Notas iniciais
Sejam bem-vindas. Trago para vocês essa proposta de fanfic em primeira pessoa, com Emma e Regina como protagonistas mais uma vez. Nesse universo alternativo, vocês vão conhecer uma história de amor bastante clichê, mas muito intensa.Boa leitura.

Já havia se passado dois meses do meu repentino rompimento com Daniel.

Terminamos por um pedido meu. Não dava mais para suportar o fato de me enganar por todos esses anos, ainda mais enganando também a minha família sobre minha verdadeira condição.

Daniel era o namorado perfeito, o genro que toda mãe deseja ter, o companheiro, o carinhoso, o preocupado, mas nem um pouco o que meu coração conseguia sentir. Eu queria aquilo, claro que sim. Mas não vindo dele. Todas as vezes em que me beijava, era como se um turbilhão me puxasse de volta à realidade, fazendo minha cabeça remoer tudo o que eu não queria lembrar, que eu era quem eu era.

Foi assim até o momento em que não aguentei mais.

Namorei aquele rapaz por cinco anos, não sei como. Tudo bem que no começo eu gostava dele, bastante, eu diria. Até me imaginava casando com ele, de véu e grinalda, recebendo aquela pomposa aliança de ouro no altar, só que no fundo, no fundo, eu sabia que não adiantava imaginar a vida com Daniel, eu não seria feliz de nenhuma forma.

Nesse meio tempo eu tentei superar as cócegas que sentia pelo corpo toda vez que passava pela professora de educação física ou pela de espanhol. Na faculdade, me apaixonei por cada professora que me atraía. As mulheres mais velhas me atraíam. Tinha vinte e um anos quando me atrevi a elogiar uma delas... Recebi o olhar mais estranho do mundo. Por sorte, não perdi os ricos pontinhos que poderiam me custar o bimestre no boletim. Eu nunca mais cantei mulheres mais velhas.

Ainda na universidade, os olhares meio tortos vindos das patricinhas das outras turmas diziam bem o que pensavam de mim, elas sabiam tanto quanto eu.

O namoro com Daniel serviu de fachada por muito tempo, mas era muito complicado ver mulheres, e algumas delas me atraindo, sem poder dar um sinal ou chegar perto.

Eram dilemas demais para uma cabeça só. Não suportei.

E então, cansada de me enganar por esses cinco anos, decidi abrir o jogo com meu namorado.

Não foi bom vê-lo tão mal com o fim do nosso relacionamento, a minha felicidade estava em jogo. Ele me amava, soube naquele momento, mais do que nunca. E o pior nem foi quando contei meus reais motivos, porque ele compreendeu. O pior foi quando precisei encarar minha família, na noite seguinte, quando chamei meus pais e minha meia irmã para conversarem depois do jantar. Tive um pavor sem igual. E apesar disso, para minha surpresa, também fui compreendida por eles.

Chorei de emoção com meu pai, dizendo que não importava minhas escolhas na vida, eu sempre seria filha dele.

A saga dos dilemas chegava ao fim em meus plenos 24 anos de idade.

Me recordo da sensação de liberdade, de como era bom – e ainda é – acordar livre para viver aquela vida que eu tanto temi, mas que eu tanto necessitava experimentar.



Comecei a escrever para uma coluna num dos principais jornais da Portland sete meses antes. Estava me dando bem trabalhando com o que mais gostava, e recém formada em jornalismo, não poderia pedir por emprego melhor.

Passada as minhas preocupações com minha orientação sexual, naquele dia em especial, me encarregaram de cobrir a inauguração de uma boate nos extremos da cidade. Com direito a presença de personalidades da mídia e uma atriz famosa que chegou à Portland para estrear no teatro.

Diziam que sua peça foi sucesso na Broadway, mesmo assim eu não fazia ideia de quem ela era. Logo eu que adorava teatro e qualquer coisa que envolvesse artes. Talvez meu forte fosse o cinema, eu pensei. Não estava dando a mínima para a tal atriz, só iria fazer o meu trabalho e pronto; Algumas bebidas, anotações, entrevistas, uma passada pela pista de dança, (só se estivesse com muita vontade) teria trabalhado e ainda me divertido.

Mas o que aconteceria de noite, seria surpresa até mesmo para mim.

Me arrumei toda, numa camisa de seda branca e uma saia preta. Penteei meus curtos cabelos para trás e fiz aquela maquiagem sombria – mas nem tanto – em volta dos olhos. Para completar, pintei meus lábios com o meu batom favorito, vermelho sangue, e fui embora, sem esquecer meu bloquinho de anotações.

A mercedes escura que entreguei ao manobrista ao chegar, tinha sido recém trocada pelo modelo inferior. Coisa de meu pai que inventou me oferecer um modelo mais novo quando eu fizesse aniversário. Às vezes era bom ser filha de alguém tão influente como ele, às vezes nem tanto, como não estava sendo na porta da boate, enquanto muitas pessoas me dirigiram um olhar de inveja.

Tentando ignorar aquela situação, eu entrei com minha credencial no evento. Dava para escutar bem alto um sucesso dos anos 80 remixado, enquanto os futuros clientes do estabelecimento tomavam algumas mesas, sofás, a parte de cima do lugar, e até mesmo a pista de dança. Aquilo me fez olhar o relógio para conferir o horário, estava um pouco cedo, porém, o DJ fez questão de a cada música encher o meio do salão de fumaça branca e luzes que faziam meus olhos arderem toda vez que o globo de luz girava no alto.

Me sentei numa cadeira no bar. Recebi um drink por conta da casa, – eu estava certa que aquela era uma jogada para ganhar algum crédito na minha avaliação para o jornal... Pelo menos o drink de frutas vermelhas estava ótimo! – observei por mais ou menos uma hora toda a movimentação com meu bloco de notas sempre à mão, até que levantei de meu lugar e andando anotei mais meia dúzia de detalhes percebidos. Senti um ligeiro cutuque no ombro. Ao me virar de súbito me deparei com meu colega de trabalho, Killian.

— Killian! Você está atrasado! — disse para ele.

— Eu não estou atrasado, eu estava aqui na boate o tempo inteiro, com nada mais, nada menos que Emma Swan. — ele falou aquilo como se Emma Swan fosse um produto de última geração, depois é que me dei conta de quem se tratava. — Você precisa conhecê-la!

— Preciso? — perguntei meio indiferente.

— Claro que precisa. Ela faz seu tipo.

Olhei para o rapaz que possuía um belo par de olhos azuis, mas que nunca me chamaram a atenção. Quando ele se referia à Emma fazer o meu tipo, só podia significar uma coisa.

— Não brinca.

— Não estou brincando. — Killian pegou nos meus ombros e me virou na direção onde podia-se ver uma rodinha em volta de uma mulher loira e alta. — Conversei cinco minutos com ela e saquei do que ela gosta. — ele dizia bem perto do meu ouvido esquerdo.

— Você não pode julgá-la assim, Killian. Ela é uma atriz, pode estar interpretando. Muitos atores e atrizes interpretam na vida real também.

— Então se ela está interpretando, está fazendo muito bem. Quero apresentá-la a você.

— Killian, pelo o amor de Deus, não é uma boa ideia. — eu disse.

— Você está procurando por uma entrevista dessas há meses, não reclame, moça. Vem... — e ele me pegou pelo braço, me puxando naquela direção. Mal tive tempo para impedi-lo, ele era mais forte do que eu.

Só sei que fiquei um bocado encabulada de ser arrastada por ele até o bolinho de gente que se abriu quando chegamos ali.

As pessoas em volta eram em sua maioria repórteres, jornalistas e alguns curiosos também.

A primeira visão que tive dela foi de costas. Uma roupa toda escura. Camiseta simples e calça skinny.

Killian a chamou.

— Hey, Emma!

E ela se virou para nós.

O mais incrível foi que Emma não fitou Killian, ela mirou a mim. Parecíamos ligadas desde aquele momento.

Eu vi a cor de seus olhos, eles eram verde-escuros. Os cabelos que flutuaram em câmera lenta quando ela nos olhou, eram dourados. Sua pele era bonita, rosada, as bochechas eram cheias e pareciam macias, – me controlei para não apertá-las naquele exato instante – a boca então, era minguante do ângulo que vi, e nem por isso deixou de cair perfeitamente bem no rosto dela.

— Oi? — perguntou ela, ainda me olhando.

— Quero te apresentar minha amiga, Regina Mills — ele disse —, repórter do Diário de Portland, nós trabalhamos juntos.

Confirmei com um aceno de cabeça. Não sei se ela percebeu, mas eu estava de boca aberta, quase babando.

Vi a mulher se aproximar, largando completamente de lado a outra entrevista que estava dando. Ela estendeu sua mão, fui obrigada a apertar em resposta. Fiz isso com firmeza, olhando-a a todo momento em seus olhos. Não pude deixar de notar o fascínio que tinham.

— Muito prazer, Regina. — disse com toda gentileza. Abrindo-me um sorriso brilhante.

— Prazer, Emma. — eu lhe falei, passando quase um minuto inteiro a sacudir as mãos com ela. Quem esperava por um autógrafo ou coisa do tipo já ameaçava desistir.

— Então era essa a amiga que queria me apresentar, Killian? — Emma o olhou de relance.

— Ela mesma. — ele replicou.

Mais um pouco e com um sorrisinho de cupido, nosso amigo saiu de perto. Sua missão estava cumprida, eu concluí. Killian conhecia Emma a mais tempo do que se imaginava, ela acabou me revelando.

— Meu amigo me disse que você precisava me fazer umas perguntas.

Finalmente soltei da mão dela. Que mão quente! A palma da minha estava que era puro suor.

— Oh sim... Preciso anotar algumas coisas. Você sendo uma celebridade, logo aqui em Portland, chama a atenção. O que está achando da cidade? — tratei de pegar meu bloco. Eu fiquei tão nervosa que mal conseguia achar minha caneta no bolso do blazer. Não sei como não gaguejei.

Vendo o meu estado, Emma com toda a calma e atenção do mundo esperou, sugerindo algo inteligente:

— Calma. Não se preocupe, se não for muito urgente, podemos fazer uma entrevista amanhã, você quer o meu telefone?

Eu parei e a fitei. Engoli seco, acabei aceitando a proposta.

— Sim, sim... Podemos. Você pode ficar com o meu cartão, assim agendamos uma hora, não tem pressa alguma. — consegui tirar o meu cartão do bolso no blazer e entregar a ela.

— Regina Mills — disse ela com o meu cartão de visitas entre os dedos. Sorriu outra vez para me deixar ainda mais corada. — Pode deixar, eu ligo para marcarmos.

Para o fim da minha sorte, os minutos na frente dela acabaram com Emma sendo interrompida por um fotografo. Não tive coragem de continuar ali, o bolo de pessoas querendo se aproveitar de sua fama se encheu novamente e fui ficando de lado, deixada para trás.

Nem sei se Emma me viu sair da boate.



Quase morri do coração quando recebi sua ligação na hora do almoço do dia seguinte.

Meu celular tocou e não me importei em atender o número desconhecido. Do outro lado da linha a voz da atriz soou um pouco rouca. Ela estava me convidando para fazer a entrevista no Deering Oaks Park. Lugar que eu julgava o mais lindo da cidade.

Alguma coisa me dizia que Emma já me conhecia mais do que eu imaginava, se não, era um interesse absurdo. Isso só podia ser coisa de Killian. Se eles eram amigos, ele pode ter comentado algo ao meu respeito.

Lá fui eu para o parque, sentindo uma fria sensação na boca do estômago que não sabia de onde tinha saído, se eu não havia almoçado quase nada além de salada.

Emma combinara de me encontrar sobre a ponte de pedra que dividia dois dos lados do parque. Dizer que não achei aquele encontro incomum, ainda mais sendo convidada por ela, é mentira. Emma seria entrevistada por mim, mas ao que me pareceu, não era o que ela realmente desejava ao ter me chamado para tão bonito cenário.

Ela já estava lá, apoiando as mãos sobre a pedra da ponte, fitando com óculos escuros um lugar qualquer que não eram as árvores do parque. Parecia pensativa.

Seus cabelos presos num alto rabo de cavalo me chamaram a atenção. Também notei seu traje casual de outono; camisa de manga comprida azul marinho, calça jeans clara e uma bota de cano alto. Bem peculiar.

Eu tremia. Por que diabos eu estava me sentindo daquele jeito?

— Emma? — disse a ela quando me aproximei totalmente.

— Oi! — virou-se ao me ver. Tirou seus óculos e sorriu sem mostrar os dentes. — Que bom que você veio... Regina. — percebi que ela hesitou ao falar meu nome. De onde vinha aquela simpatia toda? Por que insistiu em me encontrar aqui? Pensava eu.

— Um lugar um pouco diferente para uma entrevista. Não deixa de ser bonito. Pensei que você preferisse um restaurante, ou o saguão de algum hotel. — comentei bem humorada.

Ela me olhou como se acabasse de ter uma ideia.

— Eu adoro lugares assim. Não sei se Killian te disse, nas horas vagas eu gosto de andar de bicicleta, passear, viajar...

Sem que me desse conta, aquela entrevista já estava começando.

— Vou anotar isso. — falei, depois de decidirmos caminhar pelas árvores em torno do lago.

— Você está mais calma hoje? — ela perguntou.

— Como? — disse sem entender.

— Se você está mais calma hoje. Parecia um pouco tensa ontem à noite. — eu diria algo se não fosse o fato dela continuar falando. — Não se preocupe, eu entendo. Para ser bem sincera, o lado ruim de ser uma atriz é esse assédio todo. E olha que eu nem comecei a atuar na TV ou no cinema ainda.

— Você gostaria de atuar no cinema?

— Sim. Qual ator americano não deseja?

Nós seguimos até bem perto do lago. Continuamos naquele papo que durou uma hora. Acabamos descobrindo que tínhamos muitas coisas em comum. E uma delas era o fato de gostarmos de mulheres. Bem que Killian havia me falado que ela fazia o meu tipo.

Queria lhe perguntar mais coisas. A conversa estava tão boa que me esqueci de pegar o bloco de anotações ou o gravador do celular. Tonta.

— Mas que droga! — falei entre os dentes, ela escutou.

— O que foi?

— Me esqueci de gravar as coisas que me disse.

Emma deu uma gargalhada alta. De repente se sentou, achei que ela tinha caído de tanto rir de mim.

Fiz o movimento de me sentar ao lado dela na grama. Encabulada observei seu sorriso.

Sem saber como reagir, minha única alternativa foi abrir o meu sorriso para ela. E de fato ela me fez rir também com a sua alegria espontânea. Estávamos rindo da minha desgraça.

— Você se distraiu demais comigo. Me desculpe, tagarelei muito. Mas é que não me contive. Isso acontece quando fico à vontade com alguém. — Emma me contou.

— Então isso quer dizer que você está à vontade comigo? Uma completa desconhecida?

Nós enxugávamos o canto dos olhos, das lágrimas que ameaçavam cair de tanto que rimos.

— Você não é mais uma desconhecida, Regina. Eu sabia que valeria a pena.

Algo no olhar dela mudou.

— O que valeria a pena?

— Conversar com você, ter esse momento. — ela fez uma breve pausa antes de voltar a falar. Não tirou sua atenção de cima de mim. Já estava me deixando com o coração a palpitar estranhamente. — Você não sabe, mas eu estava lá quando você chegou. Eu te vi por muito tempo.

— Do que você está falando? — perguntei receosa.

— Na boate. Antes que eu descesse e falasse com todo mundo, eu estava no andar de cima, observando você. De algum jeito me chamou a atenção de onde te vi. Por isso, quando desci, pedi Killian para te chamar.

O que Emma me confessou, eu suspeitava.

Baixei meu olhar para a grama.

Emma não permitiu que eu ficasse muito tempo sem olhar para ela. Tocou com dois dedos meu queixo e o suspendeu, me obrigando a vê-la. Ela estava muito perto de mim.

— Pode ser besteira minha. Você também me chamou a atenção. — entreguei.

— Jura? — pareceu feliz ao me questionar.

Olhando em seus olhos, assenti.

O silêncio pairou entre nós, intocável.

Sabíamos e queríamos muito que aquilo acontecesse, e aconteceu.

Emma veio na minha direção, com seu rosto. Custou para que eu entendesse sua proximidade, e quando o fiz, nossos lábios se encontraram.

Quando ela me beijou, tive a sensação de sair de mim.

Nossas línguas casaram bem. O beijo que começou lento, virava nossas cabeças, fazendo nossos narizes roçarem de um lado para o outro algumas vezes.

Ficaríamos naquilo o tempo que fosse preciso se ela não tivesse se assustado.

Descolamos e nos olhamos com olhos abertos demais. Mas eu não deixei que sua dúvida ficasse muito tempo no ar. Segurei seu pescoço com uma das mãos e a puxei de volta para cima de mim. Para o meu deleite ela compreendera que tinha feito o certo.

Eu não queria saber se tudo aquilo tinha acontecido rápido demais. Na verdade eu pouco me importei. Eu só sabia que tinha sido forte. Dizem que se chamava amor à primeira vista.

Notas finais
Espero sinceramente que tenha agradado. Esse primeiro capítulo e o segundo que sai logo amanhã, pode deixá-las com a sensação de quero mais, e asseguro que não vão precisar esperar muito para as coisas acontecerem aqui nessa história. Vou continuar se a história agradar vocês. Me digam o que acham. Fiquem à vontade!Desde já, meu muito obrigada a todas que me acompanham como escritora. ♥