Notas iniciais
Olá, meninas. Sejam bem-vindas a mais um capítulo dessa fanfic. Fiz de tudo para não deixá-las sem esse capítulo essa semana, então está entregue. Vamos saber como foi o último dia de folga das nossas garotas. Espero que apreciem. Façam uma boa leitura.


O fato de eu estar exausta e Emma também, nos fez ir para casa pensando apenas em uma coisa: nossa cama. Tudo o que precisávamos era dormir e dormir até o corpo não aguentar mais. Mas parece que eu não aguentaria até chegar em casa, e, no meio do caminho, acabei cochilando no banco do carona, depois de pedir para minha mulher dirigir. Eu ouvi quando ela me perguntou alguma coisa sobre o Pongo, nós devíamos busca-lo amanhã no hotel de animais, e também me perguntou sobre o jornal. Eu acho que foi aí que peguei no sono para valer, pois me lembrei de que amanhã era meu último dia da folga dos quinze que pedi.

Me lembro de ter acordado já em casa, nos braços de Emma, que me levava para o quarto. Ela estava subindo as escadas comigo, como se carregasse um bebê gigante, silenciosamente. Emma me colocou na cama e começou a retirar minha roupa para eu dormir mais confortavelmente. Ela não precisava ter esse trabalho, porém quis. Continuei fingindo que estava dormindo até que ela me vestiu uma camiseta bem larga com um logo da banda Whitesnake, que eu costumava usar de pijama. Esperei ela trocar de roupa no closet e voltar. Emma tomou um susto ao me ver sentada na cama.

— Você não estava dormindo? — me fez a pergunta virando o rosto como um cãozinho em dúvida.

— Acordei com você me carregando para cá. — falei, enquanto ela desligava as luzes do quarto e eu apagava o abajur do meu lado da cama.

— Eu não queria te acordar. Você parecia dormir tão profundamente que preferi trazê-la no colo.

— Eu sei. Tivemos um dia cheio hoje, e estou exausta.

— Estava pensando seriamente em dormir até uma da tarde amanhã. — disse ela.

Emma engatinhou até mim e me deu um beijo leve na boca, arrumando a coberta para deitarmos agarradinhas por baixo. Também vestia-se com uma camisa de banda, mais confortável que um baby-doll como ela costumava dizer. Ela me abraçou por trás e ficamos quietas, sem dizer nada por dois minutos inteiros.

Eu ainda não sabia se devia dar boa noite a ela. Parece que Swan queria me dizer algo, mas não estava conseguindo.

— Bem, boa noite. — ela finalmente falou, mas meio incerta.

— Espera, Emma. Você não quer me dizer nada não?

Acredito que Emma ficou corada.

Para meu desespero momentâneo e ansiedade, ela guardou para si o que iria me falar, mas obviamente que falaria sobre Henry e o que ocorreu hoje mais cedo. Acho que sobre isso eu poderia esperar.

— Eu? Nada. Por quê?

— Não, deixa. Vamos dormir.

Assim que fechei os olhos, sonhei que estava em Bariloche, naquela noite de luxuria que tivemos antes do réveillon, e foi o único sonho que tive a noite toda. Emma também deve ter sonhado a mesma coisa porque eu sentia ela me apertar firme algumas vezes e me beijava a nuca. Seu corpo estava tão quente. Se eu não tivesse com tanta preguiça, eu juro que acordaria ela naquele instante para fazermos amor. Talvez eu conseguisse na próxima vez que acordasse entre outro apertão dela, porém, isso só aconteceu quando já era praticamente duas da tarde e ela literalmente roncava no meu ouvido.

Deixei Emma descansando mais um pouco na cama, e me levantei, indo desarrumar nossas malas. Para você ver que nem isso tivemos tempo de fazer.

Me distraí, separando nossas roupas e coisas que compramos, além de rever as mais de mil fotos que tirei na viagem. Deu certo, afinal. Eu me sinto muito contente por isso e estou planejando fazer algo de novo nas próximas férias. O problema é que eu não sei quando teremos férias decentes para viajarmos novamente.

Bem, Emma acordou quando eu saí do banho. A peguei vendo nossas fotografias pela máquina que deixei em cima da cama, ela nem percebia que estava sorrindo.

— Acho que tiramos mais fotos dessa vez do que na nossa primeira lua de mel. — eu disse, me sentando ao lado dela, penteando o cabelo molhado.

Emma deixou a máquina de lado, me observou com aqueles olhos pequenos de sono e o rosto todo amassado de travesseiro.

— Por que está me olhando assim? — falei.

— Você quer saber o que eu queria te dizer ontem?

— Ah, então você tinha algo para me falar, não é?

— É, eu tinha, só não sabia como. Agora acho que consigo. Não é nada de mais, é só... Eu me senti muito orgulhosa de você.

Corei envergonhada, mesmo esperando que ela dissesse aquilo.

— Pelo o que fiz ontem?

— Foi. Você foi incrível com o Henry. A coisas que disse a ele, o modo como o tratou, eu nunca esperei que fosse ver isso de você. Foi tão bonito, tão delicado da sua parte. Eu só queria lhe dizer isso.

— Eu sabia. Desde que saímos do orfanato você queria me dizer, já estava fazendo com os olhos.

Sorrimos e ela me ofereceu seus braços.

Emma estava muito feliz, tanto pela viagem que fizemos quanto pelo o que presenciou entre Henry e eu ontem, isso era latente.

— Você não ficaria assustada se eu quisesse sair pra comemorar? — ela perguntou.

— Comemorar o que, meu amor? — a olhei de baixo, quase deitada.

— Tudo o que a gente tem feito. Quero aproveitar nosso último dia de folga. Vamos sair pra jantar, dançar depois, como nos velhos tempos?

Me animei com a ideia de Emma e obvio que aceitei.

— Seria ótimo, meu amor!

— Feito.

Emma abriu um sorriso e espalhou seus beijos pela pele dos meus ombros, me causando cócegas e arrepios. Foi algo surpreendente receber aquele tipo de convite dela depois de tanto tempo. Como eu sentia falta de sair para jantar e depois dançar. Emma sabia que aquela seria nossa única chance de fazer isso pois depois de voltar a trabalhar, esse tipo de momento fica cada vez mais raro.



Emma foi buscar Pongo no hotel de animais, enquanto eu me arrumava. Nosso cão voltou para casa diferente, mais agitado do que comumente era, mas muito disso era porque tinha visto Emma, que ele adorava, e eu também, ele estava com saudades. Cocei muito sua barriga quando me viu e se atirou no chão. Ele voltou muito bem e contente para casa, acho que cuidaram bem dele na hospedaria.

Quando Emma terminou de se aprontar já tinha anoitecido. Pongo ficou bem com seus novos brinquedos que trouxemos, e fomos jantar.

Emma conhecia um restaurante na praia de Santa Monica, um lugar lindo, perto do píer e foi lá mesmo que ficamos. O lugar era bastante famoso, tinha área ao ar livre, mesas para casais e grupos. Não estava tão movimentado como achávamos que estaria, mas eu preferia assim. Nos sentamos em uma mesa de onde podíamos ver a orla de um ângulo maravilhoso e, como já era noite, a vista pareceu ainda mais bonita.

Conversamos sobre a viagem, meus planos de fazer aquele roteiro turístico novamente com ela e sobre minha vontade de trocar minha Mercedes. Emma sempre deu risada disso porque me achava mimada por querer sempre uma versão nova de alguma coisa como era o caso do carro. Mas ela levou numa boa dessa vez. Acho que estava mais interessada em me admirar falando abobrinhas, alisar minhas mãos por cima da mesa para que todos que estivesse por perto vissem e me jogar beijos no ar para que eu os pegasse e devolvesse enquanto esperávamos o jantar. Quase perguntei se Emma estava fazendo tudo aquilo, tendo aquelas demonstrações de carinho só pelo o que houve com Henry no orfanato.

— Você normalmente é uma mulher carinhosa, atenciosa, mas será mesmo que isso tudo é por conta do nosso último dia de folga? — fiz a pergunta com um olhar curioso na cara.

Emma tomou ar e ficou espantada com a pergunta inesperada. Mas era mesmo para pegá-la de surpresa.

— Eu já disse, estou feliz, orgulhosa de você... Tá, você quer saber por que trouxe você aqui? Porque preciso recompensá-la de alguma forma. Mesmo que você me diga que sou a melhor esposa do mundo, sempre vou achar que não estou dando meu máximo. — os olhos dela chegaram a brilhar.

Achei meigo. Eu estava prestes a responder quando por puro instinto feminino, olhei em volta rapidamente e vi uma pessoa conhecida. Parei no mesmo instante.

— Meu amor? O que foi? — Emma falou e eu me liguei de novo.

— Não, nada. É que acho que tem alguém que conheço naquela mesa. — apontei discretamente.

Mostrei à Emma uma mulher que estava sentada de costas numa mesa à uns três metros de nós. Minha esposa teve de se entortar para ver.

— Quem é?

— Acho que é Maleficent.

— Maleficent? — o tom dela soou estranho porque ninguém no mundo tinha esse nome tão peculiar. Emma deve ter achado que eu estava de brincadeira.

— Sim. A dona da MBC.

— Ah, acho que sei quem é. — disse Swan. — Mas eu não sabia que o nome dela era esse.

— Quando a conheci também achei esquisito. — comentei.

Pensei em não incomodar Maleficent, pois estava falando ao telefone. Eu acabaria me encontrando com ela na emissora no dia seguinte, então pensei em comentar depois apenas. Me lembrei que ela também havia viajado para fora do país no final do ano passado e tinha praticamente acabado de se divorciar por conta do desejo do marido de ser pai.

Ter me dado conta disso ali com Emma não foi uma ideia agradável e quase murchei. Estive prestes a dizer a Swan que não iríamos mais dançar depois do jantar, eu preferia voltar para casa. Felizmente, isso passou quando Emma me falou alguma coisa sobre um projeto de filme que queriam incluí-la. Dei atenção a minha mulher, e deixei que os problemas que não eram meus fugissem da minha cabeça. Eu sempre fiz isso de me imaginar na pele das pessoas, o que considero uma grande besteira.

O jantar chegou e não demoramos muito comendo porque Emma começou a fazer graça com a lagosta de mentira que servia de enfeite na mesa e eu só sabia dar risada. Acho que chamamos atenção porque Maleficent levantou de sua mesa e veio até a nossa assim que terminei com meu prato.

— Regina! — disse ela, ao aparecer, me dando um leve susto.

— Maleficent. — eu falei, limpando a boca com guardanapo.

— Mas que surpresa agradável ver você por aqui. — ela viu Emma e a cumprimentou. — Emma. Que prazer. Desculpe o incomodo, eu me chamo Maleficent, sua esposa trabalha para mim na MBC, você já deve saber. Sou uma grande admiradora do seu trabalho — ela estendeu a mão.

— Sim, ela me disse. — comentou minha mulher, apertando a mão da loira de pronto. — É um prazer conhecê-la, igualmente. Acho que já nos cruzamos em uma première, não foi?

— Mas é claro, eu me lembro perfeitamente, aquele filme em que você era a filha do Robert Redford...

Até o último pôr do sol. — Emma falou o nome.

— Exatamente! Até o último pôr do sol. A MBC foi uma das empresas a patrocinar as filmagens. Poxa, mas já faz cinco anos. Como o tempo passa depressa.

— É verdade. — Swan ofereceu um lugar a ela. — Não gostaria de se sentar conosco? Nós acabamos de jantar, mas ainda vamos ficar aqui um tempinho.

— Não, muito obrigada, não quero atrapalhar vocês. Eu nem sabia que estavam aqui, ouvi a voz da Regina e quando vi que era ela mesma tive de vir cumprimenta-las.

— Não atrapalha em nada, Maleficent. Estamos aproveitando o último dia da folga. — eu disse.

— Fizeram boa viagem?

Emma e eu nos olhamos e confirmamos.

— Ótima. — dissemos juntas.

— Eu estou sabendo, vi vocês nas revistas. Acho que quem vai para Bariloche nas próximas férias sou eu. — Malefi brincou.

— Mas e você, Maleficent? Como foram as coisas na Itália?

— Tudo conforme o esperado. A propósito, trouxe uma lembrança para você de lá.

— É mesmo? Pra que foi se incomodar?

Emma nos observava.

— Espero que não me entenda mal, Emma, é que tenho uma dívida de gratidão com sua esposa. — Malefi explicou.

— Ah, não foi nada. Foi um prazer conversar com você naquele dia. — continuei.

— Quando temos bons colegas, não custa nos lembrarmos deles. Bem, eu não vou mais tomar o tempo de vocês, eu preciso ir. Foi um prazer, Emma. — elas apertaram as mãos novamente. — E Regina... espero vê-la amanhã. Que bom que voltou mesmo pois seu substituto está gostando muito de ficar no seu lugar.

— Amanhã estarei lá, não se preocupe. — avisei e nós vimos ela sair em direção a orla.

Maleficent era muito elegante, até mesmo quando parecia em uma situação tão casual como era jantar ao ar livre num restaurante de Santa Monica. Estava simples, sem seus tradicionais terninhos, mas com um visual bonito, numa calça larga e camiseta estilo indiana. Sentia pena dela, vendo-a ir embora sozinha. Imagino sua dor por ter de fazer as coisas que gosta sem seu marido por perto. Mesmo simpática, Maleficent camuflava seu verdadeiro estado de espirito, ela ficaria afetada por essa separação por muito tempo ainda.

— Ela pode ter um nome engraçado, mas é bem simpática. — comentou Emma.

— É sim. Apesar da cara de má e pose de dondoca, é muito gentil. Eu tinha medo dela, contei a você, não contei?

— Você me disse que todo mundo na emissora tem medo dela.

— E ainda tem. Lá na central de jornalismo chamamos ela de A Toda Poderosa. — falei baixo para ninguém além de Emma notar.

Ela riu e Malefi já tinha sumido das nossas vistas.

Bem, agora que nos restava um tempinho sozinhas de novo, decidimos pagar a conta do restaurante e ir dançar. Eu já estive em boates e bares muito bons em Los Angeles, mas ainda ficava nostálgica dos lugares que frequentávamos em Portland quando saíamos exclusivamente para dançar. Mesmo assim, Emma aceitou a recomendação do gerente do restaurante e fomos para um lugar agradável e romântico que havia nas colinas de Santa Monica, ali nas redondezas.

Ficamos dançando por uma hora, justamente o tipo de música que Emma adorava, as velhas. Tocava uma música da Toni Braxton quando Swan me apertou bem forte e sussurrou no meu ouvido:

— Eu quero te dizer tanta coisa...

— Jura? E por que está com medo de me dizer o que quer?

— Não quero que se sinta pressionada. — ela pegou no meu rosto e me fitou.

Eu estive prestes a dizer a Emma algo pelo qual me arrependeria, me segurei.

— Não irei. Você me conhece, eu conheço você e sei o que provavelmente vai me dizer. Você me ama e independente do que eu escolha vai continuar me amando.

— Sim, isso também. Na verdade, eu de repente fiquei ansiosa com a possibilidade. Me passou uma ideia maluca na cabeça.

Vi seus olhos brilhando de um jeito diferente. Me assustei.

— O que foi?

— Pensei que talvez você pudesse estar assustada com a possibilidade de ser mãe adotando, então... se talvez...

Ela estava sem jeito, mas eu não podia imaginar o que se passava na cabeça dela.

— Talvez?

— Talvez eu pudesse gerar um bebê.

Não sei dizer como olhei para Emma quando ela falou isso. Certamente com receio.

— Você está pensando em uma inseminação?

— É uma possibilidade, porém foi uma ideia boba, não quer dizer que vou fazer, não me entenda mal, Regina, pelo o amor de Deus.

— Calma, meu amor, calma. — a aproximei de mim novamente e encostei a cabeça em seu seio direito. — Não te proíbo de pensar nisso. Você sabe como estou trabalhando para lidar com seu desejo, eu só...

— Eu sei. Só não queria que interpretasse isso como uma imposição. — ela falou. A música ia acabando.

— Eu prometo pensar, Emma. — falei, apertando-a tal como ela fazia.

Toda vez que dizia a Emma que prometia pensar em ter um filho com ela, meu coração se apertava. Eu estava demorando a dar uma resposta a Emma. Se ela soubesse o quanto eu me odiava por causa disso às vezes...

Esquecemos aquele assunto por enquanto. Nada mudou, apenas resolvemos dar atenção ao restante da noite e assim fomos.

Dei todo meu carinho a Emma antes de dormirmos. Disse coisas bonitas para ela, do jeito que ela fizera comigo na viagem. No final das contas, foram os melhores quinze dias que tiramos. Nosso espirito romântico tinha voltado com tudo e acho que eu podia estar feliz, a não ser pelo o que Emma disse na boate. Eu fiquei um bom tempo acordada ainda, pensando naquela conversa. Prometi a Emma que não interpretaria mal o que ela me disse, então, sinceramente, eu não sei se estou bem ou mal com a nova ideia de minha esposa.



Já de volta à MBC hoje de manhã, passei a limpo algumas matérias que iam ao ar no meu retorno ao U.S.A News. Tinha um bocado de coisa acumulada e eu sabia que teria trabalho dobrado. Cheguei bem mais cedo, revisei tudo, falei com meus colegas de trabalho e tudo estava no esquema para apresentar o jornal.

Tendo feito tudo isso, no fim da tarde eu estava livre para ir embora, arrumando minha bolsa no escritório, quando meu celular tocou. Era Killian querendo conversar comigo naquele mesmo bar que ele andava frequentando.

Atendi ao chamado do meu amigo e o encontrei, para variar, bebendo na bancada do bar. Me sentei ao seu lado colocando a bolsa em outro banco e o olhei, fazendo pose.

— Deixa eu adivinhar... Ruby?

Ele nem precisou me olhar nos olhos para dizer que sim, que seu problema hoje era a esposa.

— Ela. Sempre ela.

— A viagem não funcionou? — perguntei, um tanto decepcionada em ver Killian daquele jeito.

— Não. Para ser sincero, Regina, minha amiga, nada vai funcionar. Ruby é outra pessoa depois do que ocorreu. Ela se sente muito culpada pelo o que aconteceu com o nosso bebê. — disse ele, virando mais um gole da bebida na boca.

— Mas vocês dois estavam empenhados em esquecer esse aborto. O que aconteceu? O que ela fez? Você parece péssimo, Killian. — meu tom era de preocupação.

— Eu estou chateado. O que aconteceu é que nada aconteceu, compreende? Ruby nunca vai superar o aborto. Eu tentei, Regina. Levei ela para ver a família, conversei, dei o tempo que ela precisava para pensar sozinha. Mas ela não reage, ela nem quer mais os meus abraços. Ela está distante, vazia. Mal humorada. Cada dia eu tenho mais certeza de que ela não me ama mais. — Killian estava com os olhos vermelhos, tentando ser forte.

— Kill, esse é um processo longo. É torturante, eu sei, mas você não pode desistir dela.

— Acontece que Ruby já desistiu de mim, Regina.

— Como você pode ter certeza? — questionei, claramente incomodada com o que ele dizia.

— Ela me disse ontem que está pensando em pedir o divórcio.

Era como se eu tivesse acabado de levar um balde de água fria na cabeça. Ruby pedindo o divórcio de Killian... Logo o casal mais apaixonado que eu conhecia além de Emma e eu mesma. Não, aquilo não podia ser verdade.

— Não. Não pode ser, Kill, não acredito.

— Eu não estou mentindo, Regina, ela não me quer mais. Ela não quer tentar de novo, ela não quer nada mais comigo. — Killian suspirou. Colocou a mão sobre os olhos e pude ver que ele queria chorar.

Eu já tinha visto meu amigo triste, emocionalmente abalado e tudo mais, e isso sempre me deixava chateada. O abracei de lado, tentando dar a ele algum conforto. Ele estava tentando ser forte, não chorou na minha frente.

— O que eu vou fazer da minha vida agora? Eu daria tudo para voltar no tempo e ter agido diferente.

— Kill, conversa com ela. Não desiste assim. Tem de haver um jeito de vocês ficarem bem juntos. Você quer que eu fale com ela? Eu posso ajudar você.

— Não, Regina. Obrigado, é que acontece que é mais complicado do que possa imaginar. Eu acho que a culpa é minha, eu a pressionei para levar a gravidez adiante, a gente também não se cuidou para evitar que ela acontecesse. Esses estresses todos nos detonaram. A Ruby não está aguentando a carga.

— Muito menos você. — falei, me virando na cadeira.

Ele fez que sim. Ficou calado até que pediu outra bebida.

Para aliviar meu susto com as coisas que fiquei sabendo, pedi uma bebida forte também e acompanhei Killian. Desviamos um pouco do assunto dele e falamos do meu casamento. Contei que as coisas iam bem e conforme eu bebia mais um pouco, falei sobre a ideia que ocorreu em Emma ontem na boate. Meu amigo não sabia mais o que opinar sobre o assunto. Acho que ele estava começando a entender o meu lado, muito por conta do que ocorria naquele atual momento da vida dele e de Ruby.

Então ele me contou sobre a viagem a Ohio, a família dela e tudo o que havia ocorrido no tempo em que não nos vimos. A coisa estava bem feia para os dois, tanto que ele me contou de um desentendimento entre a mãe dela e ele sobre o aborto. Muitos o culpavam quando na verdade foi uma fatalidade.

Meu amigo achava que Ruby tinha se perdido no meio daquele problema com o bebê deles. Do jeito que Killian está, totalmente sem esperança, me fez lembrar de Maleficent. Ela também havia terminado seu casamento por problemas com filhos que nem sequer chegou a ter.

Pelo visto, o único casal feliz que restaria seria Emma e eu.

Notas finais
Emma teve um pensamento interessante. Mas será esse o passo que deve ser feito para que Regina aceite ser mãe? Quem tem motivos para crer que não? Opinem, deixem seus comentários e críticas. Vocês são sempre convidadas. Um beijo grande pra quem está acompanhando, quem chegou agora e quem pretende continuar. Vocês são as melhores. Até o próximo. Um abraço e fiquem bem.