dois bebês a esta altura não.

Fora quando a conversa no quarto passou-se despercebida por meus ouvidos, por mais alta e jubila que estivesse. O coração fincou-se em uma batida assim que senti seu cheiro, chegou-me antes do barulho de suas botas contra o chão rústico e o caminho do corredor percorrido pareceu durar então dias até que tivesse finalmente a porta aberta.

Glorioso e pomposo como sempre residia Jacob. Não fora preciso pensar demais para ver o porquê Bella sempre acreditou que aquele casamento daria certo e traria alegrias não só a família, mas a mim própria. Jacob era um Deus. Divino, esculpido, com nem mesmo uma pequena imperfeição em seu rosto intransponível. Residia junto a porta com os cabelos negros impecavelmente bem penteados. Vestindo uma camisa branca de algodão egípcio, devidamente abotoada e metida em ajustadas calças beges, as botas altas e polidas a brilhar e um pesado colete vinho por cima que ia até seus joelhos.

Os olhos gentis a que tinha no rosto mudaram-se prontamente assim que recaiu-os sobre mim franzindo os cenhos visivelmente descontrariado.

— O que fazes aí sentada Renesmee? — Disse com urgência, a voz arrogante. — O médico disse que tinha de ficar em repouso!

— Eu estou bem Jacob — Disse-lhe. — Lembre-se de que não sou tão frágil quanto pensas.

O tom ácido implicitava o porquê de não ser assim tão frágil. Motivo que só eu e Jacob sabíamos naquele quarto, mas que ele parecia fazer questão a todo o momento de esquecer ou ignorar.

Anuiu com a cabeça não bem muito convencido, com a carranca e os cenhos ainda unidos, mas claramente disposto a não fazer uma cena ali, com todos os olhos postos em cima dele.

— Acredito que posso sentar-me quando tiver vontade.

— O seu marido tem razão Renesmee! — Bella disse esbaforida, como se estivesse a ouvir um monte de absurdos. — Se o médico disse que teria de repousar então repouse. Mal não vai fazer.

Edward pigarreou.

— Acho que é hora de irmos todos. Renesmee ira descansar — Disse.

Lisa a meu lado soltou um gemido descontrariado quando eu não conseguia tirar os olhos de Jacob. Queria saber o que pensava, mas nada conseguia extrair daqueles olhos negros e profundos. Tampouco conseguia ver por detrás da máscara de indiferença que trazia no rosto, Jacob sempre fora bom com aquilo, ocultar o que sentia.

A família toda agitou-se então para partir e despediu-se brevemente. Do lado de fora conseguia ouvir o relinchar dos cavalos a serem preparados juntamente com o tintilar de seus cascos contra o chão e as rangentes carruagens.

— Cassie acompanhe-os até as carruagens. Por favor, sintam-se livres para voltar sempre que desejarem — Disse Jacob cordialmente.

Com palavras gentis e promessas de retorno deixaram os Cullens o quarto reduzindo o alarido das convesas e despedidas a nada além do silêncio entre ambos. Jacob era apenas pensamentos enquanto tinha o grande corpo apoiado na parede e eu até então havia desistido de tentar descobrir o que se passava em sua mente.

— Posso ajudar-te? — A voz hesitante e a tremelear veio logo depois que mexi-me no sofá, pronta para levantar.

Jacob parecia escolher o que dizer. Tinha os olhos angustiados postos em mim, estudando-me, analisando cada movimento desajeitado meu com preocupação.

A primeira reação esperava de mim seria no mínimo gargalhar aos montes. Jacob pensava que eu poderia me machucar levantando-me de um sofá? O quão fraca ele pensava que eu era? Mas logo tão sedutora que fosse a ideia de gargalhar surgiu a visão de ter-me estreitada entre seus braços quentes, mesmo que pelo breve momento de carregar-me até a cama e está era muito mais sedutora do que qualquer outra.

Considerei a ideia de recordá-lo que estava grávida e não inválida em minha mente, mas então lembrei-me de como seus braços eram quentes e de quão reconfortante era tê-los ao meu redor, fosse o que fosse sentia-me melhor com ele por perto. E ansiava por aquele simplório toque de Jake, ansiava-o agora, então as barreiras caíram-se e tudo o que fiz foi consentir com a cabeça.

— Tudo bem.

Jacob aproximou-se hesitante e levantou-me como se não pesasse mais do que um punhado de papéis. Ajeitou-me entre seus braços com uma delicadeza nunca usada antes e seu calor aqueceu-me, inundou-me de pronto. Fez-me o coração martelar feroz contra o peito, alegre por tê-lo ali.

O momento mal durou. Logo já tinha o colchão da cama contra as pernas e as costas apoiadas por travesseiros. Aconchegou-me na cama e arrumou alguns lençóis e cobertores ao meu redor. Sentou-se de frente para mim, encarando ao tecido escarlate da roupa de cama com os cenhos franzidos, parecendo aflito em demasia para dizer alguma coisa.

— Eu estou confusa Jake, — A voz era um sussurro pusilânime, ainda assim a declaração era mais verdadeira do que nenhuma outra — estou com medo.

Ele levantou seus pesados olhos obsidianas aos meus, e tinham tamanha vivacidade que o temor por um momento havia esvaido-se de mim. Se o bebê tivesse olhos profundos como os dele...

— Vai ficar tudo bem linda — Disse com a voz cava e confiante e tocou-me a mão com a sua.

— Disse-me que não podia engravidar.

— Pelo menos pensava que não podia.

Aproximou-se e ajeitou uma mecha de cabelo por detrás de minha orelha, seu toque enviou-me correntes por todo o corpo, clamavam pelo Jake.

— Parece-me que uma vampira e um lobisomem nunca resolveram tentar.

Colocou um sorriso desajeitado no rosto, convicto de animar-me provavelmente. O ato simples fez-me o coração saltar. Como Jacob era estupidamente bonito, chegava a ser covardia. Mesmo agora, parecendo atormentado como nunca ainda parecia com um príncipe, perfeito como tal.

Ao final não estava furioso pelo bebê como o pensei que ficaria, tampouco sabia o que sentia. Jacob não demonstrava.

— O que este bebê vai ser? — A voz saíra tremula para a pergunta hesitante. Temia aquela resposta mais do que tudo.

— Eu não sei — Jacob esbaforiu cansado.

— Sabe, ao final acho que esse bebê vai ser algo de bom, eu o sinto Jake.

As mãos foram à barriga involuntariamente enquanto falava, faziam círculos em afagos com os dedos no estômago ainda plano, mas os olhos, estes pareceram acender-se, e encheram-se. Brilharam mais do que o dia ensolarado lá fora.

— Estou feliz por tê-lo dentro de mim, ele faz lembrar-me você.

Quando tornei a olhar para ele o sorriso pareceu ser impossível de evitar-se, um sorriso tão grande que ia de um canto ao outro. Como estava jubila por dentro por Jacob aceitar o bebê, o seu filho.

Ele sorriu-me também, porém seus olhos não sorriam em conjunto com seus lábios. Olhos cheios de pesar, lástima, o sentia. Jacob não parecia tão animado com a ideia, mas ao final como poderia julgar o que ele sentia sendo que nem mesmo eu sabia bem o que sentia no momento? Só sabia que o mundo pareceu parar quando aproximou-se tanto que sentia sua respiração contra meu rosto. Seus olhos profundos encararam-me e enrolou os braços ao redor de minha cintura, puxando-me para ele. Repousou a cabeça em meu ombro e pressionou os lábios macios em meu pescoço num beijo singelo.

— Se você está feliz então eu também o estou — Disse com os lábios próximos ao meu ouvido, numa voz baixa e calma.

Notas finais
Quero reviews hein!
bjbj