– Você não vai fazer nada? — Alexis perguntou indignada em direção ao pai, sua voz tinha um q de incredulidade. Não podia acreditar que o pai estava simplesmente deixando a detetive casar-se com outro. Qual era o problema dele afinal?

– Estou fazendo meu sanduíche. — Respondeu normalmente como se nada estivesse acontecendo. Alexis suspirou e apoiou os cotovelos no balcão, ficando assim de frente para o meu.

– Pai, você sabe que a detetive vai se casar, não sabe? — Ela voltou a perguntar olhando-o atentamente.

– É claro. Tem até um convite ali em cima. — Resmungou.

– Então... Porque não está fazendo nada?

– Oras, porque seu pai é uma banana! — Uma voz soou das escadas, Richard e Alexis encararam Martha descer as escadas com mais algumas folhas de papéis em sua mão. — Concordo com Alex, deveria ir correndo atrás dessa detetive, afinal, ela te aguenta durante todo o dia!

– Obrigado mamãe. — Franziu as sobrancelhas encarando as duas mulheres, e então Alexis sorriu esticando as chaves em direção a ele. — Acham mesmo que devo fazer isso?

Alexis e Martha bufaram.

– Tudo bem, tudo bem. — Ergueu as mãos em rendição. — Desejem-me sorte, e que a Beckett não atire em mim... — Murmurou em um tom mais baixo.

Castle respirou fundo assim que entrou em seu carro. Não estava acostumado a esse tipo de sentimento, quer dizer, desde que conhecera a detetive ela tinha bagunçando sua vida, deixando-a de cabeça para baixo, e ele até que gostava disso, tanto que fazia de tudo para estar perto da mulher. Não podia negar, realmente a amava e nunca deixara isso claro para ela, até receber a noticia de seu noivado. Quando foi que Beckett começara a namorar? Santo Deus! Não sabia nem mesmo que ela estava saindo com alguém, e ele sempre sabia das coisas sobre Beckett, claro, insistia tanto que ela sempre lhe contava tudo. Não percebeu que já havia chegado ao local da igreja, não era nada muito sofisticado, o que era totalmente Beckett. Ele passou os dedos pela testa e notou que suava frio, mas precisava correr, precisa impedir que ela se casasse com o bombeiro idiota que mal falava sua língua. Seu estômago se revirou com o pensamento.

Ele se aproximou mais lentamente do que gostaria, mas sem conseguir comandar suas pernas a irem mais rápido, certamente, preferia mil cadáveres para investigar do que essa situação nada confortável, e se Kate atirasse nele? Pior, e se Kate dissesse ali, na frente de todos que não o queria? Nem pintado de ouro? Se enfiaria em um buraco na terra e lá ficaria escrevendo sobre seu fracasso amoroso.

Se aproximou da porta de madeira que se encontrava fechada e encostou o ouvido na porta, tentando ouvir qualquer coisa lá de dentro, se Alexis estivesse ali, ela o mataria e depois o empurraria para dentro, mas ele precisava ser cuidadoso, cada passo era importante, e é claro, estava morrendo de medo também. Nunca correra atrás de mulher alguma, geralmente, era elas quem corriam atrás dele. O que diria a Kate?

Se alguém tiver algo que impeça esse casamento, fale agora ou cale-se para sempre...

A voz do padre soou abafada atrás da porta e Castle respirou fundo mais uma vez, bom é agora ou nunca, então, que seja agora!

Então eu os declaro...

– Não!

O grito ecoou por toda igreja causando espanto nos convidados e nos noivos, Kate encarava Castle – que agora se encontrava no chão, com um sorriso amarelo enfeitando o rosto -, com as sobrancelhas franzidas, um claro sinal de confusão.

– Senhor? – Pergunta o padre ao mesmo tempo que a voz furiosa de Beckett grita um “Castle?!”

– Eu tenho algo contra o casamento. – Declara se levantando e batendo as roupas que haviam ficado empoeiradas.

– Você o que?! Ficou louco? – Beckett praticamente gritou e Castle se viu obrigado a fita-lá, sua boca se formou em um “O” ao observar a detetive com um vestido de noiva. Nunca em mil anos a imaginaria vestida assim, e ainda assim, não podia estar mais linda. O vestido era muito compatível com sua personalidade durona, não haviam babados ou vários pingentes cheios de frescuras, pelo contrário, era algo tão simples que o tornava ainda mais bonito. O cabelo estava preso em um nó mal feito, alguns cachos soltos caiam em volta do seu rosto, onde ela estava perfeitamente maquiada. Estava linda. Concluiu Castle após a encarar feito um bobo por um tempo que não sabia definir. – Castle?! Está me ouvindo? O que está fazendo aqui?

– Não posso deixa-lá se casar, Beckett. – Respondeu simplesmente.

– O que?! Porque não? – Ela balançou a cabeça e pousou as mãos na cintura, encarando-o com sua costumeira autoridade.

– Bom... Porque... Bem... Porque... – Ele remexeu na gravata e engoliu em seco, sentindo o ar mais quente de repente. – Porque...

– CASTLE! – Ela voltou a gritar e ele respirou fundo erguendo o dedo indicador no alto, pedindo um tempo a ela.

– Bom, porqueeumeioquemepaixoneiporvocê. – Ele tossiu duas vezes logo após terminar a frase enrolada e encarou a detetive em expectativa. – Entendeu? Ah não entendeu não é? Não entendeu...

– Castle? É meu casamento. Diga o que quer e dê o fora!

Eumeapaixoneiporvocê. – Voltou a repetir e Beckett entendeu menos ainda, já que dessa vez a frase saiu mais curta.

– O que? Diga devagar!

Castle suspirou e gesticulou em direção a ela com as mãos. – Eu me apaixonei por você. – Declarou firmemente.

Kate passou um minuto inteiro encarando-o incrédula, o queixo caído e ninguém naquela igreja se atreveu a interromper o show que o casal dava. Nem mesmo o noivo. Por fim, Beckett balançou a cabeça.

– Como é? E você me diz isso agora?! Aqui?! – Sua voz soou furiosa e Castle comprimiu os lábios sabendo que ela tinha razão.

Ele assentiu. – Eu sei, eu sei. Fui um completo estúpido, mas demorei a reconhecer isso, certo? Eu não estou acostumado com esse tipo de situação... Estar apaixonado... Outra vez, você entende? – Kate continuou encarando-o furiosa e ele suspirou mais uma vez. – Eu lamento ter demorado tanto a notar isso Katherine, mas eu realmente me apaixonei, foi tarde demais e eu não notei os sinais, eu não notei que estava deixando você escapar por entre meus dedos, fui um tolo e assumo isso, mas eu a amo. Eu sinceramente te amo Kate Beckett. Amo seu jeito durão e suas respostas duronas, e seu modo de investigar os casos e quando você joga um cara contra a parede, ou quando conversa de um jeito tão inteligente sobre um corpo morto. Adoro trabalhar com você e quando completa minhas frases e temos a mesma linha de raciocínio, eu adoro os raros momentos que você sorri. – Fraziu as sobrancelhas. – Gosto do cheiro do seu shampoo também, apesar de não saber identificar direito o que é. Gosto da cor da sua pele, e da maciez dela. Eu gosto e adoro tudo em você, Beckett. Não soube disso até hoje, não me dei conta. – Ele deu de ombros. – Sei que já perdi você, mas eu precisa tentar e dizer tudo isso. Egoista, eu sei. Mas eu precisava, Alexis tem razão. Eu nunca me perdoaria se guardasse isso para sempre.

Kate o encarou com a expressão fria e sem emoções, e Castle soltou um suspiro encarando-a apelativo.

– Acabou Richard?

Ele engoliu em seco e assentiu.

– Ótimo, queira se retirar, eu preciso me casar. – Resmungou encarando-o ainda impassiva, não queria demonstrar o quanto isso a havia afetado. – Por favor.

– Tudo bem, adeus Kate. – Sua voz soou praticamente como um sussurro e ele deu as costas para ela, abrindo as portas da igreja e saindo para fora, encontrou Alexis e Martha nos degraus, as duas carregavam sorrisos cheios de expectativas que se desmancharam quando observaram as feições de Rick. – Leve o carro e a Alex para casa, mamãe. – Disse monotonamente para a mãe entregando as chaves.

– Para onde vai, pai? – Alexis perguntou segurando uma de suas mãos. Rick sorriu para a filha e acariciou sua mão.

– Só dar uma volta, filha. Estarei em casa para o jantar. Peça pizza!

Alexis assentiu sabendo que o pai precisava ficar sozinho e suspirou logo em seguida soltando as mãos dele. Rick virou-se e caminhou em direção a enorme praça que rodeava a igreja, era um bom lugar, poderia dar voltas e voltas até se cansar tanto que cairia na cama sem se lembrar do dia de hoje, e então, se trancaria no quarto e escreveria como Nikki Heat morrera.

...

Kate encarou o moreno ao seu lado e o padre a sua frente, olhou então para a aliança em seu dedo e notou como ela estava errada ali. Não podia se casar com quem estava casando, deveria estar com outra pessoa. Chateou-se por manda-lo embora, mas certamente, ainda tinha chances. Ele havia dito que a amava. Alguma coisa agitou-se dentro de si, e a deixou ainda mais eufórica, a aliança parecia pesar duas toneladas agora.

Ela retirou o circulo dourado dos dedos e o entregou ao homem ao seu lado. – Eu lamento. Lamento mesmo. Me perdoe, padre. – Murmurou antes de dar as costas e atravessar a igreja sob os sussurros chocados e os gritos encorajadores de alguns. Abriu as portas de madeira em um rompante, encontrando Alexis e Martha entrando no carro de Castle, vasculhou o lugar com os olhos e não o encontrou, então, virou-se para as duas que a encaravam com sorrisos encorajadores.

– Onde ele...?

– Por ali! – Informou Martha com um gritinho, e Kate agradeceu rapidamente, enquanto levantava a barra do vestido e jogava os saltos brancos de lado. – Castle! – Gritou sentindo o cabelo se desfazer e espalhar por todo o seu rosto, estava corada pelo esforço, mas continuou correndo em direção ao enorme parque da praça. – Castle! – Gritou mais alto quando o viu a poucos metros, os ombros curvados e os passos lentos. – Castle! Richard!

Ele se virou lentamente em sua direção, e ela diminuiu o passo, quando já estavam perto o suficiente para se ouvirem.

– O casamento...?

– Eu cancelei! – Respondeu ofegante. – Cancelei o casamento.

Castle permitiu que um pequeno sorriso invadisse seu rosto e se aproximou da detetive, estando perto o bastante para sentir seu perfume. – Porque fez isso, Kate? Eu achei... – Ele balançou a cabeça confuso e Beckett segurou seu rosto entre as mãos e colou seus lábios ao dele, calando-o. Então se afastou e sorriu.

– Porque... Eu também te amo, Richard!

Notas finais
É isso. Curtinha. sl. '-' Caso alguém leia, cometem pf? É minha primeira sabe? :c
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!