Na mesma sintonia
30 A gente da certo
Notas iniciais
– Por que está sangrando Monica? – Licurjo continuou a perguntar olhando assustado para a Cena.
Monica estava com sangue no rosto devido ao corte no supercílio, toda molhada e suja devido a briga no chão, Cebola estava molhando e sua camiseta branca manchada de sangue, Aline estava descabelada, Denise também, e todos com caras assustadas.
– Vamos pessoal estou esperando uma resposta – Licurjo pediu bravo, de braços cruzados.
Monica respirava fundo tentando não surtar, estava com vontade de voar pra cima da Aline de raiva, olhou para sua roupa toda molhada, seu vestido todo sujo, seu rosto doía.
– Foi só um mal entendido – Aline respondeu arrumando os cabelos.
– Quero vocês na diretoria agora – Licurjo ordenou apontando para Monica, Cebola, Aline, Denise e Xaveco. – Que vergonha, adolescentes desse tamanho arranjando briga na escola.
– Deixa eles fora disso Diretor, eu que comecei a briga – Cebola se prontificou.
– Não quero saber quem começou, quero vocês cinco na diretoria agora – Ele respondeu se virando e entrando.
– Não acredito, só falta com 17 anos eu ter que enfrentar a sala do diretor por sua causa – Monica reclamou olhando para Aline.
– Cala boca pirralha, sua voz está me irritando – Aline respondeu massageando a cabeça.
– Se não fosse pelo diretor eu arrebentava sua cara – Denise provocou enquanto arrumava seu cabelo.
Monica olhou em agradecimento para Denise, que entendeu sem precisarem dizer mais nada.
– Mo tem que fazer um curativo ai no supercílio, é um dos lugares que mais sangra por menor que seja o corte – Cebola comentou a olhando com atenção.
– Nossa, nossa ta preocupadinho?! Que bonitinho – Aline provocou dando risada. – Pode ficar calmo ainda não acabei com ela...
– Aline por favor fica quieta não me faz perder a razão com você – Cebola respondeu nervoso.
– Deixa ela Ce, não se prejudica por causa disso – Monica respondeu tampando o machucado com as mãos.
Monica olhava para si e ainda não acreditava que estava daquele jeito, como ia explicar para seus pais sua roupa toda suja e com sangue?!
Chegaram na diretoria e sentaram na frente da mesa do diretor.
–-
O sermão do diretor até que não foi tão difícil de encarar comparado ao da sua mãe, suspensa por um dia, só porque brigou na escola?!
– Monica não acredito que com 17 anos nas costas, você está arranjando brigas na escola – Dn. Luisa gritou ao telefone.
– Mãe, ela me empurrou na chuva, sujei toda minha roupa – Monica choramingou cutucando o curativo recém feito que a Dn. Ester tinha colocado em seu corte.
– Monica não interessa, isso não é brincadeira filha, você está no segundo colegial, nunca brigou na escola antes, tem que ter responsabilidade – Luisa continuou o sermão.
– Ta bom mãe, desculpa – Monica pediu.
– Não quero desculpas, você pegou um dia de suspensão, ganhou um machucado na testa e isso tudo para que? Pra nada. Quero você no quarto fazendo sua lição, e nem pense em sair de casa amanha entendido? – Luisa alterou a voz no telefone.
– Ta bom mãe... – Monica respondeu desanimada.
– Beijos tchau – Luisa desligou deixando a filha desolada.
–-
Monica saiu da enfermaria do colégio nervosa, queria chorar de raiva. Tomou sermão do diretor, da mãe, até da Dona Ester que perguntou se ela gostava tanto assim da enfermaria pra voltar tantas vezes...
Demoraram tanto na sala do diretor que a chuva já tinha parado...
Tinha pegado uma suspensão por causa da Aline, ela o Cebola a Aline e a Denise, quatro suspensões de uma vez e o pior de tudo não ia poder sair de casa.
Tudo que não teve de problema quando mudou de escola, estava tendo agora. Era sempre assunto do colégio, estava sempre no meio de algum rolo. Primeiro era a menina nova, depois a menina que ficou com um carinha do terceiro, depois a menina que desmaiou na quadra, a menina que foi trocada por uma menina do terceiro e agora a menina que brigou no colégio.
Era sempre assunto e aquilo estava começando a piorar depois que resolveu arranjar briga com a Aline, que era bem popular na turma do terceiro colegial.
– Amiga não precisava entrar por minha causa na briga sua linda – Monica comentou abraçando a Denise.
– Lógico que precisava Mo, estamos sempre juntas, jamais ia deixar aquela cara de sonsa te bater – Denise respondeu sorrindo – Pega nada uma suspensão, já briguei na escola antes... De boa.
– Eu falei pra vocês pararem, não acredito viu por causa daquela Aline – Magali reclamou caminhando ao lado delas.
– O que será que ela quis dizer quando falou que não parava por aqui? – Monica questionou preocupada.
– Esquece isso Mo – Magali respondeu a abraçando também.
– Mo... Desculpa atrapalhar meninas, posso falar com você? – Cebola perguntou as interrompendo.
– Ah... Oi Ce, pode, pode sim – Monica respondeu cansada de armar discussões com ele.
Magali e Denise saíram novamente, olhando pra trás, Denise deu uma piscada pra amiga e foram embora.
– Eu... Queria te pedir desculpas por isso, eu juro que não sabia que chegaria nesse ponto – Cebola comentou caminhando ao seu lado.
– Então... Magina, sério não tem problema sei que não fez por maldade, por mais que tivesse motivo – Monica respondeu olhando para os próprios pés.
– Mo... Não é que eu tenha motivo, eu só não entendi nada... – Cebola continuou a falar fazendo ela parar no meio do caminho e a olhando nos olhos – Quero entender tudo que aconteceu.
– Eu... Só não contei antes porque estava aprendendo a lidar com tudo isso... – Monica continuou respirando fundo e pensando se era a hora certa de falar.
– Eu nunca tinha sentido nada igual, e ai quando estávamos bem você desistiu e jogou tudo pro alto – Cebola comentou a olhando nos olhos.
– É... Eu sei... Foi... – Monica tomou coragem.
Cebola permaneceu quieto esperando pelo que ia ser contado.
– Hackearam meu blog e meu diário virtual, e eu nunca deixo meu computador com ninguém... E.. – Monica começou a explicar tudo bem rápido.
– E ai você pensou que tivesse sido eu, porque eu que concertei ele? – Cebola concluiu a olhando curioso.
– Sim... Porque eu comecei a receber ameaças, o tempo todo sobre meus segredos, eu estava com tanta raiva... Fiquei cega – Monica continuou contando – Não quis saber de nada, e já te culpei, nem te perguntei o por que, nem como, nem se realmente tinha sido você.
– Hum... – Cebola continuou prestando atenção.
– Você pode não entender Ce, mas meu diário e meu blog são muito importantes pra mim, eu sempre fui muito tímida e com o blog aprendi a me socializar, quando ele começou a crescer eu fui perdendo a timidez e interagindo com as leitoras e até leitores homens. Hoje ele é minha fonte de renda, e meu diário... – Monica enxugou uma lágrima que deslizou teimosa pelo seu rosto.
– Meu diário tem meus segredos, minhas aventuras, vontades, planos, e você sempre pegava de criança, eu achei que ainda tinha essa mania – Monica concluiu erguendo os olhos marejados para ele.
– Jamais faria isso Mo, eu mudei, não sou mais aquele moleque, eu vi o quanto aquilo era importante pra você quando me pediu pra consertá-lo – Cebola respondeu se sentando em um banco de frente pra ela.
– É e eu fui burra... Joguei tudo pro alto te acusando – Monica reclamou se sentando também.
– Mas, como soube que não fui eu? – Cebola perguntou – Por dias eu tentei descobrir o que estava acontecendo e a única coisa que captei é que não gostava nada nada de você caminhando com o DC.
– Pelo jeito esta com o palpite bom... Foi ele, estava perto dele quando ele recebeu notificação do meu blog – Monica respondeu enxugando mais lágrimas.
– Foi o que? – Cebola perguntou se levantando – Eu mato ele, cadê ele?! Ele já saiu da escola?
– Não Ce, não vai brigar, é o último jogo de vocês, você já tomou uma suspensão hoje – Monica pediu o olhando.
– Monica, eu nunca gostei de menina nenhuma, e quando eu finalmente encontrei alguém, o que ele fez? Ele agiu pelas costas, pra você pensar que foi eu, pra nos separar – Cebola gritou nervoso.
– Eu... Eu sei... Eu devia ter te contado antes... Me desculpa – Monica pediu colocando as mãos no rosto.
– Eu quero pegar ele, como vou conseguir jogar no mesmo campo que ele? – Cebola perguntou dando um murro no banco.
– Para Ce, por favor – Monica pediu cansada.
– Mo, olha tudo que isso virou... – Cebola falou passando a mão levemente sobre seu machucado recente.
– Eu vou ficar bem Ce – Monica respondeu pegando em suas mãos.
– Nós vamos ficar bem Mo... – Cebola concluiu a olhando nos olhos.
Fale com o autor