Nada muda



Sorrateiramente um garoto vagava pelas ruas frias de Londres, escondendo-se entre os becos daquela noite sem luar. Pára, quando se depara com quem no momento não queria ver, encostado a parede.



Os cabelos negros deste caiam sobre os ombros, dando-lhe um ar selvagem e sensual, vestido em uma roupa negra justa ao corpo. A tatuagem em seu rosto lhe dava um ar mais lascivo e impudico.


“— O que faz aqui, Abel?” – indagou moreno, desencostando-se da parede e olhando para o outro.


O outro olhou com raiva para este, ajeitando seus cabelos, da mesma cor, para que não lhe caísse na vista. Odiava o fato de serem exatamente idênticos. A única coisa que os diferenciavam é tatuagem que vinha do peito até a bochecha do outro.


“— Nada que lhe convém.” – vociferou a resposta, estreitando o olhar, escondendo uma arma melhor em sua cintura.


“— Abel... Abel... Meu caro pequeno irmão, inda anda nessas noites frias recusando parceiros...?” – sorriu macabro para o outro “— Ou por acaso agora virastes assassino, como era de pedido de nosso Pai...”


“— Não sou um assassino como você Cain!”


“— Não?” – riu irônico, achando graça do irmão mais novo “— Vai me dizer que isto que suja suas roupas é molho de tomate?”


“— Nada disto é de teu interesse.”


“— Claro que sim, eu lhe amo irmão...” – sorriu vulpino para este, dando um passo em direção a Cain.


“— Esse amor é proibido...” – o menor recuou um passo.


“— QUEM DISSE ISSO?” – gritou, já não aguentando mais tudo aquilo.


“— Nosso Pai...”


“— Prefiro ser um pecador...”


“— Não podes ser um pecador...” – sua voz soou meio triste “— Não posso te fazer ser um...”


“— Pare de tentar negar...” – deu mais um passo, tocando de leve no rosto cândido do que era tão idêntico a si.


Um frente ao outro, era quase como se olhassem em um espelho. Um que amava e o outro que tentava esconder o que sentia, sempre fora assim, isso nunca mudou e talvez nunca mudará.


“— Não posso... Meu dever é matar os pecadores... Mas eu nunca gostei disto...” – falou baixinho Abel, se culpando por tudo.


“— Você é meu... Sempre quis...” – o maior tocou-lhe nos lábios, sentindo a maciez deste, tentado a provar daquele fruto proibido.


Abel olhou com lágrimas nos olhos para Cain, afastando-se de supetão de seu irmão. Amava este também, mas não poderia deixar acontecer, seria um pecado enorme demais par a alma deste.


E a morte para os pecadores deste nível era eterna... Não poderia suportar este pecado para o irmão, preferia que sofresse em seu lugar.


Afastou-se mais, retirando a arma da cintura, mirando no irmão, vendo o rosto deste em uma mistura de decepção e espanto.


“— O que pretende fazer Abel...?” – perguntou Cain, soltando um suspiro.


“— Te matarei antes que peque.” – levou o dedo no gatilho, tremendo um pouco ao ver aquele rosto tão impassível a sua frente.


Cain olhou novamente aquela cena se repetir diante de seus olhos. Outra vez teria que fazer a mesma coisa.


“— Isto novamente... Não aguento mais...” – sacou uma arma da cintura, e rapidamente atira em cheio no peito do irmão “— Irmão... Em todas as suas reencarnações, você se esquece... Mas tenta sempre fazer a mesma coisa... Me proteger...” – ajoelhou-se a lado do irmão morto, beijando de leve seus lábios vermelhos de sangue “— E por este fato, Cain sempre mata Abel...”


Dito isto, Cain acariciou o rosto de seu amado irmão, saindo do beco, indo à procura de seu julgador.


Afinal... Seu pecado era enorme. Sempre fora. Dês do começo dos tempos.


FIM


20/11/09


Nota da autora:


Isto fora um trabalho que minha professora pedira, mas eu acabei gostando do que fiz e acabei fazendo-a. Incesto, não gosto de escrever sobre isto, mas para a fic era necessário.


Aos que sentiram-se ofendidos, por causa de “Cain e Abel”, lamento, mas não posso fazer nada.


Esta é a primeira Fic que faço este gênero, e definitivamente a ultima.


By: Toynako



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