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1 PRÓLOGO, Epi.1: A sereia e o dragão


Notas iniciais
................ ★✮☆✯★ ................ ❣ ATUALIZAÇÃO: 16/06/2017 ................ ★✮☆✯★ ................ Este "capítulo" já passou por 3 edições. Quando eu estava relendo o prólogo, algumas coisas me incomodaram. A falta de cenas e diálogos estava deixando a história bem mais chata, então tomei a liberdade de editar algumas coisas. Se você acompanhava a história antes dessa edição, fique tranquilo, pois nada que foi adicionado aqui interfere diretamente com ela.

Fracos raios solares invadiam aquele quarto por algumas frestas da janela.

Mesmo debaixo d’água, não havia como não perceber o dia se aproximando.

Uma sombra esguia rastejava do chão para a cama, passando pelos cobertores e finalmente indo de encontro ao corpo de uma jovem de cabelos cor-de-rosa que dormia tranquilamente.

— Milady, acorde.

Sua voz soou fraca e pausada, mas foi o suficiente para a garota se mover um pouco.

— …

A calmaria das águas era quebrada conforme ela se aproximava da garota, e a criatura podia sentir as ondulações dançando por cada pedaço de seu corpo. Ela ainda não estava acostumada a acordar no mesmo horário dos primeiros raios solares, e tudo o que desejava era dormir mais um pouquinho.

A sombra se ergueu, elevando dois pares de barbatanas.

A calmaria das águas era quebrada conforme se aproximava da garota, e ela podia sentir as ondulações dançando por cada pedaço de seu corpo. A figura esguia passou a pairar perto da companheira, que lentamente movia o seu corpo em sua direção e abria os seus olhos, de um verde tão brilhante quanto esmeraldas.

— Ahhhh…

A garota gemeu baixinho enquanto se espreguiçava na cama.

— Bom dia, Ryuuki!

— Bom dia para você também, milady.

Ela se sentou, levando uma das mãos aos lábios, ocultando um bocejo sutil.

— Já é de manhã?

— Sim.

Como se a admirasse, Ryuuki mantinha seus olhos dourados na garota.

— Você parecia estar sonhando. Era um sonho bom?

— Eu não sei dizer…

O sussurro saiu em um tom sonolento, seguido por outro breve bocejo.

Ela até tentou se lembrar de seu sonho, mas os eventos pareciam desconexos.

Pequenos crustáceos nadando em sua direção, crianças passeando com seus pais, casais se abraçando, risadas e burburinhos que preenchiam todo o ambiente.

Ao som de um grande desfile, peixes de diversas cores e formas pareciam dançar ao ritmo da música, formando uma elegante orquestra marítima.

Em seguida, luzes coloridas passaram a dominar tudo o que a vista alcançava.

— Eu lembro de… luzes coloridas.

— Luzes coloridas?!

Ryuuki estava visivelmente surpreso.

A garota continuou a contar sobre o sonho.

— Acho que o termo certo seria… fractais. Eles estavam por toda a parte da cidade… por toda Althum! Eles cobriam tudo com suas formas e cores brilhantes.

Althum.

A cidade festiva que os recebeu de braços abertos.

Imaginá-la repleta de luzes coloridas parecia algo maravilhoso.

Ela deu uma pausa, que logo foi seguida por mais um bocejo.

— Foi algo bem bonito de ver.

— Então foi um bom sonho?

Mais uma pausa. Desta vez, ela parecia forçar sua memória.

— Não sei… havia algo estranho nessas luzes…

A garota, então, passou a observar o cômodo enquanto se perdia em pensamentos.

As imagens de seu sonho giravam em sua cabeça como um redemoinho, que dança a sua destrutiva valsa sem sequer ser convidado. Apenas o fechar de seus olhos a fazia lembrar dos fractais em seus sonhos; eles se espalhavam e coloriam até onde a vista alcançava, transformando a calmaria do ambiente em algo tão vivo quanto um recife de corais.

Mas os fractais não ficaram por muito tempo.

Eles desapareceram tão rápidos quanto surgiram, e o silêncio e a escuridão passaram a engolir aquele maravilhoso mundo colorido, assim como todas as formas de vida que ali residiam.

Pensar naquilo deixava a garota frustrada e ansiosa.

“Saudades da época que eu sonhava com doces. Acho que preciso parar de comer coisas estranhas antes de dormir!” pensou ela, deixando um suspiro escapar.

Percebendo que a jovem estava distraída, Ryuuki tentou trazê-la para a realidade.

— Se você quiser participar do Festival de Primavera, é melhor se apressar.

Ele se aproximava vagarosamente, observando cada um dos movimentos dela.

A garota pousou a mão sob a cabeça do companheiro, alisando suas frágeis escamas.

Ryuuki era como um híbrido de cobra e dragão. O corpo era frio e esguio, e sua cabeça pequena o suficiente para caber em apenas uma das mãos da garota.

As escamas brancas e azuis pareciam abraçar o busto da jovem, que mantinha a sua atenção fixa nos pequenos detalhes bioluminescentes no corpo do dragão-serpente. Duas de suas nadadeiras roxas repousavam sob suas costas, enquanto as outras duas mantinham o seu corpo estável na água.

Percebendo que ela não pretendia sair dali, Ryuuki a alertou gentilmente.

— M-milady, você deveria se apressar…!

— Ahhhhh!!! Desculpa por isso!!

Usando sua cauda para se locomover, a garota se levantou da cama.

Mesmo com a pouca luz presente naquele quarto, ela sabia exatamente qual caminho percorrer para não se machucar com as quinquilharias espalhadas pelo cômodo.

— Festival de Primavera, é? Eu nem percebi o inverno passando.

Ryuuki a seguia vagarosamente, abrindo e fechando suas nadadeiras.

— Ficamos pouco tempo parados no mesmo lugar.

— Por quanto tempo ficamos em Sarrhna?

A pergunta da garota foi respondida rapidamente.

— Quase cinco dias.

— Sério?! Eu achei que tivesse sido mais tempo!

— O sol estava se pondo mais cedo, então dava essa impressão…

Enquanto conversava com o dragão-serpente, ela passa a trocar as suas roupas.

O clima quente da primaveril cidade de Althum a deixava desconfortável, então a garota decide por roupas de tecido mais leve. Cores chamativas sempre estavam fora de questão, fazendo o seu limitado guarda-roupas não variar muito.

“Acho que… esse aqui!” ela decidiu sem pensar muito.

A blusa branca, rendada e sem alças foi a escolhida do dia, combinando perfeitamente com o par de luvas transparentes da mesma cor que iam até perto de seus ombros. O modelo era bonito, e parecia ideal para todo aquele ambiente festivo.

Os cabelos cor-de-rosa foram penteados rapidamente, e alguns pequenos adereços eram distribuídos simetricamente de um lado ao outro de sua cabeça.

Mesmo às cegas, a garota tinha certeza de que os enfeites estavam no lugar correto. Aquele ritual era feito toda manhã, afinal.

Em cima da cama, um pequeno objeto brilhante lhe chamava a atenção.

— Ahhh! Eu quase esqueci de você!!

Um colar feito com a carapaça listrada de um náutilo.

Ela o prendeu em seu pescoço e fez a concha deslizar para baixo.

Quando finalmente achou que estava pronta, ela deu uma voltinha.

— Ficou muito estranho, Ryuu?

— …

Ao perceber que o dragão-serpente evitava olhar diretamente para ela, a garota deixa uma risadinha escapar. Ryuuki parecia estar se esforçando para que seu nervosismo não ficasse tão aparente.

— …

O dragão-serpente se vira vagarosamente para ela.

O rosto da garota estava corado, combinando perfeitamente com os cabelos que brincavam com os movimentos das ondas. As mãos faziam gestos gentis ao pentearem alguns fios, especialmente os pequenos cachos que se formavam conforme os cabelos desciam para os ombros.

Enfeites de conchas e pequenas joias ornamentavam a parte superior de sua cabeça, indo em direção às suas orelhas, que também pareciam pequenas conchas róseas.

Mas o que realmente encantava o companheiro de bolso era a cauda da garota.

As escamas que revestiam a sua cauda e torso tinham cores entre o branco e o rosa claro, formando um degradê delicado que se estendia até as barbatanas nas laterais de sua cauda, brancas e translúcidas, assim como as barbatanas em seus antebraços.

Aos olhos de Ryuuki, ela era a sereia mais bonita de toda Atlansha.

A pergunta que o despertou daqueles pensamentos veio em um tom baixo.

— Ficou tão estranho assim...?

A expressão dela denunciava sua possível preocupação: insegurança.

— Não… não tem nada de estranho. Você está linda.

A garota sorriu timidamente. Não estava esperando por um elogio.

— O-obrigada… mas não foi isso que eu quis dizer.

— …?!

— Você sabe... Está exagerado demais? Talvez algo mais simples seja melhor?

Quando percebeu que tinha se enganado, foi a vez de Ryuuki ficar envergonhado.

— B-bom… Hoje é um festival. Acho que está tudo bem se arrumar um pouco mais.

— Um festival… isso vai ser divertido!

E mais uma vez aquele sorriso bobo estava estampado naquele rosto corado.

Ryuuki se sentiu ainda mais envergonhado. Aquilo não deveria mexer tanto com ele.

— Lembre-se que ainda temos que resolver um problema antes.

Aquela advertência era mais uma tentativa de mudar de assunto.

Para a sorte dele, a sereia não tinha percebido a sua intenção.

Para o azar dele, a resposta da garota saiu bem desanimada.

— Eu sei…

— Se estiver cansativo para você, nós podemos…

O rosto da sereia tomou uma expressão nervosa.

— Não!!! Está tudo bem! Já estamos indo!!

Ela juntou os seus pertences rapidamente.

Enquanto guardava suprimentos e medicamentos em uma pequena bolsa, a rota de seu destino era analisada minuciosamente em um velho mapa. O local marcado não parecia tão distante dali e, mesmo que houvesse algum contratempo, eles poderiam chegar lá em cerca de 30 minutos.

A animação transparecia naqueles bonitos olhos verdes.

— Então é aqui que aquelas criaturinhas ficam!?

— Exatamente. São chamadas de genories.

— Genories… Que nome estranho!

Genories.

Pequenos peixinhos de um vívido azul que viviam em sociedade.

Aparentemente estavam com problemas e precisavam de ajuda.

Ryuuki, então, passou a explicar mais a respeito daquelas criaturas.

— Genories são os responsáveis por fabricar o ioname. Você nunca parou para pensar que o ingrediente principal de seus amados doces fosse feito por uma criatura viva, não é mesmo?

— Pensando por esse lado, até parece crueldade…

— E é…

Ryuuki deu uma pausa, fazendo uma expressão pensativa.

— Precisamos chegar antes que sua produção diária comece.

— Entendido!! Vamos resolver esse problema logo, Ryuu!

A sereia enrolou o mapa em suas mãos, o guardando na bolsa.

Era o dever dos dois manter o bem estar das criaturas marinhas.

— Eu estou ansiosa para isso. Vamos, Ryuu?

— É sempre um prazer acompanhá-la, milady.

... ★✮☆✯★ ...

Notas finais
Prólogo, parte 1/3. ʕ•̀ω•́ʔ✧ Esta história se trata de uma Light Novel. Decidi dividir o Prólogo em 3 partes, visto que ele é composto por 18 páginas e 5.380 palavras. Minha ideia era mostrar um pouco sobre a vida da protagonista antes do acontecimento, então pode ser que eu tenha me empolgado um pouquinho, hehe. Obrigada por ler Stellarium~! Feedbacks são apreciados. ☆