Notas iniciais
E aqui se inicia a historia de Joseph Ross. Espero que gostem.

O universo, em geral, é grande. Isso sem levar em conta todas as realidades alternativas e as infinitas linhas de tempo paralelas. Na maioria das vezes isso não faz o mínimo sentindo, forçando assim milhares de raças espalhadas pela realidade resolverem viver sem questionar. Obviamente essa é uma forma de viver muito mais simples do que a maneira que uma raça em especial resolveu adotar.

Há muito tempo, num planeta a 150 milhões de quilômetros de uma estrela chamada Sol, uma raça começou uma longa caminhada, a qual foi chamada de evolução. Essa dita evolução transformou alguma espécie de macaco primitivo em homo-sapiens. Porém em algum ponto da linha evolutiva a raça humana se dividiu em duas. Um ramo seguiu normalmente, com foco no desenvolvimento do corpo, resultando na atualidade. Outro ramo, muito diferente dos primeiros, resolveu não evoluir só o corpo, mas também a mente, gerando assim uma raça de intelecto infinitamente superior.

Obviamente toda essa história da evolução é totalmente irrelevante para a história de Joseph Ross.

Pelo menos até o momento.

Era uma noite como qualquer outra, o céu rodopiava e piscava multicolorido enquanto criaturas pequenas e verdes corriam livres pelas ruas de Londres. Era evidente também que Joseph estava saindo de uma discoteca, bêbado e drogado.

Ele era um adolescente normal de 17 anos, levando uma vida normal, como todas as pessoas daquele planeta. Em geral ele não falava coisas muito úteis, pois em geral, estava drogado, como muitos adolescentes dos anos 80. Não era bom na escola e sempre estava matando aula, acompanhado por meia dúzia de amigos. Também não tinha uma aparência admirável, mas conseguia a menina que quisesse, graças a sua ousadia. Joseph tinha a vida clássica de adolescente que fugiu de casa, no interior, e agora mora no subúrbio de alguma cidade grande, sobrevivendo com algum trabalho inútil, que dê para pagar as contas e comprar drogas e bebidas.

Naquele dia não estava acompanhado por ninguém. Ainda não havia sequer passado das três da madrugada quando saiu da discoteca. Não apenas pelo simples fato de ter levado um soco de um homem duas vezes mais forte que ele; muito menos pelo fato do dinheiro ter acabado antes do esperado. Mas sim pelo motivo que seu cão, Tobi, já estava muito velho, prestes a morrer. O animal já não escutava, nem enxergava direito, porém parecia sentir sempre que Joseph se aproximava. O garoto não queria deixar o cão abandonado para morrer, enquanto ele curtia a noite. Ao sair de casa Tobi havia lhe lançado um olhar de súplica, como se soubesse que não tinham muito tempo juntos; mesmo assim Joseph saiu, bebeu, riu, fumou. No entanto o olhar do cachorro não saia de sua mente.

Joseph entrou no estacionamento da discoteca, onde conseguia ouvir gemidos vindos de dentro de algum carro, alguém pelo menos tinha a única preocupação de fazer um bom sexo. Caminhou até sua moto preta e montou nela. Apenas isso. O mundo ao seu redor girava. Ouvia risadas, gemidos, música. Sentia o cheiro de álcool, maconha, sexo. Recompôs-se, acendeu mais um cigarro e ligou seu veiculo. Saiu pelas ruas de Londres pilotando numa velocidade um tanto quanto alta. Em seu rosto um sorriso idiota, gerado por drogas.

O vento fazia seus cabelos castanhos se agitarem na direção oposta a qual ele corria. Cada lombada que ele pulava seu coração parecia querer saltar junto. A vida, mesmo perto da desgraça tinha seus momentos belos, mesmo que pequeno. Até num campo de morte, em algum lugar, ainda que ninguém veja, a vida está ali: nascendo e se renovando.

Naquele momento em especial, sem Joseph saber, Tobi, sozinho em casa, fechava os olhos e lentamente caminhava para a morte. Mas também, por obra do destino, outras coisas muito estranhas aconteciam ao mesmo tempo. Algumas dessas coisas não afetariam o universo de Joseph, enquanto outras não afetariam apenas ele, mas também o universo.

Chegou a East Ham, bairro onde morava. Seu coração batia rápido e estava inflado de adrenalina. Ainda assim, algo em seu peito, dizia que nem tudo estava bem. Estacionou a moto em frente ao prédio onde morava. Não se pode dizer que o prédio era belo, nem grande, muito menos limpo. Quatro andares, dezesseis quartos, quase tudo sujo e fedendo. Era praticamente uma republica de jovens drogados e adultos problemáticos. Em geral batiam em sua porta para pedir drogas, e não açúcar. A fachada acumulava sujeira de anos e as letras que formavam o nome daquele lugar haviam sumido há algum tempo atrás, tudo que se via agora eram quatro letras, que se lidas de trás para frente formavam uma palavra muito feia: k___c u_ f____.

Seu apartamento era simples, consistindo em uma sala, entulhada de lixo, e uma cozinha, entulhada de comida estragada. Jogado no corredor do segundo andar estava Bob, jogado no chão, provavelmente bêbado de mais para se levantar. Joseph pulou por cima do homem gordo e caminhou até o fim do corredor, onde ficava a porta de seu apartamento.

As portas eram as partes bonitas dos apartamentos. E provavelmente do prédio.

– Tobi! – chamou o garoto ao entrar em casa – Garoto?

Nenhum movimento. Nenhum som. O tempo pareceu desacelerar no momento que Joseph encontrou Tobi deitado, respirando muito lentamente. O menino se ajoelhou ao lado do pequeno poodle e o abraçou. Tobi suspirou, lambeu a mão de seu dono e fechou os olhos. Parecia que iria apenas dormir.

Ficaram abraçados por um longo tempo.

Uma neblina um tanto quanto dramática desceu sobre Londres, junto com uma chuva fria e silenciosa.

Justo. Essa não é a palavra para descrever o universo em que vivemos. Ele é maligno, injusto e seria capaz de te derrubar e te chutar, caso tivesse pernas. Obviamente existem muitas raças com pernas, (algumas com algo que não é uma perna, mas que insistem em chamar de perna), então nada impede algumas delas te jogarem no chão e te chutarem, ou fazer sexo com você.

Podemos dizer que o universo não estava sendo particularmente gentil com Joseph naquele dia. Ao acordar, com a chuva batendo na janela, se levantou e deixou o corpo de Tobi. Nervoso e de ressaca, tudo que conseguiu fazer foi um café amargo e uma torrada queimada. Desapontado com a vida, e com desejo de por fogo em algo, resolveu simplesmente pegar Tobi, colocar num saco preto e ir enterrá-lo perto da fazenda de sua família

A fazenda ficava a algumas horas de viagem de Londres. Joseph havia fugido já há dois anos, provavelmente já havia sido dado como morto. Se aparecesse em sua antiga casa, seu pai lhe jogaria água benta, achando que ele era um fantasma. A vida não fora justa com ele. Na infância seus irmãos mais velhos batiam nele e roubavam seus brinquedos. Na adolescência roubavam seu baseado. Na percepção de Joseph, foram ótimos motivos para fugir de casa sem dar explicação; a propósito, o que mais poderiam roubar nele na vida adulta? Sua esposa? Seus filhos? Sua futura máquina do tempo? Oh, espere, não chegamos nessa parte ainda.

Estacionou a moto longe o suficiente para ninguém ver ele da casa. Pegou Tobi no colo e caminhou até uma árvore muito antiga. Todas as fotos de sua família possuíam aquela árvore no fundo. O que Joseph, e ninguém, não sabiam era que aquela árvore, por algum motivo estranho, era um ponto fixo no tempo e no espaço. E futuramente um ponto importante na história de toda a raça humana.

Escavou um buraco aos pés da árvore. Fundo e largo o suficiente para que Tobi coubesse. Depois de colocar a terra de volta, Joseph se sentou encostado no tronco da árvore e refletiu sobre a vida que havia levado com aquele cãozinho. Ele fora a única coisa que seus irmão não tentaram roubar, talvez pelo fato do animal ser meio doido. Ainda assim era um bom cão. Esteve com ele na primeira, e ultima, desilusão amorosa. Estava junto quando Joseph acendeu o primeiro cigarro. Quando fugiu para a cidade grande. Foram baleados juntos num assalto ao apartamento deles.

Joseph, pela primeira vez em muito tempo, se sentia incompleto.

Acendeu um cigarro.

Fumou.

Nada mudou.

Às vezes a morte de coisas pequenas é muito mais pesada que a morte de algo maior. Ninguém podia culpar Joseph de estar chorando. A final, ninguém naquele mundo era de ferro.

Ficou ali por mais pouco tempo.

Quando voltou para Londres já estava escuro. A chuva caia insistente, como na noite anterior. Os prédios iluminados, fazendo contraste no escuro, eram simplesmente lindos. Joseph um dia sonhava em ver as luzes de Nova York, que deviam ser infinitamente mais lindas que aquelas. Ainda assim havia algo de muito diferente no panorama da cidade... Ele demorou algum tempo para notar. “Foi só um cigarro. Não é possível que eu esteja tendo tantas alucinações”.

No lugar, que na teoria, devia estar o grande Big-Ben, não havia nada. Milhares de curiosos se aglomeravam em volta. “Como assim?”. Joseph desacelerou a moto e continuo pilotando e olhando para o local. Não havia destroços, nenhum vestígio de destruição. Como algo daquele tamanho poderia sumir sem deixar rastro?

Sua cabeça meio drogada, meio triste, tentou formular uma resposta. Mas foi gentilmente interrompida por um carro que a atropelou.

Sua Yamaha RD 350 voou para um lado enquanto ele voava para outro. “Que forma estúpida de morrer. Sério isso?”. Joseph caiu no chão e permaneceu lá. Não estava morto. Mas era seu desejo. A dor pela primeira vez havia lhe trazido lucidez: ele não tinha motivos para viver. Esperou outro carro passar por cima de sua cabeça. Infelizmente nada aconteceu. Foi levantado por mãos gentis. Olhou para cima e se deparou com um senhor de meia idade, de cabelos grisalhos. Devia ser algum tipo de médico, pois vestia um jaleco branco. O olhar do homem parecia perdido em algum ponto futuro, ou passado.

– Você está bem? Machucou-se? – perguntou ele.

– Estou ótimo, sou atropelado todos os dias.

Joseph se levantou e encarou o senhor nos olhos.

– Perdão, perdão – o homem parecia com pressa, com medo – Meu nome é Adam Taylor, Doutor Taylor se preferir. Agora se o senhor não tiver nenhum tipo de lesão grave, poderia me dar licença? Estava tentando viajar no tempo.

O menino olhou para o velho. Provavelmente ele havia usado algo do bom.

– O senhor me atropelou. Minha moto está jogada ali – Joseph apontou para sua moto quebrada – Minha casa é relativamente longe desse lugar. E eu estou sem uma libra no bolso. Acho que o senhor vai ter de me dar uma carona! – ele tentou ser o mais agressivo nessa frase. O THC em seu organismo não permitiu.

Doutor Taylor olhou para trás, como se algo estivesse perseguindo-o.

– Certo garoto. Entre na merda do Carro! – gritou sem paciência.

Joseph nunca havia visto um carro daquele modelo. Parecia uma Kombi, porém um pouco menor. Alguns leds piscavam na lataria exterior, transformando o veiculo em uma árvore de natal ambulante. O jovem se sentou no banco do passageiro, de cara feia e observou um painel cheio de botões estranhos. O velho se sentou ao seu lado e pisou no acelerador.

– Garoto, não vou poder te levar até sua casa – ele notou o olhar de medo de Joseph – Não, calma, não irei roubar seus órgãos. Vou ter que te levar na minha pequena viagem no tempo. Antes me diga seu nome.

– Olha, eu tenho meu próprio cigarro – o menino tirou um do bolso e acendeu – Não preciso desse seu cigarro de viajar no tempo. De qualquer forma me chamo Joseph Ross.

– Nunca viajei fumando – o velho deu um sorriso maníaco e pisou mais fundo no acelerador – LÁ VAMOS NÓS!

Primeiramente você deve saber que viagens no tempo são confusas e desconfortáveis Em algum mundo paralelo, onde viagens no tempo são normais, a principal recomendação é a seguinte: “Não mate seus pais/avós/parentes antes de você nascer. Não estamos minimamente a fim de descobrir o que vai acontecer.” Recomendasse também que você ingira sal e álcool numa quantidade grande.

Segundamente, se você puder evitar uma viagem no tempo, evite.

O carro começou a correr numa velocidade que fez Joseph tremer. Nunca havia corrido tanto. O motor daquela Kombi devia ser super potente. Então o mundo girou e ele achou que haviam capotado, porém não havia impacto. Raios coloridos voavam ao redor do carro. O menino olhou pelo espelho retrovisor e viu uma linha de fogo irregular. Os átomos que o compunham pareciam ter se despedaço e voavam ao seu bel prazer em várias direções, numa leveza fascinante. Abriu a boca e seu cigarro voou pela janela.

Maconha.

Ácido.

Ecstasy.

Tudo junto.

Nenhuma droga dava uma sensação tão louca como aquilo que talvez tivesse sido injetado em Joseph.

Então, tão rápido quanto acelerou, o veiculo desacelerou. Joseph colocou a cabeça para fora e vomitou. O maior problema em viajar no tempo para lugares que tais viagens não foram inventadas é o seguinte: sempre tem uma multidão de pessoas querendo ver a máquina e conseqüentemente o vômito do jovem.

Era isso que estava acontecendo ali. Permaneciam em Londres, porém a arquitetura ao redor parecia mais antiga, algo como 100 anos atrás. As pessoas também se vestiam como pessoas do século passado. O cérebro de Joseph concluiu então que: A) Doutor Taylor injetou algo forte nele; Ou B) Realmente haviam viajado no tempo.

Acendeu outro cigarro. Esperava que as pessoas de sua alucinação/viagem no tempo não achassem a atitude estranha. Na verdade eles nem sequer notaram no garoto fumando, pois estavam observando aquele carro.

– O que o senhor injetou em mim?

– Nada! – o velho sorriu – Estamos em 1896! – abraçou o menino e saiu do carro gritando – Oi gente, desculpe pelo carro! Eu sei que ele ainda não foi inventado e tudo mais! A propósito eu venho de um ponto no futuro!

Joseph saiu do carro.

Às vezes simples atos, feitos no futuro, ou no passado podem alterar milhares de realidades. Cada escolha, na trama do tempo, faz muita diferença.

Joseph sentiu cheiro de alguma flor.

Ao acordar de manhã, a realidade se abre para nós. Podemos nos levantar e ir trabalhar. Ou podemos ficar em casa. E até sair de casa e matar diversas pessoas. Em algum ponto da realidade cada probabilidade aconteceu e você viveu uma delas. As combinações são infinitas e incalculáveis. O universo é realmente confuso.

Joseph olhou para a esquerda e viu uma garota de idade aparente a sua.

Se Joseph não tivesse decido do carro, muitas coisas teriam acontecido de forma diferente. Isso inclui um braço amputado. Porém ainda não chegamos nessa parte da historia. Mas o fato dele ter descido do carro, sentido o cheiro e olhado para a direita, fez tudo mudar.

Joseph começou a andar.

A pele da menina era branca. E seu rosto era emoldurado por cachos castanhos, decorados com jasmins. Vestia-se com um vestido azul com detalhes brancos, a moda de 1982. Ela parecia simplesmente linda comparada as garotas de 1985. Joseph só notou que estava se movendo quando esbarrou na garota, jogando-a no chão.

– Me desculpe – não conseguiu conter um sorriso idiota enquanto ajudava ela a se levantar – Meu nome é Joseph Ross. Você é?

– Senhorita Marie Evans para você! – ela o olhou nos olhos – Você saiu daquela coisa... Você é um tipo de bruxo?

Joseph riu. Na verdade, não fazia ideia do que ele era. Um viajante do tempo? Um drogado?

– Creio que sou um viajante do tempo.

Marie fez uma carreta. O termo viajante do tempo não era algo que se ouvia sempre. Mesmo que no ano anterior o livro “A maquina do tempo” de H. G. Wells tenha feito muito sucesso.

– É algum tipo de propaganda do livro do Senhor Wells?

– Nem sei quem é esse – o garoto se aproximou de Marie – Então... Você mora aqui perto? – tentou então aproximar seus lábios dos da garota.

O golpe veio rápido entre as pernas dele, fazendo se curvar. A moça lhe deu então um soco e o fez cair no chão.

– Senhor Ross! Poupe-me!

Doutor Taylor se ajoelhou ao lado dele e sorriu.

– Joseph, se já terminou de apanhar antes de nascer, creio que podemos ir ao palácio. Fomos convidados pela rainha.

Joseph gargalhou e se pôs de pé com um pulo. Pegou nas mãos de Marie e olhou em seus olhos.

– Gostaria muito que milady me acompanhasse – fez uma reverencia irônica – Se não for muita ousadia de minha parte te convidar.

A mulher puxou a mão para seu corpo.

– Eu sei andar sem ser arrastada – ela olhou para a Kombi – Nos vamos... Err... Naquilo?

– Sim milady – respondeu o velho e se virou para Joseph, sussurrando – Como assim você fica convidando pessoas para andar com a gente?

– Achei que era algum tipo de regra – retrucou o jovem – Todos os tripulantes da Kombi que viaja no tempo podem levar um acompanhante.

E entrou no carro, deixando Doutor Taylor pasmo. Marie o seguiu, se sentando no banco de trás. Seus olhos brilhavam, tamanho era seu encanto. Carros como aqueles estavam longes de serem inventados, sendo apenas imaginados. A rainha devia estar muito curiosa com a tecnologia que chegava ao seu reino. Porém Joseph não se lembrava de nenhum livro de historia citando viajantes do tempo. Obviamente ele não era uma boa fonte de pesquisa.

Doutor Taylor acompanhou um dos guardas por dentro do palácio de Buckinghan e não notou quando Joseph puxou Marie para um canto e a beijou a força. O menino estava encantado com a beleza daquela jovem do passado. Mas podemos dizer que ela estava tão fascinada pelo viajante do tempo, quanto ele estava por ela.

Entre as muitas dicas uteis do manual do viajante do tempo, a mais util é a seguinte: “Evite se apaixonar por pessoas do passado/futuro. Evite transar com pessoas também. Acidentalmente você pode acabar se tornando seu próprio avô, o que seria muito estranho. Ou, no futuro, você pode estar transando com sua neta. Evite o amor no tempo atual também, é doloroso.” Obviamente nem Joseph, nem Adam, sabiam da existência do manual, já que ele só seria publicado por volta do ano 4000, e nenhum deles nenhuma vez esteve no ano 4000.

Chás, em geral, são sempre tediosos. E toma-lo com a rainha da Inglaterra não o fariam mais legal. Exceto se pinguins portando metralhadoras entrassem e atirassem na rainha, a matassem, e mantessem todos como reféns. Definitivamente isso não acontecia em 1896, sim em 3025.

Joseph achou as perguntas da Rainha Vitoria, acerca do futuro, realmente muito entediantes. Notou que Marie estava olhando para o teto, muito entediada.

– Com licença vossa majestade – disse o jovem se levantando – Irei ao banheiro.

A rainha fez sinal de sim com a cabeça e continuou a conversar com doutro Taylor. Ao passar pela menina, Joseph fez sinal para que ela o seguisse. O garoto ficou esperando do lado de fora da sala, por dois minutos. Já estava desistindo de esperar, quando Marie apareceu.

– Estamos dentro do palácio da Rainha – ela estava alegre – Tem noção do tamanho disso?

– Na verdade não – se aproximou dela – Mas posso te mostrar algo bem grande também...

Marie riu. Era um bom sinal, pelo menos Joseph achou que sim.

– Olha aqui menino – disse em meio a risos – Não sou uma prostituta. Me respeite.

Começaram a descer as escadas, olhando para tudo. Era realmente um lugar bonito, infelizmente, recorrente as viagens do tempo, aquele lugar não ficaria tão lindo por tanto tempo.

– Mas, Marie, acho que você nunca transou com um viajante do tempo. Certo?

– Esta errado – ela sorriu – Faço com frequência. Ontem mesmo eu estive com um que veio de 2012. Não vou regredir, me deitando com um de 1985.

Ela entrou em um quarto que estava aberto. Pela primeira vez, em muito tempo, o universo parecia estar dando uma ajuda a Joseph. Havia uma cama. Tudo que ele precisava naquele momento. Marie se virou e encarou o menino.

– Você já sabia disso? Você veio aqui no passado e fez isso?

– Realmente não sei de nada – disse fechando a porta atras de si — Mas que tal aproveitarmos?

Pegou em seu bolso uma camisinha. A menina olhou com estranheza para aquilo, não eram normais naquela época. E com certeza não eram daquele jeito. Joseph tirou sua camisa e se deitou na cama com Marie.

É totalmente irrelevante para a história o que aqueles dois fizeram naquele quarto. Além de ser muito promiscuo. Se quiser detalhes do que aconteceu ali, recomendo que vá ver um filme pornô. Os detalhes irão lhe fascinar.

Existe uma teoria que o tempo inteiro já está pré-escrito. Porém os viajantes do tempo são uma exceção a essa regra. Eles, mesmo que acidentalmente, acabam mudando o passado. Após um viajante do tempo quase matar o inventor da máquina do tempo, as viagens começaram a serem monitoradas por um esquadrão de viajantes que monitoram cada atividade na linha temporal. Reescrever o passado parecia ser perigoso. Outro trecho do manual do viajante do tempo diz: “Não mate seus avós, não mate o seu eu do passado. Não mate inventores importantes. Tente não matar ninguém.”. Joseph estava longe de matar alguém, mas estava perto de reescrever o futuro.

Após terminar seu “trabalho”, Joseph acendeu um cigarro e ficou deitado ao lado de Marie. Ele riu.

– Eu disse que era grande.

– Pare de ser convencido.

– Marie, eu preciso que você me faça um favor.

– Não vou fazer nenhuma posição estranha, que fique claro – disse rindo, porém notou que ele estava falando sério – O que?

– Tudo isso parece ser muito real – ele olhou para seu membro – Realmente, muito real. Mas não sei, é tão fantasioso... – Joseph olhou nos olhos da menina – Preciso que você escreva uma carta para mim, contando como foi sua vida, depois que eu sai por aquela porta. Diga que eu tenho que me deitar com você.

– E você vai ler como? Você mesmo disse que vai voltar para seu tempo depois.

– Você vai enterrar em um lugar que eu estive recentemente. Eu acho que pode dar certo... Você promete fazer isso? Vou deixar o endereço marcado em um papel.

– Eu o farei, mesmo sem saber se você vai receber.

Se beijaram longamente. Joseph se levantou e se vestiu e saiu sem dizer nada. Ao chegar na parte ficou tonto. Novas memorias, mas aparentemente mais antigas invadiram sua mente. Viu a cova de Tobi, mas agora lá havia uma caixa com cartas. Retirou a caixa e enterrou o cachorro. Em poucos segundos a lembrança do buraco vazio abandou a mente de Joseph. O tempo havia sido reescrito.

“Joseph, creio que ,do ponto que você esta, ainda não me conhece. Sou Marie Evans, uma mulher de 1896. Você em breve ira viajar no tempo e irá me encontrar e ira se deitar comigo uma vez. Será grandioso.

Você disse que nessa carta eu deveria escrever sobre meu futuro. Tive uma vida boa depois de sua partida. Me casei obrigada com um homem rico. Tivemos três filhos, dois garotos e uma menina. Meus meninos estão em terras distantes, viajando o mundo, não tenho noticias deles a um bom tempo. Minha menina permanece ao meu lado em meu leito de morte. A proposito, enquanto escrevo essa carta, sinto que minha vida esta chegando ao fim. Espero que minha filha enterre a carta no lugar indicado, e que você encontre. Saiba que sempre te amei. E te amarei por todo o tempo, meu viajante.”

Haviam outras cartas, contando de detalhes da vida de Marie, uma vida não muito feliz. Joseph por um momento se sentiu culpado, mas não podia levar uma mulher de 1896 para 1985.

– Seja feliz Marie...

E saiu pela porta.

Doutor Taylor já o esteva esperando em frente ao carro. O guarda que acompanhou Joseph até a saida parecia nervoso. Com certeza falta de sexo.

– Pensei que havia morrido Joseph – gritou o velho – Não pode sumir por ai.

–Desculpe doutor – entrou na kombi e acendeu outro cigarro – Espero que tenha aproveitado o chá com a rainha.

– Sim, foi legal. Ela é bem curiosa e ficou fascinada com as coisas do futuro –Adam riu – Se é que me entende.

– Entendo doutor – Joseph se soltou fumaça – Então vamos para onde agora?

– Não vou ficar te levando para passear não garoto – fez uma carreta – Ainda mais para você sumir debaixo de saias de garotas do passado.

– Você transou com a Rainha da Inglaterra!

– Ela me agarrou. Que fique claro – pisou no acelerador – Você vai voltar para casa.

Pelo fato de ambos estarem mais lúcidos nessa segunda viagem ela fez mais efeitos colaterais. Resultando em um estofado de carro sujo de restos de almoço.

Doutor Adam tinha como objetivo devolver Joseph para sua casa em 1985. Mas o fato é que Londres não existia mais. Ao descerem do carro se viram em meio a destroços de uma cidade. A torre do big ben estava agora caida no meio da cidade, ao redor de prédios destruídos. O céu estava tomado por uma fumaça vermelha. Era visível diversos incêndios por todos os lados. Gritos de dor pairavam no ar. Os prédios que ainda estavam de pé estavam prestes a desabar. A água do rio Tamisa parecia tingida de sangue.

– Doutor, certeza que estamos em 1985? – Joseph estava com medo – Acho que estamos em um futuro apocalíptico...

– Não Joseph... – o velho apontou para um dirigível que sobrevoava aquela destruição – olhe para aquilo.

Pendurado no dirigível estava uma enorme bandeira branca. E desenhado no centro, uma pirâmide com um olho no topo. Embaixo estava escrito “Estamos de Olho, 1985-Infinito”.

Eles não sabiam, mas era muito pior do que podiam imaginar.

Notas finais
Sem mais. Até a próxima.