Névoa Álgida
1 Prólogo
Prólogo
Caminho a passos largos para casa após mais um turno exaustivo de aula. E hoje sendo sexta-feira, é um dia que faço questão de acelerar o regresso, por mais fadigado que esteja. Mas não somente por ser sexta-feira, estamos em dezembro, faltando apenas 12 dias para o fim das aulas, melhor: 12 dias para a conclusão do ensino médio. A ideia de não ter mais que frequentar as aulas me anima, ao mesmo tempo que entristece, quando lembro que o ensino superior bate à porta. Envolto nestes pensamentos, percebo que sem querer tomei uma rota diferente da habitual. Não que eu esteja perdido, só não costumo andar por aqui pela falta de movimento, o que aumenta chances de ser vítima de um assalto por exemplo – ou coisa pior.
O local é uma espécie de rua com aproximadamente 4 metro de largura e bem extensa. A direita estabelecimentos abandonados; a esquerda, um muro que separa a rua e uma avenida.
Há vantagem andar por aqui, economizo uns 15 minutos para chegar em casa. Ao mesmo tempo que corro bastante risco.
Psiu*
Nitidamente ouço aquele roído que as pessoas fazem quando querem chamar a atenção de alguém distraído.
Ele veio de trás. Cogito olhar para trás. Mas por algum motivo, sinto que o ambiente ficou gelado.... Meu corpo paralisou. Estou suando, e a cada passo que a pessoa, ou coisa, atrás de mim dá, sinto o ambiente ficar mais gelado e eu mais suado.
Uma mão segura o meu ombro, vejo com o canto do olho, a mão é cinza e bastante gelada, tão gelada que sinto a frieza através da camisa. A pessoa coloca sua outra mão, desta vez no outro ombro e faz eu girar em direção a ela.
Como posso descrever...
Uma mulher? Sim, acho que é uma mulher... Não, com certeza é uma –
Afinal de contas, aquelas coisas enormes pertencem apenas a elas... Alta, mais alta que o normal. Vestindo uma túnica negra e um daqueles chapéus genéricos de bruxa – mas este é enorme, cobre todo o seu rosto, revelando apenas um sorriso de dentes pontiagudos.
A quantidade de suor expelido aumentou juntamente com o frio, acho que estou ficando desidratado de tanto suar e a ponto de ter uma hipotermia de tanto frio.
Seus lábios se moveram e vagarosamente ela começou a falar, enquanto ainda apertava os meus ombros, como se estivesse me prendendo para que eu não fuja – coisa que eu não conseguiria fazer de qualquer jeito:
—– Compreende minhas palavras?
—– ...
Eu tentei responder, contudo, meus lábios não se mexeram.
—– Consinta com a cabeça, caso opte ou não possa falar.
Balancei a cabeça, quase não conseguindo move-la.
Por mais que sua aparência seja assustadora, sua voz é bem suave.
—– O que estou a prestes a fazer irá violar seu direito de escolha. Pode parecer maldade da minha parte. E eu não me importo de ser odiada por isso, é uma atitude necessária.
Ao fim da predição, ela apertou meus ombros, e senti meu corpo ser congelado, literalmente congelado, até que eu perdesse a consciência.
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