Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Enfim mais um capítulo da reta final dessa fanfic. O grande dia chegou! Vocês pediram muito para isso acontecer, então eu espero sinceramente que o capítulo agrade. Vamos começar a definir várias coisas a partir desse capítulo. Façam uma boa leitura.


Emma voltaria para Vancouver naquela noite e meu coração já estava apertado, pensando na falta que sentiria dela. Dessa vez, ficaríamos cerca de dois meses inteiros sem se ver. Ainda havia um ritmo grande de gravações para cumprir e da forma como as coisas andavam no U.S.A News, eu não conseguiria folga para ir até o Canadá em menos tempo que isso.

Ficar sem Emma em casa podia ser péssimo, mas eu começava a entender que dessa vez seria necessário. Havia um caminho livre para escolhas, tanto minhas quanto dela e eu tenho a sensação de que Emma não vai pensar nelas tão cedo.

Ainda estou me recuperando do choque que foi saber que ela era minha Admiradora Secreta o tempo todo. Eu devia ter imaginado logo quando recebi a primeira mensagem. Isso é tão coisa da cabeça dela, tão óbvio e no entanto eu não fazia a mínima ideia. Eu nunca fui um gênio para pensar em alguma declaração de amor a altura, embora já tivesse dito o quanto a amava ao vivo para todo o país no noticiário. Se você me perguntar se não tenho sequer uma noção do que posso fazer, a verdade é que tenho. Mas será que valeria a pena? Ando muito certa de que essa seria a maior das declarações de amor que uma mulher poderia fazer ao amor de sua vida, porém, não quero meter os pés pelas mãos e fazer algo do qual eu me arrependa depois. Para todos os efeitos, tínhamos Henry praticamente garantido, ele seria nosso filho dentro de poucos dias. Quando Emma voltasse ele estaria morando na nossa casa e eu teria pelo menos algumas semanas de experiência como a mãe que sempre temi ser.

Arrumei a gola da camisa de Emma por baixo do suéter que ela vestia e fiquei na ponta dos pés para dar um beijo em sua boca, pois ela havia colocado um sapato de salto que a deixara uns três centímetros mais alta.

— Vê se você se cuida, e me atenda quando eu ligar. — disse ela após o beijo, pegando sua bagagem de mão.

— Está bem, eu vou me cuidar, vou atender suas ligações e fazer tudo o que você sempre recomenda, senhorita Swan. Boa viagem.

Ela apenas sorriu e me abraçou, me soltando para entrar na sala de embarque, enquanto eu suspirava feito uma esposa de militar que está vendo seu marido partir para a guerra. Uma coisa que eu havia notado em Emma hoje, era que estava quieta. Não diria que estava incomodada porque não me parecia isso. Não tive tempo de comentar com ela e podia estar também triste por precisar viajar. Era tão difícil para ela quanto para mim.

Antes de cruzar a sala de embarque ela se virou e acenou com um meio sorriso nos lábios. Sim, havia alguma coisa errada, como se algo ruim fosse acontecer e ela estava começando a prever. Voltei para casa preocupada, mas mesmo assim fui dormir e só recebi notícias de manhã.

O celular apitou quando faltavam vinte para as oito. Uma mensagem de Emma dizendo que chegou bem e que estava indo gravar naquele momento porque o diretor a convocara com urgência. Como eu suspeitei, não houve nada com seu avião, ela estava bem e pôde apenas ter sido coisa da minha cabeça, por isso mesmo a respondi de volta e aproveitei para me levantar, ainda zonza de sono.



Semanas mais tarde, com Emma trabalhando a todo o vapor e eu na mesma, me lembrei que devia falar com minha amiga importante. Queria ver Maleficent, uma das cúmplices de Emma na ideia da Loira Misteriosa, precisava contar a ela como descobri e que ela ainda me pagaria por ter me escondido que era Swan o tempo todo.

Na recepção eu já tinha carta branca para entrar na sala da Toda Poderosa, – ordens da própria, que pouquíssimas pessoas tinham liberdade — então sua secretária sorriu gentilmente para mim, disse meu nome e apenas apontou para que eu entrasse.

Bati na porta e entrei, chamando minha amiga-chefe.

— Maleficent? Posso entrar? — fiz isso com cuidado, ela poderia estar ocupada, mas ao contrário, estava com a cadeira virada para o outro lado, segurando um pano e fazendo algum ruído que pude jurar que era de alguém chorando. — Maleficent? — Fechei a porta e me aproximei da mesa, preocupada. — O que aconteceu? O que está sentindo?

Ela finalmente viu quem acabara de entrar em seu recinto e disfarçou, pigarreando e guardando o lenço.

— Regina! Como está? Eu peguei uma gripe forte, não se preocupe. — disse ela.

Se eu fosse distraída teria acreditado nela, mas não me convenceu.

— Tem certeza? Parecia estar chorando? Você está chateada com algum problema?

— Imagina, isso não é nada. Sente-se. — ela me mostrou a cadeira na frente da mesa e colocou seus óculos e eles só me convenceram mais ainda de que ela estava chorando e não gripada. — Não me diga que pensou na proposta que fiz sobre o programa da tarde? — ela arregalou seus olhos sobre as lentes do óculos.

— Na verdade não, Malefi, eu não pensei ainda. Vim falar sobre outro assunto que você escondeu muito bem de mim. — eu falei, puxando a cadeira para me sentar.

— O que eu escondi? — ela franziu a cara.

Sorri ironicamente.

— Minha Admiradora Secreta. Eu descobri quem é.

— Você sabe?! E quem é?

Dessa vez ela não conseguiu fingir tão bem quanto da primeira.

— Emma. — a olhei, esperando sua reação e Maleficent fingiu estar surpresa. — Era Emma o tempo inteiro, não é verdade?

— A Emma?! Minha nossa, mas eu nunca ia imaginar que era Emma por trás dos presentes.

Ri do jeito como ela falava fingindo espanto e até colocando uma mão sobre o peito.

— Tudo bem, Maleficent, você já provou que é boa atriz, só que está péssima hoje. — contive o riso.

— Não entendi. — ela disse.

— Você tentando me enganar. — mexi a cabeça. — Eu sei que participou da brincadeira com Emma.

— Como você soube?

— A própria Emma me contou, você, Killian e Archie estavam sabendo de tudo e não me disseram nada, hum? Disfarçaram bem.

Maleficent ficou sem graça, não sabia onde colocar a cara. Ela baixou o rosto sobre um braço na mesa e riu da situação.

— Eu jurava que Emma não ia contar que eu e seus amigos estávamos nisso. — Ela voltou a me olhar de repente. — Não está aborrecida comigo, está?

— Imagina se eu ficaria aborrecida, mesmo querendo que vocês me paguem.

Ela sorriu mais aliviada e me observou.

— Como Emma contou a você?

— Ela me mandou uma mensagem dizendo que estava no café de uma livraria, eu fui até lá achando que ia me encontrar com a Admiradora, era ela. Depois foi uma confusão que você já imagina e nos entendemos, ela me contou tudo. Eu pensava que era todo mundo, menos ela.

— Deu para ver. Quando Emma me avisou de que você poderia aparecer na minha sala me acusando, fiquei esperando e não deu outra.

— Não deu outra. Ainda me sinto envergonhada por aquele dia.

— Ora, Regina, que bobagem, foi engraçado, convenhamos. Acho até que se Emma não tivesse me avisado eu perceberia o que estava acontecendo com você. — Malefi limpou o canto do olho por baixo dos óculos e não resisti em perguntar o que tinha acontecido antes para ter chorado.

Fiquei quieta e esperei ela voltar a me ver. Talvez não foi uma ideia boa ter ido a sua sala hoje.

— Malefi, o que foi que aconteceu? — usei um tom firme para perguntar, tal qual o que eu usava para dar as notícias no jornal.

Minha amiga ficou sem reação, como se eu tivesse arranco dela uma pergunta que não queria responder. Permaneci esperando a resposta, ela tentou ficar firme, o que quer que fosse, estava a matando por dentro e ela não suportou muito tempo. A Toda Poderosa não conseguiu seguraras lágrimas que rolavam rapidamente pelas bochechas abaixo enquanto ela tentava em vão limpar com um lenço.

— A gripe não convenceu, não é? Ah, Regina, é tão complicado. — balbuciou.

— Eu posso saber? Quando entrei achei estranho te ver abalada.

Maleficent ficou com o olhar perdido, sem coragem de me dizer o que era. Tentei convencê-la.

Ela suspirou.

— Eu acabei de saber uma coisa que eu não esperava. Gerard, ele... Ele acabou de adotar um bebê com a mulher com quem está vivendo hoje. — Minha chefe virou a tela de seu computador e me mostrou a notícia numa página de fofocas. Seu ex-marido havia adotado uma menina com outra mulher. Era uma situação tão chata que me senti mal por ter perguntado. Fiquei olhando para a notícia do site, vendo a foto daquele homem e sua atual parceira, aos poucos eu podia me sentir na pele de Maleficent, a sensação era ruim. Se um dia eu perdesse Emma e me deparasse com uma notícia dessas, não sei se suportaria. — Eu sabia que ele estava noivo, que estava esperando nosso divórcio sair para se casar, mas nunca imaginei que fosse adotar uma criança tão cedo. Eu não sei por que estou me sentindo tão mal, Regina, não consigo evitar de me sentir péssima.

Maleficent desabou na mesa e chorou sobre os braços. Senti tanta pena de ver minha amiga daquele jeito que não pude ficar apenas olhando-a. Me levantei e dei a volta em sua mesa para tocar em seu ombro. Desliguei a tela de seu computador para ela não ter de ver aquela notícia novamente.

— Malefi, eu sinto muito. — era tudo o que eu podia dizer.

Ela passou algum tempo chorando e quando se conteve um pouco, soluçando, me olhou, perguntando:

— Regina, o que você faria se Emma a deixasse para ter um filho com outra mulher?

— Não poderia impedi-la se ela decidisse me deixar para realizar o sonho dela. — a olhei firme, tentando não chorar junto. — Eu amo Emma e tudo o que sempre quis, agora ainda mais, é que ela seja feliz. Se isso a deixasse completa, eu não poderia impedir.

— Eu sempre quis que Gerard fosse feliz comigo, apenas comigo, mas não bastava apenas nós dois.

— Vocês apenas tinham sonhos diferentes. Emma e eu tínhamos sonhos diferentes antes, se isso conforta um pouco você.

Ela respirou, limpou o rosto sujo de uma mistura de maquiagem e lágrimas.

— Há uma diferença. — ela se levantou e começou a andar pelo escritório. — Emma te ama incondicionalmente. Se Gerard me amasse tanto quanto sua mulher ama você, não precisaríamos de filhos.

Baixei a cabeça enquanto minha amiga, parada na frente da grande janela com vista para os estúdios da emissora, refletia mais que eu sobre o que acabara de falar. Senti que havia um quê de inveja na entonação que ela deu as palavras, porém eu compreendia que tudo o que ela poderia sentir nesse instante era raiva. Tentei confortá-la, dizendo algo que nos últimos meses ela devia estar cansada de ouvir.

— Alguém vai compreendê-la, uma pessoa que mereça seu amor, Maleficent. Não deu certo com Gerard, mas olhe só você. É tão bonita e inteligente, pode ter quem quiser. Esqueça essa história que já fez muito mal. Você amava mesmo seu ex-marido? Porque se sim, deve permitir que ele viva o que ele sempre quis.

Maleficent assentiu com tristeza.

— Permitir...

— Se permitir também, você entende o que quero dizer.

Ela meneava a cabeça observando os estúdios lá fora, parecendo mais conformada.

Um telefone tocou e nos olhamos para saber de quem era. Apalpei o bolso do meu blazer e era o meu celular. Atendi a ligação.

— Sim? — Quando ouvi a voz da senhorita Blue do outro lado da linha senti meu estômago apertar, imaginando ser alguma notícia de Henry. A freira na verdade me chamava para ir ao orfanato naquela tarde, uma pessoa do conselho tutelar de Los Angeles queria falar comigo. Prometi a ela que estaria lá após o trabalho e desliguei, sentindo uma súbita ansiedade.

Minha chefe notou e perguntou o que estava havendo.

— Algum problema, Regina?

— Não, acho que não. Era a coordenadora do orfanato me chamando para ir até lá hoje, parece que alguém do conselho tutelar me espera para conversar.

Pacientemente minha amiga assentiu e deu um sorriso gentil sem mostrar os dentes.

— Acho que você terá uma boa notícia hoje, minha amiga. Faça o seguinte, depois de apresentar o jornal vá até lá, saia mais cedo.

— Mas meu expediente termina às seis, não devo sair antes. — falei, surpresa.

— Tudo bem, Regina, eu estou dando uma folga a você hoje a tarde. Vá. Vá buscar seu filho no orfanato.

Fiquei parada boquiaberta. Era provável que a conversa com a conselheira fosse sobre Henry, só que leva-lo para casa hoje não estava nos meus planos e minha amiga parecia prever o que aconteceria. Embora estivesse chateada pelo o que descobriu sobre seu ex-marido, ela teve humildade de me permitir ver Henry. Eu queria muito agradecê-la, mas estava sem jeito para abraça-la. Então sorri e fiz um gesto. Maleficent retribuiu sincera.

Deixei sua sala com poucos minutos para voltar ao estúdio e apresentar o noticiário. Nem tive tempo de falar com Archie sobre Emma e mal tive depois que acabamos de gravar, pois eu queria ir correndo para o orfanato.



Assim que pus os pés no convento, sentia como se minhas mãos e pés formigassem, meus dedos estavam molhados de suor e não entendia pra que tanta ansiedade. Na sala da Senhorita Blue, ela e Cruela me esperavam e se levantaram quando outra freia me levou até o recinto. Elas não pareciam que tinham uma notícia ruim para dar, pelo contrário, Cruela sorriu tímida ao me ver e Blue não estava mais com o costumeiro olhar severo de quem botava ordem naquele lugar.

Blue me apontou o lugar na frente de sua mesa sem dizer nada e me sentei ao lado da Assistente, percebendo que a mulher tinha um documento na mão. Olhei para a Senhorita Blue que deixou Cruela falar primeiro.

— Enfim, já temos uma decisão do juiz sobre a adoção do garoto Henry, Regina. — Ela me entregou o papel que julguei ser um documento segundos antes. Um papel da vara da infância e com assinatura do juiz responsável pelo meu caso. — Você pode leva-lo para casa hoje mesmo.

Senti uma tremenda vontade de sorrir e, com isso, minha ansiedade sumiu.

— Posso mesmo? Eu posso levar Henry para casa hoje? — fiz a pergunta passando a mão no rosto.

— Pode, Regina, de hoje em diante, Henry é seu filho. Faltam alguns detalhes que o tribunal deve acertar com você depois, mas hoje você pode levar o garoto para casa. — disse a Senhorita Blue que me olhava de um jeito contente. Eu não tinha palavras. — O que está esperando? Ele está lá no pátio.

Me levantei rapidamente, vendo que as duas mulheres ficaram contentes em me dar a notícia. Acenei para elas e sai dali apressada, andando pelos corredores até o caminho do pátio. Os saltos do meu sapato faziam tanto barulho que devo ter chamado a atenção das outras freiras que passavam por mim com caras nada amigáveis, mas quem se importava com elas? Queria ver meu filho.

Ele estava sentado num banco com uma mochila ao seu lado, observando seus amigos jogarem uma partida de Baseball. Deu risada de uma jogada engraçada que um dos meninos fez e foi aí que me viu parada na entrada do pátio. Sorrimos quase que mutuamente e ele saltou do banco vindo em minha direção como bala. Corri em sua direção despistando dos outros meninos no meio do pátio e o peguei nos braços. Ele ria, ele sabia o porquê de eu estar ali e nunca um abraço de Henry fora tão bom quanto esse. Henry juntou os braços ao meu redor, me apertando com toda força.

— Mãe — ele disse, espontaneamente e também doce.

O afastei um pouco sem deixar de segurá-lo para ver seu rosto.

— Você disse o quê? — perguntei.

Mãe. Finalmente posso chamar você de mãe, não é?

Voltei a abraçar o garoto, sabendo que aquele era o momento mais feliz de toda sua vida desde que os pais morreram.

As crianças estavam em volta de nós, pararam o jogo e nos observavam, cada uma com uma expressão diferente no rosto.

Deixei Henry se despedir de cada um de seus colegas de orfanato. Uma menina me perguntou se eu não voltaria mais ali já que havia adotado Henry. Disse a ela que era muito provável que eu voltasse sempre, pois mesmo tendo uma criança, eu jamais esqueceria deles. Outro garoto me disse esperar ser adotado logo por um casal bacana como eu e Emma. Tive um breve pensamento: Se Henry não existisse, poderia ser qualquer uma daquelas crianças, eu só não acreditava que fosse me identificar tanto com outro órfão que não fosse ele, porque ele e eu tínhamos muita coisa em comum.

Meu garoto terminou de cumprimentar todos e acenamos, enquanto a senhorita Blue e Cruela nos observavam.

— Senhorita Blue, eu preciso me desculpar por todas as travessuras que fiz a você enquanto morei aqui no orfanato, eu juro, não foram ideias minhas. — Henry ia dizendo, se aproximando da freira.

Blue apertou os olhos.

— Tudo bem, Henry, não sou do tipo rancorosa. Já estou acostumada com travessuras. Espero que você goste muito de morar com Regina e Emma e que venha nos fazer visitas.

— Pode ter certeza, nós voltaremos com frequência. — falei, chegando ao lado dele.

— É, a gente vai voltar. — Henry olhou para cima, para mim. — E não se preocupe, minha mãe vai cuidar bem de mim. — ele disse isso com grande segurança. Pegou em minha mão de um jeito que parecia não querer mais soltar.

Cruela e Blue acharam aquilo lindo.

— Bom, Regina, daqui a um mês marcarei uma visita para saber se vai ficar tudo bem com Henry. — Cruela falou. — Sabe como é, faz parte das regras de adoção e, se tudo estiver certo, você ganhará a guarda definitiva dele.

— Sim, protocolo, essas coisas... Vou fazer o possível para ele se sentir à vontade lá em casa. — disse eu.

— Você continua me chamando pelo nome, “ele”, porque simplesmente não diz que sou seu filho? — replicou Henry.

Meu rosto ferveu de vergonha na mesma hora. Eu sabia que Henry era um garoto direto, mas não a esse ponto. Parece que ter se tornado meu filho o fez mais exigente e eu devia aprender a lidar com isso.

Blue e Cruela riram e nos acompanharam até a saída, enquanto acenávamos para as outras crianças que ficaram. Caminhei com meu então filho sob os olhares das duas. Agradeci mais uma vez a elas e Henry deu um abraço forte na Senhorita Blue que tentava disfarçar, mas estava emocionada.

— Cuide bem dele, Regina, ele vai precisar muito de você. — A freira deu um último tchau a Henry.

Peguei em sua mão mais adiante e fomos para o carro.

Depois de uma breve tentativa de me convencer a andar no banco da frente da Mercedes, Henry se acomodou atrás de mim no carro e pude leva-lo para casa. O menino estava feliz, eu podia ver do retrovisor. Henry olhava a paisagem pela janela, ansiando chegar ao seu novo lar e isso me deu vontade de lhe perguntar várias coisas, mas o deixei entretido com o passeio de carro que não fazia há vários meses. Ele nem notou que chegamos, porque devia estar se imaginando no clipe de alguma música pela forma como ria sozinho e fechava os olhos pra sentir o vento bater em seu rosto pelo caminho.

— Já pode abrir os olhos, nós chegamos. — disse, abrindo a porta do carro e consequentemente a do lado dele.

Henry desceu do carro assustado, olhando para a fachada da casa.

— Uau! Que bonita.

— Venha, você vai gostar mais lá de dentro. — peguei sua mochila no banco do carona e abri a porta da casa para ele em seguida, deixando-o entrar na frente.

Henry foi entrando e observando tudo, a sala, a escada, as fotos que haviam nas cômodas, Pongo.

— O cachorro! — No que ele disse seu nome, Pongo veio da cozinha e não latiu, coisa que ele sempre fazia, mas fora diferente com Henry. — Oi. — Ele fez carinho no pelo de Pongo que deu-lhe uma lambida no rosto e fez mais alguma graça antes de sair de novo para o quintal.

— Acho que ele gostou de você. — ri.

— Bastante, não é? — Falou Henry, limpando o rosto com a manga do casaco.

— Bem, quer ver seu quarto?

— Sim! Eu adoraria! — ficou empolgado.

Levei Henry até seu novo quarto. Ele ainda estava eufórico, porém tímido com tanta novidade. Às vezes até me parecia com medo. Olhava tudo em volta, tentava tocar nos presentes que o esperavam há meses, descobria mais alguma coisa aqui, e ali, e se perdia no que queria fazer primeiro. Me sentei na cama dele para mostrar como era confortável e se ele quisesse poderia dormir nela naquele momento. O garoto se virou para me ver, segurando o carrinho de controle remoto que Emma comprou para ele.

— Não acredito que vocês fizeram isso tudo para mim.

— É tudo para você, Henry. — trocamos olhares acanhados. — Me desculpe a falta de jeito, na verdade eu estava muito ansiosa para saber como você reagiria quando entrasse aqui.

Ele colocou o carrinho em cima de um móvel e se aproximou de mim.

— Tudo bem. — chegou perto e parou, me encarando. — Só queria que soubesse que eu jamais imaginei ter um quarto assim um dia. Meu quarto na minha outra casa era bem bonito, mas esse ganha daquele de uns mil a zero, sabe? Obrigado, Regina. Agora eu queria agradecer a Emma também. Ela vai demorar muito para voltar?

— Mais dois meses. Nós nos falamos todos os dias pelo Skype, hoje de noite você pode agradecer a ela.

— Ah, legal. — disse ele, olhando para seus pés, depois para mim novamente. Levou algum tempo até encontrar o que queria me perguntar. — Você não está chateada pelo o que pedi na frente da Senhorita Blue e daquela outra moça, está?

— O que, Henry?

— Sobre me chamar de filho.

— Ah... isso...

— Tudo bem se não quiser me chamar de filho, pode me chamar pelo nome mesmo, não tem problema, não vou ficar brabo. Sei que para você deve ser difícil mudar todas essas coisas na sua casa e na sua vida só para agradar um garoto como eu. Você me disse que não queria ser mãe, né? Como uma pessoa que faz tudo isso para um menino que mal conhece não quer ser mãe? Você pode me contar, Regina, eu entenderei, mas só se for sincera comigo.

Lutei para responde-lo rápido, só não consegui. Precisei parar e respirar. Tudo o que ele me disse havia me pegado e eu não podia de jeito nenhum deixa-lo sem resposta. Todo esse tempo eu acreditava que não queria ser mãe porque perderia o amor de Emma, minhas ambições pessoais e tempo. No entanto, hoje eu havia sacrificado meus medos por amor e por ter encontrado uma criança que se parecia comigo internamente. Eu podia dar essa explicação a ele, só devia ter cuidado com o modo de exprimir em palavras.

— Você quer mesmo saber? Sempre fui uma mulher cheia de medos, insegura, especialmente em relação à Emma. Eu nunca me imaginei sendo mãe, carregando um bebê ou educando uma criança. Um dia Emma me pediu para adotarmos e não aceitei. O tempo passou, percebi que ela estava infeliz, mesmo me amando como dizia, então quis mudar. Busquei dentro de mim o instinto que eu não tinha de ser mãe. Foi aí que eu conheci você e as coisas pareceram mais fáceis. Eu entendi que era muito importante para Emma e podia ser importante para mim criar uma criança e você foi me ensinando muita coisa pelo caminho. Eu e você temos várias coisas em comum, Henry, claro que isso contou para que pedíssemos a adoção, mas sinceramente, te trouxe para cá porque quero continuar aprendendo a ser mãe. Mudei minha opinião e acho que não vou me arrepender. Ter sentido o que senti por você enquanto te visitava todas aquelas vezes no orfanato me fez entender um pouco melhor o que significa ser mãe de alguém.

— E o que você sentiu?

— Amor, carinho, afeto.

Ele ficou parado diante de mim, como se estivesse tentando entender o que expliquei.

— Obrigado por ser sincera comigo.

Me olhou como se pedisse permissão para me abraçar e fiz isso antes. Não podia ver, mas eu sabia que ele estava sorrindo com a cabeça encostada no meu ombro.

Notas finais
E Henry foi pra casa, que coisa boa, né? Até eu estava ansiosa para escrever essa cena. Embora ele tenha apenas oito anos, percebemos uma grande maturidade no garoto. Regina não poderia ter encontrado criança melhor. Pobre Maleficent, o que fariam no lugar dela? Acho que não há muita alternativa a não ser tocar a vida, não? Muito obrigada pelo retorno que vocês estão me dando, sempre, meninas. Um beijo pra cada uma. Nos próximos dias a fanfic volta. Fiquem bem e um abraço.