Não vou lutar contra o que eu sinto...
10 Capítulo 10 - Um lado meu que você não conhecia...
Notas iniciais
As duas se beijavam com calma agora, se acariciando com adoração. Kitty decorava cada linha do rosto, pescoço, barriga de Marley com as mãos. Enquanto a morena explorava a sua boca como se fosse a primeira vez que elas se beijavam. Sentiam-se mais apaixonadas agora em que disseram que se amavam. Era como se tivesse libertado algo dentro das duas. A loira passou a distribuir beijos delicados pelo rosto de Marley, afastando-se dela depois e sentando-se no banco do motorista. Marley também se levantou, ajustando o banco do carona.
K: Fica lá em casa hoje comigo... [pediu]
M: E os seus pais?
K: Eles estão viajando.
M: Eu não sei Kitty, eu nem falei nada com a minha mãe...
K: Manda uma mensagem dizendo que vai dormir na casa de uma amiga. Por favor, eu preciso ficar com você hoje. [disse de forma doce]
Como negar?
M: Ok! [lhe deu um selinho]
A loira abriu um sorriso e ligou o carro. Marley encostou-se em seu ombro enquanto a mão de Kitty pousava em sua perna, acariciando-a delicadamente.
Mal tinham entrado na casa da e os lábios da morena já tomavam conta da boca de Kitty, cheios de desejo. As mãos da loira foram parar em sua cintura, apertando-a enquanto ela passava os braços por seu pescoço. Kitty segurou as coxas de Marley, suspendendo-a e a levou no colo até o quarto. Empurrou-a até a cama, caindo sobre ela. Devagar a loira colocou as mãos na barra do vestido de Marley e o retirou. A morena arfava nervosa, mas permitiu. Era a melhor sensação do mundo ver Kitty olhando seu corpo coberto apenas por uma lingerie em completo desejo. Ela retirou seu vestido também, ficando as duas em igualdade. Voltou a beijá-la, passando a mão carinhosamente pela barriga de Marley. Delicadamente a morena segurou seu rosto afastando-a. Kitty não entendeu, mas então viu o que ela estava fazendo. A morena olhava para seu corpo definido, admirada. A loira desceu, deixando-se encaixar no corpo dela. Pele na pele, as duas gemeram. Kitty sabia que se não parasse agora não ia se segurar e se afastou antes que se beijassem de novo. Era lindo ver o corpo de Marley subindo e descendo devido à sua respiração ofegante e o olhar brilhante de desejo dela.
K: Desculpa, mas meu autocontrole não é tão forte assim [sorriu para ela, levantando-se em seguida].
Kitty foi até o armário e pegou duas toalhas e dois conjuntos de pijama, um pra ela e um pra Marley. Seu andar sendo seguido pelo olhar fixo da morena.
K: Quer tomar banho antes de mim?
M: Pode ir, eu espero [sorriu]
Um banho gelado era tudo o que Kitty precisava no momento para se acalmar. Saiu vestida e deitou-se na cama para esperar a namorada. Ela voltou, também vestida, e logo se aconchegou ao corpo quente da loira, que a abraçou.
K: Marley... [chamou]
M: Hmm... [respondeu]
K: Você comeu hoje?
M: Comi...
K: Tem muito tempo?
Marley hesitou.
M: Mais ou menos...
Kitty afastou-se dela, pondo-se de pé.
K: Vem, eu vou preparar alguma coisa pra gente comer. [estendeu a mão]
M: Kitty, eu não estou com fome...
K: Não faz isso. Você está com fome sim... [insistiu]
M: Eu me acostumei a comer pouco.
K: É, mas isso não te faz bem. Por favor, não vamos brigar de novo por isso. Por favor. Eu não quero mais morrer de preocupação toda vez que você passa mal...
A morena percebeu a agonia na voz de Kitty. Era mais arrependimento do que tudo. Ela ainda estava com a mão estendida, então Marley a segurou e se levantou. Kitty sorriu, lhe dando um selinho e descendo com ela. A loira preparou panquecas para as duas e ficou feliz ao ver que a morena comeu uma quantidade razoável. Elas conversavam normalmente, quando Marley disse:
M: Eu não estou me sentindo bem...
K: Marley...
M: Isso é sério Kitty. Eu... Eu não consigo... [agoniou-se]
K: Isso é psicológico.
Marley se levantou, Kitty imitou o gesto. Deu a volta na mesa e segurou o rosto tenso da morena.
K: Para com isso. [olhou em seus olhos] Não! Me escuta [puxou o rosto de volta quando ela tentou retirar], isso faz mal pra você. Eu sou a sua namorada e me importo com você, e estou dizendo que isso te faz mal. Você não precisa disso.
Os olhos da morena ficaram marejados, ela parecia lutar contra alguma coisa dentro de si mesa. Olhava para Kitty, mas seu olhar não estava realmente ali, ela não a via.
K: Eu quero que você olhe pra mim, de verdade [ela olhou]. Presta atenção. Você não pode comer pouco, se não você desmaia e passa mal. Você não pode comer e vomitar, que você fica fraca. O seu corpo protesta toda vez que você faz isso. E o seu corpo é lindo. Ele não precisa que você faça nada disso. E nem eu. Eu não ligo pra aparência que você tiver, eu me apaixonei pelo seu coração. Por você ser do jeito que você é, pelo seu olhar, pelo seu sorriso, pelo seu jeito de falar, de agir... Eu não consigo explicar. Mas isso não é uma coisa que possa mudar.
Marley tremia. Ela parecia estar prestes a desabar, então Kitty a abraçou.
K: Você vai ficar bem... Eu estou aqui. [disse segura]
Marley começou a chorar. Não era um choro desesperado, era calmo, por ter Kitty ali. Devagar, a loira afastou-se do abraço e puxou pela mão de volta ao quarto. A morena parou de costas, em frente à cama e Kitty a abraçou por trás, colocando seu cabelo de lado para beijar sua nuca, seu pescoço. Puxou-a para a cama e se deitaram. Kitty deitou-se de lado, acariciando a barriga da morena por debaixo da blusa.
K: Sabe, eu estava pensando em uma lista de coisas para fazer com você. [disse para distraí-la]
M: Como assim?
K: Você é a minha namorada. Eu quero te levar em todos os lugares. [sorriu]
M: E se alguém vir a gente?
K: Não vão ver.
M: Mas se acontecer...
K: Então não tem nada que possa ser feito. [concluiu] Eu percebi que não quero deixar de fazer as coisas com você só porque os outros podem ver. A única coisa que realmente me importa é a minha família, porque se eles ficarem sabendo a situação pode ficar complicada. Mas o resto não. Você se importa com o resto?
O olhar de Marley para Kitty era de pura admiração. Mais uma vez era apresentada a um lado dela que não conhecia. E se apaixonava mais por isso.
M: Não, não me importo. [disse firme]
K: Então está certo. Você é minha e ninguém tem nada a ver com isso [sorriu satisfeita, fazendo a morena rir].
Marley puxou Kitty para um beijo. A loira realmente devia ter um dom para fazer a tensão que ela sentia sumir. O episódio na cozinha foi esquecido e a morena não sentia mal estar. Sentia-se muito bem, na verdade. Apaixonada por aquela loira que tanto fazia por ela. Apaixonada por aquela língua que invadia sua boca com maestria, tirando-a do sério. Por aqueles lábios que a transportava para uma realidade só delas. Ela sabia agora quem de fato era Kitty. E ela não era nem de longe arrogante ou fria. O beijo foi cortado e elas se abraçaram, até sentirem o sono chegar.
Logo de manhã a morena teve que ir embora, tinha combinado com a sua mãe de voltar antes do almoço. Kitty não queria deixá-la ir embora, prendeu-a o máximo que pôde, obrigando-a, inclusive, a tomar o café da manhã.
A morena chegou em casa e encontrou sua mãe acordada.
M: Oi! [sorriu, abraçando-a].
Mi: Oi... Posso saber na casa de qual amiga você estava? [olhou para a filha, desconfiada].
M: A senhora está duvidando de mim?
Mi: Não. Eu estou preocupada com você. Você ainda é muito nova e tem muito pela frente. Você tem certeza que estava na casa de uma amiga?
M: Você acha que eu estava aonde? Na casa do Jake? [provocou]
Mi: Você está desconversando comigo e nunca fez isso antes. Eu só quero que me responda com sinceridade na casa de quem estava.
Marley respirou fundo. Ela não mentia para sua mãe. Mas, qual seria o problema em falar a verdade?
M: Eu estava na casa da Kitty.
Mi: Na casa de quem? [olhou para a filha, incrédula].
M: Da Kitty.
Mi: Marley, o que você estava fazendo lá?
M: Ela me chamou e eu fui. Ela não é uma pessoa ruim mãe. A gente virou... Amiga. [hesitou em dizer]
Mi: Marley, isso não está certo. Essa garota só sabe aprontar pra cima de você. Eu não quero saber de você indo pra lá de novo [disse séria]
M: Mãe, eu confio nela.
Mi: Eu não. E não quero saber disso de novo. Ela está aprontando de novo e eu não quero te ver mal por causa dela. Você não entende o tipo de criação que ela teve? O tipo de caráter que ela tem?
M: Eu sei o caráter dela. [disse firme]
Mi: Então deve saber que ela é pessoa ruim. Eu não quero saber de amizade com ela.
M: Isso não é a senhora que decide.
Mi: O que é isso agora Marley?
M: A senhora não me escuta! A gente se entendeu, ela me pediu desculpas! [tentava argumentar]
Mi: Mas eu não quero saber disso e pronto. Entenda que eu só estou tentando te proteger!
M: Não, a senhora está me impedindo de julgar as coisas e decidir o que é certo.
Mi: Não é com essa idade que você saberá o que é certo pra você mais do que eu [disse calma]. Vai me dizer que de uma hora para a outra ela mudou? Você realmente acredita nisso Marley? Porque se acredita está sendo ingênua.
M: Eu não vou mais discutir isso... [subiu para o quarto magoada]
Pegou o celular e discou o número que já sabia de cor.
K: Oi amor... [atendeu sorridente] Já chegou em casa?
M: Já... [respondeu desanimada]
K: Ei... Que tom de voz é esse? Aconteceu alguma coisa?
M: Nada demais... Eu conversei com a minha mãe... Sobre a gente.
K: Você contou pra sua mãe?!
M: Não sobre isso, mas eu disse que a gente tinha se entendido como amiga... E que eu dormi na sua casa ontem...
K: E o que ela disse?
M: Ela não gostou. Ela não confia em você.
Kitty não conseguiu identificar o que Marley queria dizer com o tom empregado na última frase.
K: Você confia? Você confia em mim?
M: É claro que eu confio em você! [disse rápido]
K: Eu não sei... Se você ainda não se sentir totalmente confortável com a ideia de que eu mudei tanto pode conversar comigo... Eu não vou brigar com você.
Marley percebia o desapontamento com que Kitty dizia aquilo, embora tentasse não mostrar.
M: Kitty. Eu estou com você. Eu não estaria com você se não acreditasse que você mudou, se não confiasse em você... Eu sei que ainda pode ser difícil. Mas o que eu estou tentando te dizer com essa ligação não é que eu fiquei insegura. É que eu me senti mal por não poder mostrar a pessoa que você é para os outros e fazê-los mudar de ideia. E o que a minha mãe pensa me incomoda...
K: Entendi.
Kitty não tinha se convencido, Marley sabia disso.
K: Eu preciso desligar.
M: Kitty...
K: É sério... Mais tarde eu ligo pra você.
M: Eu te amo. Eu preciso de você. E você precisa confiar no que eu falo também.
K: Eu sei... Amo você.
O tom da loira na última frase foi mais carinhoso, mas ainda não tinha passado a confiança que Marley queria que ela sentisse também.
A loira assim que desligou o telefone teve a consciência de que não seria mesmo fácil. A ideia de perder a morena sempre estava em sua cabeça. E sempre parecia que seria por alguma atitude passada sua. Respirou fundo. Ia fazer de tudo para Marley se sentir protegida com ela. Não podia errar. Era o início do namoro das duas e ela iria se esforçar pra dar certo. Estava mais do que na hora de mostrar que ela podia ser mais do que a morena sempre imaginou...
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