NaLu Chibi
17 Por Você Estar Aqui
Notas iniciais

Guilda Fairy Tail, algumas horas atrás...
–Você me daria a honra de uma dança? – Questionava Dragneel, tentando imitar o que lia nos livros.
Tendo sua mão segurada pela dele, a garota sorriu, tímida – Sim...
A guiando pela mão, o rosado a levou ao centro do salão, onde, passando o braço em torno da fina cintura, começou a tentar seus primeiros passos ao som da melodia.
–O que você acha? – Perguntou do nada, deixando a loira com uma expressão confusa – Eu aprendi a dançar, não acha?
–Sim... – Sorriu – Até parou de pisar no meu pé para cair em cima de mim de maneira pervertida!
O garoto corou, virando o rosto para o lado, fazendo um bico – Eu não tenho culpa de inocentemente cair com a cara nos seus peitos...
A pequena maga riu, admirando o rosto corado e a voz trêmula.
Todos dançavam felizes. As luzes refletidas nos detalhes, as notas que flutuavam pelo salão – o tempo que corria despercebido – aparentemente tornavam aqueles momentos lentos em algo tão curto...
–Luce... – Chamou, tentando manter o olhar fixo nos brilhantes olhos à sua frente.
–O que foi Natsu? – Questionou curiosa, observando a expressão aparentemente nervosa do mago.
–Eu... – Ele pretendia terminar o que havia começado no dia em que pediu para ela ensiná-lo a dançar, mas que acabou interrompido pelo pisão acidental – Bem... Nós...
Mesmo gaguejando, aquelas palavras iam, aos poucos, alcançando a loira. Mas, antes que pudesse dar algum significado a elas, seu corpo caiu de joelhos. Devido à falta de luz usada para criar o clima do baile, a pequena Heartphilia era a única a vê-lo naquele instante.
–Natsu! Você está bem... – Preocupada, a garota se ajoelhou em sua frente, o segurando e ajudando-o a levantar.
–Não foi nada... – Sorria forçadamente – Eu só torci o tornozelo e caí... Acho que não fiquei tão bom em dançar...
–Entendo... – Respondeu, mesmo que não acreditasse naquelas palavras, enquanto o sentava em um dos muitos bancos.
–Luce... Você poderia me trazer alguns docinhos? – Pediu, pondo a mão sobre o estômago e sorrindo.
Hai hai... – A garota seguiu até a mesa, onde com uma bandeja em mãos, escolhia atenciosamente docinho por docinho.
–Eu não posso deixar ela preocupada... – Suspirou Natsu, se atirando contra o encosto do banco e respirando fundo. O seu peito doía de uma maneira absurda – semelhante ao dia em que teve uma pontada enquanto conversava com Happy, e como a anterior, vários flashes e vozes surgiam aleatoriamente em sua cabeça.
Após alguns minutos, a maga chibi voltou com a bandeja de doces atenciosamente escolhidos e com dois copos de bebida.
–Aqui! – Disse, sentando ao lado do garoto e lhe oferecendo – Isso vai fazer você se sentir melhor.
Vendo-a sorrir, ele também sorriu. Não queria ver aquele belo sorriso se desfazer, independentemente do que acontecesse.
–O meu tornozelo parou de doer... Então... Se quiser voltar a dançar...
–Nada disso! – Esperneou, fazendo biquinho – Primeiro você vai comer os doces que eu escolhi!
Vendo aquela expressão tão fofa a poucos centímetros, o rosado tornou a corar.
–Aqui... Abre a boca! – Falou, levando os docinhos até os lábios do rapaz – Só não vai morder os meus dedos, escutou Natsu?
–Hai hai, princesa! – Sorriu, a deixando corada – o que por consequência a fez enfiar muitos docinhos na boca dele.
Conversavam sobre diversos assuntos, várias memórias desse período – o período chibi – eram relembradas, fazendo sorrisos, gargalhadas e rostos corados, e com o passar das histórias, o fim dos doces e das bebidas.
Soltando a bandeja sobre a mesa, a loira olhou em direção ao garoto, que encarava encarando o teto, parecia pensativo.
–O que será que aconteceu com ele? – Se perguntava retornando para o lado dele.
De repente as luzes se apagaram, restando apenas um único e solitário feixe de luz branca, que apontava para as escadas, pelas quais Mira e Laxus desciam em direção ao salão.
Natsu e Lucy admiravam o casal, que alegremente brincava de dançar pelo salão, misturando-se aos outros.
–Natsu... – Chamou, abraçando-se ao braço do rosado – Me leva até o terraço...
Os olhos castanhos, que olhavam diretamente nos seus, brilhavam, um sorriso tímido se mostrava no rosto levemente enrubescido. Ficando sem jeito, o garoto segurou a mão da pequena, mas ao tentar seguir em direção à porta, foi puxado por ela, que o encarava.
–O-O que foi... Luce?
Apertando sua mão, ela deixou seu rosto um pouco mais corado, respondendo – Eu não sou sua princesa? – Uma breve pausa para desviar o olhar – E-Então me carregue nos braços... Dragão idiota...
Sorrindo, Dragneel pegou a pequena em seus braços, a segurando de maneira educada, enquanto tentava evadir-se dos feixes de luz, que insistiam em persegui-lo, tendo como objetivo as escadas do segundo andar, que os levaria direto ao local requisitado.
–É tão gostoso escutar o som do seu coração... – Sussurrou imperceptivelmente, deitando-se contra o peito quente do rapaz.
Finalmente alcançaram o objetivo. O vento balançava os cabelos dourados da garota, que ainda nos braços de seu dragão, admirava o céu extremamente estrelado.
O pequeno Salamander a soltou no chão, admirando-a por longos segundos, e levando a mão ao terno, começou a tirá-lo.
–Natsu... – Falou, abandonando a lua e virando o rosto lentamente em direção a ele – HENTAI!
Gritando, a garota cobriu os olhos, virando de costas para o menino pervertido.
–Hentai por quê? – Questionou, largando o terno no chão – Eu o tirei para que você sentasse nele, assim não sujaria seu vestido...
–Não sujar... Entendo... – Falou, sentando-se delicadamente sobre a peça escura, as bochechas avermelhadas – será que ele era a única pervertida ali?
O rosado se sentou ao seu lado, a encarando, tentando entender o motivo de ela abraçar os joelhos com tanta força.
Percebendo que ela a encarava, Lucy o olhou, deixando-se totalmente vermelha. O garoto sorriu da expressão dela, que após isso segurou a mão dele, a puxando para si.
–Luce?
Sem dizer nada, ela apenas encravou os dentes no braço dele, que forçava os lábios a se manterem fechados. Quanto enfim acabaram os longos e dolorosos segundos, ela abriu os dentes, retirando-os da pele de Natsu, e olhando-o com o mais encantador dos sorrisos, enquanto buscava alguns centímetros de segurança.
–Porque... – Disse trêmulo – Porque você fez isso?
–Eu não sei...
~Silêncio~
~Minutos de silêncio~
Aos poucos retomaram a distância que estavam afastados, deitando-se lado a lado e admirando as estrelas.
–... E aquela é a constelação de Gêmeos... – Falou sorridente, olhando para o garoto ao seu lado, que apenas fitava seu rosto – Entendeu Natsu?
Entendi! – Respondeu confiante – Aquela é a de... E aquela ali é...
A pequena riu, encarando o Dragneel, que começava a corar. Segurando sua mão, a garota apontava os pontinhos, repetindo uma por uma.
[...]
–... E aquela é Gêmeos... – Completou orgulhoso.
–Você não ficou errando apenas para ficar segurando a minha mão, não é? – Indagou sorridente, deitando a cabeça no braço do rapaz.
–N-Não... – O simples fato de desviar o olhar o entregava.
–Bem... – O rosto da garota corou, levando suas mãos aos seus lábios – Agora você já pode escolher a sua recompensa...
~RONCK~
–Eu posso escolher bolo? – Questionou sério.
–B-Bolo... – Repetiu, tentando conter a enorme vontade de kická-lo do terraço, afinal de contas o Natsu era o Natsu...
Exibindo o mais forçado dos sorrisos, ela o segurou pelo braço, arrastando-o “delicadamente” pelas escadas...
–Kuhuhu... Já está chegando a hora de terminarmos esse pequeno conto de fadas... – Uma mulher escondida pelas sombras, vestida com uma longa capa, botas e um chapéu de bruxa roxos, ria, sentada no ar, observando o casal de chibis e enrolando algumas mechas do longo cabelo.
...
Sentada em uma das muitas mesas, a garota fitava os casais, distraída, ainda tentando entender que tipo de idiota iria escolher bolo. Olhou para o lado, em direção à mesa dos doces, de onde o tal idiota vinha, carregando um prato com uma enorme fatia de bolo.
–Luce... Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, sentando-se ao seu lado.
–Não foi nada... – Respondeu desanimada.
–Entendo... – Ficaram em silêncio.
Alguns poucos minutos passaram. O rosado, de uma forma disfarçada, foi aproximando sua cadeira à da loira, até o ponto que elas ficassem grudadas.
–Natsu, eu percebi a sua aproximação... – Falou, olhando-o nos olhos, o que o fez estremecer. Porem sua reação seguinte foi de surpresa, quando ela, inflando as bochechas, agarrou seu braço, deitando-se em seu ombro – Baka!
–... – Permanecendo quieto, o garoto passou a mão na cabeça da pequena, acariciando os fios dourados.
Sentindo o toque de Dragneel, ela fechou os olhos por alguns segundos, reabrindo-os e olhando para onde já esteve um palco – Natsu... Você se lembra da peça da Chapeuzinho Vermelho?
–Claro... – Sorriu, ainda acariciando os cabelos da garota – Aquela foi a primeira vez que eu senti os seus lábios...
O rosto da pequena Heartphilia corou, e aumentando a força de seu abraço, respondeu quase sem voz – Quando você disse aquelas palavras... Quando disse que me amava... Os meus sentimentos se confundiram com os da Chapeuzinho. Os seus olhos, a sua voz... Eram tão reais...
–Aquelas foram palavras reais... – Aflouxando o abraço, a garota olhou para cima, em direção ao rosto do rapaz, o encarando.
Aqueles olhos brilhantes o fizeram corar. Fincando o garfo na fatia de bolo e tirando um pedaço, o colocou em frente à loira, tentando esconder o nervosismo – Abra a boca...
–O-O que? – Gaguejava nervosa, tentando se livrar dos braços que agora a envolviam.
Em meio a todo aquele esperneio, ela sentiu seu corpo estremecer. Um arrepio percorreu sua pele, enquanto sua mente era invadida por flashes e vozes – uma poção. Um pesadelo. O sabor... De seus lábios. A promessa...
–Luce... – A voz do rosado finalmente a alcançava. A garota olhou ao redor. As pessoas, as luzes, as vozes, a música... Tudo se transformava em ensurdecedores vultos.
Sendo tomada pelo medo, deixou algumas lágrimas escaparem, e fugindo do toque do Dragon Slayer, correu pelas sombras do salão, sumindo através da enorme e distante porta da guilda.
–Luce... – Sussurrou Natsu, imóvel, tentando entender o que havia acontecido. Um zumbido persistente se projetava em sua mente, à medida que tudo ao seu redor parecia se tornar gélido. Forçando uma das pernas a ir para frente, caminhando entre as mesas, e chegando à porta, começou a correr – LUCE!
Ao sair, sentiu o vento. Olhou para os lados, procurando pela pequena, enxergando-a ao longe. Tentou persegui-la, mas um aperto em seu peito o obrigou a se ajoelhar. Sua visão começava a escurecer, os sons à sua volta se silenciavam, seu corpo sentia o frio de estar só.
–Você não deveria ir atrás daquela garota em lágrimas? – Uma voz perguntava, projetando-se claramente em meio aos barulhos. Seus olhos lentamente se abriram. Podia sentir algo em suas costas... Estava escorado contra uma árvore.
Usando a árvore como apoio, ficou de pé. Olhar para a direção em que viu Lucy correr, tentando dar alguns passos, porem sua mente foi novamente preenchida por memórias... Memórias que de alguma forma assustavam.
–Eu não posso ficar com medo... Não agora... – Falou irritado, apoiando-se ao tronco a sua frente – A Luce precisa de mim...
–Muito bem, agora vá e fique ao lado dela, que está a sua espera... – A voz foi tomando distância, até se tornar um simples sussurro e então desaparecer.
Uma brisa soprou seu rosto, trazendo consigo o perfume da pequena Heartphilia. Uma memória veio à mente do garoto – “E que tal eu te proteger ali naquele banco?”...
–Obrigado pela ajuda, voz de velha estranha... – Agradeceu, correndo pelo longo caminho de ladrilhos.
Lá estava ela, sentada no banco, abraçando os próprios joelhos. Em um gesto delicado, virou o rosto na direção do garoto, deixando uma solitária lágrima escapar. Seus pés, ainda trêmulos, tocaram o chão, correndo em direção aos braços do garoto, que a abraçou, caindo deitado.
–Baka! Porque demorou tanto? – Questionou, golpeando o peito do rosado inúmeras vezes. Quando se acalmou, deitou-se sobre ele, que a envolveu em um abraço.
A noite continuava passando, devagar. As ruas iam aos poucos se tornando vazias, tudo se tornava tranquilo e silencioso.
Sentado no banco, o Dragneel chibi passava os dedos pelos cabelos dourados da garota, que de olhos fechados, permanecia deitada entre seus braços.
–Natsu... – Chamou, puxando a roupa do garoto.
–O que foi Luce?
–Você já sentiu algo tão bom, mas então abriu os olhos e percebeu que tudo não passou de um sonho? – Seu rosto se levantou, encarando os olhos que a fitavam – Eu estou com medo de estar sonhando...
O mago permaneceu em silêncio, não sabia o que dizer. Sentia a mesma coisa, mesmo querendo acreditar que tudo aquilo foi real.
–Você se lembra de quando nós acordamos? – Questionou, a arrumando em seus braços, levantando-se e a carregando, caminhando por onde esperava encontrar respostas.
–Claro que eu me lembro... – Sorriu, fechando os olhos, e ainda agarrada à roupa dele, voltou a deitar a cabeça em seu ombro.
[Flashback...]
O vento daquela manhã balançava as cortinas da janela, que havia sido esquecida de ser fechada naquela noite. Alguns raios de sol, refletidos pela cidade, entravam no apartamento.
Ainda dormindo, ela sentia algo úmido, quente, que ora ou outra tocava sua barriga.
Lentamente foi abrindo seus olhos. Tentou se espreguiçar, mas algo estava abraçado ao seu corpo – algo quente.
Seu olhar voltou-se para baixo – Natsu... – Então era apenas ele. Tornou a cerrar as pálpebras.
Por um momento houve silêncio.
Respirando fundo – e então prendendo o ar por alguns momentos – voltou a olhar para baixo. O garoto de cabelos rosa estava abraçado à sua cintura, o rosto adormecido na altura de sua barriga. A camisa que servia de vestido estava sendo mastigada – Luce...
–Hentai! – A voz fina ecoou pelo apartamento.
[Flashback: Fim]
–Aquele chute foi realmente dolorido... – Relembrou Natsu.
–A culpa é sua que fica abusando da minha inocência... – O rosto vermelho estava escondido no peito de quem a carregava.
–E depois disso a Wendy, a Charl e o Happy apareceram... – Riu, lembrando-se da expressão do amigo, que não sabia se gritava em pânico ou voava em círculos repetindo “Eles se goxxxtam”.
–E então você chamou a tia Scarlet de velha...
–Mais lembranças que fazem meu corpo doer... – Disse Dragneel, deixando algumas lágrimas escaparem.
Andando pelas ruas vazias e silenciosas, o garoto de repente parou, olhando para o lado.
–Natsu? – Chamou.
–Você se lembra de quando fugimos do Gajeel e acabamos aqui? – A pequena desviou o olhar na direção em que o rosado olhava. Estavam no rio, que era iluminado apenas pela luz da lua.
Firmando os pés entre as pedras, o rapaz desceu até a margem, carregando a garota em seus braços.
–Foi a partir desse dia que as coisas começaram a acontecer... – Falou Lucy, sentando ao lado do garoto no chão, admirando o céu noturno refletido nas águas.
–Eu cumpri a promessa que fiz pra você naquele dia... – Disse, interrompendo o silêncio.
–Promessa? – Indagou, mostrando uma expressão confusa.
–Eu apenas tenho cheirado você! – Um sorriso enorme a fez corar.
–Baka! – Levantou a voz, socando o peito do rapaz – Acho bom que isso seja verdade...
Rindo, Natsu a abraçou, se atirando no chão e a puxando para cima de si. Por um tempo ele pareceu pensativo.
–Natsu, aconteceu alguma coisa?
–Já faz um tempo que eu não caio por cima de você...
–Você é mesmo um pervertido... – Suas bochechas inflaram. Rindo ainda mais, o rosado se levantou, segurando a mão da loira e a puxando.
–Vem, vamos continuar o nosso passeio...
De mãos dadas, continuaram a falar sobre diversas coisas que vinham a suas mentes.
–Luce... – Chamou. Os dois estavam passando debaixo de algumas árvores do parque. Espalhadas pelo caminho, várias luminárias clareavam a noite.
–O que foi Natsu? – Questionou sorridente, sentindo o toque da mão do garoto.
–Um dragão pode montar em um cavalo? – Um enorme ponto de interrogação flutuava sobre a cabeça da pequena, que apenas o encarava, tentando entender o sentido oculto por trás daquela pergunta.
–O... O que?
–Eu não quero mais ser um príncipe... – Falou, levando a mão da garota ao seu peito, olhando-a nos olhos – Eu vou ser um dragão... O dragão que vai te proteger e te levar pelos céus, o dragão que ao seu lado vai um dia conseguir entender o que se passa no meu peito nesse instante...
Através de sua mão, ela podia sentir o coração acelerado do garoto. Dando alguns passos à frente, a pequena maga o abraçou, escondendo o rosto no pescoço do chibi. Um sorriso tímido se formava em seus lábios ao sentir seu abraço sendo retribuído.
Soltando-se, sorriram um para o outro como dois idiotas. Aquelas palavras haviam feito seu coração acelerar, ainda sentia seu rosto queimando, mas ainda tinha algo incomodando sua mente – Natsu...
–O que foi Luce?
–Eu ainda não entendi a parte do cavalo... – Falou envergonhada, pensando não ter entendido alguma parte importante daquilo tudo.
–Ah, isso... – Sorrindo, o Salamander chibi apontou em uma direção. Algo se movia nas sombras, arrastando os pés e tudo que estivesse pela frente, caminhando até uma das muitas iluminarias. Forçando-se a continuar olhando até o final, a garota finalmente descobriu o que era aquilo...
Encarando-a de longe, lá estava ele... Os olhos negros brilhando nas sombras, aqueles fios acinzentados sobre seu pescoço, que se moviam conforme o vento ordenava, o sorriso sádico... Aquela era, sem dúvidas, a criatura daquele dia...
–Natsu... Aquilo por acaso é... – A voz trêmula. De uma maneira quase robótica, a pequena olhou para o garoto, que sorria.
–Sim! Aquele é o nosso alazão! – Aquele era o jumento daquele dia...
>AVISO
As cenas que seriam descritas a seguir foram acusadas de excesso de violência física e verbal pela personalidade 02 deste autor. Por este motivo houve alguns cortes de cenas na tentativa de preservar a integridade dos leitores. Enquanto termina de ler isto no intuito de continuar a leitura, recomendamos que escute “Kimi Ga Iru Kara” como uma possível música de fundo...
>AVISO
–Você é um idiota! Idiota! – Repetia, sendo carregada nas costas do garoto. As bochechas queimadas queimavam de uma leve e passageira raiva.
–Precisa repetir o “idiota”? – Questionou, suportando sem qualquer protesto a dor ardente que se alastrava por seu corpo. As marcas vermelhas e manchas rochas estavam espalhadas por todos os cantos.
Algum tempo já havia se passado desde que reencontraram o alazão, que já havia sido esquecido para trás novamente.
Entre as casas, costeando a margem do pequeno rio que cortava a cidade, caminhando pelas calçadas sob a luz da lua, o rosado continuou a procurar pelas respostas que gostaria de dar à loira, que bocejava em sua nuca.
–Natsu... Me leva pra casa... — Balbuciava, quase adormecendo.
Parando no meio da rua, que se encontrava vazia, o garoto aproveitou a voz que se arrastava, sorrindo. Olhou para o alto, em direção a uma janela do segundo andar, que por algum motivo se encontrava aberta.
–Como eu vou entrar por ali carregando a Luce? – Parado em frente ao prédio, o garoto fazia planejamentos e cálculos sem sentido.
–Natsu... – Chamando seu nome, a garota colocou a mão no bolso de sua calça, retirando uma chave e a entregando para ele – Enquanto eu estava esperando... A voz me disse que estava... Aí...
Então era aquilo que esteve incomodando-o, pensava o rosado. Desde que havia sido acordado pela voz, sentia que havia algo em seu bolso. Provavelmente era presente da voz...
–Se segura... – Sussurrou, ajeitando a pequena em suas costas. Deu alguns passos à frente, empurrando a porta de entrada do prédio, que por motivos desconhecidos – mais motivos desconhecidos – se encontrava aberta.
Tomando cuidado, tentando não fazer barulho, o mago subia os degraus no escuro, chegando à porta do apartamento. Olhou para a chave em suas mãos, seu coração começava a acelerar. Destravou a fechadura, levando a mão à maçaneta e girando-a.
Natsu entrou no apartamento, fechou cautelosamente a porta e seguiu para o quarto.
–Luce, você tá acordada? – Chamou hesitante, sem obter resposta. Suspirou, caminhando até a cama.
O quarto estava silencioso e escuro, a única luz que brilhava era a da lua. Parando ao lado da cama, o garoto se abaixou, deitando a maga sobre o colchão. Ao tentar se levantar, sentiu os braços da garota o puxando pelo pescoço, caindo sobre ela.
–Eu não quero... Ficar sozinha... – Aqueles brilhantes olhos castanhos o fitavam, os pequenos lábios semiabertos aguardando alguma resposta, os braços que até então o envolviam soltos ao lado dos cabelos loiros – Eu ainda estou com medo de acordar...
Ela parecia – e estava – tão frágil, tão delicada e fofa. Pensando assim, o coração do rosado voltou a disparar enquanto seu rosto ficava levemente corado.
–Eu... Nós vamos fazer tudo isso ser real... – Ele finalmente havia encontrado a resposta. Com seu olhar confiante, sorriu, levando a mão aos fios dourados, mexendo na franja de Lucy – Amanha, quando você acordar, eu vou estar ao seu lado, então tudo isso vai ser real...
–Verdade? – Um sorriso tímido se formava nos lábios da pequena.
–Verdade.
–Verdade verdadeira?
–Verdade verdadeira.
–Verdade que é verdade verdadeira?
–Verdade que é verdade verdadeira. – Sorriu novamente, bagunçando os cabelos da maga e fazendo o coração dela acelerar.
Deitando lado a lado, os dois se arrumaram na cama apertada. O pequeno Salamander abraçou a garota, que se escondia em seu peito, sentindo o calor gostoso e confortável dele.
–Luce... – Falou – Eu já escolhi a minha recompensa...
–R-Recompensa? – Repetiu, se sentindo confusa – Você já escolheu o bolo... – Lembrou, sentindo a vontade de espanca-lo retornando.
–Eu apenas perguntei se podia escolher bolo, nunca disse que era isso que eu queria... – O rosto da pequena ficou vermelho – Que tipo de idiota iria escolher bolo?
Contendo o sorriso que surgia – apesar do fato que seu rosto queimava – ela perguntou – E-Então... O que você escolheu?
Natsu se mexeu sobre os lençóis, ficando na altura de Lucy, que o encarava, totalmente corada. Sem pronunciar nada, moveu seu rosto, tocando os lábios dela com os seus.
Separaram-se. O garoto sorria a olhando. Envergonhada, as mãos da loira se arrastavam até as roupas dele, segurando sua camisa.
–Outro... – Sussurrou, mordendo o interior do lábio e abaixando o olhar.
Contendo o sorriso, o rosado se abaixou mais um pouco, ficando olho a olho com a maga. Aproximou-se lentamente, tocando os leves lábios novamente, agora por mais tempo – apenas mais alguns segundos.
–Outro... – Falou, levando as mãos ao rosto do rapaz e o aproximando.
Ficaram assim até que acabassem dormindo abraçados. Ainda agarrada à camisa do Dragon Slayer, a pequena Heartphilia se refugiava no calor dos braços dele, escondendo seu rosto no peito agora calmo.
–Ser real... — Sentada na janela, a bruxa de roxo os observava – A realidade não é algo que se possa tocar, mas sim algo que se possa sentir...
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