Névoa sob o Luar
1 Prólogo – Chegada em Blackwood
Notas iniciais
(PDV 3° pessoa)
Cassandra olhou para o lado de fora da janela do carro. Sentada no banco do carona, vestindo um jeans surrado, camiseta Branca e casaco de couro, ela vê a mesma paisagem das ultimas três horas: árvores.
Ela pega o celular do bolso do casaco, sentindo um pouco de frio por causa do ar condicionado do carro dirigido por seu pai. Por um momento, ela vê o próprio rosto refletido na tela preta.
Olhos azuis claros e límpidos, como o mar do caribe, pele pálida de porcelana e cabelos vermelhos como fogo, longos e lisos, adornando o rosto refinado e nobre.
Ela checou as horas, mas não conseguiu ver se havia recebido nenhuma mensagem de seus amigos que haviam ficado para trás na América. Ela está sem sinal. Suspirando mais uma vez, ela colocou o celular no bolso e olhou para dentro do carro.
Ao seu lado direito, seu pai está focado na estrada, os olhos azuis presos ao caminho. O corpo forte escondido dentro de um conjunto de moletom com o qual ele acordara esta manhã antes de ir ao aeroporto da cidade vizinha buscá-la.
Os cabelos pretos cortados curtos em estilo militar, é o rosto másculo e pálido adornado com um grosso bigode e cavanhaque. Ela olhou para o banco atrás de seu pai, onde seu irmão mais novo está concentrado no PSP em suas mãos, os cabelos curtos e vermelhos sendo a única coisa visível. Os sons do jogo suprimidos por causa dos fones de ouvido ligado ao portátil.
Depois de mais alguns minutos em silêncio, ela falou mal humorada:
(Cassandra): “Quanto falta mesmo para chegarmos em casa?”
O pai dela, levemente distraído, demora um segundo para responder:
(Pai): “Vamos chegar em alguns minutos. Confia em mim, você vai gostar da nova casa!”
Ele diz, animado. Cassandra revira os olhos ao entusiasmo de seu pai. Mudando de assunto, ela pergunta:
(Cassandra): “E então? Já arranjou uma namorada?”
Ela pergunta em um tom provocativo. O pai dela da uma risadinha, respondendo:
(Pai): “Não comece, Cassie. Você sabe que seu velho não tem muito tempo em mãos. E além disso, sua mãe foi o único amor da minha vida.”
Ele diz decisivamente. Cassandra simplesmente sorriu, se lembrando de sua mãe, a mulher com a qual ela é muito parecida, e de quem ela herdou os cabelos vermelhos.
A morte da mulher mais gentil que já caminhou sobre a terra foi com certeza o pior momento da vida de Cassandra e da vida de seu pai, justamente quando foi durante o parto do irmão mais novo de Cassandra sete anos atrás.
Dispersando a tristeza que começou a surgir no fundo da garganta, ela olha novamente para a floresta do lado de fora da janela do carro.
O sol da tarde está se pondo devido as horas gastas na estrada, bloqueado pelos pinheiros altos. Ignorando o cenário, ela começa a jogar em seu celular devido ao tédio.
(Algum tempo depois)
Cassandra salta do carro, olhando para sua nova casa. Uma casa grande, de três andares e feita de madeira, pintada de um diz a escuro com branco, dando um contraste interessante que ela não desgosta.
A casa é construída em estilo vitoriano, como se fosse um castelo pequeno ou um lugar assombrado. Pegando sua mala no porta malas do carro, ela ouve seu pai dizendo:
(Pai): “Duas coisas já estão no seu quarto no terceiro andar. Só desfazer as malas.”
Ele diz, destrancando a porta e voltando para pegar a mala de Cassandra e de seu filho mais novo, George Júnior, nomeado em honra ao pai pela mãe, obviamente o pai de Cassandra.
(George): “Júnior, solta o PSP por um instante e da uma olhada na casa.”
Ele diz, fazendo o filho olhar para cima, seu rosto jovem e olhos azuis checando a casa.
(Júnior): “Casa maneira...”
Ele diz simplesmente, passando pelo pai e correndo até Cassandra, deixando George suspirando para si mesmo. Chegando ao lado da jovem, o garoto fala:
(Júnior): “É legal, mas quase parece assombrada.”
Ele diz enquanto os dois entram na casa. Cassandra tem de concordar. Apesar da casa estar bem cuidada e preservada, a casa não deixa de ser sinistra no cair da noite com as luzes apagadas.
Depois de jantar uma pizza e desfazer uma parte suas coisas, ela vê que já é perto das três da manhã. Olhando pela janela de seu quarto, ela pode ver a floresta. Diferente do dia, os pinheiros próximos são intimidadores e escuros.
O ar gelado da noite entra pela janela aberta, trazendo o cheiro de folhagem, criando uma estranha sinfonia da qual fez Cassandra achar algo estranho no som do farfalhar das folhas.
Algo parece errado. Ela tenta prestar mais atenção, tentando ouvir algo além da folhagem batendo. Mas não consegue ouvir nada além disso.
Nada além do som das folhas.
Nem mesmo o som dos insetos ou outras criaturas noturnas. Ela ouve somente o vento anormalmente frio uivando, e as folhas se movendo.
Um arrepio frio lhe desce pela espinha, e ela fecha a janela, juntamente com as cortinas. Trocando de roupa, ela se prepara para dormir, tentando ignorar a sensação que a tomou quando ela olhou para a floresta.
Cassandra dormiu mal aquela noite.
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