Na Luz da Lua - CIP
1 A caçada
Notas iniciais
Zöe saltou sobre um arbusto, sem cessar sua corrida silenciosa pela mata fechada. Sua trança esvoaçava com o vento que balançava violentamente as árvores, e batia em seu rosto, a distraindo com a dor por alguns momentos.
Obstinada, seguia seu percurso, olhos e ouvidos atentos, ignorando o balanço agressivo das folhas e os galhos mais velhos que despencavam de cima para atingir seu corpo.
Tropeçou em uma pedra pesada que saia da terra, mas conseguiu se manter de pé, mesmo sentindo dor em sua perna por conta do movimento brusco que fizera. Entretanto, não podia desistir daquela caçada. Tinha que dar o seu melhor porque aquele dia Ártemis estava analisando todas as caçadoras, testando-as para ver qual delas era sua melhor. E Zöe Doce Amarga definitivamente sabia que ela era a melhor entre todas, mas agora precisava provar isso para a Deusa.
A garota era cabeça dura e muito teimosa, além de ser muito bonita, silenciosa e ágil. Suas pernas se moviam como o vento e seu sons podiam facilmente ser confundidos com o cair de uma folha. Ela se orgulhava muito de suas qualidades e sabia o quanto elas a tornavam uma caçadora melhor. Com exceção da beleza, isso apenas a ajudava para seduzir Ártemis nas horas vagas.
Coisa essa que fazia com certa frequência desde que descobrira a queda da Deusa por ela. Tinha sido após um dia cansativo e todas as moças estavam ao redor da fogueira conversando, rindo e comendo, e Zöe notou o olhar da Deusa sobre ela. Achou que não era nada, mas, quando estava indo para o abrigo mais tarde, foi puxada para um canto e levada para dentro da mata. Ela conseguia se lembrar perfeitamente daquela noite e de tudo o que fizeram. Lembrava das sensações, dos cheiros e dos gostos e amava aquilo tudo. Desde esse dia, praticamente todas as noites, Ártemis a levava para o meio das árvores e faziam amor, ou o que quer que fosse aquilo – Zöe preferia não nomear, apenas curtir o momento.
Se distraiu no meio de sua corrida e perdeu o foco pensando em Ártemis, quando, sentiu uma batida em seu corpo e foi lançada para longe.
Abriu os olhos sentindo a cabeça girar e viu que outra caçadora tinha trombado nela. Estava prestes a se desculpar enquanto se sentava, quando a garota sibilou.
— Eu sei que você é a favoritinha dela. Mas você não vai ganhar essa caçada e eu vou provar que você é uma péssima caçadora, Doce Amarga.
Zöe riu, erguendo o corpo e se apoiando em seu arco prateado para fazê-lo.
— Ela só enxerga quem nós somos por dentro – Tirou o cabelo dos olhos – E ela já sabe que você é uma pessoa horrível.
A outra garota fez uma cara ofendida e se afastou correndo, ainda obstinada em conquistar o prêmio. Zöe ergueu o arco, já com uma flecha posicionada e mirou nela, com muita vontade de atirar. Não na garota, mas perto o bastante para que ela soubesse que ela o tinha feito propositalmente.
— Não faça isso – Uma voz profunda e conhecida pediu em suas costas e ela abaixou o arco, sentindo um arrepio correr por sua espinha.
— Eu não ia acertar nela – Se defendeu baixando a arma e guardando a flecha longa com ponta de ferro.
— Eu sei que não ia – Deu um sorriso cumplice, demonstrando que entendia o que ela queria fazer. Às vezes Zöe esquecia que ela tinha milhares de anos de experiência com mortais – ou ex mortais.
— Ela me empurrou – Contou apoiando as costas em uma árvore e olhando a mulher de frente – Queria me por para fora da caçada.
— E parece que ela conseguiu, não?
O sorriso de Ártemis era sarcástico, e ela tinha uma sobrancelha arqueada. Zöe já sabia onde aquilo ia dar. E gostou.
— Parece que sim – Se aproximou cautelosamente da outra, dando passos curtos enquanto falavam – E parece que ela também está fora da competição. Afinal, devíamos te alcançar e ela está lá adiante.
— Parece que sim – Concordou. Zöe tocou a barriga nua da Deusa, que usava uma calça de couro e uma espécie de blusa regata presa abaixo do peito e aberta embaixo, o que fazia com que esvoaçasse quando o vento batesse e deixava parte de seu corpo à mostra, para deleite da garota.
— E, já que o objetivo era esse, acho que eu ganhei – Murmurou tocando os lábios no pescoço dela.
— Eu deixei você ganhar.
— Na verdade, eu diria que é mérito meu.
— Ah, seu? – Achou graça enquanto se entregava para Zöe, que apoiou suas costas em uma árvore, enlaçando as pernas de Ártemis em seu tronco.
— Sim. Se eu não fosse tão bonita e irresistível você não estaria aqui.
— É um ponto de vista – Deu de ombros sentindo as caricias da garota deslizando por seu pescoço até chegar em sua boca. Beijou Zöe com voracidade porque a verdade era que necessitava daquela garota. Desde o primeiro momento em que a vira sabia que ela seria sua perdição e desde o dia em que tinha deixado de lado sua moral e a levou para a mata, não tinha mais volta.
Sabia que, a partir do momento em que deu o primeiro beijo lascivo nos lábios da caçadora que nunca mais conseguiria deixa-la. E, para sua sorte e alegria, Zöe sentia o mesmo, mas nunca tinha feito nenhuma investida pois tinha medo da reação da Deusa, dado seu histórico de matar e transformar em outros seres os homens que tentavam algo com ela.
Deixando de lado a floresta, a ventania e a caçada, as duas se concentraram apenas em seus corpos.
Notas finais
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