Nós Não Ficamos Juntos No Final

2 II - É assim que a gente começa


NÓS NÃO FICAMOS JUNTOS NO FINAL

escrito por: Lily Evans.

capítulo dois — é assim que a gente começa:

01.

Caso você tenha curiosidade: James Potter beija tão bem quanto parece.

É uma informação que eu espero que morra conosco, porquê não tenho nenhuma intenção em revelar isso para o Potter ou para qualquer pessoa que o conheça.

O pior é que ninguém pode saber de toda essa idiotice que Remus Lupin, ou melhor, Remus TRAIDOR Lupin me meteu.

Ok… eu sei que concordei com isso, mas, quando o navio está afundando, você tenta salvar o seu companheiro ou então o joga para um ninho de tubarões para que ele tenha uma morte rápida.

Remus TRAIDOR Lupin fez pior. Ele me levou para uma parte do navio que está enchendo de pouco a pouco com água para que eu possa morrer lentamente.

E que fique claro: nós definitivamente odiamos Remus TRAIDOR Lupin.

02.

Terça-feira 08/03/2020*

Remus Lupin me chamou para conversar hoje durante a aula de HISTÓRIA ANTIGA I e HISTÓRIA MEDIEVAL I, o que comprova a minha teoria que terças-feiras são dias estranhos.

Hoje, foi bizarro.

Ele sugeriu que formássemos uma aliança (o objetivo eu explico daqui a pouco) e usou, para exemplificar, Batman & Robin; Rachel & Mônica; Beyoncé & Shakira e Piu-piu & Frajola. Você sabe quando uma pessoa está desesperada quando usa “Piu-piu & Frajola” em vez de algo inteligente como Luigi & Mario.

Digo, Piu-piu & Frajola nem são amigos.

Fica pior.

O propósito era: fazer com que Marlene (sim, nossa Marlene) e o Black terminassem.

É. Rídiculo. Eu sei.

Mas… bem… eu concordei.

Sim, eu sei o que você está pensando. Eu sempre sei o que você está pensando. Participar dessa loucura não está no plano incrível que eu criei para superar meus sentimentos por Marlene.

Só que eu realmente acho que há uma boa probabilidade disso funcionar. E, além disso, eu não estou sozinha! É. Não estou sozinha porquê toda a implicância do Lupin com a Len não é uma simples implicância. É ciúmes.

SIM! PLOT TWIST! Remus John Lupin está apaixonado por Sirius Orion Black e isso nos faz parceiros de amor unilateral e parceiros de amor unilateral ajudam um ao outro.

Foi por isso que eu aceitei.

E também porque não tem como isso dar errado. Marlene disse, quando aquela louca tentou separá-los, que talvez eles não fossem para ser e que, se mais alguma coisa acontecesse, ela ia desistir de tudo. Portanto, se ela vir Sirius Black com outra garota, tudo terá acabado.

E minha participação nem é tão importante assim, só preciso levar Marlene para o terraço dos Potter durante o aniversário daquele idiota e então tudo vai se desenvolver como uma reação em cadeia.

Céus, não acredito que vou naquela festa ridícula afinal.

Bem, é isso. Tenho que ir, Emmeline está me esperando.

03.

Estou sentada no Três Vassouras e os ovos mexidos estão tão salgados que consegui convencer James Fleamont Potter a pedir mais uma xícara de café. Do outro lado da mesa, ele me vigia como se eu estivesse prestes a jogar a minha comida nele e fugir.

Há. Quem dera.

O plano deu todo errado.

Queria me defender e dizer que não fui eu que elaborei tudo isso, mas é tarde demais e, mesmo assim, não vai adiantar nada. Sem contar que eu decidi participar então nada pode me salvar.

James Potter descobriu (e eu aposto que a culpa disso é de Remus Lupin, que bebeu bem mais do que deveria na festa) e, durante a minha conversa com Len — a que eu supostamente a levo para o terraço para que ela veja o namorado dela nos braços de outra garota — ele me beijou. É.

O primeiro beijo foi apenas um selinho e, nos 30 segundos de intervalo, enquanto não sabia se o dava um tapa ou um chute em… bem… você sabe onde, ele disse para Len (minha melhor amiga e a garota que eu gosto) que nós (eu e ele) estávamos namorando.

E então me beijou de novo. Dessa vez com a língua asquerosa dele e, além de ter pesadelos, vou processá-lo por assédio sexual.

Sim.

Marlene McKinnon e Sirius Black ainda namoram porquê James Potter arruinou tudo. E, sim, Marlene, minha melhor amiga por onze anos, acreditou nessa idiotice.

Não quero duvidar da nossa amizade, por Len está apaixonada e pessoas apaixonadas são incapazes de ver o óbvio, mas dói saber que ela não acha que Lily Evans estar gostando de James Potter seria impossível em qualquer universo.

“Por que você fez aquilo?” — James Potter pergunta, às 05h15, provavelmente aborrecido que aquilo fez com que ele perdesse a oportunidade de reatar o namoro com Elizabeth Duncan.

Ele rompe o silêncio e olha para mim, como se eu pudesse me justificar de uma forma que não me levasse a assumir o quão egoísta eu sou.

“Olha, Potter, eu não vou escolher esse caminho. Pode deixar que eu me condenarei pelas minhas ações.”

“Claro. Eu salvei a sua pele, termino minha festa de 20 anos mais cedo e ainda pago pelo seu café da manhã e é assim que eu sou tratado.” — Que fique claro: nós o odiamos.

“Salvou a minha pele?” — digo incrédula. Isso tem que ser alguma brincadeira. — “Falando que nós estávamos namorando? Santo Deus, Potter, achava que para um arquiteto você fosse ser um pouco mais criativo.”

“Que eu me lembre, tentei impedir a conversa de vocês umas quatro vezes. Você não me deixou outra opção.”

“Por que você não foi impedir o seu melhor amigo em vez de ir atrás de mim?” — ele fica em silêncio e passa a mão pelo o cabelo. É uma das atitudes mais irritantes que eu conheço. Algum tempo passa e ele continua quieto e então eu entendo o porquê: Ele não pode impedir Sirius Black de beijar outra garota, porquê ele o viu beijando a outra garota e era tarde demais. — “Céus. Não me diga que você está acobertando ele.”

“Não foi uma traição proposital, foi?” — ele diz, olhando para mim, como se fosse uma opção tentar me esfaquear com a pequena espátula de manteiga. Patético. — “Eu sou leal aos meus amigos, ao contrário de você, Evans.” — eu detesto a forma como ele diz o meu sobrenome. — “Sério, que tipo de pessoa faz isso com a melhor amiga?”

“Eu já disse que não preciso do seu julgamento, Potter?” — e eu realmente não preciso. Me levou 10 segundo para perceber o quão egoísta eu tinha sido assim que James Potter me soltou e Len me abraçou como se tivesse sido a melhor notícia que ela já tinha recebido na vida dela.

“Pelo menos reconheça a confusão que você nos meteu.”

“Que você nos meteu.” — foi a última coisa que eu disse antes de começar a chorar.

É, eu também não esperava por isso. E muito menos James Potter, que, sem saber o que fazer, se levantou e se sentou ao meu lado.

“Vamos lá, Evans, não chore. Nós sabemos que você fica toda vermelha e enrugada quando chora. É uma visão tão feia e ninguém quer ver isso às cinco horas da manhã. Não é só porque estamos namorando que eu vou mentir para você e dizer que você é bonita e que vai ficar tudo bem.”

“Céus, Potter, você é tão gentil e galante. Tenho certeza que é por isso que todas as garotas se apaixonam por você.”

“Não se preocupe, querida. Eu só tenho olhos para você agora.” — e agora sou eu que considero a possibilidade de cortá-lo com a espátula de manteiga.

“Ali estão os pombinhos.” — Remus Traidor Lupin diz. Nós não gostamos dele.

Levam segundos para James Potter me soltar do “abraço” e eu seco as lágrimas na manga da camiseta dele. Logo me preocupo de meu rosto está, de fato, vermelho e enrugado.

“Moony! Achei que você, Padfoot e Wormtail iam arrumar a casa como presente de aniversário.”

“Pete perdeu no pedra-papel-tesoura e Padfoot queria trazer Marlene para tomar café antes de levá-la para casa.”

Ok.

Primeiramente, encarei Len assim que Remus Lupin disse o nome dela.

Em segundo lugar: mas que porra? Como James Potter trata Remus Lupin com toda a cordialidade do mundo e conversa comigo como se eu fosse uma destruidora de lares e uma sem-coração?

James Potter beija minha têmpora enquanto os três visitantes sentam no antigo lugar em que ele estava sentado. Eu encaro Remus Lupin, tentando desvendá-lo, mas ele não me dá nenhum movimento com a cabeça ou qualquer outro sinal, apenas sorri.

Vou matá-lo.

“Então, agora vocês podem explicar como tudo isso aconteceu?” — Sirius Black pergunta, prestes a dar um gole no café de James Potter.

Sim, Potter, explique como tudo isso aconteceu. — falo mentalmente e o encaro.

Ele sorri. Todos os olhos nele.

“Desculpa manter segredo de vocês, mas não sabíamos o que éramos. Ficamos mais próximos depois que vocês começaram a namorar e trocamos alguns beijos quando a Evans ia lá para casa com a mãe dela. E então…” — ele se vira para me encarar com o sorriso eu-sou-James-Fleamont-Potter e eu sei que Len está comprando a mentira.

E, como se não bastasse, achando tudo isso romântico.

Ugh.

James Potter é um mentiroso.

Nós o odiamos.

04.

Desculpe interromper assim, mas algumas coisas são necessárias e eu não posso perder a chance de expor James Fleamont Potter.

Como você já sabe, me mudei para Hogsmead quando tinha oito anos e, logo no nosso primeiro dia na cidade, quando fomos visitar Euphemia Potter — amiga dos tempos da faculdade da minha mãe — conheci o ser humano mais detestável do universo, que, na época, andava pela casa sem dois dentes e com óculos quebrados.

E é claro que meus pais e os pais do Potter não podiam perder a chance de ver os filhos, que tinham a mesma idade, se tornarem melhores amigos — e, de acordo com nossas mães, “algo mais” no futuro — por isso que ia frequentemente lá quando estava crescendo.

Se pelo menos Deus pudesse me compensar pelo tempo perdido…

Desde pequeno James Potter se achava o rei do mundo, o que era a principal razão pela qual ele sempre ficava com as melhores posições nas brincadeiras e, em algum momento, começou a mentir não só para conseguir o que queria, como também para acobertar as coisas erradas que fazia.

Com 12 anos, ele disse que tinha “perdido” John, o seu hamster de estimação, quando, na verdade, ele havia dado para a minha irmã mais velha, PETÚNIA EVANS, porque tinha “se cansado de brincar com ele”.

Aos 16, Potter mentiu para a nossa professora de química ao dizer que ele não estava envolvido na famosa explosão no laboratório — explosão que eles e seus amigos planejaram por meses -. E, aos 19, James Potter quebrava o coração de Elizabeth Duncan ao dizer que não a amava mais (o que é uma mentira que ainda estou investigando).

Agora, nos recém 20 anos, ele mentia para os melhores amigos e eu não consigo entender como Sirius Orion Black, auto-proclamado caçula dos Potter está comprando isso.

05.

Marlene sorri para nós e é doloroso.

Assim como também é doloroso vê-la com a cabeça encostada no ombro do Black, esperando a garçonete para fazer o pedido, e saber que, agora, ele está no topo das prioridades dela e que só de estar ao lado dele ela está feliz.

Eu sou uma idiota.

James Potter segura minha mão. Eu sei o que ele está pensando e sei que é uma forma de evitar que eu confesse tudo e eu sei que ele está me encarando, pensando no que fazer para impedir uma discussão.

Mas eu só dou um gole na xícara de café e revejo todas as minhas decisões até ali.

Notas finais
O * em 08/03/2020 é porque esse dia não foi uma terça-feira, mas, para o desenvolvimento da história, estou usando o calendário de 2011 como referência. Gostaria de agradecer a Pâmela (@mrvsprongs) por ter betado esse capítulo e ter me ajudado a postá-lo, quando eu estava prestes a desistir da ideia. E também agradecer a Manu (@fivefalcones), que é um anjo na terra. Não esqueça de deixar o seu comentário (que é muito importante para mim, ainda mais se tratando de uma história com um narrador personagem que tem uma personalidade bem diferente da minha) e eu espero vocês de volta na próxima sexta-feira! Para dúvidas, comentários e sugestões, você pode me achar no twitter como @adamcfalcone ou no CuriousCat como @sumlaif! E obrigada por ler hahaha!