Notas iniciais
De que me sirve la vida, da dupla Camila é a música para este começo de estória. Venga: https://www.youtube.com/watch?v=JIoKYGr-t2ASem enrolação, vamos começar!

Dulce

Y entonces entendí que aunque te amaba, Tenia que elegir otro camino

É chegada a hora de me despedir de uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Sentia meu coração apertado com esse simples pensamento e depois de soltar do abraço acolhedor de papai, eu fiz uma careta, não só pelo gosto amargo que senti da minha saliva descer por goela abaixo. Mas, ao ver o seu olhar de apreensão, tive que me controlar para não deixar que minhas reações revelassem meus sentimentos inquietos. E pior que ela notasse isso.

Entretanto, não sei o que acontecem com as mães. Acho que Deus deve dar regalias a elas, talvez quando elas descobrem que estão grávidas e que à medida que suas barrigas vão crescendo modificando seus corpos, elas parecem adquirir até poderes mágicos. Ou talvez tudo isso não passe de um senso ou sentido muito apurado conforme os anos e principalmente com a maturidade.

O fato era; pela forma que ela me abraçou, não precisou que dissesse nada. Era como se ela sentisse que mais uma vez eu estava fugindo.

:- Você tem certeza Dulce? – escutei sua voz calma no meu ouvido e isso me subiu um choro, que me esforcei para censurá-lo. – Você tem certeza dessa viagem minha filha? – se afastou para olhar nos meus olhos. E tentar capturar alguma outra reação minha.

:- Man estou apenas fazendo uma viagem de férias. Apenas isso. – tentei passar a maior tranquilidade possível.

:- Blanca, por Deus. Toda vez que ela vai viajar é a mesma enrolação. – Papai falou risonho a provocando com todo o seu zelo de mãe.

:- Fernando fique calado. – ela falou para ele e se voltou para mim. – Eu não sei, o que estou sentindo filha, mas sinto que alguma coisa não vai bem, algo estranho aconteceu ou vai acontecer. – ela falava confusa, tentando entender suas próprias sensações – Algo me diz que eu preciso está perto de você.

:- Aí não, mamãe. Não passa nada. – me esforcei para manter as aparências. – Tranquila. – passei minha mão por seu cabelo e rosto – É apenas uma viagem de descanso com as meninas, — olhei para Fran, Sam e Iva que estavam próximas de nós conversando animadas sobre nossa viagem de férias. – não vai acontecer nada e se mesmo assim passar algo eu venho correndo para seus braços pedindo colo. – Sorri para ela e finalmente a fazendo sorrir.

:- Ok. Qualquer coisa me chame sim?! – ela me abraçou de novo, tentando tirar suas angústias. E se afastou passando agora sua mão no meu rosto. – Só acho que tem agido estranho ultimamente, Dulce, voltou de viagem diferente, mais distante e pensativa que o normal, anda conversando aos sussurros com sua irmã e quando apareço vocês mudam o assunto, ficam nervosas logo desconversam.

Fiquei tensa ao pensar na possibilidade dela ter ouvido alguma das minhas conversas com Blanca.

:- Só quero falar mais uma vez que, eu sempre estarei aqui para escutá-la sim? Sempre, não importa o assunto.

Um alívio momentâneo correu em mim. Ela não tinha escutado nada e confiando em Blanca ela também não falaria, mesmo com mamãe a pressionando. Eu estava a salvo por enquanto.

:- Ou quem... – deixou no ar, se ela plantou verde colheu maduro, por que devo ter feito algo que me denunciou. — Não sei o que aconteceu, mas andei lendo alguns comentários no Twitter. – soltei um riso, não só de nervoso, mas por essa história toda dela está usando, e bastante, o Twitter isso ainda era irreal para mim. – Minha filha, não importa o quanto grande sejam nossos problemas, não podemos fugir deles porque eles nos perseguem.

Antes que eu pudesse finalmente ceder minha vontade de desabafar com ela, contando tudo o que aconteceu e o quanto eu estou abalada e perdida. Fomos interrompidas.

Senhores passageiros do voo com destino a Roma, por favor, dirijam-se aos portões de embarque.

Escutamos a voz do funcionário do aeroporto. Acho que todos não se deram conta do tempo que ficamos ali.

:- Man, não se preocupe comigo. Não passa nada. – a abracei pela última vez adiando o meu desabafo.

:- Vamos logo Dulce, já consigo me imaginar em terras italianas. – Fran chegou para me apressar provavelmente falando animada.

:- Isso, vamos antes que as meninas percam o voo, Blanca. Mande lembranças a sua irmã Dulce, fale que estou com saudades da minha neta. – Papai chegou me abraçando e falando eu apenas assenti, Man não tirava o olhar interrogativo do rosto, mas se deu por vencida após eu dar um sorriso de sem problemas, não tem com o que se preocupar.

Meus pais, eu e as meninas fomos caminhando para a porta de embarque, não tivemos tanto problemas para chegar lá facilmente, meu voo era de madrugada e não teria naquele aeroporto a presença de imprensa ou fãs, ou pelo menos até o momento do embarque.

:- Cuidado, Dulce, minha filha. – Escutei a voz de mamãe de novo e só então me dei conta que estava fora da realidade e mergulhada em pensamentos, as meninas já me puxavam enquanto meus pais estavam abraçados enquanto acenavam se despedindo. Deu tempo de jogar um sorriso para ela para reconfortá-la.

Não sei se foi por acaso ou de propósito mesmo, mas meu lugar era diferente do das meninas elas ficariam juntas e eu um tanto longe. Ao parecer logo o voo sairia então achei melhor ir para o meu lugar e dormir um pouco em vez de conversar com as meninas sobre o que faríamos na viagem.

:- Hei, tudo bem? — Sam, me seguiu e sentou no lugar vago ao meu lado.

:- Tudo, só estou com sono, você sabe ontem fui naquele evento e não dormi direito, só cuidando das coisas da viagem, enfim estou cansada. – Fiz uma careta para ela demonstrando meu cansaço que de fato, não era toda uma mentira.

:- Sei, mas é claro que não é apenas isso. – ela sabida me olhou — nós quatro sabemos que você precisa desse momento sozinha, então quando quiser conversar estamos aqui, falo isso pelas meninas também. – ela deu uma olhada para trás para ver as duas que ainda tagarelavam. – Mesmo com elas eufóricas por temos essa viagem depois de tanto tempo planejando e ainda mais sozinhas. – nós rimos por isso.

:- Senhora, com licença, este é meu lugar. – uma voz masculina nos interrompeu fazendo com que olhássemos para a direção dela ainda rindo.

:- Se não fosse casado e a mulher estivesse do lado, eu pediria para você investir. – Ela sussurrou só para que eu ouvisse, e se levantou. – Desculpem, vou para meu lugar, — depois de olhar para o casal ela se voltou a mim. – Qualquer coisa estamos a algumas poltronas atrás de você. – e depois de dar uma secada no cara antes dele sentar, ela piscou e saiu rindo.

:- Senhores passageiros, por favor sentem-se em seus lugares em instantes partiremos. – O comandante começou sua fala que eu já sabia de cor, então eu virei para a janela e olhei para os outros aviões, na correria dos funcionários e na calma ou ansiedade dos passageiros.

Suspirei com todas as lembranças e sentimentos vindo à tona. Aeroporto de uma forma ou de outra sempre me lembrava, ele. Seja quando esperava por algum voo qualquer ou nas viagens que eu fazia sozinha e sentia falta de seus braços me aconchegando ou irritando, ou quando viajava com Luisillo e Pedro, isso piorava por que as lembranças eram mais constantes e intensas, do tempo da banda.

O Aeroporto é um lugar de encontros e despedidas, ás vezes duradouras e às vezes momentâneas, o estranho é que muitas vezes temos a consciência disso e outras não. Por que podemos está se despedindo duma pessoa e talvez essa despedida seja definitiva. E ao pensar nisso me voltou toda a angústia de novo, as músicas que tocavam em ordem aleatória no meu celular, ajudaram para que eu me afundasse mais.

Obrigado por voar conosco e tenham uma boa viagem.

Mesmo escutando música consegui escutar o comandante terminar de falar, e olhando a movimentação lá fora, o avião começando a sair e se voltando para a pista de decolagem, eu fechei os olhos deixando uma lágrima cair para logo passar meus dedos e secá-la, quando depois de toda a corrida finalmente o avião decolou iniciando a viagem.

Eu também fiz o mesmo, mas voltando para fazer uma viagem interior, eu mergulhei nas lembranças de uma despedida das mais difíceis para mim.

:- Por favor... – ele se esforçava para respirar – Por favor, olha para mim.

Eu não conseguia simplesmente, por que também estava concentrada em respirar, em colocar ar nos meus pulmões que tanto apelavam. E essa era uma difícil tarefa ainda mais quando ele se aprofundava dentro de mim.

Mas, até isso ele queria roubar de mim. Meu Oxigênio. Mais uma vez, já não era suficiente meu coração. Ele notou que não abriria os olhos então me beijou, me levando ao céu, eu não consegui fazer nada além de retribuir, parando às vezes o beijo para respirar deixando minha respiração agitada bater contra seu ouvido e escutar ele rir enquanto isso acontecia, estava num estado de felicidade constante por que vez ou outra o pegava rindo. Ás vezes eu retribuía outras vezes me irritava por não entender o motivo de tantos risos.

Fiz com que meus dedos mergulhassem para se perderem entre puxões e carícias em seu cabelo, ele não sabia o quanto eu controlei o desejo de fazer isso durante a noite toda e poder fazer isso agora fazia meu coração bater mais rápido.

E ele riu mais uma vez, entre tantas, finalizando o beijo. E eu fiz o que não deveria olhei em seus olhos, evitei fazer isso toda à noite, por que sabia que estaria perdida se o fizesse. Nos olhamos e vi meu reflexo neles, enxerguei a Dulce que eu era quando estava com ele, senti a plenitude nos rondando, enxerguei meu ser no dele, vi o motivo da minha existência em seus olhos. E pelo modo que me olhava ele parecia enxergar o mesmo.

Nós enxergávamos o reconhecimento. De como agimos e éramos quando estávamos juntos, sem limites e com liberdade, o reconhecimento de nos perdemos em corpos para nos encontrar em alma.

:- Senhora? – Me voltei à voz assustada, estava tão perdida em minhas lembranças.

:- Sim. – eu tirei meus fones e fiquei sem graça por que não só a aeromoça me olhava, como também o casal que sentava ao meu lado.

:- A Senhora gostaria de aperitivos? – ela continuou educada.

:- Aperitivos? – perguntei ainda confusa pela força dos meus pensamentos.

:- Sim, antes do jantar serviremos aperitivos. A senhora gostaria?

:- Não quero, mas eu gostaria de um café forte.

Ela anotou o meu pedido. E voltou sorrindo delicada para mim.

:- Logo trarei seu café, senhora. – E se afastou para anotar os outros pedidos.

Tentei disfarçar meu acanhamento diante do casal do lado me encarando, eu sabia que isso não me faria bem, porém eu precisava tomar café mesmo que meu sono fosse embora, eu precisava relembrar a causa da minha decisão de tirar férias e viajar para longe.

:- Estamos aqui, com a linda Dulce María. – A repórter me saudou. – E eu sorri para ela. – Olá, obrigada. Como estão? – fui educada.

:- Bem, muito bem, agora fale para nós, como está se sentindo de está aqui nesse evento importante para nós latinos?

:- Aiii, muito nervosa, de verdade! – eu olhei para a câmera rapidamente sorrindo. — E também estou muito orgulhosa, afinal é um prazer está aqui. Só é uma pena que não possa roer minhas unhas. – mostrei as mãos para as câmeras com minhas unhas pequenas, mas pintadas. Feitas especialmente para aquela noite especial.

A entrevista seguiu normal, com perguntas que eu já havia respondido tantas vezes que sabia de cor as repostas. Dei outras entrevistas até finalmente entrar no evento sobre cinema latino, feito em Nova York. Quem me acompanhava daquela vez era Luisillo, e teve um momento que o deixei conversando com alguma atriz da Televisa que eu não conhecia, fui em direção ao banheiro para retocar a maquiagem quando voltei levei um susto.

Ele estava encostado no bar com um copo na mão e enquanto tomava alguma bebida, olhava justamente na minha direção, como se me esperasse. Como se tivesse me observando há muito tempo. Eu estremeci.

Sabia que ele estaria no mesmo evento que eu, por conta dos seus filmes, e até Marisol comentou algo de nos vermos no twitter. Mas, como não o tinha visto achei que tinha ido embora.

Conviver com Poncho num mesmo lugar quando há muito tempo não nos víamos e pior estando brigados, era saber realmente o significado da palavra profissionalismo, e por em prática esse significado quando inventam de termos os dois que dar entrevista juntos. Todavia, o mais difícil era não se abalar ficando perto dele, o vendo de perto, desviar o olhar quando os dele estão fixos em você. Difícil era não sentir saudade dele e mandar o seu coração parar e não se importar tanto com isso.

:- Aqui está seu café, senhora. – Voltei de novo para a realidade com a voz da aeromoça.

:- Obrigada! Espere um instante, por favor. – Peguei a xícara com o café fumegante e senti a xícara esquentar minha mão. Me deu alívio. Olhei rapidamente para o líquido preto e forte e o tomei de uma vez, o sentindo queimar minha língua e garganta com o ato.

:- Aqui está. Obrigada de novo. – Devolvi a xícara para a aeromoça que ficou surpresa com minha atitude.

:- Deseja, mais alguma coisa?

:- Não, obrigada. E não vou querer o jantar. – me lembrei de avisá-la.

E após assenti se retirou, e eu voltei a colocar meus fones de ouvidos para voltar para minha viagem interior, me aconcheguei na poltrona da maneira que eu pude, para me sentir mais confortável e olhei a janela para ver se a Lua estava visível. Mas, não estava. Então, fechei os olhos e voltando a me lembrar.

Apertei mais o travesseiro quando escutei o barulho da água parar e o chuveiro ser desligado. O quarto estava sendo iluminado apenas pelas luzes de fora, que entravam pela porta transparente da varanda, eu fechei os olhos me repreendendo. Aonde eu vim me meter a essa hora da noite, no quarto de hotel dele? Quando deveria está no meu, sendo que hoje viajo cedo para o Texas.

E a resposta da minha pergunta apareceu, abrindo a porta do banheiro vestindo somente uma samba canção. E os cabelos grandes molhados pingando pelo corpo, só pude notar isso quando ele se aproximou mais, fechei os olhos de novo fingindo que estava dormindo. Escutava ele andar pelo quarto e esperava o momento em que voltasse para a cama e se deitasse ao meu lado. Apertei os olhos como forma de me repreender novamente por que eu tinha que ser tão contraditória?

Apenas voltei a abrir os olhos quando deixei de ouvir seus passos. E o vi encostado perto da varanda, com a porta aberta fumando seu cigarro, isso era um sinal dele está nervoso ou com insônia, mas eu diria que ele estava colocando sua cabeça em ordem pela forma que olhava para fora, para o céu. Passamos nós dois minutos assim ele fumando pensativo e eu deitada na cama o observando, ele terminou o primeiro, o segundo e quando estava na metade do terceiro cigarro, resolveu falar.

:- Esse é o momento em que você vai falar que se arrependeu do que fizemos? – Mesmo ele estando de perfil, estava longe para eu poder analisar e falava enquanto soltava a fumaça do cigarro pela boca, parecia tudo tão involuntário.

Estranhamente uma parte do meu cérebro estava já imaginando o quanto àquela imagem formaria um quadro bonito, se eu o fizesse, para eternizar aquele instante. Por que sabíamos que essa seria uma das lembranças que teríamos depois que a madrugada terminasse.

:- Por que eu sei que não está dormindo a um bom tempo. – Terminou de falar e mesmo assim ele não me olhava, continuava fumando e olhando a noite.

:- Tanto eu quanto você sabemos que todas as vezes que eu dizia que tinha me arrependido, era uma mentira.

:- Você faltou me avisar.

:- O quê? – pisquei confusa tanto pelo que ele falou e também por ele não me olhar, agora sabia como ele se sentiu todas as vezes que desviei o olhar, era estranho por que uma – des- vantagem de nós dois, era nos decifrar pelo olhar, para males ou para o bem.

:- Todas às vezes que foram mentiras, eu acreditei em muitas delas.

Outro momento de silêncio entre nós dois. E ele terminou seu cigarro e jogou a bituca fora e ficou parado algum tempo que eu não sei exatamente definir quanto, até ele voltar a se mexer e entrar no quarto indo na direção da cama e sentar no final dela.

Ainda assim em nenhum momento me olhou, ficou sentado sobre uma perna, exibindo sua coxa direita e com a mão apoiada nela, ficava girando no pulso uma fita vermelha desgastada.

This has got to die, this has got to stop, this has got to lie down

Me levantei um pouco aproveitando seu silêncio e peguei sua camisa xadrez que estava jogada em sua mala aberta e próxima a cama, e a coloquei e voltei a me sentar na cama, agora encostada no travesseiro.

:- E mais uma vez aconteceu... – ele voltou a falar – Mas, uma vez cedemos. E se não dirá que está arrependida, o que você vai me dizer? – E pela primeira vez me olhou, não sei o que vi em seus olhos, algo diferente acontecia com ele, estava agindo diferente. E eu não saberia o que era, por que amigos é algo que deixamos de ser a muito tempo.

:- Foi apenas sexo, carnal, selvagem. — dei os ombros olhando para o quarto vendo peças de nossas roupas jogadas por todos os lados – Sequer proteção usamos, como inúmeras vezes, enfim cada um vai seguir sua vida quando o sol aparecer?

:- Pois é, — ele balançou brevemente a cabeça – disso eu sei, mas acho que você falando assim até parece que não existe sentimento entre nós dois. – Eu o cortaria, porém ele seguiu falando. – E pensando muito acho que dessa vez temos que fazer algo que antes não fazíamos. Algo como adultos amadurecidos.

Mesmo surpresa eu concordei, queria saber aonde ele chegaria, mas minha maior curiosidade era descobrir o que se passava naquela cabeça, para refletir algo tão indefinido em seus olhos, eu apesar de querer me afastar, desejava cuidar dele. Independente do que fosse.

:- Sabemos o quanto isso é doloroso, o quanto todas nossas recaídas são nocivas para nós dois, o quanto não podemos evitá-las... Mas, temos que decidir...- ele parou de mexer na fita, para suspirar e depois me encarar. – Temos que decidir de uma vez por todas, o que faremos conosco.

:- O que dizer com isso, Poncho? Devemos decidir o quê? – E naquele momento senti frio, tanto que eu subi um pouco o cobertor.

:- Devemos ter uma conversa séria de adultos, que sempre adiamos. Devemos decidir o que faremos de nossas vidas e definir de uma vez por todas essa relação.

Foi a minha vez de ficar o encarando. Então era isso que ele pensava enquanto fumava?

:- Decidir o que? Já lhe disse, seguiremos com nossas vidas.

:- Separados? – ele foi tão direto que me deu um pequeno susto — Definitivamente separados. – insistiu.

Sua voz me impactou, e agora sabia o porquê do frio que sentia, era medo. Medo de perder tudo o que temos. Medo de perdê-lo e dessa vez nem uma briga nos uniria por que da última vez foi assim vivemos separados felizes em nossas vidas e o que nós ligava naquela época era saber que tínhamos que deixar o orgulho de lado e falar um com o outro deixando nossa tola briga de lado, não era por conta de nossos namoros, era por nós mesmos pela história que temos.

:- Juntos é o que não podemos ficar. Você sabe disso.

:- O que eu sei é que estou cansado dessa nossa situação Dulce. Cansado de sustentá-la por anos, de viver de migalhas. É como entrar num labirinto e não saber como sair, nunca é suficiente, nunca te satisfaz. Eu cansei de seguirmos nossas vidas e ainda assim estarmos ligados um ao outro, dependentes disso. De destruímos tudo que demorarmos a construir por conta desse nosso sentimento. – ele passou a mão no rosto frustrado, eu queria poder contradizer o que ele falava, mas tudo não passava de uma dolorosa verdade. – E ao falar tudo isso, eu queria e muito dizer que estou cansado de você. Mas é mentira.

Impotência. Era o que eu sentia. Estava impotente sentido escapar de minhas mãos todas as chances de salvar o meu amor, o nosso amor. Não poder salvar toda a história que temos juntos, todo o sentimento que ainda insiste em existir sobretudo, é doloroso demais está impotente.

:- Eu te amo, Poncho. – Eu tirei o cobertor sobre mim. E me aproximei mais dele. – É uma das poucas certezas que tenho na vida, mas não é a única, por que sabemos que não vai dar certo tentar de novo. Seria como reviver todas as feridas novamente, todas as dores, todos os motivos que se escancaram dizendo o porquê de não ter dado certo, que estamos fardados a isso. Vamos reviver mais um fracasso. E o pior disso tudo é que cada fracasso é pior que o outro, chegará o momento que não teremos mais forças.

Ele me olhava atento, eu via em seus olhos que ele concorda, ele sabia tristemente que eu estava certa.

:- Eu quero para mim. Um amor mais leve, mais solto, sem tantas cobranças, sem dependência. Eu quero ser de alguém em que eu possa me entregar e ter por inteiro, e é difícil dizer que esse alguém não é você. – engoli saliva o olhando — Difícil é saber que eu não sou esse alguém para você.

:- Apesar de nos querermos... De nos amarmos. – Ele completou com pesar o que eu dizia concordando com a cabeça, e se aproximou colocando a mão em meu rosto limpando uma lágrima que eu sequer notei que escapava do meu olho.

Ele me puxou contra seu corpo e deixei minha orelha contra o seu peito, eu podia escutar seu coração bater forte e desesperado, eu desejava que fosse o mesmo desespero que o meu, o mesmo medo do desconhecido, de finalmente ficarmos sem o outro e não saber como é isso.

:- Será o melhor para nós dois, pequena. – ele falou beijando minha cabeça e inevitavelmente soltei algumas lágrimas, e me apertei em seus braços, com vontade de sentir seu cheiro, que ele ficasse impregnado em minha pele, assim como fazia sua camisa.

:- Vem... – ele me chamou um tempo depois se separando do meu corpo, aumentando meu frio. Ele foi para seu lugar da cama. – Vem, vamos dormir descansar, temos dias cheios amanhã. E não vamos desperdiçar esse tempo nos lamentando, temos que aproveitá-lo.

E eu fui depois de limpar as últimas lágrimas que escorregavam. Fui ao seu encontro, nos cobrimos com o cobertor, apoiei minha cabeça em seu peito, ele me envolveu com seus braços, cruzei minhas pernas entre as suas; e ele com a outra mão a colocou dentro de sua camisa, aquela que estava no meu corpo, e começou a acariciar minha barriga me fazendo fechar os olhos e começar a aproveitar, por que realmente tínhamos muito pouco tempo.

Não dormimos logo, ficamos muito tempo deitados apenas nos sentindo, nos despedindo. Eu mergulhei uma de minhas mãos no seu cabelo, aproveitando essa oportunidade única, até sentir sua respiração mais tranquila, e ver que ele dormiu.

Só então, me permiti chorar silenciosamente dessa vez, não queria que ele visse que me visse sofrer, não queria ter que me separar dele.

Mas, na vida as coisas não são como nós queremos ou nesse caso quando não queremos.

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Notas finais
E também foi citada a música, Elephant do Damien Rice, aqui esta: https://www.youtube.com/watch?v=wVW_0tfq0GoO que acharam desse primeiro capítulo?