Não Vejo Teus Olhos, Vejo Tua Alma
2 Será o certo?
Notas iniciais
— É, acho que é melhor você ir pra lá filha, o que você acha? — Minha mãe perguntou.
— Quando vamos fazer a matrícula? — Perguntei de volta.
Ela deu uma risada, com certeza ela queria dar um sorriso pra mostrar que estava feliz comigo, mas eu não podia ver, então..
Nos arrumamos e fomos até a escola na hora, não queria esperar mais.
A escola até que era bem bonita, e olhando por fora parecia ser grande e espaçosa.
— Bom dia senhora o que deseja? — Perguntou a diretora da escola.
— Vim fazer a matrícula da minha filha — Disse minha mãe.
— Ok só um minuto — Afirmou a diretora, depois ela saiu dali.
— Filha porque não dá uma volta pela escola para conhece-la melhor?
— Ok, eu volto em 20 minutos.
Eu sai de lá e fui me guiando com minha bengala, estaria com meu cachorro mas ele estava no veterinário, e com certeza seria proibido a entrada de cachorros na escola.
Se bem que a escola era pra deficientes, deveriam ter outros deficientes visuais como eu, mas que só conseguem se guiar com cães, mas eu iria ver sobre isso depois.
Aquele lugar era agradável, estavam em hora de almoço e eu pude sentir tranquilidade no lugar.
Ninguém se importava com as diferenças dos outros nem com as de si mesmos, eles estavam mais ocupados curtindo a vida e sendo eles mesmos.
Continuei caminhando até que esbarrei em alguém.
— Me desculpe — Ele disse. Percebi que era um homem pela voz grossa.
— Não foi nada — Respondi.
— Você é aluna nova aqui?
— Mais ou menos, minha mãe está fazendo minha matrícula hoje.
— Qual é seu nome?
— Sou Dora, e o senhor quem é?
— Pode me chamar de Fid. Tomara que tenha uma vaga pra você, seria bom ter mais uma aluna aqui em Sune.
— Então aqui se chama Sune?
— Sim, faz bastante tempo que essa escola foi fundada e já teve vários nomes.
— Seria interessante saber mais dessa história toda.
— Ficaria honrado em te contar mais deixaremos pra outro dia? Eu tenho aula pra dar agora.
— Ok, até mais.
Então ele era um professor? Que demais, nunca fiz amizade com nenhum professor
Eu não gosto de nenhum professor da minha (Antiga) escola a maioria deles são chatos e perdem a paciência facilmente comigo por terem toda a hora que sair da sala pra pegar livros escritos e, braile.
— Filha cadê você? — Perguntou minha mãe se aproximando.
— Estou aqui mãe — Respondi me aproximando dela.
— Vamos?
— Vamos, claro. E aí? conseguiu fazer a matrícula? Tem vaga pra mim aqui?
— Sim querida, você já poderá estudar aqui semana que vem.
— Semana que vem? Mas hoje é quinta-feira, então amanhã vai ser meu último dia de aula na Kade?
— Sim, eu sinto muito, mas pode fazer uma festa de despedida com algumas amigas lá em casa se quiser.
— Valeu mãe, provavelmente vou fazer. Ainda vamos nos ver fora da escola mas.. Vai ser bem pouco.
— Sinto muito filhinha, mas tenho certeza que vai arrumar novos amigos aqui em Sune que vão ser tão legais como a Marina, a Magali e a Denise.
—E a Irene.
—A Irene não, porque ela não é legal.
—Hahahaha sua boba — Disse, por mais que eu achasse que ela estava certa.
Saímos da escola e fomos direto pra casa , assim que cheguei resolvi subir para tomar um banho.
P.O.V Jeremias
Hoje na escola encontrei uma nova aluna, se chamava Dora.
Como era linda, ela não podia me ver então acho que não podia me identificar.
Tomara que ela estude na Sune, são poucos os alunos que se interessam pela história da nossa escola e seria tão bom poder contá-la pra alguém, parece que estou se abrindo com algum amigo ou algo parecido.
— Senhor Fid? — Perguntou uma aluna na porta da minha sala.
— Oi Mônica, entre — Eu disse.
— Terminei o relatório de história que você me pediu.
— Deixa eu ver como ele está.
Ela me entregou algumas folhas.
— Hm..Está bom — Indaguei depois de folear algumas páginas.
— Bom? Bom? Eu demorei 3 horas do meu precioso tempo pra fazer esse trabalho e a única coisa que você me diz é que está bom? Está perfeito — Ela grita me deixando um pouco assustado.
— Bom senhorita Sousa, você poderia ter se esforçado um pouco mais.
— Eu me esforcei o máximo que eu pude — Gritou ela novamente, começando a jogar coisas em mim e gritando.
Comecei a gritar por ajuda até que as "tias" da escola vieram e seguraram ela.
— Me soltem aaaa — Ela gritava se contorcendo.
— Tirem ela daqui socorro — Eu dizia apavorado.
— Calma senhorita Mônica — Dizia as tias.
Demorou muito MUITO tempo mesmo pra conseguir acalmar ela.
Sinto muito pena dela.
P.O.V Dora
Cheguei em casa e me deitei pra descansar um pouco, apesar de eu querer sair daquele maldita escola da Kade, eu queria ficar com minhas amigas e seria muito duro me separar delas.
— E aí Dora — Disse o abusado do meu irmão entrando no meu quarto sem nem bater.
— Dudu — Eu disse me levantando — O que você quer?
— Me empresta aquele jogo que tem aquele bonequinho que faz umas missões pra ganhar moedas?
— Tá na segunda gaveta.
— Tá, valeu.
Vocês devem estar se perguntando o porque de eu ter joguinhos de computador.
Sim, existem tios sem noção a esse ponto, se é que me entendem.
Ele pegou o jogo e se sentou ao meu lado.
— O que você tem? — Perguntou.
— Por que eu teria alguma coisa? — Suspirei.
— Você parece triste.
— Não estou não — Menti disfarçando, porque na verdade,eu estava sim, muito triste.
— Sei que você tá — Ele disse me abraçando.
Apesar do meu irmão passar 90% do tempo dele me enchendo a paciência, ele ainda meu irmãozinho de 13 anos que sabe quando ser legal comigo.
— Valeu maninho — Disse sorrindo — Mas eu já me sinto melhor.
— Você ainda parece triste — Observou ele.
— Pareço?
— Sim, parece, e eu sei do quê você precisa.
— Do quê?
— De cosquinhas — Ele pulou em mim e me encheu de cosquinha.
— Ai, hahahaha, para Dudu hahahaha.
— Não vou parar até você ficar feliz.
— Hahaha eu já tô feliz, você já me deixou bem feliz.
Ele parou e me deu um beijo na testa.
— Sabe que quando tiver triste eu vou estar aqui pra você né?
— Sei.
— Tchau — Ele disse jogando o travesseiro em mim.
— Aii — Eu disse rindo — Agora eu te pego.
Sai correndo atrás dele até chegarmos no quarto dele.
— Sai daqui Dora — Choramingou com medo, ele sempre tinha medo de quando eu ia atrás dele depois de alguma brincadeira.
— Tá com medo é? — Perguntei rindo.
— Medo? Claro que não.
— Pois devia ter.
— Por quê eu devia? Você não vai pegar, não consegeue nem me ver pra fazer isso.
Eu parei ali no meio do quarto dele e comecei a chorar baixinho.
— Dora desculpa eu não quis.. — Ele disse vindo até mim.
— Sai Dudu — Eu disse empurrando ele e saindo dali, fui pro meu quarto e deitei na cama chorando.
Deitei na cama novamente e fiquei rolando por um bom tempo, não sei se era pra achar uma posição confortável ou se era pra ver o que eu ia fazer para me despedir com estilo das minhas amigas, pra não esquentar a cabeça com essas coisas decidi dormir para esquecer um pouco dos problemas.
P.O.V Dudu
Fiquei mal por ter dito aquilo pra minha irmã, ela sabe que eu detesto quando ela fica fazendo essas brincadeiras.
Mas pensando bem, eu que comecei, e eu não devia ter dito aquilo pra ela de um jeito ou de outro.
Fui até a porta dela e tentei de leve abrir a porta: Estava trancada.
Então desci pra cozinha e minha mãe estava lá preparando o jantar.
— Mãe fiz uma coisa horrível — Eu disse.
— O que foi Dudu?
— Joguei na cara da Dora que ela é cega.
— Ah Dudu....
— Desculpa mãe eu sei que fiz a maior burrada, mas foi impulso, foi sem querer.
— Dudu por favor não fique assim com a sua irmã, ela está mal porque vai mudar de escola e perder as amigas...Deixa ela tá?
— Foi mal mãe, foi mal mesmo.
— Vai pro seu quarto descansar um pouco.
— Por quê? Tem alguma coisa de especial hoje á noite?
— Sim vamos ter visita para o jantar.
— Quem?
— Senhor Fid.
Fale com o autor