Nadie dijo que sería fácil
8 Oito
Poncho
:- Como é, você deve lembrar tio Poncho, já que mamãe não lembra ela disse que sempre esquecia. – olhei para Elisa, segurando Henry nos braços.
E do meu lado Maite riu.
:- Mais ela falou a verdade, quando não esquecia, caia no palco. – eu ri me lembrando.
:- Poncho. – ela me deu um tapa no braço, que fez Henry se remexer. – Só não te dou mais forte por que ele demorou para dormir e você está o carregando.
:- Você caia mãe? – Lisa arregalou os olhos, imaginando a mulher que a colocou no mundo caindo.
:- Um pouco. – ela admitiu do meu lado, e só depois de eu fingir uma tosse, ela riu admitindo para filha. – Tudo bem, sempre eu caia e feio ainda. Levei o título de Christopher de a rainha do tombo. – ela riu.
:- Lisa, sua mãe caia tanto que quando ouvíamos um baque no chão, nem olhávamos mais, por que sabíamos que era ela. – Comentei rindo e fazendo as duas rirem junto, enquanto caminhávamos. – Afinal de contas, por que você está perguntando se pode pesquisar na internet?
:- Papai, colocou senha no meu celular e não posso entrar na internet, por que estou de castigo. – ela confessou olhando para baixo.
:- O que você fez dessa vez, Lisa? – Perguntei, arrumando Henry no meu colo, como ele dormia gostoso.
:- Ela entrou no nosso escritório, e numa de suas brincadeiras derrubou um dos prêmios de Mane. – Maite falou por ela, que abaixou a cabeça sentida. – Ainda bem que os meus estão intactos. – ela olhou para cima agradecendo, me fazendo rir.
:- Lisa, a parte que a esquecida da sua mãe não lembra é assim... – eu chamei atenção da pequena. — Dame tu mano, devuélvame el aire di que me amas que no eres culpable, por lo menos un momento, dime que esto no es cierto. – cantarolei para Lisa, um trecho de Solo quédate en silêncio, que no cd éramos Dulce e eu cantando, mas que com o tempo passou a ser cantada por Dulce e Christian.
:- ISSSO, era essa parte mesmo. – Lisa ficou feliz, e começou a cantar a música inteira, enquanto saltava.
:- Não vai ter jeito, essa não vai desistir de ser cantora, tão cedo. – Maite negou com a cabeça. – E Mane já comprou um piano para ela, e está ensinando e tudo já.
:- Então a veia artística é passada de geração em geração. – eu ri. – E você vai ser o próximo galã de Televisa, garotão. – olhei para Henry que dormia alheiro ao passeio que dávamos.
:- Quem sabe o futuro a Deus pertence. – ela olhou para o outro lado da rua, e apontou me fazendo olhar também.
Tinha um grupo de paparazzi com suas câmeras a posto e tirando várias fotos nossas, Elisa era a única que não tinha percebido.
:- Hei futura star, — gritei para que ela me ouvisse, e quando ela virou para me ver. – Ali seus fãs já querem escutar você cantando, faz uma performance para eles.
Maite e eu rimos quando Lisa olhou para os paparazzi e mandou um beijo e voltou a andar, reclamando que todos estavam tirando a concentração dela, e ela queria cantar em paz.
:- Só quero ver quais serão as manchetes daqui algumas horas, eu estou traindo Mane de novo com você? – ela riu se lembrando de quando saímos várias vezes para me distrair, depois da morte de meu pai, e naquela época a imprensa dizia que estávamos juntos, Mane, ela e eu riamos absurdos com cada notícia.
:- Ou que eu quero tomar o lugar de Mane. – ri de uma das notícias antigas.
:- Falando em notícias e imprensa mexicana, Meu Deus. O que são as notícias de Dulce e o pai de Dominique?
Fiz uma careta. Faz dias que eu estava me sentindo estranho, desde que esse cara apareceu. E a imprensa estava em festança desde que ele começou a sair com Dulce e Dominique, a cada passeio era comemorações, desde que Dulce declarou que ele era o pai de Dominique.
:- Poncho, sério às vezes pegam tão pesado com Dominique. Que me dá raiva. – ela comentou fechando o punho.
:- Isso vai acabar, Pedro estava comentando ontem, que os poderosos de Televisa vão censurar esses programas, por conta da novela. Não querem que nossa imagem fique vulnerável assim. Pelo menos enquanto a novela fizer sucesso.
:- Por que no nosso tempo de banda não censuravam assim? Nós tinhamos que lidar com tudo, imprensa, trabalho e vida pessoal. Mas, falando em novela, uau. Que orgulho de você, aliás, de todos, Dulce, Angel e o Arcanjo. – ela riu da forma como ela ainda chamava Eugênio.
:- Esse é o problema, May. – ela me olhou estranhando.
:- Lisa, vamos parar um pouco, sentar para descansar. – ela falou com a menina que voltou para onde estávamos sentados num banco da calçada. Ainda continuava cantarolando alguma música. – Que problema, Poncho?
:- Ontem Pedro, me confirmou, Dulce e eu nos tornamos par romântico.
Ela arregalou os olhos diante da novidade e sorriu batendo palmas.
:- Isso não é bom?
:- Não quando estou abalado com toda essa convivência de novo. Quando vou de novo ter ela, mesmo que seja na ficção, não quando me dei conta que estou apaixonado por ela de novo.
Agora sim, Maite riu gargalhou até que precisou conter quando viu as pessoas olhar para ela, achando que era louca.
:- Como se você tivesse deixado de amar Dulce, durante esse tempo Poncho. – ela riu mais controlada. – Quando vi que você conseguiu trazer ela para ver Henry, e a cara de besta quando via ela segurando ele no colo, já vi que você ainda era apaixonado. Qual é o real problema?
:- A insegurança dela, o que mais? O receio, o medo, de voltar a acreditar em nós dois. – suspirei, pegando na mão do meu afilhado. – Parece que estamos no passado comigo desabafando com você sobre minha relação e a dela.
:- Essa é mais uma prova que os sentimentos não mudaram. Quando é que vocês vão perceber que são feitos um para o outro?
:- Já percebemos isso inúmeras vezes, — deixei de olhar o bebê para encara-la. – Mais nascer um para o outro, não é suficiente, não é isso que faz funcionar um relacionamento.
:- Sempre achei que ser feito para alguém, é o primeiro passo de uma longa jornada. Assim como sempre achei que vocês no final das contas ficariam juntos de um jeito ou de outro, lutaram de mais para no final das contas serem derrotados simplesmente por não dar certo. – ela falava como se estivesse sozinha refletindo. – Mas, isso é no passado, ou não? Agora estão amadurecidos e podem ficar juntos?
:- As coisas não são bem assim... – suspirei pensando na semana que tive gravando com ela.
:- Como não? Da para ver a cada cena que vocês têm juntos. A química, os olhares, em como às vezes se esquecem de que estão gravando. Falo isso por que acompanho a novela. Do que está rindo? – ela me perguntou. – Virei noveleira mesmo, deixo Henry com Mane e vou assistir vocês, ora essa. Às vezes imagino como seria eu ali se Henry tivesse vindo depois ou antes, mas enfim.
:- Vejo em Vitimas del Pecado, uma mesma improvisação que havia em Rebelde, e sei que o que esta fazendo mais sucesso na novela são vocês dois, não só pelas personagens, mas por vezes vocês esquecerem de onde estão e serem Dulce e Poncho.
Pensei no que ela falou, de certa forma era verdade, quantas vezes eu me perdia em cena por que estava observando Dulce.
:- Mas tem Thierry.
:- Esse quem é? – ela perguntou confusa, para depois se lembrar. – Ah sim o pai de Dominique, o que tem ele?
:- Como o que, ele está na casa de Dulce, vivem passeando para lá e para cá com Dominique, ela até deixou de me mandar sms como antes.
:- Thierry é o pai de Dominique e isso é algo insubstituível, mas ele é namorado, marido de Dulce? – ela perguntou.
:- Não sei. – confessei a verdade, não podia me basear no que a imprensa dizia.
:- Então, Poncho. Antes de sofrer por algo, pelo menos saiba pelo o que é. – ela riu – e até por que, quantas vezes eu já não vi namorado ou namorada nenhum de vocês impedissem de vocês ficassem juntos. – ela voltou a rir. – Não estou incentivando a nada, apenas, comentando um fato do passado. – ela levantou os braços em sinal de inocência.
:- Tio Poncho compra algodão doce, para mim? – Lisa veio me perguntar vendo um vendedor.
:- Por que você não pede para sua mãe? – perguntei procurando com uma mão minha carteira no meu bolso.
:- Por que ela não vai deixar a não ser que eu peça para você. – ela riu.
:- Não sei com quem ela aprende essas coisas, só pode ser o Christian, ensinando isso. – Maite negou com a cabeça. – Compra um também Poncho, para mim? – me olhou com olhos pidões.
:- Aqui Lisa, compra 2 para as duas crianças. – eu ri até ver Henry acordar chorando.
:- Me da ele Poncho, esse choro escandaloso é fome. – ela estendeu os braços. E virei para ir até onde Lisa estava comprando o algodão. E vi não só ela como uma mulher me olhando de longe, e vieram juntas as duas, a mulher e Elisa ao meu encontro.
:- Poncho? – ela me perguntou e eu sorri para ela.
:- Natália. – me levantei para cumprimenta-la.
:- Quanto tempo. – ela me falou por cima do ombro.
:- Nat, Maite e Lisa, como deve se lembrar. – eu apontei para as duas, — e esse mamando é o Henry, filho de Maite.
:- Oi Natalia, tudo bem. Só não levanto por ele está mamando. – Natália se abaixou para cumprimentar Maite.
:- Imagina, está tudo bem sim. – ela sorriu para a morena. – E você pequena tudo bom? – ela viu Lisa comer o algodão doce com tanta vontade que só balançou a cabeça.
:- Natália, pensei que estivesse em Londres? – comentei a olhando, Natália era modelo e da última vez que tive notícias ela estava modelando por lá.
:- Acabou minha temporada em Londres, eu passei depois pelo Japão e agora faço um desfile aqui hoje para depois ir para Milão. – ela comentou sorrindo.
:- Mamãe, ela não é ex namorada do tio Poncho, aquela que era morena. – Escutamos Lisa sussurrar para a mãe, mas ainda dava para escutar.
Antes que Maite pudesse falar alguma coisa, Natália falou com Lisa.
:- Sou eu mesma, Lisa. Eu pintei o cabelo de loiro. – ela sorriu simpática não se importando com o que a menina disse. – E Poncho estava tirando fotos para a revista Glamour ontem, e lá só se falava na sessão que você fez para eles, estavam comentando da sua novela.
:- Sério? – Fiquei sem graça.
:- Sim, eu a vi ontem é realmente muito boa. Você e Dulce tem uma incrível química juntos. – ela comentou e eu olhei para Maite que fez uma cara de acabei de te falar isso. – vocês já voltaram? – me surpreendi com a pergunta da Natália.
:- Como?
:- Poncho fomos namorados por mais de 1 ano, qualquer namorada que se preze, sabe do passado do seu namorado, ainda mais ele sendo famoso isso é quase incluído no pacote. – ela explicou e vi Maite interessada na conversa. – Ainda mais um passado com Dulce Maria. Então vocês já voltaram?
:- Não. Nós somos apenas colegas de trabalho. – respondi.
:- Ah então não voltaram ainda, não se preocupa não vai demorar muito.
:- O que? Do que está falando Natália? – as pessoas tiraram o dia para me falar que Dulce e eu vamos voltar. Já não bastava Maite.
:- Do obvio. – ela deu os ombros. – Veja bem, aprendi com um ano de namoro que além de você ser um cara romântico, gentil, que gosta de mimar a namorada. Você pertence a um ciclo, não importa quantas mulheres você tenha na vida, você só pertence a uma. Dulce. E juntos vocês tem um ciclo.
Fiquei escutando ela falar calado.
:- E bobo é aquele se mete no caminho de vocês, por que essa pessoa tem duas opções, ou termina com vocês ou aceita que um é feito para o outro e isso ninguém vai mudar e tem que conviver com isso. Eu fiz minha opção, eu terminei mesmo gostando muito de você. Mas, fiz certo, sabia que não teria você por inteiro e eu não me contento com pouco, você sabe.
:- Vocês duas se encontraram antes e estão tentando fazer minha cabeça, podem confessar. – Olhei de Natália para Maite.
:- Você falou o mesmo para ele Maite? – Natália perguntou sorridente para ela.
:- Com outras palavras, e da minha visão da situação. Mas, quem sabe a sua versão não é melhor e abra os olhos dele?
:- Tomara, por que ele merece ser feliz, e essa felicidade sabemos que ele só encontra com ela. – Ela sorriu para Maite. – Enfim, Poncho foi um prazer revê-lo, pense no que eu falei, no que Maite diz, é para seu bem. Agora deixem me ir, tenho um desfile para fazer. – ela se despediu como se não tivesse falado o que falou.
E eu voltei a sentar no banco incrédulo, com tudo.
:- Sabe que concordo com ela. – Maite voltou a falar. – Tudo é um ciclo, e como isso não tem fim, vocês estão revivendo mais uma oportunidade, cabe a vocês aproveita-la.
:- Tio Poncho, você voltou com a tia Natália? – Elisa me perguntou.
:- Não, Lisa, da onde tirou isso. Ela é só uma amiga agora, nos reencontramos só isso. – olhei para ela que estava confusa.
:- Ah que bom. Por que eu prefiro a tia Dulce do que a tia Natália. – ela sorriu. – Então se não ta namorando com tia Natália, ta com a tia Dulce?
:- Também não, Lisa.
:- Mas, vocês não estão juntos na novela, namorando?
:- Na novela sim, na vida real não. – Maite explicou. – Assim como eu e seu pai quando, vamos fazer novela, Lisa. É tudo mentirinha, apenas uma história.
:- Ahh sim agora entendi. – ela riu com a boca lambuzada de algodão. – Mas, volta a namorar com a tia Dulce, tio Poncho assim vocês cantam aquela música lá.
:- Qual música, Lisa? – Maite que perguntou.
:- A do cabelo. – ela passou a mão no cabelo grande da mãe. – Talvez quizás, seamos dos almas gemelas, talvez quizás nos encuentremos donde sea.
A pequenina cantou arrancando risadas minhas e de sua mãe, só ela para me fazer rir diante de um assunto tão sério, ou melhor, duma relação tão complicada que era minha e a de Dulce.
Aquela noite eu fiquei com insônia do tanto que eu fiquei pensando no assunto, tive que rever alguns trechos da novela Rebelde, de Clase, os Dvds do Rbd, alguns filmes para ver como era visível minha relação com Dulce, mesmo que tentávamos esconde-la.
Quer dizer que tudo não passa de um ciclo?
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