Não vou te ver amanhã

1 Capítulo 1 - Ela


Notas iniciais
Olá meus amores, tudo bem?
Essa foi uma das ideias que eu tive e escrevi mais rápido, comecei a uma semana atrás, e consegui desenvolver uns 80% da história só hoje.
Espero do fundo do meu coração que gostem.
Boa leitura ♥

Não vou te ver amanhã.

Você sabe que ela nunca te escutou direito. Ela vivia te interrompendo antes de você sequer conseguir terminar uma única frase. Isso te irritava tanto. Ela sempre tirava interpretações erradas por causa disso, e acabava brava contigo, por algo que você não tinha realmente dito. E você nunca conseguia tirar uma ideia da cabeça dela.

Ela tinha a lua no sorriso, e a galáxia inteira dentro de seus olhos negros. Você sabia que ela cuidava de cada planeta com tudo que ela tinha. Ela arriscava a própria felicidade para proteger cada grão de poeira estelar daquele lugar. Mesmo que pela própria ação da gravidade eles sempre caminhassem em direção a aquele buraco negro que vivia dentro dela.

Não vou te ver amanhã.

Ela era um ser de luz. Sua alma procurou por ela desesperadamente, procurou por uma gota daquela felicidade sem causa que ela emanava a todo tempo. Ela era tão sozinha, e você conseguiu protege-la do mau do mundo por tanto tempo. Ninguém a via. Almas ruins não apreciam o sol brilhar.

Não vou te ver amanhã.

Você tentou. Sabe que tentou. Talvez fosse a hora de voltar de vez para onde ela te tirou. Sua mente definhando não foi o suficiente para aguentar o frio do inferno. Não. Você precisava ir. Se entregar. Com toda a história descrita em seu corpo. Com todo o sentimento da sua alma e com todas as loucuras de sua mente. Você precisava dar todos os passos para chegar lá.

"Não chore quando eu for" foi o que você disse a ela. Mas ela não te deixou terminar. Explicar. Falar. Você ja tinha ido. E pra ela não havia volta. Ela tinha arriscado e matado a própria felicidade por ti. E você estava indo para longe. Ela não se importava com o por que, apenas que estava a deixando. A luz dela havia te queimado forte demais. O sol não convive em paz com a chuva.

Não vou te ver amanhã.

Eram 3 da madrugada quando você pegou aquele caderno. Era o dela. Preto no branco. E faltava uma pagina. A primeira pagina nunca fora escrita. E não será. A história dela nunca teve início. E assim, o fim também não existiria. Ela ficaria bem, você sabia disso.

Não vou te ver amanhã.

Então você deitou na cama. Esperando que, quando você fosse, existisse alguém do outro lado. Você nunca foi aquele que se ajoelhava frente a cruz ou a meca. Nunca foi aquele ser que refletia sobre o mundo e a natureza. Nunca se permitiu meditar, muito menos ter qualquer imagem dentro da sua carteira.

Mas naquele momento, esperava que aquele senhor de barba grande e vestes brancas existisse. Não por você, mas por ela. Esperava que ele cuidasse daquele ser de luz que ela é. Esperava que alguém, em algum lugar, a protegesse como um dia você havia protegido. Pois você provavelmente iria passar a eternidade com a Estrela da manhã.

Não vou te ver amanhã.

Talvez você pudesse voltar no tempo. Talvez pudesse concordar com a vida, e segui-la como lhe foi instruído. Talvez você pudesse ter escolhido não ir contra a maré. Talvez você pudesse ter cuidado um pouco mais, tentado manter aquele Anjo no meio do seu caos.

Mas agora aquilo teria um fim. Você nunca foi de manter dois seres dentro de ti.

Você é o próprio caos. Em uma jaula que se quebrava mais a cada dia. E você sabia que, se saisse de dentro daquilo, não conseguiria se controlar. Seus sentimentos sumiriam, e você mataria cada ser que cruzasse seu caminho. Você já estava a destruindo com aquelas pequenas rachaduras que surgiam e deixavam esse ser sair de ti.

Não vou te ver amanhã.

Ela te ensinou que confiar era como andar vendado em um precipício. Mas você a ensinou que nem sempre o amor é confiável. E ela tinha tanta força dentro dela, que destruiu sua falésia com um piscar de olhos. Saiu de seu abismo. Com uma ou duas palavras ela fez o mar se acalmar e cristalizar dentro daquele planeta. Ela não se deixaria cair.

Não vou te ver amanhã.

Você sentiria falta da luz. Das cores. Da dança, do canto, da voz. Dos mantras, das loucuras e das conversas. Sentiria falta dos fios de cabelo caindo como cascatas pela suas costas. Sentiria falta dos Lábios vermelhos. Das unhas compridas. Do Azul. Mas o mundo não é justo, e você precisava deixa-la. Precisava salva-la.

Você tinha que acabar com isso.

No final, a vida é tão triste quanto os textos do Tumblr.

Você não iria vê-la amanhã.

"Fala pra minha morena que tudo vai ficar bem." Foi o que você disse para um amigo seu por mensagem. Você não tinha coragem de olha-la nos olhos. Tinha muito medo de se perder naquela eternidade. De sentir o vácuo do universo te preencher os pulmões. O caos tinha medo da luz infinita, afinal.

Não vou te ver amanhã.

E, enquanto o sol se espreguiçava por entre as frestas de sua janela, você se pegou olhando pera o teto, a alguns minutos do seu alento final. O som levou 2 milésimos de segundo para alcançar seus ouvidos. A voz doce e chorosa te invadiu a mente.

"Eu só queria tentar te ver feliz. Mas você saiu pela porta dos fundos"

Ela já sabia. Os melhores sempre morrem pelas suas próprias mãos.

Notas finais
Oi, voltei! E aceito opiniões sobre.
Quem comentar ganha muito amor e um pouco do meu brigadeiro ♥
Beijos, Mafe.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!