Na Sombra Do Passado

4 Capítulo 3 - Monstro do Lago Ness


Notas iniciais
Oi gente, primeiramente quero agradecer todas as denuncias contra o plágio de ALL. O plágio foi deletado algumas horas depois. Fiquei muito chateada, plagiar já é uma grande sacanagem com os autores, mas plagiar uma fic em que eu fiquei 3 anos escrevendo é uma sacanagem maior ainda. Por isso digam NÃO ao plágio. Chega dessa palhaçada.
Mas vamos ao capítulo novo, espero que vocês gostem :)

3 — Monstro do lago Ness

POV Sam

Definitivamente foi o caso mais rápido que solucionamos. E isso se deve a Mary estar conosco. Ela capta as coisas muito rapidamente, parece uma antena atenta a qualquer sinal suspeito. Dean também deve concordar comigo, apesar de que no momento os dois estão em uma guerrinha particular.

Desde que saímos daquela cidade onde o boneco assassino nos deu uma surra, Mary e Dean vinham discutindo. Me concentrei no tablet em minha frente procurando um próximo caso. Meu irmão dirigia, mas ele estava mais concentrado em olhar para Mary através do retrovisor do que na estrada. A garota também não deixava barato e não parava de provocar. Eu apenas segurava o riso, até finalmente achar algo que me chamou a atenção.

- Hey! Escutem essa, 3 pessoas estão desaparecidas após passarem a noite perto do lago Ticai, o irmão de uma das vítimas e único a não desaparecer jura que sua irmã e seus pais foram pegos pelo monstro do lago Ness.

- Seria o monstro do lago Ticai. — Dean deu um sorriso largo.

- Não Dean. — Mary disse com cara de dor após a péssima piada. — Essa foi horrível.

Revirei meus olhos.

- Até aí na notícia tudo bem, nada que realmente nos leve a crer que seja algo sobrenatural. Mas tem uma gravação do som que o tal monstro emite.

Cliquei no link e o som ecoou no carro. Era um forte rugido que não parecia ser de nenhum animal conhecido, a gravação estava extremamente falha.

- Essa interferência é meio suspeita... Tenta tirar o rugido Sam, deixa só a interferência tocar. — pediu Mary com o cenho franzido.

Em alguns minutos fiz o que ela pediu e coloquei para tocar novamente.

- Vamos brincar... Não respire... Não respire... Não respire... — uma voz infantil sussurrava.

- Fantasma. — dissemos os três juntos.

- Vamos ao lago Ticai. — cantarolou Dean acelerando o carro e ligando o som em um velho sucesso do ACDC.

Dormi até chegarmos em uma lanchonete. Fizemos um lanche e então eu assumi a direção durante a noite. Pude escutar a música que eu queria já que Dean dormiu ao meu lado e Mary se esticou no banco de trás dormindo também.

Não demorou muito para escutar Mary falar. Que hilário a menina fala dormindo. Ela falou meu nome, o nome de Dean e em seguida um risonho "amador". Sorri com seus murmúrios, mas meus dentes ficaram escondidos quando ela se agitou em seu sono.

- Não! — suplicava. — Por favor, não!

Sua voz estava alta acordando Dean. Meu irmão olhou para os lados preocupado com o que escutara.

- Não! — continuava Mary.

- É melhor acordá-la. — pedi a ele que assentiu preocupado.

- Não me deixa! Você prometeu! — sua voz estava chorosa e Dean se esticou no banco para sacudi-la. — Não! Deixa minha mãe em paz! Papai! Não! Phil!

- Mary! Acorda!

Pelo espelho retrovisor eu avistei seu rosto completamente devastado. As lágrimas molhavam o seu rosto e seus olhos demonstravam tanto sofrimento que eu me assustei.

Dean a olhava seriamente analisando os olhos da garota. Mas ela não permitiu que ele o fizesse por muito tempo, pois encolheu as pernas de encontro ao peito e escondeu o rosto em seus joelhos.

- Que merda de música é essa Sammy?! Tão ruim que dá até pesadelos!

POV Bella

Deixei que minha boca entortasse em um pequeno sorriso, mesmo que ele não pudesse ver. Dean era doce ao seu modo. Concentrei meus pensamentos no rock pesado que os rapazes colocaram tentando reprimir meu choro compulsivo e o desespero em meu coração.

Já fazia algum tempo que eu não tinha esse pesadelo, eu vinha dormindo tão mal que acho que nem tinha tempo para realmente sonhar com qualquer coisa. Mas agora com os dois eu me sinto mais tranquila para realmente relaxar enquanto durmo. E esse foi meu pior erro.

A lembrança não saía de minha cabeça e as lágrimas não paravam de escorrer silenciosas por minhas bochechas. Eu só queria poder esquecê-lo, pois cada vez que eu penso em seu rosto meu corpo reclama em dor, e a dor só aumenta, pois ele foi como o primeiro dominó a cair de uma sequencia que parecia interminável em minha vida. A sequência parece ter terminado, mas a dor prevalece como facadas em meu coração.

Senti o carro parar e ergui minha cabeça limpando meu rosto. Percebi que o dia já clareava e nós estávamos parados no estacionamento de uma lanchonete. Saí do carro tentando ignorar os olhares preocupados dos rapazes. Eu sabia que eles um dia iriam querer explicações, mas eu não estava preparada para isso agora. Tudo o que eu queria era esquecer.

Quando fui sair do carro meu pé enroscou no cinto de segurança e eu fui com tudo para o chão.

- Mary! — alertou-se Sam vindo me ajudar em seguida.

Dean gargalhava com a minha queda. Bufei me levantando com as mãos raladas e sem nenhuma dignidade. Segui para a lanchonete pisando duro e tropecei mais uma vez na escada. Dessa vez nem Sam conseguiu se controlar e soltou um risinho também.

Perguntei a atendente onde tinha um banheiro e me dirigi para lá imediatamente. Lavei o sangue misturado com terra de minhas mãos e depois o meu rosto. Olhando-me no espelho percebi meu rosto inchado de tanto chorar, meu nariz estava um pouco vermelho e meus olhos sem nenhuma vida. Como se eu realmente tivesse uma.

- Eu queria que você estivesse aqui Cas... — murmurei baixinho.

Castiel poderia ter todas as suas estranhezas como anjo, mas ainda sim era o único amigo que conhecia toda minha história. Eu poderia contar com seu abraço desajeitado e reconfortante.

- É um absurdo o garoto não ser preso após matar a família! — comentava uma mulher com outra ao entrarem no banheiro.

- Não há provas Cristty. E ele disse que não sairia da casa até provar que o monstro realmente existia.

- Ah! Por favor, Cassie! Você realmente acha que ele vai tirar alguma foto? Ele está mais preocupado em se livrar da prisão alegando insanidade!

Deixei as duas fofocando e saí do banheiro procurando os rapazes. Logo os encontrei em uma mesa afastada, parecia que discutiam.

- Como pode existir um lugar desses? — bufava Dean.

- O que aconteceu? — perguntei ao me sentar ao lado de Sam.

- Dean está resmungando porque não tem torta. — explicou.

Revirei meus olhos. Dean parecia viciado em torta.

Um garoto que aparentava ter seus 17 anos veio nos atender, mas seu olhar era fixo em mim. Ele até que era bonitinho, mas seus cabelos eram tão pretos e tão cheios de gel. Seus olhos tão azuis e sua pele tão natural! Argh! Para com isso Isabella Mary Swan!

- Oi eu sou Kevin. O que vão querer? — perguntou sorridente.

- Dois x-burgue e uma coca grande para mim. — Dean fez seu pedido.

- Um sanduíche natural e um suco de laranja médio. — pediu Sam.

- O que sugere para mim Kevin? — o olhei sob os cílios.

- Be... Bem... — gaguejou. — Que tal panquecas com cobertura de amoras? É nossa especialidade.

- Hum... Minhas preferidas. Me trás um suco de laranja também. — sorri lhe mandando uma piscadela.

- Cla... Claro! — sorriu brilhante disparando para a cozinha.

Virei-me para os rapazes.

- Que bom que não atrapalhamos a sua paquera. — bufou Dean.

- Own paixão! Não fique com ciúmes.

Ele revirou os olhos enquanto Sam ria.

- Hey Sam, conseguiu alguma informação sobre a casa do lago Ticai? — perguntei curiosa.

- Nada de assassinatos, suicídios ou qualquer morte por perto. — respondeu frustrado.

- Ouvi uma conversa no banheiro, parece que o filho ainda está na casa. Ele quer provar que o monstro existe.

- Parece que nossa próxima parada é na casa do lago Ticai. Vamos falar com o moleque.

Não pudemos continuar com o assunto, pois Kevin chegou equilibrando nossos pedidos.

- Obrigada. — agradeci tocando seu braço.

O garoto estremeceu. Sam abafou uma risada com uma tosse.

- Kevin, você por acaso conhece o lago Ticai? — perguntei sorrindo.

- Todos da cidade conhecem... — respondeu meio incomodado.

- E como é lá? Tem algum lugar em que se possa curtir a dois? — apoiei meu cotovelo na mesa e meu rosto em minha mão para não rir junto com os rapazes que abafavam seus risos com os seus sanduíches, afinal o garoto ficou extremamente vermelho.

Kevin limpou a garganta e cruzou os braços no peito para tentar exaltar os músculos inexistentes.

- Bem... Tem uma casa, mas está ocupada por um lunático. Mas não creio que seja um lugar muito bom para se curtir.

- Por que diz isso?

- É meio assustador. — respondeu meio envergonhado.

- E você não pode me proteger?

Eu estava sendo má, pobre garoto estava em níveis de vermelho que nem o meu rosto poderia chegar.

- Me diga Kevin, o que de tão assustador acontece por lá?

- Bem... Alguns sons estranhos e alguns casos de desaparecimento, provavelmente algum lunático se aproveita das garotas que vão sozinhas.

- Nenhuma história do além? — perguntei brincando.

- Tem uma lenda... — mudei minha postura lançando um olhar rápido para Dean que estava sentado a minha frente.

Kevin murchou completamente.

- Você não é uma daquelas repórteres atrás de alguma notícia "sobrenatural" é? — perguntou já sabendo a resposta.

- Culpada, desculpe. — sorri sem graça. — Me de uma ajudinha Kevin, não aguento mais esse setor da revista, preciso fazer uma matéria boa sobre uma lenda local. Meu chefe me prometeu uma promoção. — olhei com súplica.

Ele suspirou.

- Há 50 anos uma garota foi morta pelo seu pai. Parece que ele levava a criança para o lago a noite para nadar e brincavam de prender a respiração. Um dia o homem teve um surto e afogou a garota. Dizem então que qualquer um que se aproxime do lago é convidado para brincar com a garotinha e acaba nunca mais voltando.

- É uma boa história. — sorri.

- Kevin! Mesa 18! — gritou uma mulher do balcão.

Assim que ficamos a sós abocanhei minhas panquecas, estava morta de fome e o garoto estava certo, estavam deliciosas.

- A história bate com a gravação. — Sam tomou o último gole de seu suco.

- Procura o nome da garota. — pediu Dean.

- Eu não encontrei nenhuma notícia sobre assassinatos.

- Talvez desaparecimento... — disse o mais velho. — Kevin disse que era uma lenda, nunca foi provado que o pai matou a garota.

Enquanto Sam procurava em seu tablet eu me concentrei em meu café da manhã.

- Você estava certo Dean.

Dean me lançou um sorriso superior. Revirei meus olhos.

- Amanda Philips foi encontrada morta numa cidade próxima, mas enterrada no cemitério daqui. A causa da morte foi afogamento.

- É melhor corrermos para o lago, o garoto ainda procura o monstro do lago Ness. — Dean levantou-se.

- Vão para o lago, eu vou até o cemitério. — assentimos para Sam e corremos para o carro.

Meu companheiro de viagem acelerou com tudo. Seguimos por uma estrada de terra toda esburacada que me vazia pular no banco.

POV Sam

Corri para o cemitério da cidade, não foi difícil de achá-lo. Arrombei a casinha onde o coveiro guardava suas coisas e roubei a pá. Meus olhos correram por todas as lápides, procurando desesperado por Amanda Philips.

- Finalmente! — gritei ao achar.

Então o verdadeiro trabalho começou... Cavar a cova. Eu odeio o meu trabalho.

POV Dean

O dia ainda estava claro e a casa de madeira silenciosa. Troquei um olhar com Mary avisando que eu iria ver dentro, ela assentiu já caminhando por fora. Em suas mãos um pé-de-cabra de ferro, assim como o meu.

Entrei com cuidado.

- Alguém em casa? — perguntei alto.

Não tive nenhuma resposta ou qualquer sinal de fantasma. Depois de revistar todos os cômodos e não encontrar nada além de roupas e câmeras fotográficas segui para fora.

Olhei em direção ao lago. Mary corria em direção ao fantasma que segurava um homem com no máximo 20 anos pelas mãos o levando a beira do píer.

Meus olhos arregalaram quando a garota tropeçou e caiu no chão. A sorte foi que o pé-de-cabra voou de suas mãos acertando em cheio a garotinha fantasma.

Eu não pude acreditar naquilo. Posso conhecê-la há pouco tempo, mas ela não é descuidada desse jeito. E Mary ficou assim depois do seu pesadelo. Algo a incomodou muito no passado.

Mary levantou-se e puxou o cara pelo braço o mandando correr para a casa. Corri na direção deles e hoje definitivamente não era o dia de sorte de Mary.

Uma corrente saiu do lago e enrolou-se nas pernas dela, a puxando em seguida em direção à água.

- Dean! — gritou antes que fosse puxada para o fundo.

Corri e pulei no lago. Procurei pela água escura e finalmente a encontrei tentando soltar a corrente de seus tornozelos. Nadei até ela e enfiei o pé-de-cabra entre a corrente e sua perna tentando de alguma forma fazer uma alavanca. Mas por mais força que eu fizesse não conseguia alargar o suficiente para soltá-la.

Mary começou a me empurrar. Olhei-a sem entender e ela simplesmente soltou o ar de sua boca. Ela estava desistindo! Sammy! Anda logo!

Nadei para a superfície puxando o ar com força e então voltei para Mary. Seus olhos estavam fechados com força e seu rosto demonstrava dor. Simplesmente colei minha boca a dela e soprei o ar para dentro.

Seus olhos arregalaram.

- Não desista! — falei embaixo d'água e subi novamente buscar mais ar.

Voltei soprando ar para a sua boca novamente e tentei forçar o pé-de-cabra novamente. Estava a ponto de conseguir quando a fantasminha apareceu novamente fazendo um redemoinho aparecer na água e me empurrar para longe de Mary. O pé-de-cabra tinha ido para o fundo.

Subi mais uma vez para buscar ar. Teríamos que esperar Sam botar fogo nos ossos da garota para que ela soltasse a corrente. Desci para repetir meu ato. Mary me olhava tristemente, ela não aguentaria por muito mais tempo. A fantasma vinha em nossa direção, abracei Mary com força para que eu não fosse mandado para longe mais uma vez. Mas antes que algo pudesse acontecer a garotinha virou uma chama estranha e desapareceu.

Finalmente Sam tinha colocado fogo nos ossos.

A corrente simplesmente escorregou pelas pernas de Mary que não tinha forças para nadar.

A puxei para cima e enfim emergimos. Respirei fundo recuperando o fôlego enquanto Mary tossia abraçada a mim.

POV Bella

Nunca imaginei que Dean lutaria por tanto tempo para me manter viva. E ele conseguiu.

Minha tosse finalmente parou e eu descansei meu queixo em seu ombro.

- Você está bem? — perguntou com sua voz mais rouca que o normal.

- Sim. Obrigada. — murmurei.

Ele então segurou meus ombros e me afastou para olhar diretamente seu rosto.

- Presta atenção aqui Mary. — sua voz tinha uma fúria contida. — Eu não sei o que aconteceu em seu passado, mas tenho certeza que foi horrível. Mas não pode se distrair cada vez que tiver pesadelos com ele. Nosso trabalho depende da nossa atenção. Não pode arriscar sua vida desse jeito! Todos temos pesadelos, mas lembra que seja qual for a memória nós já passamos por aquilo e sobrevivemos. Somos mais fortes.

- Eu não queria ter sobrevivido. — sussurrei.

- Mas tenho certeza que sua família sim.

- Se meu pai soubesse o que aconteceu comigo tenho certeza que ele preferiria que eu tivesse morrido junto com ele. — sussurrei tentando conter o pavor que sentia cada vez que todas aquelas memórias me invadiam.

Dean reconheceu algo em meu olhar. Algo que somente ele poderia perceber e me abraçou forte. Deixei que as lágrimas voltassem a escorrer. Seu abraço era quente e me fazia sentir segura de um modo que há muito tempo não me sinto.

- O que aconteceu com você? — perguntou.

- Algo terrível. — sussurrei. — Algo que aconteceu com você também.

Seu abraço tornou-se ainda mais apertado.

- Hey! Vocês estão bem?! — o rapaz no píer gritou.

Resolvemos então sair da água fria. Apoiei-me em Dean já que eu estava sem força nas pernas, acho que não conseguiria andar.

- Dá uma ajuda cara. — pediu ele me empurrando para o píer de madeira.

O rapaz segurou minha mão e me puxou para cima. Tentei levantar, mas como eu imaginei antes eu não conseguiria andar.

- O que era aquela garotinha?!

Puxei a barra da minha calça para ver o tamanho do estrago.

- Era um fantasma. — respondi com uma careta ao ver as marcas rochas, maldita pele branca!

- E vocês são o que? Caçadores de fantasmas?

- Exatamente, fazemos parte de uma agencia secreta que cuida dos fantasmas do mundo. — olhei incrédula para Dean.

Ele tinha tanta seriedade no rosto que até eu quase acreditei.

- Sério?! E como eu faço para entrar?!

Levei minha mão ao meu rosto. Aquilo já era demais.

- Desculpe garoto, é coisa de família... O governo só chama quem tem um traço genético especial.

- Er... Dean... Acho que Sam está nos esperando.

- Claro... Eu fosse você garoto, parava de procurar monstros e procurava a polícia... Acho que sua família pode estar no lago... É só uma sugestão. E se perguntarem você nunca nos viu. — Dean falava a sério desta vez. — Vamos Mary.

- Dean... — murmurei constrangida. — Não consigo andar.

Ele me olhou sorrindo safado. Bufei.

Dean me pegou no colo, a água pingava ao chão enquanto ele me levava até o carro. Meu rosto estava virado para o lado, pois não queria que ele visse as minhas bochechas vermelhas. Sim, eu sei que passamos por um momento lá na água onde não existiam ironias ou constrangimentos, com apenas duas pessoas se apoiando mutuamente. Mas agora a situação era totalmente diferente e eu tenho certeza que não tocaríamos naquele assunto tão cedo.

Ele me colocou sob o capo e ficou entre as minhas pernas se aproximando perigosamente.

- Vai continuar me chamando de amador? — perguntou próximo ao meu rosto.

Sorri sínica.

- O fato de ter salvo a minha vida não muda o fato de ser um amador.

Dean riu sem humor e afastou-se um pouco. Sua feição estava frustrada.

- Me chama de amador, mas estou na estrada há muito mais tempo que você.

- Tem certeza disso? — perguntei sorrindo.

- É claro! Mesmo que você tenha começado a caçar quando criança não teria tanta experiência quanto eu. Você tem quantos anos? 19, 20 no máximo? — sorri mais largamente, ele nem fazia ideia.

Ele franziu a testa ao perceber meu olhar superior.

- Tem menos? — neguei. — Mais? — arregalou os olhos.

Gargalhei.

- Não sabe que perguntar a idade a uma mulher é falta de respeito? Agora vamos logo antes que Sam venha à pé até aqui.

Dean me olhava desconfiado ao me ajudar a entrar no carro. Soltou alguns resmungos por molhar o banco, mas não tínhamos muita escolha. Durante o trajeto fiquei pensativa, lembrando das coisas que Dean me faz sentir. Não posso negar que ele é lindo com seu corpo todo definido, voz rouca e olhos verdes. Ele me faz sentir segura e me faz rir das besteiras que fala. Sei que um grande carinho cresce em meu coração por ele. Não só por ele, mas também por Sam que não era inferior em beleza em relação ao irmão. Porém seu jeito totalmente diferente e ao mesmo tempo encantador conquistara o meu carinho.

Porém nessa vida que levamos sei que é muito difícil se apegar a pessoas. Evitamos ao máximo, pois sabemos que a qualquer momento podemos perder essa pessoa. É difícil amar, é difícil se despedir, mas o mais difícil é viver na solidão. E são tantos anos na solidão que eu vou me permitir amar esses dois rapazes como se fossem meus irmãos de sangue. E rezo para que eu não me machuque mais uma vez.

Notas finais
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