Nadie dijo que sería fácil
15 Quinze
Poncho
:- Então até depois cara. – cumprimentei Alejandro, encostado na janela do carro. – Sofis, quando quiser voltar me liga avisando, tudo bem? Se cuida.
Me despedi dela que estava sentada ao lado do pai, colocando cinto de segurança e tinha passado a quinta e sexta comigo.
:- Você também tio, pena que eu não possa viajar com você. – ela fez uma careta, que o pai procurou ignorar.
:- Você tem colégio, Sofia. Não tem como faltar. Depois marcamos uma viajem nas suas férias e todo mundo vai poder ir.
:- É menos o tio, já que ele está gravando.
:- Sofis, quem sabe eu não consiga ir, até lá tem tempo e posso fingir uma doença. – deitei a cabeça de lado e coloquei a língua para fora, fingindo um resfriado. Fazendo ela rir.
:- Espero que você não aprenda essas coisas com seu tio, Sofia. Só espero. – e eu ri. Por que já tinha falado isso para Sofia quando ela quisesse fugir da escola, e ela riu por que já fez.
Escutamos um barulho vindo lá de casa e fiz uma careta pensando na bagunça, imaginando cacos de vidro espalhados no chão.
:- Ihhh Afrodite aprontou novamente. – Sofis riu.
:- Boa volta para casa, deixa eu ver o que ela quebrou dessa vez. – Dei o tchau voltando a entrar em casa.
Ouvindo Alejandro ligar o carro, e ir embora.
:- AFRODITE!!!! – exclamei vendo o vaso no chão em pedaço, na sala. – Se Dona Ruth visse isso me mataria, foi um presente dela, Afrodite. – me abaixei vendo o estrago de perto.
Afrodite reapareceu na sala com cara de culpada, pegou uma das filhotinhas de Miau, acho que a Docinho na boca, nome sugerido pela Sofis, assim como os outros, Florzinha e Lindinha, das outras duas gatinhas. E ficou com ela na boca balançando, para se livrar da culpa.
:- Deixa-a no chão, não pense que vai se livrar dessa mocinha. – Comentei bravo enquanto ia procurar uma vassoura para limpar a bagunça.
Assim que ficou tudo limpo eu suspirei vendo a hora, era melhor eu começar a me arrumar antes que eu ficasse atrasado, Maite me mataria se eu perdesse o voo.
A viagem para Cancun, para comemorar os meses de vida de Henry, finalmente começaria. E eu estaria animado se María, não tivesse praticamente me obrigado a aceitar que ela fosse nessa viagem, falando que ela já iria no mesmo fim de semana, por que não ir junto?
Não que nós fossemos namorados, ou algo sério do tipo, estávamos apenas saindo pelo menos era isso que eu tinha certo e que eu repetia para ela. Talvez, eu devesse ser mais claro por que ela parecia não ter as mesmas intenções que eu.
María era uma jornalista, trabalha para uma emissora da Internet, segunda ela desde que entrou no show. Se interessou por mim. E quando surgiu a oportunidade veio conversar, eu estranhei ela não se importar quando depois de passarmos a noite juntos deixei um bilhete, ela me reencontrou e saímos mais algumas vezes.
Eu aproveitaria essa viagem para conversar com ela, deixar as coisas as claras, não queria nada sério agora. Meu foco era meu trabalho. Pensei nisso enquanto terminava meu banho e procurava minha toalha, assim que sai do banheiro e pisei meus pés no quarto escutei meu celular tocando.
Amarrei a toalha na cintura e comece a procurá-lo.
:- Afrodite me ajuda a achar meu celular. – gritei para que a cachorra ouvisse, enquanto me abaixava para olhar debaixo da cama.
Escutei ela latindo e correndo pela sala. Não podia estar no quarto, quando sairia para procurar pela casa, A labradora veio correndo com ele na boca.
:- Isso mesmo, obrigada, garota. – peguei o celular e atendi, sem olhar, e brinquei com Afrodite. – Você, está se redimindo é isso. Está livre do castigo, mocinha. – passei a mão na barriga dela que balançava o rabo feliz.
:- Poncho? – escutei sua voz rir do outro lado da linha.
E parei o que estava fazendo e tossi, me recompondo. Esqueci que tinha atendido o celular e que podiam me ouvir.
:- Eu.
:- Está bem? – ela perguntou ainda soltando risos.
:- Sim, me desculpe eu estava falando com Afrodite e esqueci o celular. – cocei a cabeça. – E você como está? Dominique?
:- Estamos bem, estou ligando por que ela me pediu, já que o celular dela está com problemas e no concerto.
:- Ah sim, por isso ela não respondia mais os meus sms.
:- Sim, então estou ligando para te fazer um convite em nome dela.
:- A claro, pode fazer. – eu sentei na cama, no espaço vazio.
:- Dominique está te convidando para ir num evento, na escola dela, na outra semana, será de manhã então será antes das gravações. Será a semana dos talentos e os alunos estarão se apresentando, ela está convidando Deus e o mundo, para ver.
:- Que legal, parece ser muito bom. O que Dominique vai fazer? – Perguntei começando a balançar a perna esquerda, pura mania.
:- Ela está numa exposição, com fotos e desenhos. Acho que você deve ir, ela comentou que escolheu uma foto sua. – ela ficou em silêncio, esperando para ver o que eu dizia.
Pensei em que foto deveria ser essa, e me lembrei do dia que fui visitá-la e acabei vendo filme com ela. O dia seria bom, se eu não tivesse dado de cara com Dulce e o namorado.
:- Ah sim. Lembrei, mas não entendo por que ela escolheu essa foto. Não tem nada de mais e nem olho para a foto até. Sei lá. – ri lembrando da foto quando ela me mostrou.
:- Ela me falou que gostou por que você está distraído, e essas geralmente são as melhores fotos. – deu uma pausa antes de completar. – E por que você está concentrado, seus olhos estão focados no filme, tanto que parece os olhos mais profundos...
Fiquei pensando se foi Dominique que falou mesmo, por que por mais que ela fosse detalhista dessa forma, afinal sua visão é apurada, ela enxerga detalhes imperceptíveis. Mas, ainda era uma criança para ter uma opinião como essa.
:- Hmm, sendo assim eu vou sim, quando vai ser?
:- Na próxima semana, na quarta feira, de manhã bem cedo. Posso confirmar com ela que você vai?
:- Pode sim. Eu vou, me manda depois o endereço do colégio dela, que eu vou. E concerte logo o celular, quero poder falar com ela novamente.
:- Logo vai está concertado, não se preocupe. Ela ficará muito feliz por você ir Poncho, e não sei quando quiser vir aqui. Pode vir, afinal de contas vocês são amigos ela gosta da sua companhia. – ela falou um pouco mais baixo.
:- Digo o mesmo dela me vir visitar aqui, Dulce, quem sabe combinamos algo com Sofia, Maria, Lisa, poderiam fazer uma bagunça aqui em casa. Não sei. – dei os ombros, mesmo sem ela me ver.
:- E você da conta de tantas mulheres em casa, Poncho? – ela perguntou divertida.
:- Já tomo, conta de Afrodite, Miau e as gatinhas poderosas, por que não? Algumas a mais, outras a menos. – eu ri. Para depois brigar com a labradora. – Afrodite não, se afasta da mala, isso não é brinquedo.
Espantei ela que estava mordendo alguma parte da mala que estava aberta na cama, com minhas roupas para a viagem dentro, já organizadas.
:- Vai viajar?
:- Sim, vou para Cancun.
:- Hm.
:- Maite não te contou?
:- A primeira ida de Henry a praia? Contou mais ou menos ela estava animada contando os dias para chegar o fim de semana.
:- Sim, então, é mais uma viagem de comemoração dos meses de Henry. Como se fosse um aquecimento para a festa de um ano dele. Estamos todos indo.
:- Que divertido. Espero que aproveitem, vai fazer sol. – Escutei alguém conversando com ela. – Poncho, eu tenho que desligar, Claudia chegou com a família e estão todos na sala. Faça uma boa viagem, Dominique está mandando beijos, está ansiosa para saber se vai ou não. Tchau, beijo.
:- Tchau, tenha um bom fim de semana, Dulce, mande outros para ela. – Escutei ela agradecendo e o que parecia ser a Clara, entrando correndo onde ela estava e a cumprimentando. Então ela desligou.
Suspirei com o fim da ligação, olhando Afrodite agora deitada no chão me olhando, quem a via assim pensava que era comportada.
:- Pena que as coisas não podem ser como queremos, né Afrodite? Às vezes não podemos ter quem queremos. – comentei com ela. – É por isso que você só vai ter um cachorro companheiro, daqui uns 10 anos viu mocinha. Sabe que sou ciumento.
Brinquei com ela enquanto começava a colocar minha roupa, tinha uma viagem pela frente.
...
:- Então é isso, está terminando comigo? – ela falou mais alto começando a ficar indignada e eu abaixei a cabeça, ignorando os olhares das pessoas que caminhavam na calçada da praia.
:- María, por favor.
:- Por favor, nada, você me traz até aqui para terminar comigo? Eu não entendo, pensava que finalmente me pediria em namoro e por fim tornaria algo mais sério...
:- Esse é o problema, María. – ela parou de falar. – Você estava imaginando algo muito diferente do que eu. Nunca quis ver que estamos caminhando por caminhos diferentes.
:- Eu pensei que eles se cruzassem.
:- Não, e mesmo que sim, foi por um curto período. – Eu tirei meus óculos e virei para direita, olhando o mar por um instante, pensando como dizer a ela sutilmente. – Você não deve se envolver com um cara como eu. Eu não valo a pena um investimento.
:- Poncho, não fale assim...
:- Eu amo outra mulher. – soltei de uma vez, cortando ela.
E ela ficou pensativa, me olhando e começando a juntar todas as peças, como tudo se encaixava como eu agia com ela. Tudo estava ali e ela não queria ver, eu fui um tolo de não ter falado nada antes.
:- Por um momento você cogitou a ideia de namorar comigo? – ela perguntou pegando o cabelo que o vento não deixava quieto.
:- Claro, se não você não estaria aqui hoje. – engoli saliva, terminar com alguém sempre era difícil, não importava o que você sente por essa pessoa.
:- Não sei se fico agradecida ou furiosa. – ela soltou um riso contraditório. – Onde está essa mulher, Poncho? Ela vale a pena assim?
:- Na verdade ela está com outro.
:- Tenho certa inveja dela, por um lado e por outro lado, raiva. Por ela não te valorizar como deveria. Quando encontrar com o pessoal, de adeus por mim. Estou indo para casa. – ela começou a caminhar em direção do hotel, oposta pela qual caminhávamos.
:- María, não precisa ir embora.
:- Essa viagem já deu, Poncho. Preciso chegar no quarto de hotel e ir embora o quanto antes. – falou de costas e andando.
Abaixei a cabeça, me repreendendo, devia ter conversando com ela depois da viagem, ou melhor, antes.
:- Você vai encontrar um cara melhor que eu, María. Espero que seja feliz. – falei alto para ela escutar.
Como ela não respondeu, eu coloquei meus óculos de volta e me virei para continuar meu caminho e encontrar com o pessoal na praia. Caminhando por caminhos opostos que se cruzaram, porém foi brevemente.
:- Eu espero...- ouvi sua voz de longe e parei para me virar. – Eu espero que ela valha a pena, por que senão só você vai sair perdendo. – parou para me encarar e depois voltar a caminhar.
Assim como eu.
Não demorei a chegar onde todos estavam reunidos, e fiquei pensando no que María me disse, eu não tinha me arrependido de ter terminado com ela, mas o que ela disse sobre Dulce, mexeu comigo.
Sentei na cadeira de sol, tirei minha camisa para aproveitar melhor os raios solares, e peguei uma cerveja que estava na caixa de gelo.
:- Ainda está gelada? – Mane chegou tinha acabado de sair do mar. Molhando todo o caminho que fez até sentar.
:- Está cara. – eu tomei a minha.
:- Que bom, achei que esquentaria com esse sol. Melhor tomar logo. – ele pegou uma toalha secar a mão para abrir a garrafa. – Cadê María? Achei que vocês chegariam juntos?
:- Foi embora. – virei para olhar onde estava o mar, que não tinha fim.
:- Voltou para o hotel?
:- Não. Para casa. – respondi fechando os olhos mesmo estando de óculos, sentindo o sol queimar minha pele.
:- Maite tinha razão.
Abri os olhos e olhei para ele.
:- No que?
:- Vocês dois juntos, não duraria muito. – ele sorriu enquanto olhava Maite com as crianças na beira do mar.
:- Ela estava certa. Só faltava, María saber disso.
:- Terminou com ela? – Mane perguntou passando protetor nos braços.
:- Sim. Não dava mais para continuar assim, eu só a fazia perder tempo comigo, enquanto podia achar outro cara onde ela poderia ser feliz. – me ajeitei na cadeira de praia, e peguei minha cerveja.
:- Você a trouxe até aqui para fazer isso? – ele procurou a dele também antes de sentar na cadeira dele e ficarmos ali conversando e tomando banho de sol, com cerveja, não tinha nada melhor.
:- Na verdade, ela veio sozinha. Não tive como recusar. Quando fui me dar conta, ela já estava com as passagens compradas e disse que viria com as amigas. E quando chego no aeroporto, ela está sozinha. – dei os ombros. – Mas, ela falou uma coisa que está na minha cabeça.
:- O que?
:- Quando terminei com ela, falei que amava outra mulher e ela antes de ir para o hotel disse que esperava que essa mulher valesse a pena, sabe? Por tudo o que estava fazendo com ela. A magoando.
:- Ela falou isso por que está ressentida. Não pensou no que disse.
:- Mas, ela está certa. Mesmo que foi impensado.
:- Pode ser, mas isso vai ver na prática, não deve ficar mal. Por ter terminado com ela, pior seria continuar mesmo amando outra.
Concordei com a cabeça, ele também estava certo.
:- Lisa não corre, vai jogar areia na comida. – Escutamos Maite gritar com a filha e com Henry no colo, Lisa diminuiu a velocidade e quando chegou sentou no colo do pai.
:- Quero meu suco pai, estou com sede e fome.
:- E onde sua mãe guardou as comidas, Lisa?
:- Aqui, Mane. – Maite chegou trocando Henry de braço. – Mas, Lisa espera um pouco vamos comer o bolo, para comemorar os seis meses de Henry. – ela explicou para a filha. – Mane, pegue a toalha e forre para podemos comer, Poncho o ajude. Lisa para de beliscar o bolo minha filha, e Jessy!!! Vem vamos comer o bolo chama o pessoal. – Ela gritou para a amiga, enquanto apontava para onde devíamos deixar a toalha e segurava Henry nos braços.
Tudo pronto.
Todos sentados na toalha enorme, não sei como coube todo mundo estávamos fazendo praticamente um piquenique na praia. Eu estava filmando, enquanto Henry estava sentado com a ajuda do braço do pai como apoio, ele era o centro das atenções.
Enquanto todos cantavam para ele, que mesmo sem entender sorria banguela para todo mundo, tudo estava saindo bem, mas Elisa empolgada pulou no colo do pai e os dois fazendo graça para câmera, fez com que Mane se distraísse e se esquece de Henry.
Que sem forças para se manter sentado, foi deixando o corpo cair sem que ninguém pudesse ampará-lo a tempo, ele foi de cara no bolo, ficando com a cara toda lambuzada de chocolate.
Maite logo deixou de bater palmas e cantar e foi salvar o filho, teve aquele momento de silêncio onde todo mundo esperava pelo choro escandaloso de Henry, que para contrariar todos, olhou para a mãe preocupada e gargalhou batendo palmas involuntárias achando divertido, fazendo todos caírem na gargalhada e obvio que eu filmei tudo.
E aquele foi o começo da comemoração do “aniversário”, de Henry, em Cancun.
: __ :
Fale com o autor