Na Sombra Do Passado
28 Capítulo 27 - Fantasmas e Decisões
Notas iniciais
27 — Fantasmas e Decisões
POV Sam
Nunca a viagem para uma caçada fora tão silenciosa. Dean estava sério. Ele estava preocupado com Lisa e Ben, mal conseguia esconder sua expressão. Volte e meia ele levava a mão ao rosto e mudava sua expressão para dor. O tapa de Jéssica deve realmente ter doído.
Já Mary ficou observando a paisagem, mas eu duvidada que ela realmente estivesse vendo alguma coisa. Seus pensamentos estavam distantes, ou melhor, deveriam estar no vampiro que ela deixou para trás.
Honestamente pensei que ela não voltaria com a gente. Pensei que ela ficaria com o seu grande amor. Qualquer caçador escolheria ficar com a família, ainda mais se essa família fosse nula a qualquer ataque do sobrenatural. Eles eram fortes e resistentes o suficiente para que nada de ruim lhes acontecesse. Talvez não tivessem o conhecimento que temos, mas com certeza não ficariam em perigo.
- Porque veio conosco Mary? — não consegui segurar a pergunta.
Dean me olhou de esguelha, mas o ignorei.
A caçadora ficou em silêncio por alguns segundos e então respondeu.
- Não sou mais uma adolescente doente de amores que troca tudo por causa da paixonite. Eu tenho uma vida Sam. Não posso larga-la simplesmente.
Não quis retrucar. Sua voz soou firme como se ela tivesse absoluta certeza de suas palavras, mas eu poderia muito bem dar alguns argumentos que lhe contradiziam.
Voltamos ao silêncio. Suspirei.
Seu eu me apaixonasse e essa pessoa fosse tão resistente quanto os Cullen a qualquer ataque sobrenatural eu largaria tudo para ficar com ela. Não é segredo para ninguém que eu nunca gostei da vida de caçador. Trocaria essa vida facilmente por uma casinha simples, um emprego mediano e uma esposa me esperando para jantarmos juntos. O problema é que nunca poderei ter uma vida normal, pois toda vez que chego perto disso alguma desgraça acontece.
Eu não tinha escolha, mas Mary tinha e eu não conseguia entender o porquê dela escolher esse caminho.
[...]
POV Dean
Não demoramos mais de quatro horas para chegarmos a Battle Creek, Michigan. Meu estômago estava embrulhado com a possibilidade de reencontrar Lisa. Eu parecia a droga de uma mulherzinha! Mas porra! Fazia anos que eu não a via.
Limpei a garganta ao estacionar na frente de um motel barato. Logo desci do carro seguido por Sammy e pela apática Mary que sequer gastou saliva para me provocar. Eu também não entendia o porquê dela continuar nessa vida. Por mais que eu goste da ação e de arrancar algumas cabeças de demônios, é muito bom ter uma vida normal.
Lembro-me do tempo que passei vivendo com Lisa e Ben. Vivendo como marido e mulher, aconselhando Ben como se ele fosse meu filho de sangue. Cortando a grama sábado de manhã e indo ao churrasco dos vizinhos no domingo a tarde, trabalhando como mecânico durante a semana e o melhor de tudo dormir nas mesma cama todas as noites com uma linda mulher ao seu lado. Foi o momento mais feliz da minha vida, só não foi mais feliz, pois eu acreditava que Sammy estava morto.
Nos acomodamos no quarto e então liguei para Ben que me pediu para jantarmos em sua casa. Tentei recusar, não estava preparado para rever Lisa, mas o garoto era insistente e acabou me convencendo. Trocamos de roupa e seguimos até a casa muito conhecida por mim.
- Tudo bem Dean? — perguntou Mary.
- E porque não estaria? — retruquei.
- Porque você está há um tempão com o dedo perto da campainha e não a aperta de uma vez.
Limpei a garganta e apertei a droga da campainha.
Prendi minha respiração quando a porta se abriu e deu espaço a morena que mesmo um pouquinho mais velha não deixava de ser linda aos meus olhos. Seus cabelos estavam mais curtos, mas continuavam negros como a noite. O nariz fino e reto, as bochechas salientes, a boca bem desenhada... Subi meu olhar para os seus olhos escuros que me fitavam intensamente. Porra!
Escutei um limpar de garganta e Lisa tirou seus olhos dos meus.
- Dean. — disse baixo.
- Como vai Lisa?
Ela limpou a garganta e deu espaço nos indicando a entrada.
- Ben disse que vocês viriam.
- Espero que não estejamos incomodando. — Sam tomou as rédeas da conversa.
- Não incomodam. — Lisa sorriu lindamente.
- Essa é Mary, uma amiga nossa e também caçadora.
- É uma prazer. — Mary a cumprimentou de maneira simpática.
- Onde está Ben? — perguntei.
- Tomando banho. — assenti.
Me dirigi até o sofá e sorri ao sentir o cheiro da comida.
POV Bella
Eu já tinha visto uma foto de Lisa e Ben, mas tenho que dizer que realmente ela era muito bonita e nada parecida com o tipo de mulher que eu estava acostumada a ver Dean sair.
Ela pediu licença e seguiu para a cozinha desligar o fogão.
- A baba está escorrendo paixão. — provoquei.
Ele me mandou o dedo com uma feição irritada. Sorri, mas não pude evitar que a tristeza se apoderasse do meu coração. Droga! Eu estava com saudades de Edward. Sentia falta de seus braços de mármore a minha volta.
- Hey garoto! — a voz animada do caçador me chamou a atenção.
Ele abraçava um adolescente que já passava da altura de Dean.
- Você cresceu!
- E você envelheceu!
- Olha o respeito moleque! — Dean o pegou em uma chave de braço e bagunçou seus cabelos.
Sorri com a cena e notei que Lisa observava sorrindo também. Era tão óbvio a nostalgia em seu olhar.
- O jantar está na mesa. — avisou ela.
- Quem é a gata? — perguntou Ben ao me olhar.
Não consegui responder, pois fiquei chocada demais com a semelhança entre o caçador e o adolescente. Os traços eram idênticos, a única coisa que os diferenciava eram os olhos escuros como os de Lisa.
- Essa é Mary, amiga nossa. Mas não mexe com ela garoto, é muito velha para você.
Olhei com tédio para o caçador que logo, logo seria incapaz de ter filhos.
- Não vou lhe responder por respeito a Lisa.
Ele sorriu provocativo e eu revirei meus olhos seguindo para a mesa de jantar.
A refeição foi leve apesar do tema. Ben começou a relatar tudo o que tinha acontecido quando viu o fantasma. Dean o provocou por causa da garota. Foi engraçado ver o adolescente com o rosto queimando de vergonha.
Após a sobremesa que foi torta de morangos e Dean nos matar de vergonha, eu e Sam começamos a planejar a pesquisa. O mais velho levantou-se da mesa e ajudou Lisa a retirar os pratos sujos, sua prestabilidade me surpreendeu, mas quando os dois demoraram a voltar percebi que só era um jeito dos dois ficarem a sós para “conversar”.
Olhei para Sam significativamente e tratamos de incluir Ben na conversa, brincando com ele ou pedindo detalhes da tal biblioteca.
POV Dean
Assim que Lisa colocou a louça dentro da pia eu não consegui me controlar. Virei seu corpo e a beijei. Por um momento ela ficou tensa em meus braços, mas no outro ela já correspondia com tanta ou mais intensidade que eu. Suas mãos agarravam meu pescoço com força. Já eu a puxava cada vez mais forte contra mim.
Segurando sua nuca com uma de minhas mãos e sua cintura com a outra, a puxei para cima a prensando contra o balcão. Só que quando eu pensei que as coisas iam esquentar ela afastou sua boca da minha.
- Você molhou minha bunda. — falou ofegante.
Me afastei sem entender então percebi que eu a tinha colocado em cima da pia.
- Desculpe. — puxei-a de volta beijando sua bochecha.
Lisa sorriu com aquele seu jeito doce.
- Não tem problema.
Fiquei olhando seu rosto. Caramba eu senti tanta falta disso. Falta de olhar seu rosto todos os dias. Até de suas reclamações quando eu a agarrava no meio de alguma tarefa doméstica e algo, como ela molhar a bunda na pia, acontecia.
- Eu senti sua falta. — disse.
- Eu ainda sinto sua falta. — respondeu ela de maneira séria. — Ben sente sua falta. Sei que não pode abandonar seu trabalho, mas você poderia vir nos visitar mais vezes. Passar alguns dias conosco ao final de algum caso...
- Eu não quero colocar vocês dois em perigo Lisa. Você sabe que eu tenho muitos inimigos e inimigos que não são humanos. Não quero vocês dois no meio dessa merda!
Lisa suspirou resignada e encostou sua cabeça em meu peito.
A abracei querendo que eu tivesse nascido em uma outra família, em uma família normal, então eu teria uma vida que eu poderia dedicar exclusivamente a mulher em meus braços. Mas a vida não era assim. Eu era a porra de um caçador e teria que lidar com isso.
POV Sam
Definitivamente essa é a caçada mais depressiva que estamos fazendo. Após a noite de ontem ficamos os três calados demais. Meu irmão obviamente ficou mexido por rever Lisa, Mary estava triste por estar longe de seu vampiro. E eu estava começando a me deprimir com o desânimo dos dois.
Estávamos agora em frente à biblioteca que fora interditada pela queda de uma parede. Segundo Ben fora o fantasma que causará todo aquele problema. Com barras de ferro, armas carregadas com balas de sal e pás pulamos o portão da biblioteca.
Pesquisei muito hoje durante o dia. Descobri que a biblioteca antes fora um grande casarão que abrigava um conde e sua grande família. Por causa do péssimo humor do conde, seus filhos e netos partiram sobrando apenas ele e a esposa que morreu pouco tempo depois devido a uma grave doença pulmonar.
O conde viveu anos na solidão até falecer. Pediu em testamento que seu corpo fosse enterrado nos fundos da casa ao lado do corpo da esposa que fora a única que permaneceu com ele. O outro pedido foi que a família voltasse a se reunir e morasse novamente na casa. Ao que parece ninguém gostou muito da ideia e cumpriram apenas a primeira exigência. Por isso o conde continuava a assombrar o local.
Demos a volta no casarão indo diretamente para o enorme jardim nos fundos.
- Bom trabalho garotos. – desejou Mary sorrindo cínica enquanto sentava-se sobre a lápide da esposa do conde.
Dean bufou olhando a caçadora distraída com as próprias unhas.
Suspirei e me pus a cavar. 3 palmos cavados depois Mary gritou caindo ao chão. O fantasma a atacava.
Estava prestes a ir ajudar quando ela gritou.
- Continuem cavando! Vou distraí-lo. – então atirou no fantasma que sumiu de sua frente.
Ela se colocou na frente do túmulo pronta para atacar enquanto eu e meu irmão acelerávamos o ritmo. Finalmente conseguimos achar o caixão. Quebramos a tampa encontrando o esqueleto do conde.
- Rápido garotos! – grunhiu Mary.
Joguei a gasolina e Dean o fósforo. O fantasma desapareceu antes que pudesse fazer mais mal do que já tinha causado.
- Parece que Ben vai poder namorar em paz agora. – Dean sorriu.
Seguimos de volta para o hotel e de manhã cedo fomos para a casa de Lisa avisar que tudo estava resolvido.
- Eu acho que poderíamos dar uma parada por aqui... – comentou Dean.
Poderia até ter me surpreendido, mas no fundo acho que já sabia que meu irmão viria com novidades. Porém Mary o olhava surpreendida.
- Não vejo problema. – sorri provocativo.
Dean me mandou o dedo.
Paramos com a brincadeira quando percebemos o silêncio da caçadora.
- Não vou parar de caçar, acho que nem conseguiria. Mas eu preciso desse tempo com Lisa.
Mary assentiu e sorriu um tanto forçado.
- Acho que é hora de tomarmos decisões não é? Acho que devo seguir o meu caminho.
- Vai voltar a caçar sozinha? – perguntei espantado.
- Eu não sei Sam... Honestamente, eu me sinto completamente perdida. Não sei qual é o caminho certo a seguir. Eu só sei que sinto que nesse momento eu não posso continuar com vocês.
Dean se precipitou até ela e a abraçou. Ele sussurrou algo no ouvido da caçadora que a fez gargalhar. Os dois se soltaram e Mary sorriu tentando conter as lágrimas.
- Tchau paixão.
Mary então veio me abraçar.
- Você é o cara mais gentil que eu conheci Sam. Tornou as caçadas muito mais leves do que realmente eram. Obrigada por tudo.
- Você é incrível Mary. A melhor caçadora que conheci. Você merece ser feliz, não se prenda a falsas obrigações. – aconselhei.
- Obrigada. – agradeceu ao se afastar. – Digam tchau a Lisa e Ben por mim.
A caçadora deu alguns passos para trás sorrindo um pouco mais verdadeiramente.
- Vou sentir falta de vocês amadores. – mandou uma piscadela e deu as costas.
Nós também sentiríamos.
[...]
POV Edward
Já fazia dois meses que Bella decidira por me deixar. Por mais que eu soubesse que merecia essa revidada eu me sentia um lixo. E por mais que eu tirasse a paciência de Alice pedindo para que ela tentasse avistar Bella para que eu fosse ao seu encontro de nada adiantava. Alice não conseguia ver o local em que ela estava. A única visão que ela teve foi de minha caçadora se despedindo dos Winchester. Ao que tudo indica ela decidiu por caçar sozinha.
Para ajudar toda a nossa família estava preocupada, pois os Volturi mandaram uma carta um tanto curiosa e se fossemos inocentes não teríamos notado a ameaça escondida entre as palavras.
Na carta Aro se direcionava a Carlisle e reclamava como se fosse um velho amigo que não era visitado supondo que o motivo era algo que nossa família escondia.
Carlisle tratou de logo de responder a carta alegando que distraiu-se com a passagem de tempo e pedindo perdão pela falta de contato. Para que a desculpa fosse completa ele convidou Aro e seus irmãos a nos visitarem.
Nenhum de nós gostou muito da ideia, mas Carlisle estava certo em se mostrar receptível. Além do mais suspeitávamos que algum vampiro tinha sentido o meu cheiro no incidente no Vaticano.
A estratégia de meu pai deu certo, pois assim que a carta chegou a eles Alice previu que Aro desistira de vir com toda a guarda para cá e viria apenas ele a esposa e poucos seguranças. Não era perfeito, mas já nos sentíamos mais seguros, ou melhor, se ocorresse uma luta teríamos alguma chance de sobrevivência.
Esme andava de um lado para o outro ajeitando a casa. Como se ela já não fosse impecável.
- Eles chegam amanhã. – avisou Alice.
A tensão de instaurou na casa. Suspirei com os pensamentos apavorados e inseguros. Sinceramente eu não estava ligando muito para essa visita. Meu coração estava apertado de saudades de minha Bella.
Esme sentou-se ao meulado.
- Não gosto de te ver assim. – disse ela tocando minha mão de maneira carinhosa.
Suspirei.
- Eu não consigo entender o porquê de Bella ter escolhido aquela vida a... Mim.
- Bella amadureceu muito com tudo o que aconteceu com ela. Ela se viu em um impasse. Teve que escolher entre a profissão e o grande amor. Se ela tivesse escolhido ficar com você ela se sentiria frustrada por não poder mais caçar. Vocês não conseguiriam seguir felizes. Sempre faltaria alguma coisa e vocês acabariam brigando. E o amor acabaria se desgastando, vocês dois sofreriam. Com a escolha pelo trabalho ela também vai se frustrar, pois vai sentir sua falta. Não se preocupe que logo ela estará batendo a nossa porta atrás de você. Então vocês conversarão e decidirão juntos o que devem fazer. Por enquanto a escolha é estritamente dela. – sorriu de maneira doce.
Não pude evitar retribuir o seu sorriso com esperança. Segurei sua mão e a trouxe aos meus lábios. Beijei e sorri para a vampira.
- Obrigado.
- Sempre aqui por você meu filho.
A conversa com Esme me distraiu o suficiente para não perceber que havia alguém a porta. Esse alguém não tinha pensamentos.
Imediatamente corri até a porta e por um momento pensei que meu coração fosse voltar a bater.
- Bella. – sussurrei.
Eu até sorriria se não estivesse completamente preocupado com o estado de minha caçadora.
Ela vestia uma calça jeans colada ao corpo e rasgada no joelho esquerdo, eu poderia sentir o cheiro de sangue seco vindo daquele local. Sua camiseta azul estava um tanto suja e ela se agarrava a jaqueta de couro tremendo como se estivesse sentindo muito frio, ou talvez muito medo.
Olhar seu rosto me fez estremecer. Seus olhos estavam fundos como se ela não dormisse há dias. As bochechas borradas com lágrimas secas marcadas pelo lápis de olho que escorrera. O nariz vermelho e os lábios apertados.
- Eu... Eu não consigo mais ficar longe de você e também não consigo ficar sem caçar. O que a gente faz? – me olhou tristemente, sua voz soara rouca, devastada, como se não tivesse mais esperanças.
Eu não sabia o que lhe responder e para que a situação ficasse ainda mais complicada Alice correu até nós e agarrou meu braço.
- Depois resolvemos isso. Os Volturi resolveram chegar mais cedo.
[N/a: Eu iria parar aqui e deixar a parte dos Volturi para o epílogo, mas tenho novos planos para o epílogo ^^]
Bella ainda me olhava com aquele seu olhar perdido. Então segurei seu rosto entre as minhas mãos e a olhei com intensidade.
- Depois conversamos ok? Agora acho melhor você tomar um banho e descansar.
Ela assentiu. Peguei sua mão e a puxei para cima. Todos estavam reunidos na sala pensando em como explicar aos Volturi a presença de Bella. O pior é que não dava nem para eu tirá-la dali, seu cheiro permaneceria por mais algum tempo, tempo esse suficiente para que eles chegassem.
Bella carregava nas costas uma mochila surrada provavelmente com algumas roupas. Ela a colocou em cima da cama e suspirou.
- Cheguei em mau momento não é? — seu olhar estava triste.
Pensei em consola-la, mas acho que Bella merece minha sinceridade.
- Na verdade chegou sim. — sorri. — Mas vamos resolver isso. Não se preocupe... Na verdade você deveria estar com um dos seus sorrisos maus, girando alguma arma entre seus dedos e com um plano em mente.
Sua postura tornou-se ereta e seu rosto suavizou com um sorriso divertido.
- Mal volto e você já joga a responsabilidade para cima de mim. Ts, ts, ts... Assim não dá. — estalou a língua divertida.
Sorri indo até meu closet e peguei uma toalha para que ela usasse. Entreguei em suas mãos. Mas agora a expressão de minha caçadora era completamente diferente.
- Edward?
- Oi?
- O quão perigosos são os tais Volturi? — perguntou inocentemente enrolando uma mecha de seus cabelos no próprio dedo.
Estreitei os olhos para o seu tom.
- Perigosos suficiente para destruir a todos nós. Porque? O que se passa nessa cabecinha?
- Talvez eu tenha um plano... — sorriu. — Você me disse certa vez que o líder deles tem um dom parecido com o seu não é? E que é dono de uma personalidade um tanto peculiar.
- Exatamente.
- Ótimo. Deixe-me tomar um banho e logo conversaremos.
Ela me deu as costas e seguiu para o banheiro. Algo me dizia que eu não iria gostar nada do seu plano.
[...]
POV Bella
A tensão era praticamente palpável na sala quando Alice murmurou.
- 30 segundos.
Os vampiros se mexeram inquietos. Confesso que também estava um pouco tensa, mas tinha fé que tudo daria certo. Era um plano um pouco insano, mas se funcionasse não teríamos mais problemas.
A campainha tocou como se ninguém realmente tivesse escutando os passos cada vez mais próximos.
Carlisle foi quem abriu a porta pedindo para que Aro e sua esposa entrassem. Os dois estavam cobertos por longos mantos negros que escondiam seu rosto. Mais alguém entrou. Pelo tamanho do vampiro eu acreditava ser um segurança.
Os três vampiros pararam no centro da sala e retiraram seus capuzes. Franzi o cenho. A mulher e o segurança tinham belezas incríveis como era natural nos vampiros. Mas o tal Aro era estranho... Parecia frágil e sua beleza era mais assustadora do que admirável.
- Como vão todos? — sorriu estranhamente.
Segurei a careta.
Antes mesmo que alguém pudesse responder ele me olhou diretamente.
- Vejo que adotaram um bichinho de estimação. — sério que ele estava me comparando a um cachorro?
Estreitei meus olhos. A Lança do Destino que eu carregava na minha cinta queimou minha pele como se pedisse para se enfiar entre os olhos do Volturi.
Senti uma mão pousar sobre meu ombro e notei que era Jasper.
- Na verdade ela é a companheira de Edward. — falou Carlisle com cuidado.
Os três vampiros nos olharam com espanto. Edward ignorou o olhar e segurou minha mão dando um leve apertão.
Estávamos lado a lado em frente ao sofá.
- Antes que pense qualquer coisa Aro, quero que saiba que Isabella não é uma humana comum. Ela aparenta ter 18 anos, mas tem mais de 40 anos.
Agora os três olhos vermelhos me olhavam com um misto de incredulidade e curiosidade.
Sorri sem mostrar meus dentes.
- E o que a bela moça é?
- Sou humana, mas digamos que o cara lá de cima tem uma pequena divida comigo... Tenho mais alguns anos paralisada nessa idade e então começarei a envelhecer. Quando esse dia chegar Edward vai me transformar. — dei de ombros, mas os Cullen me olhavam surpresos.
Edward apertou ainda mais minha mão. O fitei seriamente deixando implícito que não haveria discussão quanto a este assunto. Sua expressão tornou-se resignada e então um leve sorriso apareceu em seus lábios.
Voltei meu rosto para o vampiro que nos olhava curioso.
- Creio que não se sentirá ofendida se eu quiser verificar a veracidade desta história.
Dei de ombros.
- Fique a vontade.
Aro estendeu sua mão na direção de Carlisle que um tanto hesitante a segurou.
O olhar do Volturi ficou perdido e eu curiosa com o que estava acontecendo.
- Aro pode ler todos os pensamentos de uma pessoa com apenas um toque. — explicou Edward.
Troféu joinha para ele.
Aro então soltou a mão de Carlisle e me fitou incrédulo.
- Você é uma caçadora? Isso lá existe?
Não pude evitar revirar meus olhos. Então fitei-lhe com um sorriso cínico.
- Sou capaz de deixar seu segurança sem palavras. — sorri.
Como se o vampiro e a vampira tivessem aberto a boca até agora.
- Faça. — ordenou.
Ignorei o tom imperativo e soltei a mão de Edward.
- Bella... — meu vampiro tentou impedir, mas eu estava decidida.
- Deixe ela Edward. — Alice interferiu sorrindo.
Dei apenas um passo para frente e levei minha mão direita as minhas costas. Em um movimento rápido puxei a lança e a atirei diretamente na garganta do vampiro que deu um passo para trás assustado.
Eu esperava um rosnado, uma exclamação de surpresa e até mesmo um ataque de Aro, mas nunca sua risada. Pois Aro gargalhou e bateu palmas.
- Bravo minha querida, de fato é uma humana muito interessante.
Dei um sorriso duro e fui até o vampiro que tentava, sem sucesso, retirar a lança de seu pescoço.
Segurei o cabo da faca e a puxei.
- Desculpe, mas é de estimação. — sorri e dei as costas.
- Então o problema no Vaticano não era em relação a vocês Cullen.
- Não, o problema era meu. Edward me acompanhou apenas. — disse seriamente.
Aro me olhou por alguns segundos e então sorriu voltando-se a Carlisle.
- Então meu velho amigo, como foram os últimos séculos? — perguntou como se não tivesse acabado de ver na mente do vampiro tudo o que ele pensou na vida.
Os dois entraram em uma conversa civilizada enquanto todos os outros procuravam algo para fazer. Franzi o cenho, era só isso? Não haveria nenhuma discussão com direito a braços arrancados e sangue vampiresco sujando o lindo carpete de Esme? Fiquei um pouco decepcionada.
Meia hora depois os Volturi se retiravam e os Cullen relaxavam.
- Sério? Foi só isso? — expus meus pensamentos.
- O que você queria? Uma briga? — perguntou Emmett erguendo uma de suas sobrancelhas.
- Não. Claro que não. Mas achei que seria mais difícil de convencê-los a nos deixar em paz.
- Não pense que eles nos deixarão em paz. — Edward estava sério. — Aro ficou muito interessado em você, principalmente quanto ao fato de eu não poder ler sua mente. Quando viu isso na mente de Carlisle quase não conseguiu se conter de excitação. Quanto às caçadas Aro conseguiu um novo hobby, vai se dedicar a pesquisar sobre os tais caçadores dos quais nunca ouviu falar. Eles nos deixarão viver tranquilamente, pelo menos por ora.
- Isso é o que importa. — Esme sorriu largamente.
Ela estava feliz por sua família ainda estar viva.
- E você Bella?
- Eu o que Rose? — perguntei sem entender.
- Vai finalmente se juntar a família ou vai embora novamente para deixar o Edward depressivo?
Fiz uma careta para as suas palavras.
- Nós ainda vamos conversar sobre isso Rose. — cortou Edward. — Mas amanhã. O dia hoje foi cheio.
Eu concordava plenamente.
Edward me levou até seu quarto e deitou-se ao meu lado. Me aconcheguei em seu peito. Minha cabeça rodou nos recentes acontecimentos e em algum momento eu percebi o porquê de não ter conseguido caçar durante esse pouco tempo que estive longe dos Winchester e de Edward.
Eu amava Edward. Isso era um fato. Eu odiava a solidão. Outro fato. Caçar nunca foi minha paixão, sempre foi minha obrigação, mas quando eu a fazia junto aos irmãos eu não sofria tanto. Era como se sangue, violência e cheiro de livros antigos não me afetassem tão negativamente.
Antes de conhecê-los eu já estava "acostumada" a solidão. Então eles me apresentaram um mundo um pouco mais leve do que eu estava acostumada e quando decidi voltar ao meu antigo mundo fui um completo fracasso.
Eu não podia decidir entre caçar com os garotos e viver o amor de Edward. Porque as duas coisas são completamente opostas, não posso fazer as duas ao mesmo tempo. E também não posso escolher apenas uma, pois eu sempre sentiria que faltaria algo em minha vida.
Não se pode ter tudo na vida. Eu teria que abrir mão de alguma coisa. E essa coisa seria caçar.
- Eu decidi abandonar as caçadas. — declarei em voz baixa.
Eu estava com os olhos fechados e respirando calmamente. Meu rosto apoiado no peito de meu vampiro que parou de acariciar minhas costas.
- E você vai conseguir fazer isso? — perguntou em tom baixo também.
- Honestamente?
- Sempre.
- Eu não sei... Não sei se minha escolha me fará feliz, não me leve a mal, não estou dizendo que você não me faz feliz. Muito pelo contrário, quando estou com você sinto-me plenamente feliz. Porém ser caçadora faz parte de mim, assim como ser vampiro faz parte de você. Você não pode simplesmente deixar de beber sangue e eu não sei se eu posso parar de caçar.
Ficamos em silêncio por longos minutos.
- Talvez... Talvez você consiga fazer as duas coisas.
Abri meus olhos e levantei para olhar diretamente seu rosto. Edward tinha uma pequena ruga em sua testa.
- Não na mesma frequência com que está acostumada, mas seria um jeito de você não se frustrar. Apesar de saber que você estará em perigo não me agrada muito.
- Qual é a sua ideia?
- Vai dar certo. — sorriu largamente. — Alice acaba de ter uma visão.
- Qual a ideia? — perguntei impaciente.
- Você vai continuar com suas caçadas. E vai continuar comigo.
- Como? Você não está pensando em caçar comigo, está?
- É claro!
Meus olhos estavam arregalados em sua direção.
- Você está falando sério?
- Claro que não Bella! Você viaja por todo país e eu não posso ir para qualquer lugar, tem o probleminha com o Sol. Mesmo que eu leve na boa essa ideia de caçar com você eu acabaria mais atrapalhando do que ajudando. Então minha ideia é que você continue caçando, mas um pouco mais esporadicamente.
- Edward, minhas caçadas podem levar semanas e teve casos que levei mais de um mês para resolver.
- Não vou dizer que não me importo com a distância. Mas ficarei satisfeito contanto que você, quando voltar, passe a mesma quantidade de tempo comigo antes de entrar em um novo caso.
Apertei meus lábios não querendo acabar com suas esperanças. Não acreditava que daria certo.
- Alice viu. Vai dar certo. — disse Edward lendo minha expressão.
- Não fique bravo comigo, mas não consigo ver uma maneira disso dar certo. — dei um sorriso triste.
Então fui surpreendida pela velocidade do vampiro que em um piscar de olhos nos virou na cama ficando sobre mim. Sua boca foi diretamente para o meu pescoço dando um beijo molhado no local. Suspirei com a carícia.
Edward subiu até meu ouvido e começou a falar em sussurros.
- Então imagine essa cena... Você acaba uma caçada exaustiva, era uma bruxa causando problemas em uma cidadezinha pequena. Então você pega seu carro carregado de apetrechos de caça e volta para sua casa, ou melhor, nossa casa. Tudo o que você precisa é de um banho e uma cama confortável para dormir. A casa está estranhamente vazia quando você chega. Isso te causa certa tristeza, mas acaba dando de ombros e subindo para o nosso quarto. Separa uma roupa limpa e relaxa na banheira. Os seus olhos estão fechados e uma música suave está tocando no ambiente. Então você sente mãos frias em seus ombros. — o vampiro colocou suas mãos em meus ombros de maneira delicada e começou a dar leves apertões relaxantes. — Você sabe de quem são as mãos e sabe o que está por vir.
Me arrepiei quando ele colocou a alça de minha regata para o lado e desceu a boca para um beijo para voltar novamente para o meu ouvido.
- Seu corpo começa a esquentar, pois as mãos frias não estão mais em seus ombros... — Edward beijou minha boca para abafar o gemido quando suas mãos tocaram meus seios.
Eu realmente estava quente, na verdade em ebulição.
Uma de suas mãos desceu por meu corpo e apertou com firmeza minha cocha a puxando um pouco para cima. Deste modo o vampiro encaixou-se em meu corpo. Novamente gemi contra a boca de Edward.
O vampiro deixou minha boca e desceu para o meu queixo dando uma leve mordida. Trilhou pequenos beijos pelo meu maxilar até chegar a minha orelha e chupar o lóbulo.
- Então ele vai te pegar no colo e levá-la para a cama. — sua voz rouca combinada com seus beijos e carícias estavam me deixando completamente fora de órbita. — Ele vai amá-la e venerá-la do jeito que você merece parando apenas quando seu corpo estiver cansado demais para sequer abrir os olhos.
- Me ame. — sussurrei de olhos fechados enquanto o puxava para mais perto de meu corpo.
- Eu vou... — beijou meus lábios sem pressa e então afastou o rosto.
Abri meus olhos encontrando os seus completamente escuros de desejo.
- Mas não quero que você se contenha por causa dos ouvidos aguçados. Quero te amar sem ressalvas.
- Então é melhor sairmos daqui. — sorri. — Sabe? Acho que você me convenceu a continuar minhas caçadas. Se todas as vezes que eu voltar para casa tiver esse tratamento.
Edward retribuiu meu sorriso.
- Nossa vida juntos está apenas começando.
Desta vez as coisas dariam certo. Meu amor por Edward não era mais coisa de adolescente. Eu iria amá-lo de maneira saudável. E tenho certeza que a recíproca aconteceria também. Agora nós respeitaríamos as decisões individuais de cada um. Iríamos equilibrar nossos momentos juntos com nossos momentos separados. Nos tornaríamos verdadeiros companheiros. Antes de amantes, amigos.
Amar é valorizar seu companheiro, mas também se valorizar, pois se não estivermos bem com nós mesmos não conseguiremos estar bem com mais ninguém.
Notas finais
Beijos
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