Não apenas um bromânce
4 Jura de mindinho?
Notas iniciais
Acredito que as melhores coisas da vida são assim, meio loucas, sem explicação...
Mas que as respostas estão escondidas nas entrelinhas.
(Heidi Santtos)
Acordo com o doce barulho de uma discussão. Gritos e coisas sendo atiradas eram claramente ouvidos, provavelmente, por toda a Nova York.
Solto um resmungo enquanto rolo para fora da cama. Vou ao banheiro e lavo meu rosto na pia, quando olha para o espelho, vejo meu rosto com uma aparência horrível. Olheiras enormes, cara pálida e uma expressão de zumbi.
Ignoro isso e seco meu rosto, saindo do banheiro depois. Quando analiso meu quarto, fico em dúvida do que fazer.
Eu precisava começar a minha pequena investigação, precisava arrumar meu apartamento e, principalmente, precisava comer.
Mas para comer eu precisava ir ao mercado ou a alguma cafeteria, o que remetia eu por o meu rosto circulando pelas ruas de Nova York, o que não parecia uma boa opção.
O que me fez lembrar que eu precisava tomar uma decisão sobre o meu emprego. Eu agora era fotógrafo oficial do Clarim Diário, não era mais Freelancer, o que era muito bom no quesito dinheiro.
E agora que eu estava morando sozinho, eu ia precisar muito desse dinheiro. Entretanto, nas minhas informações no site, constava que eu era fotógrafo do Clarim Diário, se eu aparecesse no prédio do Clarim, ou estivesse em algum evento tirando fotos, seria alvo fácil, assim como as pessoas ao meu redor correriam perigo.
Mas eu não podia ficar desempregado.
Eu não tinha mais faculdade.
— Que merda eu fiz? – sussurrei para mim mesmo enquanto fechava os meus olhos.
Eu estava diante de um paradoxo.
Se eu continuasse no emprego e na faculdade, correria riscos e colocaria a vida de outras pessoas em risco.
Se eu saísse dos dois, não teria um futuro e nem um presente.
Até quando eu ficaria escondido?
Até eu achar a pessoa que colocou minha cabeça a prêmio e tirar tudo da internet?
Eu não tinha seguranças de que ia achar.
— Foda-se. – murmurei e fui em direção á minha mala, de lá tirei uma blusa de manga comprida e uma calça.
Se eu continuasse a pensar tanto nisso, iria ficar mais paranoico e louco.
Coloquei meu uniforme por baixo e a roupa por cima, teria que fazer sempre isso agora. Guardei as luvas e a máscara em uma mochila, junto a um casaco e minha câmera. Peguei minha carteira e a coloquei em um bolso da minha calça. Com a mochila nas costas, sai de casa em direção a uma cafeteria.
Enquanto caminhava, tentava ao máximo olhar para baixo, mas ao mesmo tempo, observar as pessoas ao redor, e o meu espaço. Caminhei até o fim da rua, onde havia uma pequena cafeteria.
Adentrei no local e apenas poucas pessoas estavam dentro do lugar, fui direto ao balcão.
— Um Cappuccino e dois Donuts de chocolate. – peço a uma atendente. Ela sorri.
— Claro. – depois se afasta do balcão a procura do meu pedido, depois de alguns minutos, ela volta e me entrega. – São dez dólares.
— Obrigado. – agradeço pegando o pedido e entregando o dinheiro.
Olho para uma mesa no canto do estabelecimento e me encaminho até lá. Sento-me e logo começo a comer o Donut de chocolate, que aquela altura, parecia a melhor refeição do mundo.
Enquanto comia a rosquinha e bebericava o café, encarei ao redor e comecei a repensar melhor no que fazer.
Eu já havia me mudado e saído da faculdade, isso já estava resolvido. Eu ficaria com o emprego, e tentaria ao máximo não pisar no Clarim e ir a eventos. Mesmo o J.J.J sendo chato e rabugento, sempre que eu mandava fotos do Homem-Aranha ele ficava satisfeito e me deixava mais de lado. É claro que isso resultava em manchetes mentirosas e exageradas culpando o Homem-Aranha por tudo, mas eu não estava em um momento de exigir nada.
Enquanto devaneava sobre isso, vejo um homem alto de casaco de couro entrar no café e me encarar. Logo que encaro o homem nos olhos, ele vira seu rosto e vai até o balcão.
Sinto meu sentido aranha apitar alto.
Ou talvez seja o meu sexto sentido humano dizendo: deu ruim.
Termino meus Donuts e continuo a beber o meu café, analisando o homem que parecia fazer um pedido no balcão.
Alto, cabelos pretos, muito provavelmente super musculoso por debaixo daquela roupa, feições do rosto fortes e, o principal, ele exalava culpa. Quase parecia que havia uma placa piscando em cima da cabeça dele com os dizeres: Eu vim matar Peter Parker!
Até poderia ser minha paranoia, mas, como diz o ditado, o seguro morreu de velho.
Termino meu café e coloco minha mochila em meu ombro, quando vou saindo, vejo o homem desviar seu olhar para mim, ignoro-o e continuo andando. Quando saio na rua, uma brisa fresca choca-se com meu corpo, me causando uma sensação boa.
Enquanto eu caminhava pela rua, meus pensamentos iam se clareando. Não tinha como aquele cara estar lá por minha causa, eu havia acabado de sair de casa, ninguém me seguia, não tinham como saber que eu estava naquele café. Aquele cara era só um mal encarado qualquer.
Mesmo assim, já havia sido um pequeno susto, já tinha acabado o tempo de Peter Parker, agora era hora de vestir o uniforme, pegar alguns bandidos, e tirar algumas fotos.
Olho para os lados e certifico-me de não ter ninguém olhando. Poucas pessoas passeavam por essas ruas no domingo de manhã, e as poucas que faziam, estavam mais ocupadas com suas vidas, não tinham sua atenção pega por um adolescente.
Virei à rua e caminhei normalmente até o lado de um beco, quando virei para adentrar no beco, sinto meu sentido aranha apitar, tarde demais. Meu corpo é empurrado com uma força quase sobre-humana para a parede.
— Quase fácil demais. – exclama o homem que estava na cafeteria.
— Eu sabia. –resmungo apertando meus olhos por causa da dor que exalava do machucado do meu braço esquerdo.
— É extremamente patético estarem oferecendo tanta grana por um ser tão insignificante quanto você
— E é extremamente engraçado alguém que paga tanto de machão, estar aqui me agarrando em um beco. – digo sem pensar, e levo um soco forte no rosto, quase fazendo os meus óculos caírem.
Mas naquele momento eu não estava prestando atenção na briga que estava prestes a acontecer, minha atenção estava toda nas palavras daquele homem, que martelavam agora na minha cabeça.
“É extremamente patético estarem oferecendo tanta grana por um ser tão insignificante quanto você.”
Não que eu fosse me desmerecer, mas a minha forma adolescente não era de meter medo para alguém estar oferecendo tanto para outra pessoa me matar.
O que reforçava a minha teoria de que a pessoa que estava fazendo isso, sabia que eu era o Homem –Aranha.
— Vai ficar feliz em saber que eu não acredito em armas, gosto de matar lentamente com facas. – diz me prendendo pelo pescoço com uma mão, e com a outra, pegando uma faca.
— Na verdade, eu fico muito feliz em ouvir isso. – falo meio sufocado pelo aperto que estava recebendo. Se ele usasse armas, adeusinho Peter Parker, mas com facas, eu ainda tinha uma chance.
— Vi que você é engraçadinho, já sei o porquê querem te matar. O que acha de eu abrir um sorriso enorme em seu rosto? De uma orelha a outra? – comenta enfiando a faca da sua mão em minha boca. A lâmina gelada e afiada encostada em minha pele me causa um pouco de pânico.
— Vai dar uma de Coringa, é? – falo mesmo com medo. Ele solta um risinho e empurra de leve a lâmina contra o canto dos meus lábios. Sinto uma ardência e logo o gosto de sangue.
Respira Peter. Observe. Ache a fraqueza dele.
Observo seus olhos, são de pura insanidade e concentração. Ele antes parecia um mercenário, mas agora, parecia mais que matava por loucura própria, e ainda recebia por isso. Se é que pegava o dinheiro.
O momento era muito delicado, ele parecia querer tudo perfeitamente certo, o que era uma vantagem para mim, que poderia aproveitar sua concentração e escapar. Entretanto, a lâmina estava dentro da minha boca, qualquer movimento poderia custar muito caro.
— Achei que você fosse ser mais criativo, sabe, esse negócio de sorriso já está sendo usado.- falo com a maior delicadeza, sem mexer direito minha boca, o que faz a frase sair engraçada. O homem bufa.
— E quem sabe se eu CORTAR LOGO A SUA GARGANTA E FICAR RINDO DE VOCÊ! – gritou alto, fazendo com que eu tome um susto, mas para minha sorte, ele parecia fora de si de raiva, o que fez ele tirar a faca da minha boca.
E tudo se seguiu em câmera lenta.
Ele mal tirou sua faca e já preparou seu braço para investir a lâmina em meu pescoço. Quando fico livre de sua mão no meu pescoço, jogo-me no chão e rolo para longe. A faca bate na parede e algumas partes do concreto caem.
Levantei rapidamente do chão e corri para dentro do beco. Eu queria fugir, mas precisava desarmar o homem para evitar acidentes.
Como esperado, o homem vem furioso para o meu lado, meu sentido aranha é ativado e facilmente desvio do golpe da faca, dando em seguida, um soco forte no estômago do homem. Ele cambaleia, mas já volta para outro ataque, vou para o lado e depois rapidamente para as suas costas, onde dou um chute forte, o homem cai no chão. Chuto sua cabeça e ele se desorienta. Com ele no chão, ainda meio tonto, pego a sua faca e saio do beco.
E obviamente, corro.
Entro em outro beco mais distante e faço o processo de troca de identidade o mais rápido possível. Já vestido de aranha, pego minha câmera e escondo minha mochila.
Eu ainda teria muito tempo antes de encontrar Deadpool, o que era bom, porque eu precisava pensar.
Primeiramente, eu estava quase surtando por dentro. A minha vontade era ir para casa e investigar a fundo quem havia colocado meu nome na lista negra, investigar até ter uma resposta.
Mas eu ainda tinha que conseguir dinheiro e eu tinha a sensação de que não seria tão fácil achar a pessoa que me quer morto. Se ela não quis vir aqui me matar por ela própria, não ia ser idiota de deixar pistas dando sopa por ai, e mesmo eu sabendo muito de internet, eu só possuía um notebook e muita força de vontade.
Coloco a câmera em meu pescoço e jogo uma teia no prédio ao lado, e assim vou até onde deixei o homem. E, como esperado, ele já não estava lá.
— Talvez tivesse dado boas fotos. – comento saindo daquele beco e dando uma passada por “toda a cidade”.
Depois de saltitar por toda a cidade, me pendurando em inúmeros prédios, eu começava a achar que o meu sentido aranha estava quebrado. Não que tivesse acontecido algo inacreditavelmente horrível, mas o sentido aranha antes me alertava sobre quaisquer perigos que fossem, e agora, parecia só funcionar na hora.
Depois de horas salvando civis e impedindo bandidos, eu estava sentado no parapeito de um prédio, com a minha câmera na mão, olhando as fotos que tinha.
Todas mostravam o meu lindo heroísmo, mas eu sabia que amanhã estariam em cima de uma legenda me incriminando. Suspirei frustrado.
— Aranha! – ouvi Deadpool exclamando.
Entrei em um estado de pânico.
Por que eu não senti ele vindo?
O que eu faço com a câmera?
Olho para o objeto em minhas mãos e arregalo meus olhos. Se Deadpool visse isso, iria suspeitar e eu estaria em uma enrascada federal.
— Hey, está me ignorando? – perguntou se aproximando de mim.
Olho para baixo e vejo um pedaço pontiagudo de um pequeno totem de pedra que enfeitava o prédio, habilmente, jogo e câmera lá para baixo.
Por favor que não caia, por favor que não caia, por favor que não cai.
Quase ergui meus braços para cima quando o cordão da câmera foi direto para o totem, fazendo o objeto ficar pendurado e se balançando. Sinto um toque em meu ombro e viro rapidamente, levando um pequeno susto.
— Hey, calma, você está bem? – respiro fundo e saio do parapeito ficando de pé em frente a Wade.
— Sim, é, estou, desculpe. – poderia até estar rindo agora, parecia que a sorte começava a mudar para Peter Parker. Havia sido por um tris, mas tudo havia dado certo.
— Legal, olha, eu sei que você tinha marcado ontem que nos encontraríamos no mesmo horário e lugar, mas é que eu não aguento ficar longe de você. – cerro meus olhos na direção de Deadpool. Realmente suas palavras me deixavam meio encabulado.
— Então... Você estava me seguindo? – pergunto e vejo Wade ficar calado. Suspiro. – Eu achei que nós tínhamos um acordo...
— Eu sei, eu sei, me desculpa, sério, não fica brabo comigo Baby Boy...
— É Pe... – congelo e logo torno a falar. – M-me chame de Homem-Aranha, ou Cabeça de teia, sei lá, só não me chama de Baby Boy. – quase que um enorme acidente acontece, o que me faz pensar se, com o meu jeito idiota e atrapalhado, essa parceria daria certo.
— Okay, eu chamo de Garoto-Aranha, mas Baby Boy é muito mais legal... – fala meio emburrado.
Com certeza Deadpool era algo para ser estudado.
— Tanto faz, só não me siga!
— E por que não?
— Porque não!
— Porque não, não é resposta! – diz brincalhão. Reviro os olhos.
— É a resposta que você vai ganhar, agora, já que você está aqui, vamos logo fazer o que temos que fazer.
— O que temos de fazer envolve beijar? – pergunta de forma galante. Sinto minhas bochechas corarem levemente, um pouco de raiva, um pouco de vergonha.
— Deadpool, por favor, não torne as coisas mais difíceis.
— Achei que você fosse mais engraçado, por onde quer começar?
— Achei que você tinha um plano.
— Eu tenho um plano, ataque.¹ — exclama e depois corre até o outro lado do prédio e pula.
— Onde é que eu fui amarrar o meu burro? — reviro os olhos, começo a segui-lo, mas paro no meio do caminho lembrando-me da minha câmera.
Deixar ela ali não era uma opção. E traze-la comigo também não.
A sorte de Peter Parker não havia mudado mesmo.
Vou até o parapeito novamente e me grudo no prédio, indo até o lado do totem e pegando minha câmera. Rapidamente, subo de novo, e olho para os lados.
— Não vem não, Spidey? – grita Deadpool lá de baixo.
— Já estou indo. – grito de volta correndo até o canto do terraço e colocando a câmera escondida atrás de uma planta. – Não sai dai. – falo apontando para a câmera. Logo vou para o parapeito e olho para baixo.
Deadpool acena para mim quando me vê. Olho para trás e tento o máximo guardar onde estava.
— Tomara que eu lembre. – atiro-me do prédio e atiro uma teia na parede a frente, para não cair. Quando estava chegando perto do chão, sou surpreendido pelos braços de Wade, que me pegam no colo e cortam minha teia com uma Katana que havia surgido do nada.
— Mas que... – Wade guarda a arma em suas costas rapidamente e me aperta contra seu corpo com os seus braços.
— Que surpresa! Garoto-Aranha pulando direto para os meus braços! – exclama animado me girando.
— Porra!— empurro os ombros de Wade e pulo para fora do seu colo. – Você tem algum problema?
— Tenho sim, eu estou perdidamente apaixonado por você. – diz sério encarando-me.
Encaro Wade também. Não movo um músculo. Ele estava falando sério? Ele parecia sério, mas era o Deadpool!
— Hey, calma, eu estou brincando. – começa a rir e dá um pequeno empurrão em meu braço.
— Ah, tá, há há. – dou uma pequena risada ainda sem entender o que estava acontecendo.
— O plano é o seguinte, não tenho a localização da casa do pirralho², ainda, então nós vamos ao lugar mais óbvio para ir, vamos ao trabalho dele.
— Tá. – digo e espero Deadpool começar a andar, o que ele, obviamente, não faz, já que tudo tem que ser mais complicado. – O que foi agora?
— Estou esperando você me pegar pela cintura e nos levar até lá. – comenta se aproximando de mim.
— Isso é sério? – viro minha cabeça um pouco para o lado, semicerrando meus olhos.
— Como você acha que vamos? Caminhar leva muito tempo, e temos as suas teias super legais. – argumenta se aproximando ainda mais. Dou um passo para trás.
— Isso não vai acontecer. – digo firme.
— Mas Spidey... Por favor, eu nunca pedi nada a você! – implora com ar de choro.
— Não.
— Por favor.
— Não.
— Por favor! – Deadpool se ajoelha e chega mais perto de mim ainda, junta suas mãos e começa a choramingar. – Por favor, por favor, por favor...
— Ah, tá bom! – balanço a minha cabeça e bufo de frustração.
— Que demais! – Wade se levanta e lança suas mãos para cima com ar de vitória.
— Mas não pense que isso vai ficar se repetindo. – aponto para seu peito.
— Não penso.
— Porque não vai.
— Eu entendi. – suspiro. Ele com certeza iria pedir isso de novo.
— Vamos acabar logo com isso. – viro de costas para Deadpool e analiso o prédio onde posso colocar minha teia. – sobe logo, não vou ficar pegando você no colo.
— Que aventura. – diz e se pendura no meu pescoço, colocando suas pernas ao entorno do meu corpo. – Sabe, eu só não passei a mão na sua bunda porque eu sabia que você ia ter um ADP³, e eu quero muito saltitar por ai com você. – fecho meus olhos e suspiro.
— Você não cansa, não?
— Nunca! – fala e dá um beijo no meu rosto, ou melhor, na minha máscara.
Ignoro seu ato e jogo uma teia no prédio próximo a nos, fazendo nossos corpos serem levados para o alto. Seria bom mantê-lo entretido, e até talvez, criar um vínculo de amizade, para se algo desse errado. Então eu teria que manter as aparências e criar uma paciência sobre-humana.
— Uuuuuuuuuiiiii. – Deadpool dá um gritinho e começa a rir.
Depois de tomar impulso com o primeiro prédio, se pendurar em outros se tornou mais fácil, mesmo ainda sendo estranho e um pouco desconfortável ter uma homem alto e viril pendurado em minhas costas com seu corpo uniformizado em atrito com o meu corpo uniformizado.¹²
— Uau, isso é muito maneiro! – exclama apertando mais meu corpo. – É a coisa mais legal que eu já fiz na vida, você tem muita sorte de poder voar por ai!
Dei um pequeno sorriso. A animação de Wade era contagiante. Vestir-se de Homem-Aranha e me pendurar por ai já havia virado rotina para mim, e até se tornado monótono, mas com ele falando e rindo em minhas costas, eu podia ver o quanto era bom poder estar no céu, sentir o corpo a metros do chão pendurado apenas por uma teia.
Quando chegamos perto do prédio do Clarim diário, levo nós dois para um prédio que ficava a frente. Coloco uma teia na parede e quando chegamos próximos, grudo-me ao prédio.
— Isso foi INCRÍVEL! – exclama me abraçando forte. Wade coloca sua cabeça no entorno do meu pescoço e sussurra em meu ouvido. – Temos que repetir isso um dia desses.
Sinto um arrepio passar por todo o meu corpo. Afasto minha cabeça de Wade e começo a escalar o prédio.
— Essa foi a primeira e última vez que isso aconteceu. – digo e subo no parapeito do prédio, logo depois descendo no terraço. – Agora desgruda.
— Mas é tão bom aqui. – Wade me aperta mais.
— Desce logo!
— Eu poderia até fazer daqui o meu lar. – bufo e aperto os braços de Wade que estavam no entorno do meu pescoço. Aperto com o máximo de força possível, desgrudando eles de mim. – Tá, tá, que irritadinho... – Deadpool se coloca no chão e se afasta um pouco de mim.
— O que pretende fazer agora? Vamos ficar olhando para baixo até que ele apareça? – em minha cabeça eu só ficava pensando o quanto era idiota eu estar esperando eu mesmo, junto com outro homem.
— Você é bem espertinho, ein. – comenta e vai até o parapeito do prédio e se senta, deixando suas pernas penduradas e balançando. – Tem espaço aqui para mais um. – fala batendo sua mão no espaço ao seu lado.
— Por que os lugares em que vamos nunca tem ninguém? – pergunto olhando para os lados. Parecia que os prédios eram abandonados, não que fosse comum as pessoas estarem no terraço, mas também não era comum ninguém nunca nem dar uma checada. – Tudo bem. – suspiro e sento-me ao lado de Deadpool.
Wade chega mais perto de mim. Eu vou mais para o lado. Ele repete o ato. Desisto e olho para frente. O prédio do Clarim Diário tinha uma aparência comum, ele não era novo e nem velho, se misturava as tantas construções de Nova York. Várias pessoas passavam pelas calçadas correndo, carregando maletas ou grudadas aos celulares.
Olhando para tudo aquilo, eu imaginava se a minha câmera estaria bem. Além de meu sustento, ela era o meu xodó. Mas, eu prezava pela minha vida e identidade, com certeza daria muito na vista se Deadpool me visse com uma câmera.
— E então? – Deadpool pergunta me olhando. Olho de rabo de olho para Wade, sem virar a minha cabeça.
— E então o quê?
— Qual vai ser o nosso nome?
— Você ainda está com isso na cabeça?
— Você disse que a gente ia ter um nome!
— Não disse não!
— Você disse sim, não se faça de aranha sonsa. – diz cutucando meu ombro com o dedo.
— Você não tem vergonha de ser um homem já vivido e grandalhão, agindo como criança? – pergunto afastando meu ombro e olhando para ele.
— Só estou tentando manter as coisas animadas por aqui, desculpe se você não é alegria da festa quando está perto de mim. – depois de dizer isso, Wade olha para frente e continua balançar suas pernas, logo começa a balançar sua cabeça também. – Ainda é uma boa ideia, ele só está se fazendo de difícil.
— Quê? – olho confuso para Wade. Tinha quase certeza que ele estava falando com ele mesmo.
— Nada.
— O que você disse?
— Eu não disse nada. – comenta e depois começa a assobiar.
— Você disse sim... – insisto querendo saber mais sobre esse lado dele. – Você disse...
— O que você disse?
— Quê?
— Quê? – olho com uma cara fechada para Deadpool, recebendo apenas a máscara dele em troca. O que provavelmente estava acontecendo com ele também, já que eu vestia uma máscara.
— Tanto faz... – murmuro voltando a minha atenção para o prédio.
Depois de alguns minutos começo a pensar se esse plano daria certo. Eu não poderia ficar entretendo Deadpool para sempre, eu estava há apenas alguns minutos e já morria de tédio e vontade de ir para a casa fazer coisas mais importantes.
— Olha, eu queria que discutíssemos melhor esse plano para pegar o fotógrafo. – começo falando, recebendo um aceno positivo de Deadpool. – Vamos combinar assim, não sai aterrorizando e perseguindo o garoto sem eu estar do seu lado, tudo bem?
— Por que não? – pergunta pendendo sua cabeça um pouco para o lado.
— Porque, como o cara certo aqui, eu quero fazer esse trabalho o mais limpo possível, você concorda?
— Mas e se eu estiver com ele no papo e você estiver longe? – procurei dentro da minha cabeça uma resposta boa o suficiente para isso, sem que levantasse suspeitas. Nada.
— Mesmo assim não, agora jure para mim que você não vai persegui-lo por ai sem estar comigo. – falo convicto. Deadpool dá um gemido e gira sua cabeça.
— Tá bom, eu juro que não vou persegui-lo por ai sem você.
— Jura de mindinho? – falo e levanto meu dedinho. Deadpool semicerra os seus olhos. – O que foi? Eu também posso ser bem legal.
— Tá. – Wade cruza seu dedinho com o meu. – Feliz agora, aranhazinha? – pergunta brincalhão.
— Muito, agora solta o meu dedo. – puxo minha mão, mas Wade resiste, segurando meu dedo com seu.
— Parece que estamos de mãos dadas, mas são os nossos dedos, não é uma loucura? – questiona e dá uma gargalhada. Tento segurar, mas no final dou uma risada. Wade tinha uma risada muito estranha e engraçada, fora o fato de não falar nada que seja considerado algo com sentido.
— É uma loucura me... – antes de terminar a frase sinto meu sentido aranha se alertar. Olho para o lado e vejo, um pouco longe do prédio onde estávamos, dois homens do tamanho de armários saindo de uma loja com armas tão grande quanto eles.
Levanto rapidamente ficando de pé no parapeito. Várias pessoas já começavam a fugir e a entrar em desespero. Os homens, com sacolas em seus ombros, apenas caminham entre elas, rindo e ameaçando atirar.
Quando estava prestes a pular do prédio, para ir em direção ao tumulto, sinto algo, ou melhor, alguém agarrar minha perna.
— Ei, você não pode sair assim, estamos de vigia.
— Você está louco? Tem pessoas correndo risco de vida aqui! – falo um pouco nervoso, ameaçando pular novamente. Wade segura minha outra perna.
— Outra pessoa resolve isso.
— Se não me soltar agora, eu vou pular e chutar a sua cara, e depois de dar uma surra naqueles caras, eu vou voltar para rir do jeito que o seu corpo vai ficar todo amassado no chão.
— Se você for, eu vou.
— Nem pensar.
— Vai ser nossa primeira vez em ação, animal. – diz animado levantando e rapidamente subindo nas minhas costas.
Pude sentir a quentura da minha raiva desde os meus pés até a minha cabeça.
— Vai, vai, os civis estão esperando o aranha! – comenta dando pequenos pulinhos, fazendo seu corpo ser esfregado contra meu.
— Só... para de se mexer. – reviro os meus olhos e pulo do prédio.
— Uuuuiiiii. – Wade grita como da primeira vez.
— Será que seria muito ruim eu usá-lo como escudo humano caso atirem? — pergunto a mim mesmo.
— O que disse?
— Nada. – não seria tão ruim, ele tem o fator de cura.
Só alguns prédios e já chegamos onde os homens estavam, logo que pouso, dou uma cotovelada em Deadpool. Meu uniforme já me comprometia, eu não precisava de um homem atrás de mim para deixar as coisas mais estranhas.
Wade desse rápido e já saca suas Katanas, ficando de frente para os dois homens, que param de andar e nos encaram.
— Os Assassinos Escarlates chegaram, rendam-se agora ou morram para sempre! – exclama Deadpool. Os homens olham confusos para gente.
— Ai, que Odin tenha piedade da minha alma. – comento suspirando e já preparando o dispositivo de teias. Aquilo não seria nada bonito.

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