Com a noticia da mudança, Leticia não se deu ao trabalho de fantasiar que teria novos amigos, e um lugar legal. Não... Ela sabia que tudo seria igual, e pensava que não iria fazer diferença.

Um dia a senhora Roberts cansada de pensar sozinha, resolve ligar para uma amiga para poder ao menos conversar. Sabe quando você tem que colocar pra fora algo que esta te sufocando? Era esse o momento...

- Tenho medo de que na realidade a Leticia nunca mude entende Noah?

- Mas tentar muda-la, não vai adiantar nada, e você sabe disso. – Disse e senhora Miller que parecia estar preocupada de verdade. Não que isso fosse uma novidade, ela sempre estava assim, mas dessa vez parecia ser pior. Na realidade bem pior.

- Bem disso eu sei, mas, sempre pensei que com o passar do tempo, ela fosse mudar. Sair desse mundinho só dela e que ninguém consegue entrar. – Disse a senhora Roberts totalmente abalada.

- Eu sei e talvez o problema seja que você espera muito dela, e me parece que Leticia não esta pensando em mudar. Ela nunca te disse algo parecido? Dos seus planos, ou algo assim?

- Não, não... E o pior de tudo é que ela parece não gostar de mim. Não só de mim, mas de todo mundo. Ela não se abre, e eu não consigo entende, já estou ficando perturbada. – Disse chorando enquanto colocava as mãos no rosto. Para a senhora Roberts a culpa de tudo era dela. Ela que não soube cuidar da filha. Ela não soube tratar da falta de interação da filha quando esta deu os primeiros problemas.

Vendo isso Noah teve uma lembrança de algo que lhe era muito forte da infância.

Ela havia estudado por um curto período de tempo em uma escola interna, onde pra falar bem a verdade, não se acostumou nada. Passou por essa escola no máximo um mês, dado a isolamento dos estudantes, que eram estranhos e viviam solitários. Para se ter uma ideia melhor, nem um oi as pessoas falavam umas para as outras. Como não via como viver ali, pediu a seus pais para procurar outra escola, caso contrario, seria impossível estudar.

Acordando de sua lembrança, a Noah contou a sua amiga sobre o internato, e em algumas horas, já haviam ligado para escola e na próxima semana já fariam uma visita, tendo certa urgência, visto que o período letivo começaria dentro de pouco tempo.

Na outra semana, ali estava Leticia se arrumando para conhecer sua provável nova escola, não que estivesse animada, mas a verdade é que sempre estava arrumada. Bem a sua maneira, mas arrumada. Tinha preferencia por vestido, nada de mais, só gosto pessoal. Sentia-se incomodada com calças, já que tinha as pernas muito grossas, e por onde passava as pessoas a olhavam muito. O que não quer dizer que não gostasse de seus decotes, mas este era escondido por seu crucifixo, ou por seu enorme cabelo negro que caia até a cintura. Terminando de fazer sua maquiagem que delineava bem os olhos, marcados com a cor preta muito forte, e com seu batom vermelho, não aquele vermelho que mais lembram as prostitutas, mas sim o vermelho que se assemelha ao vinho.

Sua mãe nem reclamava mais, já tinha se habituado a esse “estilo” de sua filha, a final ela sempre teve liberdade.

Depois de alguns minutos já estava dentro do carro com sua mãe que falava sem parar, não que ela estivesse prestando atenção, coisa que nunca fazia por isso sua mãe nem se importava, já estava acostumada a falar para as paredes. Bem... Nesse caso para as portas do carro. Leticia parecia ser muito desligada, mas a verdade era que seu pensamento ia muito longe, e normalmente se desligava de tudo, pensando nos pesadelos terríveis que ela tinha. Para falar a verdade, ela não achava os pesadelos terríveis, na verdade ela até gostava dos seres de seus sonhos. Achava que se fosse imaginar por si mesmo, nunca teria tal imaginação.

Mas sua mãe não deixaria passar essa oportunidade de falar ao menos uma vez com sua filha.

- Leticia. Leticia, ei... Preste atenção na sua mãe aqui, pelo menos hoje.

- O que? – Disse Leticia que não estava com a mínima vontade de conversar e se dava ao trabalho de olhar como as arvores balançavam com o vento. Isso era uma das coisas que ela mais gostava. Ficar olhando o nada, e sentindo o nada que havia dentro de si.

- Esta ouvindo? – Disse a senhora Roberts estalando os dedos na frente do rosto da filha para ver se ela ainda estava viva.

-Sim.

- Ótimo. Quero deixar algo claro pra você...

- Não vou arrumar problemas, prometo. – Disse Leticia logo desconfiada.

-Não é isso. Eu sei que o problema não é você. Você ainda não encontrou um lugar pra você, só isso. E quero que você entenda que não estou te largando lá, porque não quero mais vê-la. É só um teste. Se não der certo, pode me ligar que vou te buscar na mesma hora, certo? Esta me ouvindo Leticia?

- Sim, sim mãe. — Disse Leticia toda sem saber o que dizer, porque afinal não estava acostumada a esse tipo de demonstração de afeto.

- Então esta bem. – Disse a Senhora Roberts aliviada por ter conseguido dizer tudo que era necessário, mesmo que este tenha deixado um clima desconfortável para as duas. Ela sabia que era necessário, dentro em breve não veria mais sua filha com tanta frequência. Nesse momento a sensação de abandono cortou seu coração. Como se não amasse a própria filha.

Notas finais
Comentarios por favor, e se puder dê sua opnião, vai que eu mude o rumo de tudo.