Não há outro amor para mim.

44 Ensino Henry a ter esperança.


Notas iniciais
Olá, meninas. De volta com mais um capítulo dessa fanfic. Eu estava com o capítulo quase pronto para postar na sexta mas com alguns problemas acabei postando hoje e espero que vocês gostem. Quero mandar um beijo enorme para monicalesen que fez uma recomendação, deixando meu dia, que foi cheio hoje, mais feliz. Obrigada, pelas palavras e por torcer por elas, meu bem. Toda recomendação ou recado que recebo é como se tivesse ganhado um prêmio. Muito obrigada mesmo. Façam uma boa leitura.


A mão de Emma estava gelada. Mais do que a minha.

Entramos na clínica e não soltei minha esposa até nos sentarmos na sala de espera. Fitei Emma com calma e compreensão, entendendo como devia ser para ela aquele momento. Desde o baque pela notícia de que eu havia aceitado ser mãe, há duas semanas, Swan estava achando tudo o que vinha ocorrendo surreal em sua vida. Era como se soubesse, ou tivesse uma certeza de que eu tomaria a decisão contrária. Hoje, na clínica sentada ao lado dela, observando seu semblante se acalmar, tive essa clara impressão sem que ela precisasse me dizer uma palavra.

O médico a chamou depois de dez minutos e ela me olhou imediatamente.

— Você vem comigo, não vem?

— É claro que sim. — disse eu, me levantando ao mesmo tempo que ela.

A clínica, apesar de ser um lugar grande, era bastante organizada. Quando entrei na sala do médico que atenderia Emma, pude confirmar que estávamos no lugar certo. O ambiente era aconchegante, organizado e chique, mas provavelmente, Swan não estava muito empenhada em prestar a atenção em detalhes. O nome do médico era Kurt e, segundo a mocinha que marcou a consulta, ele era o melhor no assunto fertilização em laboratório.

Nos sentamos nas cadeiras que o médico tinha a disposição em frente a sua mesa. Ele nos ofereceu água antes de fechar a porta, mas nós estávamos bem.

— Antes de começarmos, preciso dizer que me sinto lisonjeado em receber uma celebridade no meu consultório. — disse o médico, se referindo à Emma, logo que se sentou de frente para nós. — Aliás, duas. Eu acompanho o jornal da hora do almoço e preciso confessar que vocês duas são bem mais bonitas pessoalmente.

— Obrigada. — respondemos ele, ao mesmo tempo.

— Elogios a parte, eu imagino que vocês estejam aqui para conhecerem o programa de reprodução assistida. — ele foi direto. Tirou uma caneta do bolso e juntou as mãos sobre a mesa.

Me virei para Emma e sacodi a cabeça positivamente. Ela começou:

— Bem, Doutor, recentemente Regina e eu tomamos uma decisão e, nesse caso, eu estaria disposta a fazer o tratamento.

— Perfeito. E alguma de vocês já ouviu falar de como trabalhamos com fertilização in vitro?

— Sim, senhor. Mas apenas o básico, as coisas que aparecem na TV. — respondeu Emma.

— Realmente apenas o básico. — me intrometi na conversa. — Eu já precisei pesquisar sobre o assunto para dar notícias no jornal, mas nada que fosse mais a fundo.

— Está certo. Pois então, eu vou explicar a vocês como ocorre.

O doutor Kurt Flynn nos deu um breve resumo de como funcionava a especialidade da clínica. Emma passaria por um procedimento em que um de seus óvulos seria fertilizado com o sêmen de um doador que poderia ou não ter as mesmas características físicas que as minhas. Além disso, o médico nos contou que Emma, antes de ser submetida ao procedimento, passaria por alguns exames para confirmar sua saúde. Mesmo assim, havia o risco do procedimento não funcionar por uma série de alterações hormonais que Emma podia sofrer e, por isso, precisávamos estar certas de que queríamos continuar com o tratamento.

Quando Kurt terminou o resumo e fez a pergunta, minha esposa me olhou como se estivesse pedindo permissão para confirmar a resposta ao médico. Eu assenti após alguns segundos, bastante convencida de que Emma não teria risco algum, dando um meio sorriso à ela. Vi Emma respirar fundo e se voltar ao médico.

— Sim. Eu tenho certeza, Doutor.

O homem esperava a resposta e ficou feliz ao ouvir Emma tão certa.

— Muito bem, podemos fazer os exames necessários e assim que você for liberada, nas próximas semanas, já vamos marcar a data da fertilização. — ele falou.

Saímos da sala do doutor Flynn cheias de papéis dos exames que Emma teria que se submeter nos próximos dias. Ela finalmente tinha se convencido sobre mim e logo que cruzamos o hall, parou para me abraçar.

— Ah, parece um sonho. — ela me apertou, me pegando desprevenida.

— Hey, é seu sonho se tornando real. — eu disse, alisando suas costas, tentando respirar com o aperto dela. — Eu sei que você está feliz, mas não precisa me sufocar por conta disso.

— Me desculpa, me desculpa — ela me afastou devagar, mas não me soltou. — Eu não estou conseguindo me conter, embora eu queria muito pra não te aborrecer.

Toquei na gola da blusa de Emma e a olhei com carinho, calma.

— Não se preocupa comigo, não se sinta reprimida por mim, pelo o que eu possa pensar da sua alegria. Eu aceitei, meu amor, eu estou com você.

Ela me abriu um sorriso e devolvi a ela um afago no rosto.

Fomos embora para casa a fim ter uma noite tranquila e descansar pro nosso dia seguinte. Emma estava gravando os episódios mais importantes da temporada de seu seriado e precisava decorar muitas falas. Acho que foi isso que a distraiu na noite de ontem, após chegarmos, pois estava bastante agitada e falante assim que saímos da clínica.

Apesar de ter lido aproximadamente dez páginas de texto para o dia seguinte de gravações, Emma não aguentou muito tempo e se enfurnou debaixo do edredom depois que insisti muito para ela dormir. Fiquei algum tempo, acariciando seus cabelos(ainda castanhos), enquanto a observava ressonar depressa.

Em momentos como esse, em que olho para Swan e a vejo dormir com um sorriso no rosto, meu coração dispara, e provavelmente é de alivio.

Recolhi os textos de Emma que ela havia deixado ao lado da cama e os coloquei em sua mochila, com cuidado para não acordá-la. Apaguei as luzes e me virei para o outro lado no travesseiro.


Como num estalar de dedos, entrei em um sonho. Mas não era um sonho como o que tive com Emma e o ator que interpretava seu filho no seriado, há algumas semanas. Em meu sonho, acordei no meio de uma madrugada fria. Eu estava vestida com um pijama no momento em que abri os olhos e me deparei com o teto do quarto. Emma não estava na cama, porque apalpei o lado dela e nada achei. Liguei a luz e não encontrei minha mulher. Me sentei na cama, um tanto atordoada de sono.

— Emma? — chamei.

Nada dela.

A porta do quarto estava entreaberta, e a luz do corredor ligada. Me levantei e andei pelo corredor, escutando baixinho alguma coisa que parecia um gemido, mas não era um gemido. Vinha do final do corredor e segui o ruído até acha-lo. Emma estava ali, sentada numa poltrona acolchoada, vestida com um pijama de flanela como eu, ninando um bebê nos braços. Seus cabelos longos tinham voltado a ser loiros e estavam soltos. Ela cantava para a criança, sorria, brincava com seus dedos pequenininhos. Eu tinha certeza de que era um menino que ela segurava.

— Oi, mamãe Regina. — falou Emma docemente, subindo os olhos para mim na porta, como se soubesse que eu estava ali parada o tempo todo.

Entrei no quarto e me lembro de olhar para as paredes, observando o papel de parede azul cor do céu que certamente escolhemos para decorar o recinto, além do berço, os móveis e quadros infantis espalhados por ele. Não sei se eu estava assustada, porém, me sentia deslocada antes de Emma me chamar de novo.

— Nosso pequenino acordou. Estava com fome. — ela disse.

Me virei para os dois e finalmente o vi. Ele era tão branquinho, tão pequeno e frágil. Tinha um rosto sereno.

— Ele sempre está com fome. Se parece com você. — eu disse, de repente.

— Às vezes acho que ele tem muito de você. — falou Emma. — Acordou com o choro dele também?

Fiz que não, agora olhando para os dois.

— Não. Foi agora, vi a luz do corredor ligada, você não estava na cama...

— É, sabe que eu já estou me acostumando a levantar às três da manhã para alimentar ele? — Emma falou em tom bem humorado.

— Menos mal. Quando engravidou sabia que teria de levantar de madrugada até ele crescer um pouco.

— Eu sempre soube. Sempre estive disposta a tudo por ele.

Me ajoelhei ao lado deles e fitei os olhos de Emma antes de tocar os pequenos dedos do nosso filho.

— Eu amo tanto você, Emma.

— Ama? — questionou ela, sorrindo. Pude ver seu cansaço no rosto, mas ela estava bem.

— Amo. — repeti.

— Eu também. Você sabe o quanto. E ele aqui também te ama — ela disse, mostrando o bebê mais perto. — Eu consigo ver vocês dois brincando no jardim, num parque, na praia. — o tom dela se tornou sonhador.

Abanei a cabeça.

— Eu tenho tanto pouco jeito com ele.

— Sei que não tem muito jeito, mas é tudo questão de prática. Tenho certeza de que será a melhor mãe do mundo.

— Mais que você?

— Muito mais.

Emma colocou o menino nos meus braços com todo o cuidado do mundo. Eu realmente não tinha prática com bebês, mas eu sabia segurar nosso filho. Fiquei de pé com ele e minha esposa se levantou, ajeitando a manta que o cobria no meu colo.

— Você já pode começar a praticar agora. — ela disse.

— Eu sinto tanto medo deixa-lo cair, Emma. — falei, aflita, todavia, ele estava firme comigo, eu podia sentir.

— Você não vai. Eu confio em você. Fica com ele um pouco, eu vou descer e preparar um café para nós duas. — e saiu, me jogando um beijo da porta.

O bebê de repente abriu os olhos e pude ver brevemente que eles eram castanho escuros. Diferente do que eu imaginei para um filho meu e de Emma Swan, os cabelos do menino, também eram escuros.

Mesmo ele não se parecendo nada com Emma, olhar para aquela coisa pequena nas minhas mãos fez meu coração disparar. Também acredito que tenha sido de alívio. Pelo menos, nos meus sonhos mais profundos, eu havia superado meus receios de ter um filho.



Sentei-me sobressaltada na cama. Emma despertou no mesmo instante e segurou meu braço.

— Regina — disse ela. — Que foi? Pesadelo?

Passei a mão sobre a testa e a mirei.

— Não. Sonho. Só um sonho. — Minha voz estava rouca.

— Calma. Deita. Ainda é cedo, dorme mais um pouco. — Ela me puxou de volta para um abraço, me acolhendo.

Agarrei seu corpo, deitando minha cabeça entre seus seios. Emma não fazia ideia do que eu havia acabo de sonhar. Eu contaria a ela, mas o que ainda me intrigava antes de voltar a pegar no sono, eram aqueles olhos escuros brilhantes do bebê. Podia ser uma prévia do que escolheríamos quando Emma fosse fertilizada. Talvez o doador fosse alguém que tivesse traços parecidos com os meus.



Eu estava prestes a vir embora, saindo do estúdio da MBC, quando Emma me ligou. Para a sorte dela, eu estava no meio de um engarrafamento e pude atender o telefone no carro.

Peguei o celular e vi sua foto no visor, me chamando.

Atendi.

— Oi, meu amor.

— Hey, querida, você já saiu da emissora?

— Sim, estou voltando para casa. Por quê?

— Eu queria pedir um favor. Hoje era dia de visita no orfanato, mas eu vou demorar para chegar. Tenho que ir à clínica fazer os exames. Não vai dar tempo. Pode passar lá um pouquinho por mim?

Olhei no meu relógio de pulso. Eu olhava os carros a minha frente, logo entraria em uma bifurcação, era a última chance de mudar de rota.

Bufei levemente e respondi Emma.

— O.k., Emma, eu acho que posso dar uma passada lá.

— Obrigada, minha vida. Quando eu sair da clínica eu prometo que passo no drive-thru daquele restaurante japonês que você adora e te levo um monte de temakis.

Emma falou aquilo tão animada que eu não pude não agradecê-la pela boa vontade em me agradar. Mas ela mal sabia que eu estava enjoadíssima de temakis, ainda por conta do tanto que ela me fez comer comida japonesa outro dia.

Sendo assim, me despedi de Emma no celular e embiquei com o carro para a o orfanato.

No caminho me lembrei de Henry e a última vez que estive lá para ajudar a encontra-lo. O garoto devia estar sentindo minha falta, afinal, não voltei mais desde esse episódio, e ele havia até me agradecido no final das contas.

Assim que estacionei o carro perto da calçada, vi a senhorita Blue se despedindo de um casal que levavam junto deles uma menina. Eu me lembro vagamente da garota. Foi uma das que me fez sentar junto no meio das crianças quando fui contar histórias no orfanato pela primeira vez. Parece que uma família finalmente havia escolhido ela. Parecia feliz ao lado do casal e entrou no banco de trás do carro dando tchau para a freira que respondia com o mesmo gesto.

O carro partiu pela rua e a senhorita Blue continuava abanando a mão para a pequena.

— Adotaram ela? — perguntei ao me aproximar.

— Sim — Blue virou seu rosto, me vendo. — Essa é uma época em que muitas crianças são adotadas. Maggie teve sorte, esse casal veio do estado de Washington só para busca-la.

— Poxa, isso é muito bom. — eu disse.

— É verdade. É um pouco triste me despedir delas quando se vão, mas quando sinto que estão com uma boa família, como é o caso de Maggie, fico mais aliviada. Como vai você, Regina? E Emma? Ela não pôde vir?

— Eu estou bem, estou muito bem. Infelizmente Emma não teria tempo de vir hoje e me mandou no lugar dela. Acho até bom porque faz um tempo que não conto história para eles.

— Compreendo. É verdade. Eles perguntam de você, sabia? — falou a freira.

Começamos a caminhar para dentro do orfanato.

— Não sabia. É verdade?

— É verdade. Eles gostam de você, mesmo que não acredite muito. — ela disse aquilo como se estivesse fazendo uma observação muito importante.

Entramos juntas e quando chegamos na sala de recreação, as crianças brincavam de montar quebra-cabeças.

— Hey, meninos e meninas. Olhem quem veio nos visitar. — a Senhorita Blue me anunciou.

— Oi, Regina. — disseram alguns, que logo vieram me cumprimentar.

Falei com todos, apertando a mão de cada um e dando aquele sorriso gentil que eu também costumava fazer quando apresentava o U.S.A News para milhares de pessoas que assistiam. Realmente alguns sentiram minha falta. Eles pegavam nas minhas pernas e ficava difícil até para andar.

Tirando o fato de eu ter notado que algumas crianças que eu havia conhecido não estavam mais morando no orfanato por terem sido adotadas, algumas das crianças mais velhas continuavam ali. Isso me deixou com um pouco de pena. Me sentei para contar a história que Emma havia prometido a eles na última vez que em esteve ali, seria a história da Rapunzel, então eu prontamente me sentei e peguei o livro no canto onde as crianças se sentavam para ler o conto.

Enquanto eu começava a contar sobre as tranças da princesa encurralada na torre de um castelo, passei meu olhos pelos pequenos e ao fundo notei um certo rapazinho me olhar com um sorriso muito matreiro na face. Lá estava Henry, finalmente no meio dos outros colegas. Era a primeira vez que o via no aglomerado, pois quando chegou no orfanato, sempre estava em um canto, sozinho.

— ... e foram felizes para sempre. Fim. — As crianças aplaudiram quando terminei e fechei o livro. Não sei se a minha voz os acalma, porque vi pelo menos umas duas crianças dormindo no meio das outras enquanto eu contava a história. Os colegas se cutucavam para dar risada deles. Enquanto eles conversavam entre si, provavelmente esperando a senhorita Blue chama-los para lanchar, Henry se levantou quando o fitei e veio até mim.

Ele estava pouca coisa mais crescido. Tinham cortado seus cabelos e sua feição era bem mais simpática do que da vez em que o conheci.

— Oi. — ele falou, parando na minha frente.

— Oi, Henry. — respondi. — Como vai você?

— Bem. E você? Andou sumida.

— Andei, não andei? É que aconteceram várias coisas...

A senhorita Blue apareceu na porta chamando as crianças para irem lanchar. Henry olhou todos saírem feito uma manada de elefantes, mas quis ficar ali, perto de mim, não sei por qual razão.

— Vocês adultos sempre estão fazendo várias coisas. — ele disse, indo se sentar ao meu lado numa outra cadeira. — Por que a Emma não veio com você?

— Ela tinha que gravar até mais tarde e depois ia para uma clínica. — expliquei, colocando o livro que estava no meu colo de lado.

— E por que ela foi para uma clínica? Ela ficou doente? — ele franziu a cara.

— Não, é outra coisa. Ela precisa fazer uns exames.

— Hum... Sei.

Ficamos em silêncio. Ele deu de ombros, mas não resistiu muito tempo sem me olhar. Tentei ser gentil, o olhando de volta, então ele decidiu tocar no colar de coração alado que eu estava usando no pescoço.

— Bonito. Quem te deu?

— Foi a Emma. — eu toquei no colar por baixo de seus dedos para mostra-lo melhor.

— Hum... Ela deve ser apaixonada por você.

Senti vontade de rir.

— E ela é.

— E você? É apaixonada por ela?

— Muito. — empinei meu nariz, tirando vantagem.

Dessa vez, foi ele quem teve vontade de rir.

— Eu nem agradeci a ela pelo sanduiche naquele dia.

— Ah, não se preocupe, ela sabe que você gostou.

Ele deu um meio sorriso. Ainda era tímido comigo, mas estava claro que queria puxar assunto. Eu deixei.

— Você quer saber de uma coisa, Regina? — falou de súbito.

— Adoraria.

— Sabe a comida aqui do orfanato?

— Aquilo que você chama de gororoba? — ergui minhas sobrancelhas para ele.

O menino concordou.

— É isso aí... Acho que estou começando a gostar dela.

Acabei rindo. Para minha surpresa ele também riu.

— Eu sabia que ia acabar amando a comida daqui, porque é ótima. — eu disse a ele. — Ouça, Henry, eu gostei de vê-lo ali no meio dos outros meninos. Você está até mais simpático.

Ele desviou o olhar e colocou as mãos nos bolsos de sua calça.

— É, né? Todos falam isso. Uma hora vou acabar acreditando que sou um garoto bonitinho e que uma família vai me adotar.

Suspirei com o que ele disse.

— Eu tenho certeza de que você será adotado. É só esperar um pouco.

— Muitos meninos estão aqui dentro, esperando esse um pouco há muito tempo. — o tom da voz dele mudou.

Pensei no que dizer a ele, porque ele estava certo, afinal. Muitas crianças ali estão há anos esperando adoção e no entanto ela nunca chega. Henry tem medo de se tornar mais um de seus colegas.

— E sabe uma coisa que eles têm apesar de esperarem há muito tempo? — tomei ar.

— O que seria?

— Esperança.

Ele ficou completamente sem jeito. Parecia que eu havia acabado de jogar um balde de água em sua cabecinha.

— Bem, então eu tenho que aprender com eles. Talvez seja mais fácil aprender a ter esperança do que gostar da gororoba boa que servem aqui. — ele comentou, se levantando da cadeira ao meu lado. Andou com as mãos enfiadas nos bolsos até a porta, e quando viu que eu não o seguia, parou. — Vai perder o lanche se não vier. Hoje eles vão servir pão com patê de frango. É uma gororoba “tão ruim” que eu costumo comer os sanduiches dos meus colegas que não aguentam tudo. Acho que você vai gostar. — ela falou ironicamente.

Era impossível negar seu conselho.

Eu assenti e me levantei para segui-lo. Logo o alcancei no corredor.

O caminho era um pouco longo até o refeitório, mas eu e ele nos sentíamos felizes por ter um tempo para andarmos lado a lado.

Notas finais
Tenho uma leve impressão de que Regina teve uma premonição, mas ela pode estar errada sobre o que pensou do sonho. Ela está caminhando, com Emma, com a amizade com Henry também e creio que em relação a ele, como venho dizendo a vocês, isso só tende a aumentar. Obrigada mais uma vez a quem comentou no último capítulo. Os comentários que ainda não respondi vou deixar respondidos agora. Lembre-se sempre (se quiser) de deixar a sua opinião. Ela é sempre bem-vinda. Fiquem bem e um abraço. Assim que possível tem mais.