Não vou lutar contra o que eu sinto...
11 Capítulo 11 - Eu vou te consertar...
Notas iniciais
Enfim, espero que gostem e um agradecimento especial à ManuSnixx que recomendou a fic e me motivou a escrever heuaheueuhae
Marley abriu seu armário e organizava o que precisaria para o dia de forma distraída. Sentiu seu próprio corpo arrepiar quando mãos delicadas envolveram sua cintura e um beijo foi deixado em seu ombro. O perfume de Kitty invadiu seus sentidos.
K: Bom dia!
M: Kitty, a gente está no colégio! [virou-se, olhando surpresa para a garota].
K: Mas não tem ninguém aqui, está cedo... E mesmo se tivesse eu ainda daria bom dia à minha namorada... [sorriu]
Os olhos de Marley brilharam e ela abraçou a garota, dando-lhe um rápido selinho. Quando se separaram Kitty segurou sua mão.
K: Você também não está usando o anel... [constatou]
M: Eu não saberia o que responder se a minha mãe perguntasse...
K: Eu também não... Onde ele está?
M: Em casa, escondido.
K: Hmm... Vem cá [puxou sua mão]
M: Pra onde?
K: Pra algum lugar onde eu possa te beijar em paz.
M: Kitty, a primeira aula...
K: A gente chegou cedo, esqueceu?
Marley sabia por aquele sorriso travesso de Kitty que nunca iria dizer não, mesmo que estivesse atrasada. Foram para o auditório, na fileira em que estavam da última vez. Marley se sentou, com Kitty em seu colo, as duas pernas torneadas bem fixas dos lados da morena. O beijo começou calmo e foi se intensificando, até o calor começar a ficar insuportável e o ar parecer sumir dali. Kitty tirou o casaco das cheerios, ficando apenas com a parte de cima do uniforme e tirou o suéter que Marley vestia por cima da blusa. As duas estavam completamente alheias ao mundo ao redor, mas foram obrigadas a voltarem a realidade quando escutaram alguém gritando.
“O que é isso aí em cima?!”
Kitty suspirou irritada, enquanto Marley ficou pálida e assustada. Tinha uma saída perto da última fileira, então Kitty, sem olhar pra trás, pegou o casaco e o suéter e saiu com a garota dali, rebocando-a pelo braço mais delicadamente possível e entrou com ela no primeiro banheiro que viu.
M: Kitty, ele viu a gente!
K: Ele não viu ninguém [disse rindo, observando o nervosismo da morena]. Você está da cor dessa parede...
M: Como você pode não ficar nervosa? Imagina nós duas na sala do diretor?
Kitty aproximou-se dela, colocando os cabelos cor de chocolate no lugar já que estavam bagunçados.
K: Relaxa. Você está comigo. [disse calma]
Marley sorriu de lado, balançando a cabeça.
K: O que foi?
M: Nada, é que... Você está me surpreendendo de uma forma que eu não sei explicar.
Kitty se aproximou da morena, quando alguém entrou no banheiro e elas se afastaram. Decidiram que o melhor era ir cada uma para suas respectivas salas de aula e Kitty apertou sua mão antes de seguir o caminho oposto ao da namorada.
O resto do dia se passou quase que normalmente. Não tinha treino das cheerios, mas foram convocadas a uma reunião de última hora. Kitty estava relativamente atrasada, ninguém tinha lhe avisado da reunião, recebeu uma mensagem de última hora de uma aluna caloura. Surpreendeu-se ao entrar no ginásio e encontrar não só Sue Sylvester, mas também o diretor Figgins. Eles pareciam estar apenas esperando-a para iniciarem a reunião.
F: Bem, já que estamos todos aqui vamos discutir as pautas da reunião. Alguém aqui cometeu um delito grave!
Todas as meninas pareciam perplexas. Kitty olhou para Jessica, mas esta parecia tão confusa quanto ela. A treinadora não parecia também saber do que se tratava.
F: O zelador do colégio encontrou uma de suas cheerios se agarrando com alguém no auditório! [disse com se fosse o maior absurdo do mundo]
S: Você me tirou do meu escritório para falar isso? [olhou o diretor, incrédula].
Kitty podia muito bem ter congelado naquele instante, mas não, ficou mais tranquila do que imaginava. Se ele soubesse quem era a garota não teria convocado uma reunião com todas elas, simplesmente a chamaria para sua sala junto com a treinadora.
F: Isso é um completo absurdo!
S: Como se os alunos simplesmente não se agarrassem pelos corredores desse colégio quando bem entendessem... Escuta, Figgins, da próxima vez em que você interromper...
F: Elas não estavam simplesmente se beijando!
S: Elas?
F: Sim, elas! Eram duas garotas!
Um murmúrio percorreu o ginásio. A respiração de Kitty se prendeu por uns poucos segundos.
S: Como você sabe que era uma de minhas cheerios? E qual o problema de serem duas garotas?
F: O zelador viu o seu uniforme. E não há problema nenhum em serem duas garotas. O problema é o que elas teriam feito se ninguém tivesse chegado na hora. Eu não vou tolerar isso. Se eu souber de outro tipo de comportamento como esse entre as suas meninas eu vou suspender os treinos e vocês não irão competir.
S: Você não se atreveria...
F: Claro que eu me atreveria! O clube do coral está dando mais dinheiro do que vocês! Eles foram campeões nacionais, eu não tenho mais que obedecer o que você fala sem contestar. Eu sou novamente o diretor desse colégio e isso não será permitido. Eu quero a cheerio que estava no auditório em minha sala em uma hora. Se ela não aparecer teremos outra conversa Sue.
A treinadora estava lívida. Qualquer pessoa em seu juízo perfeito sairia correndo com o olhar que ela lançou ao diretor, mas ele continuou impassível. Kitty olhou em volta, todas pareciam curiosas para saber quem era a tal garota então ela forçou uma expressão curiosa também.
Assim que ele saiu do ginásio ela olhou para cada uma de suas cheerios, antes de sair atrás dele.
S: Você não pode fazer isso.
F: Como não posso?
S: É contra a lei, você não pode expor um aluno desse jeito.
O diretor parou de andar e olhou nos olhos da treinadora.
F: Eu falei aquilo para ver se alguma delas ia se entregar.
S: Escuta, são minhas meninas. Eu vou ter uma conversa com elas, mas nunca vou permitir que a aluna se entregue. São adolescentes Figgins! Eu, você e toda a população da América não pode controlá-los!
F: Está avisada Sue.
Ela balançou a cabeça e revirou os olhos vendo-o se afastar. Voltou ao ginásio e ele estava estranhamente silencioso, mas nenhuma das garotas parecia ter cara de culpa. Surpreendeu-se de Kitty não estar apontando para alguém e ofendendo, esse era um dos momentos que a pupila de Quinn Fabray não deixaria passar.
S: Não precisam se preocupar com o Figgins. [disse calmamente]
J: E a aluna?
S: O que tem ela?
J: Ela tem que ser punida! Se não todas nós seremos. [disse em um tom óbvio, recebendo olhares de aprovação de alguma cheerios].
S: Hm... Ela tem que ser punida? Bem, se houvesse uma ditadura aqui não seria difícil descobrir o tipo que você seria. [rebateu]. Uma aluna não pode ser exposta dessa maneira. Então não há nada que o diretor possa fazer... Para o seu desagrado Jessica. [lançou um sorriso irônico]. Estão dispensadas. Sumam da minha frente!
Rapidamente as cheerios se dispensaram e o assunto do dia passou a ser as duas alunas que estavam se agarrando no auditório. Todos os passos de todas as cheerios pareciam estar sendo vigiados e Kitty não conseguiu conversar com Marley. Não conseguiu nem vê-la, na verdade.
Quando já estava desistindo de encontrá-la a viu no final do corredor, andando em sua direção. Sua expressão parecia preocupada, naquele jeito inocente que tinha e o coração de Kitty acelerou ao olhar em seus olhos. Marley não parou para conversar nem nada, mas segurou a mão da loira discretamente, deixando ali um bilhete. Só o perfume dela já fez os olhos de Kitty se fecharem quando ela passou, tentando absorver ao máximo aquele cheiro.
Nenhuma das duas olhou para trás. O bilhete continha poucas palavras:
Me encontre no final da aula atrás do colégio.
Com certeza a morena estava tensa com os boatos que rondavam o colégio, mas Kitty não viu tanto motivo para preocupação. Os minutos pareceram passar irritantemente devagar e quando o sinal tocou a loira praticamente pulou de sua carteira, sendo a primeira a sair. O que se mostrou inútil, Marley ainda não estava lá. Ela se sentou com as pernas cruzadas em um banco, esperando.
M: Ei... [disse timidamente, olhando para os lados].
Kitty olhou para trás vendo a figura frágil de sua namorada. Ela sabia tão bem parecer uma garota indefesa...
K: Ei...
Elas ficaram se encarando por vários minutos e Kitty viu o receio de Marley de se sentar ao seu lado.
K: O que foi?
M: Você está brava comigo?
K: Brava com você? Por que eu estaria brava com você?
M: Eu não sei...
K: Me fala o que está acontecendo... [estendeu a mão para ela]
Marley segurou sua mão, sentando-se ao seu lado, com a cabeça baixa.
K: Você almoçou direito?
Ela fez que sim com a cabeça, ma ainda sem encará-la. Kitty segurou seu queixo com delicadeza, forçando-a a levantar os olhos e a beijou levemente nos lábios, assustando-a.
K: Marley, você vai me dizer o que está acontecendo com você ou eu vou ter que adivinhar? [disse irritada]
M: Desculpa, eu pensei que você iria agir estranho...
K: Quem está agindo estranho é você... [franziu o cenho]
M: É que essa história toda de terem visto a gente hoje... Eu pensei que isso fosse mexer com você.
K: Eu não estou acreditando! [se levantou, atraindo o olhar da morena, que permaneceu sentada]. Você achou o que? Que eu ia me afastar de você? Te tratar diferente? Você disse pra mim ontem que confiava em mim!
M: E você disse que não ia brigar comigo!
K: Então por que você mentiu?
M: Eu não menti... [disse baixinho olhando para o próprio colo] Me desculpa... Eu...
Kitty respirou fundo, virando as costas para Marley, tentando não ficar com a cabeça quente, mas parecia extremamente difícil. Virou-se e encarou os olhos azuis, percebendo as lágrimas que queriam sair dali e resolveu extravasar a frustração da melhor maneira que podia.
Sem dizer nada se inclinou para beijá-la. Pouco se importando com o mundo ao redor. O beijo não era nada delicado, era Kitty dizendo o quanto queria Marley e o quanto aquela reação que ela estava tendo antecipadamente era idiota. A língua voraz da loira dominava a da morena e ela ignorou a necessidade de respirar. Cortou o beijo, movendo sua boca até o pescoço de Marley, beijando-a com paixão ali e provocando baixos gemidos. Quando se afastou colou sua testa na dela, ofegante.
K: Eu te amo droga! Entende isso e para com essa maldita insegurança. Com esse medo de que eu me afaste. Em nenhum momento eu fiquei apavorada por causa do que aconteceu hoje. Parece que quanto mais eu tento demonstrar as coisas pra você mais frágil você fica... Era pra ser ao contrário, era pra você já ter percebido que eu não estou de brincadeira.
Marley se sentiu extremamente envergonhada. Parecia extremamente ridícula toda a cena que ela fez na frente de Kitty.
M: Eu não sei o que eu estava pensando, me perdoa... [pediu em tom choroso] Por favor...
Kitty movimentou suas mãos até as pernas da morena, acariciando-as e soltou um longo suspiro.
K: Eu vou consertar você. [disse em um tom sentido] Eu não sei por que você é assim, mas eu vou te consertar. Eu vou fazer você se sentir segura.
Kitty selava com isso a promessa que achava que era sua desde o início. Desde que olhou a morena pela primeira vez ela sabia que estaria ligada àquela garota. E ela iria além, se fosse preciso para livrá-la de todos os seus medos. Não era mais uma questão de tratá-la como sempre deveria tê-la tratado, era o amor que a loira sentia e que não iria permitir que Marley se sentisse insegura. Nem ao seu lado e nem longe dela.
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