Nadie dijo que sería fácil
11 Onze
Dulce
:- Como você é ingênua. Por Deus, seja a ser irônico. – Ela riu me olhando. E eu a olhava transbordando de raiva, estava a ponto de tirar aquele sorriso do seu rosto à unhadas.
:- Do que está falando? – eu falei falsamente calma.
:- Você sabe quem eu sou? – Deixou de me encarar para se olhar no espelho e verificar se sua maquiagem estava tudo ok.
:- Não sei que espécie de mulher é você. – soltei ríspida.
:- Sou a espécie de mulher que conhece seu homem, mais que a ti mesma. – Voltou a me encarar, só que dessa vez pelo reflexo do espelho.
:- Está louca? De que homem fala, eu não tenho nenhum homem. – Continuei a olhando e mantendo a pose de Manuela, fria mais que no fundo estava fervendo de raiva por ser confrontada daquela forma, por uma mulher que ela sequer conhecia.
:- Primeiro deixa-me apresentar, — ela se voltou para mim. E com uma classe única, mas irônica me esticou a mão e se apresentou. – Sou Raquel Albuquerque. – e eu peguei na sua mão, mantendo uma cordialidade.
:- Ainda não a conheço. – fiz uma face confusa.
:- Sim, não me deixou prosseguir, eu também fui condenada por motivos íntimos dos quais não pretendo revelar, a anos de cárcere. Sabe, e quando fui visitar um velho amigo na prisão masculina, conheci Antônio.
Apertei meus olhos ao escutar Antônio, e mudei minha postura encarando a mulher a minha frente como se fossemos inimigas de anos, começando a nutrir um ódio por ela sem igual.
:- Eu fazia algumas visitas a ele, sabe como são certas coisas na prisão. – ela sorriu fingindo se lembrar. – mas, ele acabou sendo solto eu fiquei envolvida nos meus próprios negócios e acabamos nos afastando, até algum tempo atrás nos reencontrarmos.
Ela fez uma pausa, esperando alguma reação minha, mas não obteve nada.
:- Estou aqui para te avisar que se quer realmente se vingar daqueles dois, — ela forçou os olhos e ficou batendo o indicador no rosto tentando sem lembrar. – Henrique e Alice. – dei a informação que ela queria se lembrar.
:- Isso eles mesmos, então querida, como dizia, se deseja realmente se vingar desses dois. Não se envolva além do seu acordo com Antônio.
:- Aonde você quer chegar? – Eu perguntei. – Como sabe de tudo isso, e ainda está insinuando que tenho algo a mais com Antônio?
:- Sei que você é sagaz o suficiente, para descobrir quem sou eu depois. A primeiro momento saiba que se você cair na tentação que Antônio é, vocês vão fracassar no seu plano de vingança. – ela se virou para o espelho e abriu a boca tirando o excesso de batom no canto dos lábios. – Estou atrasada agora, Manuela, foi um prazer conhecer você. Mas, tenho que ir reencontrar velhos amigos. – E ela simplesmente saiu de cena.
Como o programado, Damian, queria que gravássemos a sequência sem cortes, o cenário estava totalmente adaptado para isso, então assim que eu sai do banheiro uma câmera me seguia para gravar a cena.
Cheguei ao local marcado, e respirei fundo por Manuela que estava furiosa por conta da mulher misteriosa e atrevida, que acabou de encontrar no banheiro estava procurando-a com os olhos. E respirei por Dulce, por sentir estranha intimamente, mesmo que não devia, por saber o que aconteceria na cena.
Manuela encontra a mulher que dizia ser Raquel, entre as pessoas naquele jantar de gala, da alta sociedade. Entretanto, de uma forma que ela demostrou ódio no olhar, ou seja, eu demonstrei.
Raquel estava muito próxima de Antônio, ele estava com a mão apoiada na sua cintura e pelos sussurros que trocavam, eram mais que conhecidos. Isso demonstrava certa veracidade nas palavras da mulher, porém esta de repente beija Antônio, e este corresponde.
Eu me apoiei na mesa que havia no meu camarim e me olhei no espelho, relembrando a cena que acabamos de gravar. Ainda me sentia estranha, eu não deveria me sentir assim, não tinha nenhum direito.
Parecia uma garota imatura que aprendia ainda a lidar com o profissionalismo, que fui há um tempo quando... Suspirei, abaixando a cabeça para voltar a levantar e me olhar no espelho iluminado novamente.
Parecia a garota imatura que não sabia lidar com o ciúme quando via Poncho e Anahí gravarem cenas de Mia e Miguel para Rebelde.
Escutei batidas na porta, e antes que pudesse dar permissão de quem quer que fosse para entrar, vi a porta sendo aberta.
:- Oi, Posso entrar? – Apareceu apenas sua cabeça, com o rosto já sem maquiagem, e parecia que estava sem a roupa da personagem também.
:- Claro, Maite, entre. – eu me afastei do espelho tentando esquecer minhas lembranças, principalmente minhas sensações, mas era difícil com ela aqui.
:- Já vai embora? – Ela perguntou sem entrar ainda.
:- A qualquer momento, eu já estou pronta para ir para casa. – lhe respondi estranhando por que ela não entrava. – Mai, pode entrar. – fiquei confusa.
Ela entrou desajeitada, se tocando que ainda não tinha entrado. E como pude ver ela já não tinha a roupa, nem a maquiagem de Raquel, assim como eu de Manuela. Ela segurava nas mãos, uma bandeja de papel reciclável que continham dois copos grandes de café.
:- Desculpe, eu trouxe isso para você. Pensei que podíamos conversar um pouco e nada melhor que um bom café. – ela sentou no sofá onde eu estava e me ofereceu um.
:- Ahhh, sempre tenho tempo para um bom café e uma conversa. – eu mordi o lábio ao pegar o café na mão. Esquecendo o que me atormentava antes, isso até ela voltar a falar, fazendo tudo vir a tona com mais força.
:- Sobre as cenas de hoje. Ou melhor, sobre a cena do meu beijo com ele. – ela se virou fazendo com que ela ficasse de frente para mim. E logo se corrigiu. – A cena do meu beijo técnico com ele. – não sem balançar a cabeça.
:- Sei, mas por que quer conversar comigo sobre esse assunto?
:- Para me fazer sentir melhor... – ela começou incerta, tomando um pouco do seu café, se lembrando que também tinha um. – Para te fazer sentir melhor.
:- Maite. – eu ri achando aquilo um absurdo, ela querer conversar e eu sentir o que senti. – não temos o que conversar, sei que é o nosso trabalho e temos que ser profissionais. – tomei café, para desviar o olhar e poder falar. – Além do mais, até parece que eu senti algo de errado com tudo isso.
:- De errado não. E é por isso que estou aqui.
:- Como? – O que ela queria dizer com aquilo.
:- Sabe faz como... – ela apertou o olho fazendo careta, para forçar sua mente a se lembrar de algo, bem diferente da forma que Raquel fez há pouco tempo. Balancei a cabeça com a comparação e a olhei percebendo que ela olhava o nada agora. – Faz como uns 3 ou 4 anos atrás, ainda não tinha Elisa. – ela voltou a falar se lembrando e me olhou.
:- Eu e Mane, fizemos uma novela juntos. E éramos irmãos, — ela riu me fazendo rir. – e ele tinha uma cena de beijo com Karla Cossio, onde eu tinha que flagra-los. E Dulce, você não sabe o que e senti ao ver a cena, um ciúme, sensação de posse tão grande que minha vontade era de separá-los na hora, mas eu não podia e acabei tropeçando em cena, fazendo com que gravássemos de novo toda cena. – ela revirou os olhos, me fazendo rir de novo. – O que quero dizer é, eu sei como se sente e vim aqui conversar sobre isso.
:- Maite, não tem o que se preocupar as situações são diferentes. – eu sorri forçada confesso, negando.
:- Dulce, eu convivi com você durante cinco anos e reconheci a expressão que você fez assim que a Pedro cortou a cena. Foi à mesma que eu vi no seu rosto anos atrás só que para Anahí. – eu devo ter feito uma cara de culpada por que ela sorriu.
:- Maite...
:- Dulce lamento te informar, mas você ainda é transparente em algumas emoções, assim como cristal. Porém, como nós duas amadurecemos eu vim aqui conversar sobre isso.
Eu desistir de tentar negar, ela saberia que eu estava mentindo.
:- Eu me senti estranha. Confesso, uma sensação ruim me dominando quando vi tudo. Mas, não se preocupe esta tudo bem, eu aprendi da maneira mais dura a ser profissional e não perdi isso. – eu a olhei e ainda a vi sentida por tudo. – May, é seu primeiro dia de trabalho, não tem que ficar assim, poxa. Está tudo bem até por que você não é primeira amiga minha que tem cenas de beijos com Poncho. – eu fiz uma careta, ficando na minha vez de fazê-la rir.
:- Tudo bem, eu só queria deixar as coisas claras entre a gente. Não quero que fique aquele clima estranho, ainda mais que a imprensa vai cair matando em cima de nós.
:- Pois é. – voltei a fazer careta e voltei a tomar meu café.
:- Enfim, é estranho sabia? Estou nervosa como há muito tempo não estava, eu consegui ir até o final da minha licença e mesmo sentindo falta de Henry, estou tão feliz por ter entrado na novela, e ainda é estranho por que era para eu está no lugar de Angelique.
:- Para você ver como é a vida, a gravidez fez com que você não entrasse de início, mas entrou depois para novela e cá entre nós numa personagem bem melhor.
:- Ah sim, é bom fazer maldades de vez em quando. Agora vou deixar você ir, por que assim como você tenho alguém me esperando em casa, e ainda tem o show de hoje à noite, quero me esbaldar como em muito tempo não faço. – ela terminou o café dela e já foi se levantando apressada. – Você vai ao show?
:- Vou, já combinei com Cris para ela ficar com Dominique, elas vão dormir na casa de man, mas você vai para o show? – dessa vez eu fiquei surpresa.
:- Sim, eu e Mane. Vou deixar os filhotes na casa de mamá também e vou sair com meu marido. Vou comemorar minha entrada para a novela. – ela sorriu.
:- Se é assim nos vemos então mais tarde no show, quero você linda, para dançarmos juntas e aproveitar a noite. – sorri para ela, de alguma forma aquela conversa me fez bem, ou foram às palavras que eu desabafei ou Maite colocou algo no meu café, mas me fez me senti bem melhor.
:- Sabe de uma coisa. – ela parou na porta, pensando algo. – Eu não posso perder a oportunidade de soltar uma frase de impacto antes de ir embora vitoriosa.
Ri enquanto me levantava pegando minha bolsa para também ir embora e fiquei esperando ela soltar a frase.
:- Eu consegui arrancar de você hoje, que se sentiu estranha com que viu. Se eu posso classificar como uma forma de Dulce María confessar que foi ciúme...
:- Foi ciúme. – eu confirmei não me importando.
:- Como eu dizia se consegui escutar de você que sentiu ciúme assim como a garota de 20 anos no passado, isso quer dizer que no presente a mulher de hoje também ama o mesmo cara que a garota de 20?
Apertei os lábios censurando um sorriso com que ela falou, não poderia me denunciar assim. Mas, foi automático rir quando olhei sua cara de deboche, ainda esperando que eu falasse algo.
Eu taquei o copo que tinha acabado de tomar o café, nela. Que por sorte fechou antes a porta e escutei sua risada de dentro do camarim, peguei o copo e o joguei no lixo para abrir a porta e encontra-la ali me esperando com cara realmente vitoriosa, talvez ela sequer tenha se importado mesmo com o que eu senti ao ver a cena do beijo, entre ela e Poncho hoje.
Quero dizer, talvez toda essa conversa foi para não só deixar tudo as claras entre nós duas, como também arrancar essa confissão minha. Sabe-se lá o que Maite faria com aquela informação.
Ela me deu o braço e fomos caminhando pelo corredor, na direção do estacionamento, conversando sobre o primeiro dia de trabalho dela.
...
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