Não se apaixone por ele

3 Alô, bombeiros? Socorro?


Senti meu rosto arder, e me sentia cansada. Queria ficar na cama, porém abri os olhos de uma vez assim que alguém me deu um tapa e me chacoalhou feito uma boneca de trapo.

—Isso doí – Falei com raiva.

Abri meus olhos e Theo, João e Aline me olhavam. Todos tinham as roupas sujas de sangue, porém, nenhum ferimento. Me lembrei na hora o que havia acontecido. Olhei para todos, um por um e percebi que os idiotas haviam caído também. Bem feito, pensei com ódio.

— Sofia, você tá bem?- Theo me perguntou passando a mão pelo meu braço esquerdo.

Me sentei direito no chão e olhei para cima e não respondi. Incrivelmente, não sentia nenhuma dor. Olhei para os lados e para Aline, o que eu julgava ser a melhor entre os três.

— Como vamos sair daqui?

— Os Celulares estão quebrados – João informou.

Vi meu celular na mão do João. Olhei em volta, não havia saída, as paredes eram lisas, a luz era quase inexistente. João e Aline se afastaram procurando algum meio de sair.

— Estou bem— Respondi finalmente para Theo que ainda esperava uma resposta. Ele segurou minha mão. Eu estava um tanto tonta com tudo. Há quantas horas estávamos ali? Pensei, querendo chorar. João se aproximou e sem uma única palavra, me entregou meu celular. Olhei meu celular quebrado e depois para Theo, que estava do meu lado e olhava os amigos e tinha cara de quem estava pensando em como nos tirar dali, Theo não era o cara mais inteligente da escola Se fossemos depositar todas as nossas esperanças de sair dali nele, morreríamos ali.

O desespero da noite passada voltou com tudo. Estava viva, mas não sabia como sair dali. Comecei a chorar. Juro que não queria parecer aquelas meninas fracas e indefesas que hoje em dia você ver apenas em filmes de comédia romântica barata mas não aguentei. Porém, lágrimas inundaram meu rosto e Theo me abraçou e eu não reclamei. Eu não reclamei, por que apesar de Theo ser o culpado, tudo já havia acontecido. Por que eu precisava de um ombro para chorar e por que não queria brigar. Apenas queria sair dali. Acho que se passaram vários minutos até eu consegui me controlar totalmente e parar de chorar. Me afastei de Theo e não disse ao menos um obrigado. Ele não merecia. Peguei meu celular a tela estava toda quebrada, olhei para Theo com o canto dos olhos e o vi abri a boca para dizer algo, mas uma raiva cresceu dentro de mim e me levantei e me distanciei dele para que não pudesse ouvir o que ele tinha a dizer. Tentei ligar meu celular diversas vezes e por diversas vezes fiquei mais frustrada que a anterior, mas finalmente, quando jurei a mim mesma que seria a última vez que tentaria, ele funcionou.

— Gente, o celular da Sofia – Theo disse bem atrás de mim.

Adeus Buraco, pensei ao mesmo tempo que ligava para os bombeiros.