Na mesma sintonia
16 Por do Sol
Notas iniciais
Seu celular tocou incessantemente no quarto, e sentada no corredor lá em baixo ela escutou sem sentir a mínima vontade de atender, viu o cair da noite pela janela e entendeu que as ligações provavelmente seriam dele.
Subiu para seu quarto, se sentindo mal, seu estômago tinha um buraco recém formado, de repente toda a animação do cinema tinha ido por água abaixo. Digitou uma mensagem para ele explicando que estava passando mal e iria ficar em casa. Se enfiou debaixo do cobertor com a luz do quarto apagada e ouviu sua campainha tocar, talvez umas três vezes, pelo menos foi o que ela contou mentalmente antes de pegar no sono.
Acordou algumas vezes quando ouviu seu celular tocar, quando ouviu seus pais chegarem, e quando ouviu seus pais dando satisfação pra alguém que tinha ligado em casa.
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Era de manhã, acordou com a cabeça estourando, e quase que num murro desligou o despertador. Pegou o celular e numa tentativa inútil tentou conectar seu blog, não conseguiu novamente.
Viu que seu whats estava cheio de mensagens e seu celular tinha duas ligações perdidas, uma dele e outra da Magali.
Não sentiu vontade de responder, se levantou tomou banho, tomou café forçado, e foi encontrar a amiga que a esperava no mesmo lugar de sempre.
– Mo, está tudo bem? – Magali perguntou a olhando de cima a baixo.
– Mais ou menos ami – Monica respondeu sentindo um pouco de frio com o vento gélido do amanhecer.
– Você sumiu amiga, o Cebola estava doido atrás de você, eles nem foram mais pro cinema – Magali contou caminhando preocupada ao lado da amiga.
– Maga meu blog foi hackeado junto com o meu diário digital – Monica choramingou segurando a lágrima que queria cair.
– Nossa amiga, então o bilhete da festa será que tinha a ver com isso? – Magali perguntou assustada.
– Ai com certeza Maga, e eu to muito preocupada, dou o sangue pelo meu blog, e meu diário tem todos meus segredos – Monica lamentou enxugando uma pequena lágrima que escapou no cantinho dos olhos.
– Calma ami nós vamos conseguir recuperar suas coisas, to com você ta bom? – Magali a abraçou tentando conforta la.
– Obrigada Maga, mas essa não é a pior parte. – Monica continuou limpando mais lágrimas que saltitavam.
– Como assim Mo?! – Magali perguntou preocupada?
– Ninguém coloca a mão no meu Note, eu nunca o deixo com ninguém – Monica comentou – A única pessoa que teve acesso a ele, além de mim... Foi o Cebola. – Monica terminou de falar limpando as lágrimas que caiam sobre seu rosto.
Magali ficou sem reação, ela teve que pensar muito bem no que falar e sabia que qualquer palavra errada podia machucar a amiga.
– Mo, tem certeza?! – Magali perguntou chateada – Ele parece estar gostando de verdade de você.
– Maga meu computador dormiu um dia todo na casa dele, ele foi o único que teve essa chance nas mãos, eu não deixo ninguém mexer nele. – Monica lamentou chutando uma pedrinha.
– Pra que ele faria isso? – Magali perguntou cabisbaixa.
– Amiga eu não sei por que ele fez isso, mas sei que quanto mais eu tento entender, mais me machuca – Monica concluiu avistando a escola na frente delas.
– Não pense assim, se ele fez mesmo isso ele vai ter que explicar por que. – Magali completou olhando a amiga.
– Não... Eu não quero olhar pra ele... É pior – Monica disse entrando na escola olhando para os lados para ver se não o encontrava.
– Você não pode simplesmente fugir dele e sumir – Magali comentou vendo a amiga.
– E ele não podia simplesmente me usar pra hackear minhas coisas – Monica concluiu decidida.
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DC a viu passando rápido em direção a sala de aula e apertou o passo para alcança la.
– Ei ei porque tanta pressa Mo? – DC perguntou reparando no rosto mau humorado dela.
– Oi DC, eu só não estou muito bem humorada hoje – Monica comentou continuando seu caminho.
– Hum que pena, mas você fica linda mesmo assim – DC comentou dando um sorriso daqueles que qualquer menina do segundo se apaixonaria.
– Obrigada, desculpa minha ignorância, estou tão sem cabeça hoje – Monica se desculpou se sentando no banco que ficava em frente as salas.
– Magina Mo, todos temos dias ruins, mas me diz algo que eu possa ajudar? – DC perguntou pegando nas mãos dela.
– Ah, não DC, obrigada pela preocupação – Monica respondeu tirando sua mão de lá.
Ela avistou o Cebola ao longe a procurando, sem nem se despedir direito do DC, ela se levantou e correu pra dentro da sala, se sentindo segura pela professora que entrou logo atrás dela e fechou a porta.
Denise sentou do seu lado e foi quase a aula inteira para explicar para a amiga o que estava acontecendo, a amiga só parou de xingar ela por ter estragado o encontro dela com o Xaveco, quando entendeu a gravidade do assunto. Monica não era de namorar, nem de ficar nem de se apegar, e dessa vez as amigas viam que ela estava gostando do Cebola, de estar com ele, se ele tivesse feito uma coisa dessa com ela ia tudo por água abaixo.
– Porque não pergunta pra ele? – Denise questionou lixando as unhas.
– Não meninas, não quero olhar pra ele. – Monica respondeu rabiscando qualquer coisa no seu caderno.
– Já falei pra ela De que ela não pode fugir o tempo todo, uma hora vai ter que explicar pra ele – Magali completou copiando a lição da lousa.
– Ainda mais agora que vocês tinham tornado a relação um pouco mais séria – Denise lamentou pela amiga.
– ...
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No intervalo ela ficou o tempo todo dentro da sala escondida, e na hora da saída tratou de sair dez minutos mais cedo, evitando de se encontrar com ele.
No caminho de casa, sentiu um vazio chato tomar conta do seu estomago, fazia tanto tempo que não chorava por causa disso, ela não queria chorar.
Quando ia passando pelo parque do bairro sentiu vontade de relaxar um pouco, tentar espairecer, respirar um pouco de ar fresco, atravessou todo ele e se sentou na grama lá beira do parque onde tinha uma vista linda para o céu, se encostou numa árvore e ficou lá, olhando pras nuvens.
Sentiu uma lágrima escorrer quando se lembrou do quanto estava disposta a quebrar o bloqueio que tinha a respeito de relacionamento e tentar algo com ele. Ela estava acreditando de novo que existia sim relacionamento bom, ela lembrou das risadas deles, dos momentos legais com ele... Como ele teve coragem de fazer isso com ela?!
E como ela foi tão tonta de acreditar que daria certo... Ela passava essa pergunta pela sua cabeça o tempo todo.
Saiu do transe quando sentiu alguém se sentando ao seu lado, olhou assustada, e o viu lá olhando para o céu junto com ela.
–Bonita as nuvens né?! – Cebola perguntou tirando a mochila das costas.
Monica ficou um pouco sem jeito, o observou atenta.
– Como me achou aqui?! – Monica perguntou sem pensar.
– Digamos que esse parque é muito importante para ser esquecido – Cebola acrescentou tirando a atenção das nuvens e se voltando pra ela.
– Hum.
– Quero saber o que está acontecendo – Cebola perguntou um pouco mais sério.
– Eu só não estou em um bom dia – Monica respondeu tentando esconder as lágrimas.
– Mo pode ser sincera comigo, eu me preocupo com você. – Cebola disse se virando para olha-la de frente.
– Eu acho que nos precipitamos em tornar nossa relação mais séria – Monica falou engasgando com a vontade de chorar, ela não podia chorar... Não na frente dele.
– O que? – Cebola perguntou um tanto assustado.
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