Névoa Álgida
12 Capítulo 4.25 – Conversações, o homem integro despido de confiança em si mesmo
CONVERSAÇÕES, O HOMEM INTEGRO DESPIDO DE CONFIANÇA EM SI MESMO
XX
Enquanto Joseph, Nix e Edward discutiam na sala, a capitã Lieselotte, subordinada de general Nix, aguardava no corredor, juntamente com Anna, que havia acompanhado Edward a mando da rainha (e também por vontade própria).
Anna de pé e Lieselotte sentada no chão.
— Então... Como anda o progresso?
— Progresso?
— Sim, o seu progresso com o Edward. Já saíram da zona da amizade?
Anna suspirou.
— Não, ele continua um teimoso rabugento. Não dá atenção para nenhum dos meus cortejos.
— Considerando a idade dele é normal ignorar essas coisas. Além do mais, não é melhor você procurar alguém da sua idade, Anna?
Lieselotte soltou um leve sorriso, claramente querendo provocar Anna, e conseguiu:
— Como assim “alguém da minha idade”? Sou bastante jovem, não cheguei nem na casa dos 25 ainda.
— Justamente. Ao invés de correr atrás de garotos, vá atrás de um nobre rico ou de um militar renomado. Aliás, conheço alguns colegas de farda dispostos a te assumir.
— Calada! O Edward disse que íamos nos casar quando ele completasse a idade.
De repente Lieselotte ficou com uma expressão séria.
— Hã? Quando? Conte-me mais.
— Er... 9... Digo, 7 anos atrás.
— HAHAHAHAHAHAHAHA!
Lieselotte caiu em gargalhadas, enquanto batia as mãos no chão. Chegando até mesmo a lacrimejar.
— Hilário. E você acha que ele ainda lembra disso?
— Claro que sim!
Atraída pelo barulho feito por Lieselotte, uma mulher de cabelos dourados com tons escuros, desceu as escadas que davam para o corredor. Sua cintura fina e peito liso não carregavam nenhum apelo sexual, mas seu rosto, deverás belo.
— Lady Sofie! – Disseram ambas, Lieselotte e Anna.
Anna se colocou de frente para Sofie e Lieselotte se levantou fazendo o mesmo.
Inclinando-se Lieselotte disse:
— Lady Sofie perdoe-me, creio a ter incomodado com minhas gargalhadas.
— Não, não. Apenas fiquei curiosa para saber a que horas terminará a reunião. Eles já estão a um bom tempo lá dentro.
— Irei ver.
Delicadamente, Lieselotte abre a porta da sala.
— Faça. – Disse Joseph.
Ao verem a porta aberta, Joseph, Nix e Edward olham em direção a ela.
— Tenente-coronel Kalinichenko, lady Sofie questionou-me a que horas terminará a reunião?
— Brevemente.
Dando as consideração finais, Joseph disse:
— Edward, seu plano será nossa principal aposta. E Nix, esteja de prontidão para quaisquer movimentos suspeitos do Jakov.
— Entendido.
Dito isto todos se retiraram da sala.
XXI
Na varanda do quarto, Joseph refletia um pouco a respeito de outras medidas de apoio a serem tomadas, até que é interrompido por Sofie, tocando-o no seu ombro.
— Você tem estado aflito desde o dia que recebeu o relatório do embaixador Alexei. Achei que esta reunião havia gerados resultados...
— E gerou.
— Então qual o motivo da aflição?
— Eu tenho medo... Medo de apostar demais num milagre e o milagre não ocorrer. Servindo ao rei Vasili II, apenas na posição de comandante do 1º batalhão de infantaria, eu presenciei milagres. Mas temo que não mais os presenciarei, agora estando na posição de chefe do estado maior e comandante das Forças Armadas. Às vezes acho que foi um erro da parte do rei confiar algo tão importante a mim...
Sofie aperta o ombro de Joseph e o adverte:
— Meu pai te colocou nesta posição por você ser um homem integro e leal. Ele confiava em você e a minha irmã também confia em você... Eu confio em você. Mas você não confia em si mesmo.
— ...
Joseph permanece em silêncio durante 1 minuto inteiro e depois vira-se para Sofie.
— É por isso mesmo. A confiança que todos têm em mim é algo além do que posso atender. Agora vamos, sua condição de saúde não possibilita ficar levando sereno na varanda.
Chateada pela resposta de Joseph, Sofie entra em silêncio.
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