Nadie dijo que sería fácil
22 Vinte e dois
Notas iniciais
Poncho
O amadurecimento pode ser expressado de diversas formas, assim como a essência, tinha música ambiente nem agitada ao ponto de estourar as caixas de som e nem baixa para dar sono. Esse era o amadurecimento e a essência, era a festa em si.
E aqui estávamos na festa na casa de Anahí.
Tomei mais um gole da minha caipirinha, que estava muito boa por sinal, Christopher se especializou com o tempo.
E todos reunidos ali, ou pelo menos em espírito, Christian não pode vir por conta do lançamento do seu quarto Dvd, e a divulgação estava em pleno vapor.
Jorge veio com uma câmera na mão e pediu para Christopher que estava do meu lado, tirarmos uma foto juntos. Caipirinha, disse antes de sorrir, já meio bêbado, mas totalmente consciente do meu redor e dos meus atos. E Jorge nos mostrou a foto, eu sorrindo mostrando a caipirinha e Christopher com sua mania doentia de apontar algo para tirar foto, ou seja, minha caipirinha.
:- Érica, não corra tanto filha. – ele gritou com a menina que nem deve ter escutado, tanto pela música quanto pela forma que passou rápida, só vi o cabelo grande da menina, que o deixava enorme por conta de Dona Alê, passar voando. – Poncho nem tivemos tempo de conversar desde quando voltei, verdade?
:- Não quando você chegou se trancou no seu estúdio, para terminar seu cd. E eu estou gravando como um louco, não temos tempo para nada. – sorri para ele, por que isso era muito bom apesar de desanimador, estávamos entupidos de trabalho.
:- Eu falo isso por que eu preciso conversar com alguém, de confiança, tipo você. – ele comentou e o encarei depois de tomar minha bebida.
:- Quer conversar agora?
:- Podemos?
:- Claro.
E saímos daquele ambiente onde não daria para ter uma conversa e fomos andando, em direção à piscina, onde os barulhos estavam abafados para dentro da casa.
:- Então...
:- Anahí está estranha. – ele soltou e eu fiz uma cara confusa e ele terminou. – comigo.
Fiquei olhando para ele ainda com uma cara estranha olhei para minha bebida que ele que fez, e pensei como posso está bebendo o líquido e ele que fica bêbado, porém parecia realmente preocupado. E eu só faltei revirar os olhos.
:- Anahí é estranha, Christopher. – falei como se fosse obvio.
:- Não, você não está entendendo o que quero dizer. – ele acendeu um cigarro antes de me explicar. – Sabe que estamos saindo?
:- Maite comentou o que tem?
:- Isso já faz um bom tempo, tivemos uma recaída assim que ela se separou e dai, não paramos de sair, você sabe, aquela brincadeira de adulto, que acaba terminando em algo sério.
:- Sei.
:- Então, tivemos uma viagem ótima, com nossos filhos e tudo mais. Mas, quando voltamos ela ficou estranha, não que ela tenha me rejeitado, mas tem agido assim. – ele soltou fumaça pelo nariz e me ofereceu o cigarro que aceitei.
:- Acha que ela encontrou outro cara ou algo do tipo?
:- Não, não, ela teria me contado e fora que ficamos muito tempo na viagem juntos, não teria como. Eu sei que tem algo de errado, mas não sei o que é. Entende? – ele me olhou esperando que eu realmente entendesse.
:- Sei, então por que você não teve essa conversa franca com ela em vez de mim? – traguei o cigarro.
:- Por que estamos falando de Anahí, cara. E não sei como ela vai reagir, por que das vezes que eu tentei uma conversa ela não tinha reagido bem, então deixei quieto. É como se eu pisasse em ovos com ela. Definitivamente não quero estragar as coisas, não agora. – devolvi o cigarro quando ele pediu com a mão, mesmo antes de colocar na boca continuou falando. – Depois de tudo que engoli e passei por essa mulher, eu sinto que essa é minha chance. Não posso falhar, Poncho, não me perdoaria.
Por um momento eu desejei que tudo fosse ao contrário, como várias vezes desejei com relação ao Christopher, algo involuntário. Como quando ele tinha a chance de ficar mais próximo de Dulce do que eu, seja nos shows ou em cena, ou quando ele me contava que estava com Anahí enquanto eu mal via Dulce. Eu queria ter uma chance concreta como essa assim como ele.
:- Não sei se isso vai dar certo, mas eu vou repetir um conselho que dei para um garoto de 17 anos inseguro que estava gostando de uma mulher mais velha que ele. – eu sorri tomando mais caipirinha. – Invista! Peça ela em namoro.
:- Você acha que eu devo?
:- Claro ué, acho que é o momento certo afinal vocês estão saindo a um bom tempo.
:- Você tem razão essa é à hora de tentar. – Ele terminou o cigarro, o apagou e jogou no cinzeiro que tinha ali perto. Anahí ainda fumava enquanto tomava banho de sol por isso tantos cinzeiros espalhados.
:- Chris? – Nós olhamos na direção do garoto.
:- Oi, Vitor.
:- Tia Neni está te procurando, pediu para te chamar. – ele olhava para os lados enquanto falava, já estava todo suado com a roupa amarrotada, quem diria Vitor Hugo, filho de Anahí.
:- Obrigado Vitor, estou indo. – ele agradeceu o garoto, que começou a correr vendo Érica se aproximar. – Vou ver o que ela quer comigo, vai entrar agora?
:- Não, me da alguns cigarros vou fumar um pouco.
E ele me deu e me deixou com o isqueiro, não é como se eu tivesse voltado com o vício, na verdade eu fumava muito raramente desde quando tive a recaída, mas quando eu precisava assim eu tinha que o faze-lo.
Enquanto fumava olhando para o céu, pensando sobre várias coisas, mas especificamente sobre como eu faria para ter alguma chance com Dulce, assim como Chris tinha hoje com Anahí, não que as relações fossem as mesmas, mas tínhamos muitas características em comum.
Pensando sobre isso, tive uma sensação estranha e olhei para a casa de Anahí, olhando para cima fiquei de frente com o olhar de Dulce, numa espécie de sacada bem grande que dava acesso ao quarto de Anahí, me olhando com Any sentada próxima a ela e estavam conversando, ou era só Anahí.
Dei um aceno e depois voltei minha posição, para terminar meu cigarro e voltar com meus pensamentos. Entretanto não foi possível já que chegou alguém.
:- Namorado? – Escutei aquela voz familiar e me voltei a ela sorrindo.
:- Ana Pau. – Estendi os braços sorrindo.
:- O que faz aqui sozinho? – Ver ela assim, toda uma mulher era você se dar conta do quanto está todo um senhor.
:- Nada, pensando e fumando.
:- Quanto mais o tempo passa mais, introspectivo fica, Poncho.
:- O que posso fazer se así soy yo. – dei o ombro rindo por que ela também se lembrou.
:- Fica aqui sozinho, não, vem vamos entrar e comemorar meu noivado? – ela riu me puxando pelo braço.
:- Fala isso na cara dura? É uma sem vergonha, não faz nem 5 minutos de conversa e você me chamou de namorado. Me traí e ainda quer que todos saibam?
:- Claro. Faço as coisas na sua frente mesmo para que todos saibam. – ela riu.
Se foi o tempo onde ela era apenas uma criança que adorava cantar Así soy yo com a tia, e me chamava de namorado, agora Ana Pau, era uma mulher que comemorava seu noivado hoje.
...
:- Nossa até o Poncho está aí. – Christian ficou assombrado vendo todos pela webcam. – Por Deus, deixa eu fazer uma coisa. – O vimos apertar alguns botões e de repente apareceu uma foto nossa na tela mostrando a gente olhando para ele. – Acabei de tirar uma foto de vocês, vejam como estão bonitos todos aí. E lamento, mas vai direto para o twitter vou expor todos. Vendo vocês ali reunidos, me bateu saudade.
:- Só falta você aqui Christian. – Maite comentou olhando para ele.
:- E como eu queria está aí, mas quando eu voltar, vocês podem desmarcar todos seus compromissos, vamos ter um jantar em casa.
:- Está combinado por mim. – Christopher se manifestou.
:- Acho que por nós três, fica mais difícil por conta da novela, mas podemos tentar Chris. – Dulce falou por Maite e eu.
:- Dulce acabei de me lembrar, você não conhece meu pollito, não é?
:- Seu Pollito? – Ela perguntou confusa.
:- Ah não me diga, que ele está em tour com você, Christian? – Anahí perguntou curiosa.
Christian ficou sorrindo do outro lado, sem responder nada e fez sinais para o pequeno chegar até ele.
:- Dulce, quero que conheça, Fernando. Mais conhecido como Fercho, meu filho. – Christian sorriu, colocando o filho no colo para todos ver, o menino olhou para nós e sorriu. O cabelo era revolto, cacheado, e usava uma de suas camisas listradas. – Oi todo mundo.
:- Oi. – Todo mundo o respondeu.
:- Oi Fernando, é um prazer te conhecer. – Dulce sorriu acenando.
:- Oi, Dulce também é um prazer te conhecer. – ele ainda tinha um sotaque para falar espanhol.
Fernando foi adotado há dois anos por Christian, ele é sueco, perdeu os pais num acidente e Christian estava passando as férias na Suécia e quando conheceu por acaso Fernando, disse que precisava cuidar dele. Ele nos contou que naquele momento tinha um sentimento de pai, mesmo estando inseguro sobre como lidaria com uma criança, afinal ele nunca pensou nisso.
:- Dulce, a vida da muitas voltas num momento você escuta que ele mesmo casado, não quer filhos e só teria cachorros e outro instante, ele tem um filho de 3 anos estrangeiro e está solteiro muito bem obrigado. – eu impliquei com Christian. – Quando você pensa que já viu de tudo nessa vida.
Todos riram e eu fiz careta para Christian e vi Fercho rir.
:- Tenho que ir agora? — Chris falou com alguém, não dava para escutar direito, e ele fez uma cara triste. – Tenho que ir, vou gravar um programa agora, mas já que não estou com vocês eu quero fazer um pedido, chamem suas pestinhas para eu poder tirar outra foto?
:- Ah sim, claro. Eu vou ser o primeiro. – comentei. Fingi sair do quarto, mas quem foi mesmo, foi Christopher.
:- Está bêbado, Poncho? – Christian começou a rir.
:- Só um pouquinho. — Fiz um sinal com o polegar e o indicador.
:- Bom Henry já esta aqui, mas ele vai para o dindo. – Maite me deu o gordo, que sorriu quando eu fiz careta, babando tudo.
:- Maite, está louca ele vai derrubar o menino. Olha ele nem consegue segura-lo. – Christian riu da sua piada.
:- Ha Ha. Esta me falando o cara que queria comprar para o filho de cinco anos, um andador. – Ele parou de rir, e as meninas riu da minha piada.
:- CHEGAMOS!!! – Vitor entrou correndo para subir na cama e ficar pulando.
:- Vitor Hugo, já lhe disse para não pular na minha cama filho. – Anahí se levantou para amparar o filho, achando que ele cairia. – Ah mãe. – ele foi tirado da cama para ser colocado no chão.
Érica entrou correndo, depois Dominique e Elisa chegaram com Christopher.
:- OHHHHH MEU DEUS. – Christian arregalou os olhos vendo todos ali reunidos. – COMO ESTAMOS VELHOS.
:- Calado Christian. – Maite foi pegar Elisa no colo.
:- Certo agora se juntem todos cada um com seu fedelho para um tirar uma foto de vocês.
Ficamos em pé, cada um com uma criança nos braços, com minha exceção que segurava Henry que babava loucamente, no auge dos seus sete meses.
:- Que lindo. – ele festejou com Fercho. – A foto já está aí para vocês, eu tenho que ir realmente agora, se não me atraso mais. Boa festa, e vocês têm filhos agora, tenham juízo.
:- Eu não tenho filhos... – cantarolei brincando com Henry, que me sorriu bem banguela.
Christian riu antes de sair e ir embora, com Fercho dando tchau.
:- A foto ficou linda mesmo, olha só. – Any, visualizou a foto no seu computador. – Mas, temos uma festa está que rolando lá fora e estamos enfornados nesse quarto. Vamos, vamos.
:- Vamos, porque estou com sede pai pegar refrigerante pra mim. – Érica, apertou seus braços no pescoço de Christopher e ficou brincando com cavanhaque dele.
:- Eu vou ser o primeiro a chegar na cozinha. – Vitor passou na frente de todos, correndo.
:- Vitor, não corre filho, cuidado para não se machucar. – De nada adiantou Anahí falar com ele, capaz de já esta na cozinha.
:- Poncho, me da Henry? – Maite pediu e eu estranhei por ela ainda está com a filha no colo.
:- E Elisa?
:- Eu vou brincar com a Nique, Poncho. – ela desceu do colo e esperou Dulce arrumar o laço no vestido de Nique, que assim que ficou pronta, logo saiu com Dominique pela casa a dentro.
:- Pois é, Maite, daqui a pouco é ele correndo por aí. – Dulce se aproximou da gente, brincando com Henry que estava babando e mordendo o colar de Maite. E começamos a sair do quarto de Any.
:- Não sei se gosto ou não dessa fase, por que ela é cansativa, mas tão gostosa. Eles são tão dependentes da gente. – Maite tirou o colar dele, que fez bico, mas antes que ele chorasse eu fiz careta para enganá-lo.
:- Nem me fale, Dominique cresceu tão rápido. – Dulce sem notar começou a se balançar conforme a música que tocava que foi por pouco tempo por que tiraram à música.
:- Obrigada, Jorge — Tysha agradeceu. E ele apenas acenou com a cabeça. – Quero a atenção de todos, por favor.
Eu, Maite e Dulce, fomos os últimos a se aproximar. Onde todos estavam ali reunidos, até mesmos as crianças.
:- Isso agora que todos estão aqui obrigada pela presença, vou falar em nome de Anahí, sendo então a porta-voz. – Any e Christopher estavam conversando aos sussurros, meio alheiros a sua volta. — Essa é uma festa que comemora não só a volta da viagem da Any, mais os reencontros de velhos e novos amigos, porém principalmente para comemorar o noivado de Ana Paula e Lucas Augusto. – ela sorriu, e nós olhamos o casal.
Que olharam sorrindo para todos, pelo que andei conversando com Neni e Tysha, a primeiro momento elas ficaram apreensivas, com esse namoro de Ana Paula, não por Lucas, mas pela rapidez dos acontecimentos. Eles com pouco tempo de namoro, moram juntos e estão noivos, por incrível que pareça pensam em casamento.
O que assustou os familiares de ambas as famílias, por ser cedo, mesmo numa sociedade precoce. Hoje em dia casamento é algo raro, ainda mais com Ana Paula jovem com 19 anos e Lucas com 21, tendo toda uma vida pela frente e por ser a primeira, filha de Neni, neta de Tysha e sobrinha de Any existe toda uma cerca de proteção em volta de Ana Pau. Porém, hoje é uma prova do quanto, ela tem um poder de persuasão forte.
:- Vendo desenho animado com Santiago, escutei uma frase que dizia assim, “Se não pode com o inimigo, unisse a ele.” Não se aplica totalmente nesse caso por esta me referindo a minha neta e não a um inimigo, ainda que acho o casal seja precoce, porém, se o que podemos fazer é nada além de apoiar? É isso que faremos. Por favor, se vocês estão com alguma bebida, vamos fazer um brinde a Ana Paula e a Lucas, a felicidade deles e ao amor.
:- Ao casal. – Muitos falaram alto, e quase todos ergueram suas bebidas a pedido de Tysha. – Felicidades. – e eu puxei uma salva de palmas.
E sorri para Dominique que estava ao lado de Elisa, que seguia sendo sua intérprete, que estava batendo palmas como nós ouvintes, mesmo sem escutar nada. E quando viu que eu estava a observando, balançou a mão, batendo palma como surda.
Minhas palmas – para nós ouvintes — logo foram seguidas por todos os presentes, estávamos testemunhando algo raro, um amor de jovens incomum para a época. Sabe aquele momento que parece que mesmo sem saber, as pessoas seguem um padrão? Elas agem como se tivemos ensaiado, não sei se é devido à convivência ou agimos pelo momento.
Assim que as palmas cessaram. Todos ficaram em silêncio, e isso inclui as crianças, foi então que a voz inconfundível de Anahí se sobressaiu só então percebi que de todos Anahí e Christopher eram os únicos que estavam conversando e não comemorando o noivado de Ana Paula.
:- Não estou te rejeitando, Chris, o que acontece que estou grávida.
E ainda agindo de forma padronizada, todos ficaram surpresos, tanto que os “Oh” ecoaram.
:- Grávida Anahí? – Tysha surpresa perguntou o que todos queriam saber.
:- Isso é maravilhoso, não? – Jorge levantou a bebida dele, esquecendo a surpresa, e puxou outro brinde, e outra salva de palmas.
Eu soltei alguns risos, por que logo as palmas acabaram novamente, e ele estava da mesma forma. Branco.
:- Eu vou ter um irmão ou uma irmã? – Vitor arregalou os olhos, olhando para Santiago ao seu lado que riu da pergunta para depois respondê-la. – E eu um primo ou prima.
:- Que notícia maravilha Anahí. Parabéns. – Vitor, o mais velho, se pronunciou.
:- Obrigada Faye. – ela falou sem graça, sentindo os olhares de todos sobre ela.
:- Mas, me diz uma coisa, se você está separa há alguns meses. Isso significa que o pai do bebê é...
:- Seu irmão, Faye. – Neni, riu, assim como todos vendo Christopher ao lado de Anahí, ainda pálido feito leite e mexendo o ombro esquerdo, tique.
:- Então eu também vou ter um irmão ou irmã! – Érica exclamou feliz. – Que legal. – Junto com Vitor ela exclamou.
:- Não pensei que ela fosse contar assim para ele. – Dulce comentou do meu lado, mas foi para Maite. – Tadinho do Christopher, está em choque até parece que não já tem uma filha.
:- Não com Anahí. – comentei. – Além do mais, acabamos de ver a forma como ele ficou sabendo.
:- Pois é vou dar uma força. – Maite ajeitou Henry no colo. – Gente, gente vamos continuar com a festa? Acho que Anahí e Christopher têm muito que conversar, então enquanto isso vamos ficar aqui comemorando o noivado de Ana Pau, o que acham?
Todos acharam uma boa ideia, Any e Chris foram para algum lugar conversar e a festa voltou a acontecer, Dominique chegou com Elisa onde estávamos.
“Então quer dizer que Anahí e Christopher, vão se casar?”
“Isso eu não sei, Nique.” Lisa fez um bico e mostrou a palma da mão, sem saber o que dizer.
“Quer dizer que eles vão conversar e resolver o que é melhor para eles.” Dulce entrou na conversa das meninas.
“Ahhh. Lisa, acho que dessa vez vem uma menina.” Dominique já estava pensando no sexo do bebê.
“Também acho Nique. Mãe, você acha que é menina ou menino?” Lisa, perguntou para Maite em voz alta e também em língua de sinais, pensando em Nique.
“É muito cedo para dizer algo assim. O importante é que venha com saúde.” Lisa sorriu, mas não com a resposta da mãe por que foi Dulce que respondeu, e sim com o irmão que a reconheceu e ficou agitado no colo de Mai tentando pular.
“Que legal ter um irmão. O Vitor e a Érica devem estar contentes, eu queria ter algum irmãozinho.” Nique fez uma cara imaginando como seria ter um, e depois alguma ideia pareceu surgir em sua cabeça. “Man, me da um irmão?”
Vi uma Dulce ficar completamente sem graça do meu lado. Maite fez uma expressão confusa por não saber o que Nique falou.
:- O que ela falou para te deixar assim? – Maite arregalou os olhos.
:- Me pediu um irmão.
:- Ah tá. – ela riu.
“Nique, está muito cedo para ter um irmão, você não acha?” Dulce tentou explicar.
“Nique, se tia Dul tivesse um bebê, o pai seria o namorado dela?” Lisa, antes que Dominique respondesse a mãe perguntou curiosa.
A curiosidade de Elisa, às vezes me deixava num beco sem saída, por que eram perguntas atrás da outra e ficava sem saber como respondê-las, mas nesse caso veio em muito boa hora, ainda mais vendo Dominique na nossa frente pensar e refletir sobre o assunto.
“Pensando bem man, você está certa é melhor deixar essa história de irmão para depois.” Fez uma careta, imaginando um irmão, filho de Eduardo.
Boa Dominique. Boa Elisa. Estão saindo melhor que a encomenda. E Lisa, eu e Dulce rimos com Dominique, fazendo até Henry rir também sem saber de que.
:- O que ela respondeu? Quer saber, eu vou fazer umas aulas de LSM. Por que vou te contar viu.
:- Lisa, perguntou se ela tivesse um irmão agora, o pai seria o namorado de Dulce, então Nique pensou melhor e não quer ter um irmão agora. – Eu expliquei a Maite.
:- Hm. – Maite apenas sorriu fechado, pensando em algo com certeza, conhecia aquela cara.
:- Mas, agora quem falta ter filho é você né Poncho? – Lisa, como ultimamente, falou e gestuou. – Até Christian tem um filho e você não. – Ela uniu as pontas dos cinco dedos e ainda esticado moveu para frente e para trás, mostrando que eu estava atrasado.
:- Eu tenho Afrodite, não está bom? – perguntei para ela.
:- Não, tem que ter um bebê.
:- Daqui a algum tempo quem sabe, Lisa.
:- É um lobo solitário mesmo. – Lisa concluiu me fazendo rir, e as outras também. – O papai que fala isso. – ela se justificou.
“Poncho, se você tivesse um filho ele teria cachos e olhos assim como o seu?” Dominique, que graças a Lisa estava a par da conversa me perguntou.
“Talvez, vai depender da mãe.” Olhei de relance para Dulce que apenas prestava atenção na conversa.
“Lisa chama tia Mai, para a gente mostrar pro Henry a piscina.” Dominique se esqueceu totalmente da nossa conversa.
:- Mãe, vamos mostrar para Henry a piscina, vem? – Ela e Dominique foram andando na frente, sem chance de Maite recusar.
:- Eu vou por que lá é perigoso, para as duas. – Ela saiu seguindo as meninas.
E não demorou nem um minuto que ela saiu, eu recebi um sms seu.
“Convida ela para dançar.”
Eu estranhei e quando olhei na direção em que elas acabaram de sair, Dominique estava com o celular na mão, me olhando, e Lisa ao lado segurando o riso com a mão. Deixei escapar um riso também, foi inevitável.
:- Dulce quer dançar?
Ela me olhou alguns segundos antes de aceitar minha mão estendida, e afirmou me olhando de perto. Assim que fomos em direção a pista improvisada que tinha ali, a música acabou para começar outra. Lenta.
Depois que eu puxei o corpo de Dulce de encontro com o meu pude ver acima do seu ombro que dessa vez, era Maite que estava perto de Jorge, que estava como Dj da festa e apenas piscou. Lisa deve ter contado o que fez para ela. Torcida eu tinha agora faltava eu fazer minha parte, nesse jogo.
Suspirei para aproveitar o momento, apertando mais Dulce contra mim. Ela colocou a mão nas minhas costas perto do meu ombro, de modo que sua respiração batia no meu pescoço ou no meu peito, depende da sua cabeça, nossos rostos estavam juntos. A luz estava baixa então, tudo estava perfeito, vir nessa festa agora valia a pena.
…Me duele tanto ser solo un amigo cuando me muero por estar contigo, quisiera ser una canción para tocar tu corazón solo una vez…
...
…Sé que puedo controlar mis pensamientos pero es imposible callarme lo que siento que me arde aquí muy dentro…
Afundei meus pés na água que estava aquecida, era a segunda vez que estava ali pensando, na piscina.
:- O que faz aqui sozinho? – Não só a escutei falar comigo como também se aproximar.
:- Estou pensando.
Fazia algum tempo que tínhamos acabado de dançar e desde que nos separamos, por alguém a chamá-la seu perfume e toque estavam impregnados em mim. Vim aqui fora para pensar, me acalmar.
:- No que?
:- Em você. – a olhei.
Ela me encarou, parada em pé do meu lado. Então, notei que naquele instante deveria omitir, pelo menos por enquanto o que eu pensava.
:- Em Dominique, Maite, Henry, Elisa, Christian, Fernando, Christopher, Érica, Vitor Hugo, Anahí, o bebê que virá. – disparei todos os nomes. – Lisa está certa sou um lobo solitário. –Voltei para a piscina, balançando os pés na água.
E ela se sentou ao meu lado e começou a tirar as sandálias que usava, ficando descalça e subiu sua calça jeans como pode para depois colocar seus pés na água também.
:- Ser sozinho pesa muito de vez em quando. Como agora, vendo vocês com filhos e eu sem nenhum.
:- Acho que não deve se fazer esse tipo de cobrança com você mesmo. Tudo tem seu tempo, e o seu vai chegar. – Ela não me olhava, apenas balançava comigo os pés na água.
:- É mais que isso Dulce, ás vezes me pergunto qual é a sensação de chegar em casa e ter Dominique te esperando. – sei que tinha tocado num ponto instável como é a filha para uma mãe. — vocês têm uma família que vocês formaram e isso não tem preço. Eu não tenho isso, todas minhas tentativas foram falhas. E sentir isso na pele hoje, foi como um choque de realidade por mais que tenha brincado. – Confessei a ela um dos meus pensamentos. – Lembro de quando Nat estava grávida, fizemos vários planos e eu sonhei muito alto, já amava como um pai. Mas, com a perda do bebê isso foi tirado de mim.
:- Não tenho palavras que possam te dar conforto, Poncho. Não sei como é perder um filho assim, por mais que ele não tenha nascido. Porém, o que eu sempre admirei em você é sua força. Você é um homem forte, quantas pessoas importantes na sua vida você já perdeu e segue aí firme. – ela me olhando levantou uma mão e passando nas minhas costas num sinal de conforto. – Ainda vai encontrar a mulher certa e vai formar uma família.
Era isso que mais sentia falta, não só dela como mulher, como da companheira que ela foi para mim. Me amparar em momentos de fragilidade, como esse, nós vamos muito além de um casal que está predestinado a não está juntos, éramos complementar um para o outro, por mais desgastante que fosse. Será que é tão difícil ela enxergar isso? Ela gostava de desafios, então porque não desafiar o destino?
:- Não é tão simples assim, encontrar mulheres é fácil. Não uma que eu deseje me casar e constituir uma família, ela precisa esta aqui antes de tudo. – Olhei para Dulce, apontando para meu peito esquerdo, indicando meu coração. – E essa é a parte complexa.
Demorou para que ela me respondesse.
:- Você pode encontrar alguma mulher e se apaixonar. – Detestava quando ela fugia do assunto, dessa forma, até desviar o olhar ela o fez. Olhando para água e balançando num ritmo diferente os pés.
:- Dulce, eu tenho que ser mais direto. Tenho que dizer as palavras certas. – Continuei a encarando, se ela queria que eu me declarasse, eu estava disposto a isso.
:- Não tem que dizer nenhuma palavra, só estou tentando te confortar, apenas isso. – por ela não me encarar, já estava começando a ficar nervoso.
:- Você é feliz? – perguntei tentando fazer com que ela me olhasse, e consegui.
:- Que pergunta é essa Poncho?
:- Uma pergunta e quero saber sua resposta, para poder falar o que eu quero realmente dizer.
:- Não me diz nada. – ela pediu fechando os olhos, para depois abri-los. – Só estou tentando me manter fiel ao meu relacionamento. Será que é tão difícil isso? – ela finalmente me olhou profundamente.
Ao ponto de me fazer perder no seu olhar, de deixar o barulho cada vez mais baixo da festa, aumentar as batidas do meu coração, que não ligava para tentativa falha da minha cabeça de ter alguma conversa e ajudá-lo. Meu coração sabia que Dulce agiria assim, ele sabia que uma conversa agora não adiantaria de nada. Atitudes sim. Aquela que me faltou quando ainda dançávamos a música lenta, e que cada vez que respirava e seu perfume adentrava no meu pulmão, tudo que eu queria era beijá-la.
Cruzei nossa distância e empurrando com meu corpo a afastei para trás, unidos, apoiei minhas mãos entre seu corpo, na beirada da piscina. Com meus lábios colados no dela.
…No pretendo que lo dejes todo por mi amor no te digo que conmigo te va a ir mejor solo pido que no ignores tu corazón…
Quando se ama não é preciso entender o que se passa lá fora, pois tudo passa a acontecer dentro de nós.
Clarice Lispector.
...
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