Nada além de você
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Ele caminhava pela rua em direção ao seu trabalho, como sempre distraído dos muitos olhares em cima de si, nunca tivera tempo de namorar ou se apaixonar, e pra que, ele pensava, namoradas só dão dor de cabeça!
Olhava o seu azul, cheio de nuvens brancas escondendo o sol. ele baixou o olhar e a viu. Uma garota com uns cinco centímetros a menos que ele, ela entregava folhetos na frente de uma cafeteria. Não deu muita importância e voltou a olhar o céu.
- Senhor! Senhor?
Ela perguntou preocupada. Ele voltou de seus devaneios e piscou os olhos algumas vezes antes de dizer algo. As mulheres em volta soltaram suspiros.
- Sim? — Ele perguntou curioso.
- O Senhor está parado aí já faz um tempo, pensei que talvez estivesse com algum problema. — Ela tinha uma voz suave. — Está tudo bem?
- Está sim, não se preocupe.
Ele se virou e continuou andando, contou mentalmente até três e finalmente ela o chamou.
- Ei. Senhor! — Ela correu até ele. — Aqui pegue um. Meu nome é Amanda e eu trabalho ali naquela cafeteria, venha tomar um café qualquer dia desses.
Ela lhe lançou um sorriso, ele respondeu com rispidez e saiu dali sem devolver o sorriso. Amanda se sentiu triste por alguma razão, revirou seus pensamentos pelo resto do dia procurando saber se havia feito algo errado.
Um pouco mais tarde quando ele entrou na cafeteria uma memoria antiga passou pela cabeça de Amanda.
" — Mas eu te amo! — Ela dizia em meio a lágrimas, mas nem mesmo isso comovia o rapaz que a olhava frio. — Por favor, não faça isso.
- Me dê licença, você está no meu caminho. — Ele falou sem toca-la.
Havia já alguns dias que Amanda estava de olho naquele garoto, ele era inteligente e bonito, atlético mas nem um pouco sociável, ninguém se aproximava dele. Apenas é claro meninas apaixonadas como ela, mas ele dispensava todas, sempre!
Hoje quando enfim ela tivera coragem de se confessar no meio do patio da escola um deslize fez com que toda essa confusão começasse. Sem querer o tocou no braço e ele a empurrou, caída no chão e tremendo de vergonha ela lhe entregou a carta que havia escrito com tanto amor. Ele apenas a pegou e rasgou diante dos olhos de Amanda.
- Não, não até que peça desculpas pelo que fez. — Ela gritou, chamando atenção de todos no pátio.
- Tá. Desculpa por você ser uma idiota, fresca e românticazinha que ao invés de pensar nas suas notas fica pensando em sentimentos que deveriam morrer! — Ele disse tudo sem nem mudar a expressão em seu rosto. — Está bom pra você agora?
Ele se virou e foi embora, e ela ficou ali chorando. Não lembrou de ter ido as outras aulas, ou de como voltou para casa, mas quando percebeu já estava na cama com os restos mortais de sua carta em volta de seu corpo."
Amanda deixou a xícara de café de Gabriel cair ao chão. Ele estava na frente dela sentado em sua cadeira com a expressão de sempre, só que agora, diferente de antes, ele estava mais bonito, e parecia ser alguém importante.
- Moça. Você derrubou meu café, e eu estou com pressa. Então traga outro! — Ele falou sem levantar os olhos de seu interessante livro.
- Claro. — Amanda disse catando os cacos de porcelana da xícara e enxugando o café derramado.
Quando entrou na cozinha sua expressão era de raiva e de tristeza, felicidade e decepção. Quis sair dali e pular no pescoço de Gabriel, mas ao mesmo tempo queria beija-lo.
Escreveu um pequeno recado em um guardanapo e o entregou junto com o café. Quando Gabriel o percebeu, ao invés de rasga-lo como nas lembranças de Amanda ele o leu.
" Olá Gabriel. A quanto tempo não? Confesso que depois daquela tarde quando rasgou minha carta tive esperanças de nunca mais vê-lo, e tive o desejo também, o desejo que você sumisse.
Mas é bom ver que você está bem, e feliz. Vejo que se tornou alguém importante. Espero que esteja casado com a melhor das mulheres. Uma bonita e inteligente que matou seus sentimentos para dar lugar aos seus estudos.
Espero que meu café esteja doce e amargo, para que você sinta o gosto de meus sentimentos por você que ainda não morreram.
Assinado: Aquela que chorou por você "
Ele terminou de ler e riu, Amanda sentiu seu coração pular, nunca o virá rir em todos os anos que esteve por perto, ele pegou uma caneta e rabiscou algo atrás do guardanapo, terminou sua xícara de café e deixou o dinheiro em cima da mesa, ao sair da cafeteria nem ao menos olhou para trás.
Amanda correu para ler o bilhete.
" Não sou casado!"
Era só o que estava escrito, simples palavras que reconstruíram o coração despedaçado de Amanda. Ela tirou seu avental e saiu correndo atrás de Gabriel que a esperava na porta da cafeteria.
- Sabia que você correria pra mesa. — Ele mostrou o anel na mão esquerda e o coração de Amanda se despedaçou outra vez.
- Eu sinto muito por não ter matado meus sentimentos. — Ela disse olhando o chão, escondendo o rosto. — Mas acho que você já sabia quem eu era, ou o que eu faria. Não segui seu conselho e olha onde vim parar, sou garçonete.
Ela deu de ombros e enxugou as lágrimas.
- Talvez tivesse sido bem melhor se tivéssemos terminado isso do jeito certo, não? Talvez hoje eu não tivesse esses sentimentos ridículos que deveriam ter morrido anos atrás. — Ela continuou com a voz tremula. — Posso ao menos hoje dizer que meu primeiro amor valeu a pena.
Ela o beijou de leve, sem permissão, ele não a empurrou, mas quando ela enfim se afastou ele deu um tapa em seu rosto.
Ela voltou o olhar para ele novamente e deu um sorriso.
- Adeus!
Ela se virou e entrou na cafeteria com os olhos inchados e o rosto marcado pela mão de Gabriel, que do lado de fora pensava no que havia feito. Entrou correndo na cafeteria e a abraçou pelas costas.
- Então era você todo esse tempo! — Ele sussurrou em seu ouvido. — Aquela que nunca desistiu de mim mesmo quando a humilhei, mesmo quando a ignorei, mesmo quando acreditei que você não era ninguém!
Ela confirmou com a cabeça.
- Eu te admirei por muito tempo, sua confiança em si mesma, sua determinação e seu jeito de sempre sorrir mesmo pra quem não merece seu sorriso. — Ele continuou, mas a virou de frente para ele, ela o olhou. O rosto riscado pelas lágrimas e a marca da mão dele ainda presente. — Mas só agora percebi que essa admiração era amor.
Ele sorriu, não do jeito que riu quando leu a o bilhete, sim um sorriso vivo e verdadeiro carregado de simples felicidade. Ele a puxou para, mais perto e a beijou com suavidade e paixão.
Nem notaram os olhares em volta deles, só queriam um ao outro. Quando o horário de Amanda terminou, Gabriel a levou para casa.
- Mas e essa aliança? — Ela perguntou quando enfim chegaram na frente de sua casa.
- É de um amigo da empresa, ele queria esconder da namorada dele, mas não sabia aonde então pediu para mim. — Ele falou mostrando a aliança menor com o nome "Eduardo" dentro.
- Entendi. — Ela falou o olhando mais uma vez. Não queria se separar dele, mas precisava. E com um ultimo olhar da porta ela sentiu que algo dentro dela se romper quando ele se foi mais uma vez. Mas dessa vez ela sabia que ele voltaria.
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