Naive - Hiatus
25 Capítulo vinte e quatro
Notas iniciais
A primeira é que Naive está acabando. É, é. Fiz umas continhas aqui e vi que depois desse capítulo só terão mais dois.
Mas a outra notícia é um básico merchandising. Vocês não precisarão sofrer sem a minha presença cativante na vida de vocês porque ontem postei uma nova fanfic https://www.fanfiction.com.br/historia/236792/Cicatrizes
Jake e Ness, claro. Então dão uma passada lá, por favor e deixem reviews né!? As leitoras mais pervinhas ~leona~ vão gostar dessa fic.
Bom, então é isso, aproveitem aí o cap.
O vento que adentrava pelas janelas levava com ele junto o tecido leve do robe perolado.
Era a quarta vez que tinha-me posta em frente ao espelho somente naquele dia. As mãos magras alisavam a barriga plana, movimentos circulares que atestavam que ela não havia crescido nem mesmo um tanto depois de uma semana. Entretanto os seios, já podia notar, estavam inchados e rosados, rígidos e doridos também.
Quando batidas soaram na porta tratei de fechar o robe, atando-o com a faixa. Nada vestia por baixo além das ceroulas, entretanto enquanto a porta abria-se arrependi-me de o ter fechado. Sabia quem era, sempre haveria de saber quando tratava-se dele e sabia que vinha sozinho. Apenas o seu cheiro, apenas os seus passos sem ninguém mais para atrapalhar e não seria ruim que Jacob pegasse-me com os seios desnudos.
Nunca estivemos tão bem, tão em sintonia, mas ainda assim a última vez que lembrava-me de ir de fato para a cama com Jacob fora quando concebemos o bebê. Nada passava mais além dos beijos e das carícias e a cada dia minha vontade do Jake só parecia aumentar mais e mais. Entretanto enquanto arquitetava todo um plano em minha cabeça a porta fora aberta e toda a visão que Jacob pode pegar fora as de minhas mãos na faixa do robe que apertaram-se nervosamente pela falta de tempo para executa-lo. De pronto minhas bochechas coraram, ao que parecia nunca haveria de ser uma senhora sedução.
Jacob abriu um sorriso assim que pousou os olhos em mim, fazendo-me sorrir-lhe de volta.
— Na frente do espelho de novo Ness?
Fechou a porta por detrás de si, aproximou-se e enrolou os braços quentes em volta da minha cintura, então olhou para nossa imagem refletida no espelho. Era de fato uma imagem bonita, uma imagem que fez Jacob abrir um sorriso lento e quente que pareceu aquecer tudo dentro de mim.
— Talvez deva mandar pintar um quadro nosso. O que achas? Colocarei em meu escritório.
Nada pude dizer em relação aquilo, não tive outra reação além de sorrir-lhe.
Jacob beijou-me o topo da cabeça, soltou um pequeno suspiro e segurou-me entre seus braços, erguendo-me. Carregou-me até a cama em meio a uma careta de cansaço e uma respiração pesada falsa, como se me carregar fosse uma tarefa árdua para ele enquanto minhas risadas ecoaram soltas pelo ar.
— Bem, isto deve ser por culpa do bebê, aposto que já está pesando-me.
— A barriga não cresceu um centímetro sequer — Ele zombou enquanto repousava-me sobre a cama como se fosse frágil como uma de nossas taças de cristais.
— Pois vejo isto como uma coisa positiva — O disse. — Se não cresce rápido demais é porque ele é normal. Minha barriga não deveria ter crescido nada ainda, certo? — A voz era carregada pela incerteza e preocupação que trazia dentro de mim e que faziam-me passar as madrugadas em claro.
— Relaxe duquesa — Jacob brincou apoiando-se sobre mim. Seu corpo quente sempre era o melhor conforto que poderia ter.
Levou a mão à abertura do robe e o abriu o suficiente apenas para ver meus seios. Sorriu quando levou a mão ao esquerdo, tomando-o entre seus dedos cálidos e afagando-o com a palma fazendo-me suspirar por suas mãos, ansiosa por mais de seu toque quente.
— Sabe de uma coisa. A barriga não cresceu nada, mas não posso dizer o mesmo de seus seios. Devo agradecer isto ao bebê também?
A respiração dele estava tão perto de meus seios que os bicos ficaram rígidos, sentia como uma tortura. Quente como o vapor da água deslizando pelas montanhas de meus seios, mas apenas depositou um beijo delicado por cada um deles passando os lábios macios sobre os bicos. Aquela sensação arrepiou-me dos pés a cabeça.
— Es um tarado — Disse quase sem fôlego segurando sua cabeça, meus dedos embrenharam-se em seus cabelos, queria mantê-lo ali. Jacob sorriu.
— Apenas por você minha bela.
Eu sorri, incapaz de fazer qualquer coisa além disso, mas Jacob mais rápido do que eu desejava tirou as mãos de meu corpo e endireitou meu robe. Sentou-se ereto na cama, de frente para mim e quando tornou a falar seu tom era mais grave.
— Sabe, temos de conversar Ness, venho anulando esta conversa a dias mas quanto antes tratarmos disso melhor.
Os cenhos franzidos deveriam ter sido um sinal, mas não deveria de ser algo tão grave não é? Provavelmente problemas com os negócios novamente, ou alguma viagem que teria de fazer em última hora, mas diabos não era lua cheia ainda. Quando seria próxima lua cheia? Por Deus outra viagem não, rezei internamente. Mal conseguia dormir com Jacob ao meu lado, os braços ao meu redor. Não aguentaria que passasse nem mesmo um dia fora de casa.
— Pois então fale — Suspirei desejando pelo melhor.
Jacob suspirou, olhou para a colcha escarlate a nossa frente, mas sua voz soou bem firme e clara quando disse:
— Achas que realmente a melhor ideia é ter esta criança?
O que? Tive vontade de falar, mas por um momento não tinha voz. Havia alguma possibilidade de ter a audição afetada? Ou seria esse algum tipo daqueles sonhos bizarros? Daqueles que às vezes tinha. Porque apenas isto justificava a pergunta absurda e insólita que Jacob fazia àquela altura.
— Perdão? — Fora tudo o que consegui dizer quando a voz havia voltado.
— O bebê Nessie, é uma ideia absurda, desculpe meu amor mais é.
E se esse fosse um dos sonhos era então um pesadelo.
— O bebê não é uma ideia absurda Jacob, você é quem está sendo absurdo agora, absolutamente. Que tipo de brincadeira doente é essa?
— Não é uma brincadeira Nessie. Você não sabe o que ele vai ser, não sabemos o que ele vai ser. Quer que o bebê sofra sendo algo como nós?
Franzi meus cenhos desconcertada.
— Você mesmo disse Jacob, não sabemos o que ele vai ser. Não vou matá-lo por isso.
O rumo que a conversa tomava enviava a bílis à minha garganta. Sentia fechando-se, sufocando-me. Tudo o que queria era sair do quarto e esquecer que Jacob alguma hora havia ao menos tocado no assunto.
— Mas ele pode vos matar — Jacob disse.
— Do que estás falando?
— O parto Renesmee, se chegar a ele suficientemente forte. Achas que aguentaria uma gravidez dessas? Sei que pensas que és forte, mas não é o tanto que achas que es e eu não posso deixar que vos vá, nunca, não posso deixar que me tirem você.
— É do seu filho que estamos falando Jacob — Disse atónita, como se o que dissesse fosse o óbvio.
— E eu sei. Olha Nessie, — disse segurando em minhas mãos, olhando-me com os olhos gentis, compassivos, como se olha para alguém que tem uma enfermidade — eu entendo perfeitamente vosso desejo por ser mãe, seria obviamente um egoísmo de minha parte que ao menos cogitasse que abrisse mão disso um dia e olhando você, como está feliz com o bebê, mais radiante a cada dia. Nós vamos ter um filho. Vou achar uma criança do que jeito que vos queira e vos a terás. Loira, morena, ruiva, olhos castanhos, azuis, verdes, menino ou menina, do jeito que quiseres, é só me dizer e eu dar vos ei.
— Vai tirar uma criança de uma mãe para dar-me Jacob?
Aquela conversa só soava mais absurda.
— Estaríamos fazendo-lhe um favor Nessie. À criança e a família. Tem tantos filhos que os vendem. Pense, daríamos um futuro melhor para essa criança, seria meu herdeiro.
— Não quero um herdeiro Jacob, quero meu filho, nosso filho, que já cresce dentro da minha barriga.
Peguei em sua mão e coloquei-a lá. Onde dentro de algumas semanas começaria a crescer e crescer com o filho dele dentro. O seu verdadeiro herdeiro. As mãos de Jacob estavam tensas, mas rapidamente relaxaram em minha barriga plana. Ele suspirou olhando-me com olhos suplicantes, desesperados, como se pudessem gritar o que ele não expressava pelas palavras para não magoar-me, mas era tarde demais. Ele realmente não queria aquele bebê e constatar aquilo doeu mais do que qualquer outra coisa na vida. Era como se tivesse, ali agora, centenas e centenas de punhais a acertar-me o coração.
— Não é hora para ser teimosa — Ele suspirou cansado. — E se acontece alguma coisa convosco? Como ficarei?
Seu olhar fixo e nervoso deixaram meu rosto e foram para minha barriga, onde a mão dele ainda repousava.
— Eu não vou morrer Jacob — A voz saía sussurrada. Não tinha como garanti-lo daquilo mas precisava tentar.
— Está confiante em demasia, como sempre.
— Sinto-me completamente bem — Garanti-o com segurança. E era verdade.
Retirou a mão da minha barriga.
— Porque estas bebendo sangue como uma louca Nessie. Es por isto que se sentes bem. No mesmo dia em que descobrimos que estava grávida, enquanto dormia, alimentei-a. Achas que acordou tão bem disposta por quê? E não é sangue animal, o que tenho trazido para você todos os dias, é sangue humano. Não se sustentaria de pé se estivesse alimentando-se com sangue animal. Essa coisa só a enfraquece todos os dias — Disse com o tom que conhecia bem. O mesmo tom que a tempos atrás destinava a mim, néscio. Mas isso não aguentaria, não trataria o bebê daquele jeito.
O nariz empinou-se num rompante, o rosto duro, como havia aprendido com ele mesmo a tempos antes e a voz tornou-se ácida no mesmo momento.
— Se é esta a dificuldade passo a beber sangue humano sempre então. E se não conseguires encontrar não te preocupe, eu mesma saio às ruas e caço.
Jacob riu como se o que estivesse a dizer fossem delírios.
— Sua barriga ainda nem cresceu e já sente toda esta sede. Como achas que isto irá continuar?
— O que me sugere então Jacob? Que meta uma faca em minha barriga. É isto o que queres?
Tornou a olhar pra mim quando disse.
— Existem umas ervas, chás, unguentos. Há métodos que pode utilizar. Estive com uma eremita há uns dias, explicou-me sobre como uma adequada combinação de ervas pode vir a ser muito efetiva. Algo feito com uma esponja empapada em certas ervas. As cortesãs francesas o utilizam a bastante tempo e é eficaz.
— Quer que eu mate meu bebê como uma prostituta francesa?
Não podia acreditar naquilo. No modo com o diálogo havia começado e o rumo que tomava agora. As lágrimas já ardiam nos olhos, marejados, mas pisquei para contê-las. Jacob que fosse para o inferno se pensasse que um dia utilizaria os mesmos instrumentos que uma meretriz para evitar que meu próprio filho nascesse.
— Não é isso Nessie. Só não, não posso correr riscos, de te perder... — Disse hesitante.
O coração derreteu-se. Não queria ver Jacob angustiado, mas o que pedia era simplesmente o mais completo dos absurdos.
— Mas vai ficar tudo bem — Minha voz calma tentou uma vez mais.
— Não pode ter tanta certeza — Jacob disse teimoso. — Ainda há Cameron, ou esqueceu-se? Sumiu sem deixar rastros.
— Não o feriu? Seria ser muito otimismo acreditar que a ferida tenha gangrenado? E que agora encontrasse morto a muito longe daqui?
— Sim Nessie, seria uma néscia ingenuidade — Soltou cansado por seus lábios.
Então suspirou uma vez mais naquele dia, encarando angustiado a colcha a nossa frente. Ao final sabia que jamais desistiria do bebê e ainda estava profundamente magoada que chegasse a pensar que o faria.
Quando levantou-se da cama lutei contra todos os meus instintos para não ir atrás dele, fazer as pazes, mas quem merecia um pedido de desculpas ali não era ele. Deus sabe que não. Era eu quem merecia, como sempre. Entretanto deixei que andasse até a porta com os passos a soarem rangentes contra o chão.
— Jake. — Disse quando encontrava-se de frente para a porta. Ele girou o corpo, encarou-me. O rosto instransponível não mostrava um mínimo resquício de emoção, como se estivessemos conversando sobre cavalos a segundos atrás. — Eu — Tentei hesitante mais uma vez, então precisei de uma lufada de ar. — Preciso que me prometa uma coisa.
Continuou de pé esperando que terminasse enquanto eu tentava achar palavras.
— Se algo acontecer comigo, prometa-me que cuidará deste bebê.
Jacob soltou uma risada sem nenhum resquício de humor.
— Não vou cuidar deste bebê se algo acontecer-te Renesmee. Quer continuar com esta loucura? Pois bem, continue. Só que se este bebê vir a matar-te então tenha a certeza de que será a última coisa que ele fará também.
Então abriu a porta e saiu num rompante deixando-a bater num barulho estrondeante.
-
Ouvia bem o barulho da carruagem pela janela, e também o relinchar dos cavalos, entretando não movi-me um centímetro sequer. Estava no mesmo lugar onde estava ontem, e provavelmente ficaria por hoje o resto do dia.
Havia recebido todas as refeições no quarto e não via o rosto de Jacob desde a manhã do dia anterior. Talvez tenha partido, levando-se em conta que nem mesmo para dormir havia retornado ao quarto naquela noite. E que noite infernal havia passado, não conseguira pregar o olho por nem mesmo um segundo e sentia-me tão tola por mesmo depois de tudo ainda me torturar e sofrer pela briga e pela ausência dele.
Ele não mereceia aquilo, não merecia nada. Nenhuma das incontáveis lágrimas que já havia derramado naquele tempo, ou nem mesmo um minuto de sono perdido, mas precisava tanto dele naquele momento, tanto de seu apoio que sentia o peito inchar e doer, mas no final nada poderia fazer, não poderia obrigá-lo a aceitar ou gostar do filho, não o tanto que eu própria já gostava.
Ao final além da preocupação com a gravidez onde ninguém sabia como seria e de Cameron também tinha medo, pela primeira vez realmente de Jacob, o que ele faria se aquela criança causasse qualquer dano a mim. Não queria pensar naquilo. Já era tortura o suficiente todos os outros problemas a que tinha que carregar sobre as costas.
Ouvi o som rangente da porta. Fez-me acompanhar o olhar para ver Cassie, altamente jubila adentrar o quarto com uma bandeija na mão. Parecia sempre feliz e toda sorrisos depois que tinha iniciado um romance com Zlato, o chofer da casa e estava contente por ela.
Rapidamente senti o cheiro da bandeja que trazia consigo. Pato assado, molho de tomate e suco de romã. Rapidamente fez-me a boca salivar, descobri-me tão sedenta por comida como por sangue e tirava dali o alento para pensar que talvez, nessa história toda o bebê fosse vir a ser realmente normal. Ora porque não?
— Como andas com apetite pedi eu mesma para que a senhora Thompson fizesse pato para vós. Sei que adora.
— Obrigada Cassie — Disse com um sorriso entre os lábios enquanto a donzela depositava o prato na minha frente, mas alguma coisa ainda encomodava-me na mente. Teria de perguntar para só então vir a ter uma refeição tranquila. — Jacob saiu?Ouvi o barulho da carruagem.
— Oh não duquesa — Cassie disse apressuradamente, mas a resposta que sucedeu-se fez-me o estômago enrolar-se. — O senhor Billy que retornou ao castelo.
Notas finais
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