Não há outro amor para mim.
59 Relembro os tempos em que andava de moto com Swan.
Notas iniciais
Tive de fingir estar bem, fingir que não havia recebido um bilhete da admiradora secreta no restaurante em que fomos jantar juntas. Era no mínimo apavorante saber que você e sua mulher estão sendo observadas enquanto jantam e namoram discretamente. Por mais calma que eu tentasse parecer, jamais estaria segura sabendo que alguém que me persegue e eu não conheço está tão próximo.
A tal admiradora nunca apareceu, muito menos hoje. Eu me lembrava de olhar para todas as direções possíveis enquanto conversava com Emma, mas nem sequer uma sombra suspeita eu via.
Jantamos e voltamos para casa um pouco tarde nessa noite. Só me senti segura quando entrei no carro e peguei no volante para levar minha esposa de volta. Ela até estranhou quando dei a partida e cantei os pneus do carro ligeiramente para sair logo do estacionamento do restaurante. Acho que eu não queria mais voltar àquele lugar, embora a comida dali fosse magnífica, o que era uma tremenda pena.
Em casa, Pongo recebeu Emma com grande entusiasmo e quando acabou a festa, subimos para mostrar à ela o quarto pronto de Henry. Minha mulher ficou encantada ao ver que tudo estava perfeito à espera do garoto. Quando Emma voltou para Vancouver da última vez, faltavam alguns detalhes no quarto e, agora, era a primeira vez que ela o via completo.
— Mas que bonito esse quarto ficou. — disse ela, girando nos sapatos para ver tudo. — Você deixou ele melhor do que eu imaginava.
— Ah, não foi nada, eu dei apenas uma olhada numas revistas de decoração. Henry me disse que ele aceitaria a decoração que eu escolhesse contanto que fosse algo simples. — repliquei.
— Pois parece que estou no espaço sideral. — ela tirou a caixa de presente de cima da poltrona de foguete e se sentou ali. — Consegue pensar na cara que ele vai fazer quando ver esse quarto?
— Penso nisso todos os dias. Acho que estou ansiosa para ver ele encantado como você também está. — comentei, olhando para a loira.
Ela sorriu, se aconchegando no macio.
— Eu adoro qualquer coisa de criança, você sabe, eu queria poder ser uma agora para ficar aqui brincando com os carrinhos e bonecos, mas me conformo vendo a alegria do garoto.
Me sentei na cama.
— Algo me diz que ele vai adorar. A assistente social também gostou da decoração, achou que estamos preparadas para cuidar do Henry em matéria de conforto.
— Muito bom. E quando marcou para ela vir novamente?
— Vou ligar amanhã e pedir para ela vir na quinta, o que acha?
— Ótimo. — assentiu minha loira.
...
Na quinta-feira pela manhã, Cruela voltou a nos vistar, já que Emma havia retornado para conversar com ela. A assistente parecia pouca coisa mais simpática do que da vez em que veio, até sua cara de megera da Disney estava com uma expressão mais leve. Emma e eu nos olhamos e pensamos a mesma coisa, pelo visto isso era sinal de sorte.
Dessa vez, Emma ficou com Pongo, enquanto Cruela adentrou a casa e o cachorro latiu para a mulher, dando um susto e tanto nela.
— A senhora não me disse que tinham um cachorro, Regina. — disse Cruela, colocando uma mão sobre o busto depois de quase pular e deixar sua prancheta cair no chão.
— Ah, ele estava lá no quintal quando você veio aqui pela primeira vez. Se chama Pongo, nós o adotamos há alguns anos. Já é um cão velho.
Emma passava a mão na cabeça do cachorro que abanava o rabo inquietamente. Creio que ele não tenha gostado muito da assistente social.
— Um Dálmata, hum? Deram o nome perfeito para ele, parece até ter saído do filme. — ela disse, indo se sentar no sofá que indiquei.
Pongo deu outro latido e eu juro que imaginei ele dizendo para Cruela: “Igual a você.” Emma o levou para fora e voltou.
— Muito prazer, eu sou Emma. — disse, apertando a mão da assistente com a outra.
— Muito prazer, Emma. Eu contei a sua mulher que sou fã dos seus filmes. — Cruela até deu um sorriso, mas não acreditei muito nele.
— Muito obrigada. — respondeu Swan, se sentando no sofá ao lado de onde ela estava. — Eu estava viajando a trabalho quando a senhora esteve aqui da primeira vez, soube que gostaria de me fazer algumas perguntas.
— Sim, Emma. Há algumas questões pendentes no relatório que devo enviar ao juiz que está cuidando do caso de vocês e Henry. São apenas algumas questões básicas que obrigatoriamente devo fazer para o casal. — A assistente, arrumou a prancheta. Parei ao lado de Emma, e esperamos. — As duas têm recursos financeiros, moradia estável, podem oferecer conforto ao menino e o principal, a intenção de adotá-lo em definitivo. Confesso que fiquei muito impressionada com tudo o que vi, não tenho dúvidas de que Henry será bem cuidado quando vier morar com vocês. — Assentimos para ela. — Emma, quando surgiu a vontade de adotar?
Emma me olhou de relance e depois respondeu:
— Sempre quis ser mãe, desde muito nova eu sempre quis adotar uma criança. Quando me casei com Regina, sugeri que tivéssemos um filho e que adotar era uma das opções. Algum tempo passou, eu fiz uma inseminação que não deu certo, então voltamos a ideia de adotar. — Emma meio que deu de ombros. Para ela era sempre estranho se lembrar da inseminação. Notei quando ela disse a palavra, o jeito como a voz queria embargar. Pousei a mão em seu ombro e apertei lentamente.
— E você, Regina? Compartilhava da mesma vontade de ser mãe? — Cruela perguntou, direcionando sua atenção a mim.
Engoli em seco, abanando a cabeça.
— Na verdade não. — Me calei por alguns segundos, tentando encontrar as palavras certas para explicar aquilo. Cruela anotou alguma coisa no papel sobre a prancheta imediatamente. Então voltei a dizer: — Eu nunca quis ser mãe. Nunca me passou pela cabeça ter um filho, mesmo depois de me casar com Emma. Por isso demoramos a tentar a inseminação e agora a adoção.
— Mas então o que a fez mudar de ideia? — A voz da assistente soou curiosamente suave, tentando me entender.
Eu tinha a resposta na ponta da língua, mas algo me travou nesse instante. Olhei para Emma, ela estava quieta, só conseguia ver seus cabelos, o alto de sua cabeça loira brilhante, ela não me olhava, ou devia estar com medo de fazer isso. Achei um jeito de recuperar minha coragem de falar abertamente sobre meus motivos. Afinal, o que custava falar a uma desconhecida que minha mulher era meu motivo? Peguei a mão de Swan, entrelaçando na minha.
— Emma. — disse entre um sussurro. — Foi ela, foi tudo o que passamos.
Cruela pareceu comovida.
— Acho que a história de vocês duas é mais longa e bonita do que contam as revistas. — disse ela, com os olhos abertos demais de quem ficara impressionada.
Emma apertou meus dedos entre os seus e assim continuamos a responder as perguntas da assistente social. Quando Cruela questionou sobre adotarmos mais uma vez após Henry vir viver conosco, Emma relutou.
— Talvez não vamos adotar novamente.
— Henry então será filho único?
— Talvez, Regina e eu vamos ter outro filho, mas não será através de adoção.
Senti um frio no estômago, contudo, Emma deixou o “talvez” no ar. Não significava que ela iria engravidar, ao mesmo tempo que podia significar que eu teria aquele filho do qual ela se referiu, só não sabia disso.
Fiquei alheia ao que as duas conversavam, de um jeito que não percebi que as perguntas de Cruela haviam terminado.
— Eu gostei muito de conversar com vocês duas. Acho que posso assinar esse relatório e enviá-lo amanhã mesmo para o juiz. — disse ela, se levantando do lugar.
Emma fez o mesmo e a guiou até a porta.
— Obrigada. Vamos esperar ansiosas o resultado e decisão do juiz. — disse. — Não é, meu amor?
Virei para as duas, ainda meio que distraída e tonta.
— Oh, sim... Claro. — fiz que sim.
— Espero que tudo dê certo. — Cruela apertou nossas mãos e saiu quando Emma abriu a porta para ela. — Ah, a propósito... Sabem onde arrumo um cão como o de vocês?
— Ahm, nós adotamos Pongo no abrigo de animais há muito tempo. — falei achando a pergunta dela engraçada.
— Compreendo. Interessante. Há anos não via um como o de vocês. — ela disse, fazendo uma cara de maluca, se é que aquilo podia-se chamar de cara de maluca, ela naturalmente parecia maluca.
Enfim, a assistente foi embora e Emma fechou a porta com calma, enquanto eu voltava para as escadas, indo em direção ao quarto para tomar banho e ir trabalhar. Minha mulher me chamou da sala, percebendo que eu ficara preocupada com qualquer coisa.
— Regina, você está se sentindo bem?
Parei no momento em que ela falou, no meio dos degraus.
— Eu estou bem, não foi nada, Emma. Tenho que subir e me aprontar para o jornal, sim?
No momento em que disse que não significava nada, Emma teve certeza de que eu estava incomodada com algo.
Depois do banho a encontrei no quarto, sentada na beira da cama, me esperando. Passei por ela de toalha para buscar a parte de cima do meu terninho que estava na poltrona do outro lado do quarto. Emma aproveitou para me agarrar e me jogar na cama, subindo em meu corpo, me prendendo.
— Agora que resolvemos o problema com a assistente, podemos comemorar um pouquinho, hein? — ela disse, me beijando na boca demoradamente.
Se eu não tivesse me lembrado da hora, ficaria com Emma, a beijando pelo resto da manhã daquele jeito. Bati em seus ombros, enquanto era inundada de mordidas no pescoço.
— Emma, eu sei o que você quer, eu adoraria comemorar, acontece que preciso ir trabalhar, já estou ficando atrasada. — soltei um gemido alto quando Swan roçou seus dedos lá embaixo em mim.
— Não tem problema, eu te levo de moto... — disse, abafada no meu pescoço.
Dei um riso leve.
— Você está brincando? Eu morro de medo de andar na moto com você! Vamos, Emma, me deixe ir, a noite faço um jantar e comemoramos.
Ela me olhou e respirou fundo, mordendo o próprio lábio.
— Foi algo que eu disse?
Mantinha as mãos nos ombros dela por cima da roupa, virei o rosto sem querer contar a ela o que pensei enquanto conversávamos com Cruela.
— Regina, eu gostaria de estar enganada sobre a cara que você está fazendo. O que foi que eu disse à assistente que você não gostou?
— Não quer dizer que eu não tenha gostado — voltei a vê-la. — Fiquei apenas nervosa.
Emma me observou com uma cara preocupada. Alisou minha bochecha, sem se convencer do que eu dizia.
— Olha nos meus olhos, Regina. Talvez não significa um não. Talvez significa possibilidade. Eu juro que estou pensando no que me pediu, uma tarefa nada fácil depois do que passei, mas eu tenho uma motivação, a forma como mudou. Quando eu me decidir, pode ter certeza de que estarei pensando em você. — dizia ela achando que eu não havia concordado com o que ela disse antes sobre dar um irmão a Henry.
E se eu contasse à Emma que me imaginei grávida? Não. Era cedo. Ela ainda poderia pensar em ter esse bebê por nós duas e eu não teria de me preocupar. Mas existe um enorme obstáculo a impedindo, o medo de falhar outra vez.
Fechei meus olhos após fazer o que ela pedia com atenção. Puxei seu rosto para mim e dei outro beijo para encerrarmos o assunto.
Para compensar o princípio de mal estar que tivemos por um assunto que mal resolvemos ainda, decidi aceitar a carona de Emma em sua moto. Eu tinha medo de andar com ela na garupa, há tempos que não fazíamos isso. A última vez foi quando ela restaurou a moto e eu sabia que ela gostava de correr.
— Nem parece que você já cansou de andar comigo nessa moto, Regina. — disse, Emma, colocando o capacete. — Se agarra em mim, firme.
Me ajeitei atrás dela após subir na garupa da moto.
— Eu perdi o costume, meu amor, e pelo o que sei você gosta muito de correr na estrada. — falei, cheia de receio, enquanto ela ria.
— Você é bem esquecidinha. Me lembra o Henry que vive esquecendo o que contamos para ele. — replicou. Me fazendo pensar que já havia falado a mesma coisa para o nosso futuro filho. Se ele tinha alguma coisa parecida comigo, podia mesmo ser a memória seletiva. — Pronta? — Emma deu a partida assim que pus o capacete.
— Pronta. — eu falei e Emma deu a partida no mesmo instante.
Apesar do frio na barriga, não demorei a me lembrar do quão bom podia ser andar na garupa de uma moto. Emma acelerou e fomos embora em alta velocidade na estrada livre para o centro de Los Angeles.
Quando chegamos na emissora, pouco menos de meia hora depois, Swan me ajudou a descer e tirar o capacete.
— Eu não disse? Você se esqueceu que é muito bom andar de moto comigo.
— Ah, eu e minha memória seletiva. — entreguei o outro capacete para ela, ajeitando os cabelos que estavam bagunçados. — Você vem me buscar mais tarde?
— Claro que venho. Quinze para as seis? É esse o horário?
— Isso, quinze para as seis.
— Deixa comigo. — ela disse, ligando o motor da moto outra vez.
Me estiquei para beijá-la, o que foi um pouco complicado com ela de capacete, mas deu certo.
— Posso saber o que vai ficar fazendo agora a tarde?
— Vou ao orfanato dar um oi para as crianças e ver o nosso garoto, contar a novidade a ele.
— Ele vai ficar eufórico, mais do que já está.
— Vou dizer tudo de um jeito discreto para ele não ficar ansioso demais. Bem, gatinha, bom trabalho, te vejo logo mais. — Emma me jogou outro beijo no ar, fechou o visor do capacete e sumiu em sua moto cor de musgo.
Às vezes, o modo como Emma agia – como acabara de me convencer a andar de moto com ela – me lembrava a Emma do passado. A jovem atriz que me conquistou com sua espontaneidade e carisma. Em outras vezes, eu tinha uma má impressão sobre seu jeito impulsivo. Não que me fizesse mal, muito pelo contrário. Minha única preocupação é saber se Emma usa isso para não precisar pensar em algo desagradável ou qualquer problema, como se tentasse camuflar seus medos que não tinha coragem de me contar. Gostaria que esses medos dela sumissem tão depressa quando ela ficava distante com sua moto no fim da rua.
— O U.S.A News termina agora. Nos encontramos amanhã nesse mesmo horário na MBC. — disse minha clássica frase para os telespectadores e esperei a vinheta terminar de soar pelo estúdio para me levantar da mesa e cumprimentar os câmeras e o diretor. A mesma rotina. Estava perto de completar cinco anos apresentando o noticiário da hora do almoço. Não sabia se Maleficent me daria um pequeno aumento como fez todos os anos que estive na emissora dela. Mas, para pouca surpresa minha, ela tinha outra intensão que poderia me render um enorme aumento, eu só ainda não havia pensado nesse detalhe.
Se lembrando da data que estava prestes a acontecer, a Toda Poderosa veio até minha sala me fazer a antiga proposta.
— O que me diz? Um programa nas tardes da emissora, algo apenas seu, com convidados, entrevistas, matérias exclusivas. Você poderia vir até mais tarde para cá e teria um camarim muito maior do que esse. — explicava Maleficent, fazendo pose com uma mão parada na cintura e a outra tamborilando unhas sobre minha mesa.
— Veja, Maleficent, eu realmente não me importo com camarim grande, acordar mais tarde, cumprir horários. Me acostumei com o noticiário, com a rotina. Um programa de três horas de duração é algo muito maior, algo que não sei se daria conta. — respondi, dando um longo suspiro em seguida.
— Você pode se acostumar com a nova rotina, por que não? Tudo bem se não estiver segura, temos outras opções, outras apresentadoras que podem ocupar esse lugar. Eu apenas apostei em você pelo carisma e aprovação do público. Seria interessante ver como você se sai fora da bancada do U.S.A News.
— Ainda não consegui pensar com calma nisso.
Minha chefe, puxou uma cadeira e se sentou a minha frente, erguendo uma sobrancelha.
— Por que acho que você está evitando pensar na minha proposta e arranjando desculpas para não aceita-la? Eu vejo no fundo dos seus olhos que você quer aceitar o desafio, Regina. O que está acontecendo?
Maleficent acabava de entrar para a lista das pessoas que me decifravam só de me observarem.
— Nada especificamente. É só um novo problema que surgiu na minha cabeça, se é que posso chamar de problema. — passei as mãos pelos cabelos.
— Bom, mas o que seria um problema e ao mesmo tempo não? — ela não entendeu, eu precisava explicar melhor.
— Se lembra da conversa que tivemos semana passada? No dia seguinte, a moça que faz a maquiagem aqui me perguntou se eu tinha pensado em engravidar pela Emma.
Maleficent franziu o cenho.
— E?
— E aí que eu fiquei com a pergunta na cabeça, porque eu nunca pensei, nunca imaginei engravidar na vida. E agora isso se tornou possível depois que decidi que queria que Emma fosse mãe pra superar a primeira inseminação. — eu disse tudo depressa.
Minha chefe coçou a nuca, avaliando minha situação.
— De tudo o que esperava que me dissesse, essa é a novidade mais inesperada.
— Imagino o que pense sobre isso, que é bobagem, que não preciso engravidar... Só que é tarde, eu não posso evitar de me imaginar no lugar de Emma, se devo arriscar, porque querendo ou não, pode ser um alívio para ela, ao mesmo tempo que realizo seu sonho de ser mãe duas vezes.
— Posso não ter sentimentos maternais, Regina, mas eu compreendo os sonhos das pessoas, o da sua esposa e de milhares de mulheres. Hoje em dia se fala muito em filhos, gravidez, famílias e eu respeito muito. Se você acha que deve fazer isso, então o que impede? Vá a clínica. Faça a fertilização e deixe Emma feliz, não é isso que mais precisa?
— É isso que preciso. Mas e se ela decidir engravidar antes? Não vou precisar me submeter.
— Pra ter certeza disso você precisa saber se ela superou a inseminação que fez antes. Quer um conselho? Espere mais alguns dias, até mesmo mais dois meses para ela voltar pra casa, diga que não vê a hora dela estar com a barriga grande. Se ela reagir bem, você só vai precisar ir com ela ao tratamento e em nove meses terão um bebê. Caso contrário, vá você na frente. Mas quando for contar que vai engravidar, cuidado, ela vai querer te jogar para o alto de tanta felicidade.
Sorri, imaginando a cena.
— Pode ser. Tenho que ficar atenta aos detalhes, nas coisas que ela diz. Ela me pede paciência, só que eu vejo que não depende de tempo, ela é mais frágil do que aparenta, não sei se vai suportar.
— Independente do que decidir, você vai arranjar a melhor resposta, inclusive para a proposta que fiz a você. — ela me deu um sorriso compreensivo, precisei retribuir.
Depois que voltei para casa com Emma, ela me contar tudo o que aprontou no orfanato, Henry e me entregar um novo desenho que ele fez para mim, jantamos dois belos pratos de salmão temperado. Havia um dia que aquele pedaço enorme de peixe estava esperando para ser devorado e Emma sabia temperá-lo, eu só tive o trabalho de colocá-lo no forno. Enquanto isso, Swan falava de suas impressões do orfanato. Ele andava vazio, era verdade, algumas crianças das que conhecíamos foram adotadas e deixaram o lugar depois de muitos anos. Sobrou pouco mais de vinte meninos e meninas, incluindo Henry que logo estaria conosco. Era bom saber que pessoas como nós andavam se importando em adotar. O que de certa forma nos orgulhava, pois o índice de procura a instituições do gênero aumentou quando a imprensa soube da nossa atitude e divulgou.
Por fim, quando não tínhamos mais assunto e tudo o que restou foi não resistir ao hálito de menta de Emma após escovar os dentes rigorosamente e ir para cama, dormimos feito pedra a noite inteira. Você sabe o que acontece quando durmo bem assim... Não acordo cedo.
Acabei precisando de outra carona de Emma na moto e dessa vez cortamos o transito em menos de quinze minutos. Eu já podia imaginar as multas de transito chegando lá em casa.
Nada de atípico aconteceu durante o dia. Emma aceitou participar de uma sessão de fotos para uma revista, eu apresentei o jornal e estava editando uma matéria para o jornal de segunda quando meu celular tocou. Uma mensagem.
“ Você estava linda no jornal de hoje! Você não imagina há quanto tempo te acompanho. Que tal um encontro? Podemos nos ver hoje? Agora? Estou nesse endereço abaixo. Venha me encontrar, estou a sua espera.”
Sua admiradora.
Ah, meu Deus, essa mulher de novo! Querendo me ver!
A sensação de desespero me tomava conta novamente, não dava para acreditar. Já estava segurando meu celular trêmula, relendo a mensagem umas dez vezes. O endereço era o de uma livraria em Hollywood. O que diabos essa mulher quer comigo? Claro, me sequestrar, me obrigar a fazer coisas porque ela é obcecada em mim. Eu estou em pânico. Mas e se eu fosse até lá e finalmente pudesse dizer em suas fuças que eu a odeio pelo o que está me fazendo passar? É uma ideia boa, desse jeito eu vou ferir seus sentimentos, ela vai ficar decepcionada e nunca mais vai querer saber de mim. Bem, para garantir que não vou sair mal nessa história preciso de ajuda.
Liguei para Killian e tomamos a decisão de irmos juntos, com a cara e a coragem.
Meu amigo me deu uma carona até o lugar e segurou firme na minha mão quando adentramos aquela enorme livraria que mais se parecia uma loja de departamentos. O lugar tinha além das sessões de livros, café, área para ler e relaxar, sala de música entre outras coisas que uma livraria normal não tinha. Devo admitir que essa loira misteriosa sabe onde se esconder.
Comecei a caçá-la com os olhos. Podia ser qualquer uma. Havia uma centena de mulheres ali dentro e eu me via perdida.
— Regina, tem ideia de quem seja essa mulher? — perguntou Killian, largando de minha mão levemente.
— Nenhuma. Estou começando a sentir medo.
— Você está com medo desde que me mandou a mensagem. Vem, vamos espera-la ali naquela sessão. — ele disse. — Ela terá de dar alguma pista de quem é. Por um acaso sabe se conhece o número dela?
— Não, esse número de mensagem está bloqueado, não consigo ver quem me mandou. — Olhei o celular novamente, e como mágica outra mensagem apareceu.
“No café, me encontre sentada no café, na mesa onde há um embrulho. Estou esperando por você”
Mostrei a Killian e corremos para o Café. Lá estava ela, de costas, aparentemente vestida do jeito que a vi no vídeo da loja de presentes, toda de preto, com boné dos Yankees na cabeça. Espera aí, a única pessoa que eu conheço que tem um boné dos Yankees como esse é Emma.
Kill me pegou no pulso e advertiu:
— Cuidado, vá com calma. Estou logo aqui atrás, qualquer coisa dê um grito.
Assenti e caminhei até ela, vendo um embrulho grande sobre a mesa a sua frente.
Tomei ar e disse.
— Eu vim. — séria.
Ela demorou a dizer alguma coisa, mas quando disse, sua voz soou tão familiar que eu não podia crer no que me aconteceu esse tempo todo.
— Eu sabia que viria. — ela se levantou e se virou para mim. Estava vestindo óculos escuros, mas eu sabia quem era, estava evidente, era ela o tempo todo. — Muito prazer, sua admiradora secreta e loira misteriosa. — sorriu um sorriso de canto, meio debochado quando vi sua sobrancelha direita erguida acima dos óculos.
— Ah, meu Deus... É você! Era você o tempo todo.
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