Nada - O Poder do Acaso
1 Prólogo
Notas iniciais
— Quando Deus criou o mundo percebeu que, para que pudesse existir o livre arbítrio dos seres humanos, seria necessário limitar seu próprio poder. Não poderia haver real livre arbítrio caso Ele comandasse cada minúsculo evento que ocorresse no plano material — o garoto começou a explicar sem qualquer sinal de pressa. Sentado sobre uma pequena mesa redonda de madeira envernizada, ele balançava uma de suas pernas compassadamente e fitava o chão com um ar um tanto quanto inocente e descompromissado em seus olhos de um castanho vivo que pareciam gemas de âmbar — Então ele criou a mim, Nada, uma entidade desprovida de quaisquer tipos de sentimentos. Sou, basicamente, o ente mais livre já criado. Por definição do próprio, estou acima até mesmo dos planos de Deus. Cabe a mim tudo aquilo que independa da vontade, quer seja de ser material, quer seja de ser espiritual. Foi por minha decisão que nos encontramos hoje, jovem — ele levanta os olhos para a pessoa sentada do outro lado da sala branca como marfim. — É por acaso que você veio parar aqui. Pelo MEU acaso.
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