Na mesma sintonia
45 Barulho do Silêncio
Notas iniciais
Foram minutos, talvez horas que ele ficou desacordado, e quando finalmente recobrou a consciência o pânico tomou conta da sua mente, ele não abriu o olho de imediato mas sabia que não estava mais sentado no seu lugar no ônibus, e nem que estava confortável sentindo sua amada em seus braços.
Alias, cadê ela? Ele abriu os olhos assustado e o barulho de sirene invadiu seu ouvido como um choque, olhou destroços e pedaços de metal por todo asfalto molhado, aos poucos foi retomando consciência do seu corpo, seu braço esquerdo e sua perna esquerda doíam muito, sentia como se tivessem martelado algo neles. Viu alguns amigos seus deitados sob a chuva que caia, alguns chorando, outros ainda desmaiados, tinha sangue em alguns lugares e percebeu que sua perna estava com um machucado terrível.
Seu coração disparou e ele achou que ia desmaiar novamente de dor quando virou um pouco o rosto e a viu lá, desmaiada, perdendo sangue que escorria sob a chuva, sua cabeça estava machucada e viu uma fratura em seu braço, com certeza teria quebrado, as lágrimas começaram a escorrer do seu rosto, ele queria gritar, queria ir até lá mais não conseguia se mexer, simplesmente não conseguia.
Cascão que já estava em pé correu até o amigo chorando.
– Cebola, Cebola?! Gente ele esta acordado – Cascão gritava o equilibrando e o ajudando a levantar.
Cebola sentiu firmeza nas pernas novamente, e assim que conseguiu correu até a Monica.
– Monica, Monica, porque ela não acorda Cascão? Por que ela não acorda? – Cebola gritava a chacoalhando e chamando.
– Eu... Eu não sei – Cascão balbuciou desesperado.
Cebola olhou para os lados mancando, viu a Magali também no chão ainda, viu vários de seus amigos ainda desacordados e um desespero bateu, ele começou a chorar descontrolado.
Os para médicos foram descendo da ambulância e atendendo todo mundo o mais rápido que conseguia, Cebola sentou na chuva machucado e apoiou a Monica desacordada em seu colo, ele chorava sem parar tentando acorda la ignorando qualquer dor física que estava sentindo no momento.
Um para médico viu a cena e foi correndo na direção deles, sem perguntar nada saiu e voltou trazendo reforços, e para o desespero do Cebola na mão de um deles continha um desfibrilador.
Eles tiraram a Monica do colo dele sob muito esforço pois Cebola não queria solta lá.
– Não, por favor, me leva junto – Cebola gritou chorando para os médicos que colocavam ela numa maca e a imobilizavam, tentando estancar o machucado da sua cabeça.
– Senhor por favor mantenha distancia – Um bombeiro pediu. – Precisamos da sua compreensão.
– NÃO, MONICA, NÃO – Cebola gritava ao ver eles a colocando em um lugar coberto.
Cascão se aproximou para segurar o amigo.
– Me larga Cascão, me deixa ir com ela – Cebola pediu se rendendo.
– Não pode Cebola, eles precisam de espaço pra cuidar dos mais feridos – Titi falou se aproximando deles todo machucado.
– MONICA, NÃO... EU TE AMO – Cebola gritou ao ver eles colocando o desfibrilador nela uma, duas, três vezes... E nada.
Titi teve que ajudar a segura lo, ele gritava e chorava tentando alcançar a ambulância que partia com ela dentro.
– ELA... ELA ESTÁ MORRENDO? – Cebola perguntou desistindo de lutar olhando para o Titi desesperado.
– Eles vão conseguir reanima – la, ok?! Eu... Eu sei que vão. Vamos você tem que fechar esses machucados senão vai perder muito sangue – Titi pediu tentando tira lo dali.
Cebola relutou.
– Eu... Eu não consegui dizer que a amava, eu... Eu nem tive a oportunidade – Cebola enxugava num ritmo descontrolado as lágrimas que escorriam do seu rosto sem parar.
Cascão se segurou para não chorar junto com o amigo, não sabia o que dizer.
– Monica... Não Monica... Não vai – Cebola choramingava com a mão na cabeça – Por favor fica, fica, fica comigo...
Titi abraçou o amigo.
– Vai ficar tudo bem – Cascão se juntou no abraço deixando uma lágrima descer pelo seu rosto e por fim se juntar as gotas da chuva que não paravam de cair.
Cascuda estava acordada e tinha tomado alguns pontos na perna. Magali foi levada em outra ambulância ainda desacordada, Quim e Xaveco também, Denise estava acordada com o braço imobilizado e alguns pontos no dedo.
– Cade o resto do povo? – Cebola perguntou se sentando numa maca tentando se acalmar enquanto o médico tentava atende-lo.
– Muita gente já foi levada para o hospital, tem alguns em estado um pouco mais grave. A Van bateu de frente em alta velocidade no nosso ônibus, ela derrapou na pista molhada, quem estava nos lugares do meio foram atingidos de frente. – Titi explicou apoiando a cabeça sobre as mãos.
Vendo que o Cebola não se acalmava ele tentou ajudar.
– Eu também queria ter ido com a Aninha cara, ela está muito ferida, mas eles não deixaram, e mandaram eu esperar aqui. Eu... Também me sinto um caco Cebola, sem poder ajudar, sem poder estar do lado dela – Titi concluiu enxugando uma lágrima. – Mas elas precisam da gente forte.
– Eu... Eu não consegui dizer que a amava olhando nos olhos dela, perguntar se ela queria namorar comigo, nem mostrar pra ela o quanto eu estava feliz, eu nem fui tudo que ela merecia – Cebola lamentou mais para si mesmo do que para os outros enxugando algumas lágrimas.
– Cebola você tem que tentar se acalmar – Titi pediu olhando o estado do amigo. – Eles tem que estancar seu machucado
– Cara, e se ela não agüentar? – Cebola perguntou ao amigo.
– Cebola, não pensa nisso por favor, ela é forte, sempre foi forte, não vai nos abandonar – Cascão tentou ajudar sentindo uma dor no coração por saber que o estado da amiga estava bem critico.
Cebola continuou inconsolável, a dor inundava seu corpo e sua alma. Não podia ser verdade, foi tudo muito bonito pra acabar daquele jeito.
Vendo o estado dele e que ele não pararia quieto para ser atendido, os médicos tiveram que aplicar uma injeção para acalma lo.
Mais uma vez ele perdeu um pouco os sentidos, pegou num sono instantâneo, ouviu ao longe a voz do professor Átila falando.
– Quem pôde ser atendido aqui eles foram agilizando, para que quem precisasse de socorro mais rápido pudesse ir com as ambulâncias, a que nos levará pro hospital deve estar chegando – Átila falou meio impaciente.
Sentiu pegarem sua maca, colocarem dentro da ambulância, e seguirem para algum lugar que sua mente cansada e recém invadida pelo calmante não conseguia mais distinguir.
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