Não Sou Quem Você Imagina!
52 Capítulo 52
Notas iniciais

[RECAPITULANDO]
— É claro que sei. Conheço a Jane que ama a filha acima de tudo e todos. A que se dedicou às necessidades de gente que mal conhecia e ajudou pessoas que nunca vira antes. A Jane que é capaz de lidar com todas as situações e administrar uma casa sem o menor esforço. E conheço a Jane que se arrependeu de seus erros e esforçou-se para enterrar o corpo de Anne junto do marido. Conheço a Jane apaixonada que tem muito amor para oferecer, que pode fazer feliz um homem que não seja tolo a ponto de tratá-la com menos respeito e admiração do que ela merece.
— Charles... Tem certeza?
— Certeza absoluta. E quando toma uma decisão, ninguém consegue me fazer mudar de ideia. Case-se comigo, e prometo passar o resto da vida fazendo você feliz.
— Não vai ser difícil. Ter seu amor é uma felicidade maior do que jamais sonhei conhecer.
— Oh, não. Há muito mais felicidade esperando por você. Por nós. Amo você, Jane.
— Também amo você.
***
Mary abraçou Jane com lágrimas nos olhos.
— Você ficou linda nesse vestido — disse, referindo-se ao modelo verde claro que ela usara para a cerimônia de casamento com Charles. — Sabia que seria perfeito para você.
— Obrigada por tê-lo encomendado. E por ter me emprestado o colar. Fico feliz por ter recuperado todas as suas jóias.
— Felizmente aquela mulher não conseguiu incriminá-la como pretendia. Ela é tão ousada que estava usando meu anel quando o detetive da Pinkerton a encontrou e entregou à polícia!
— Agora ela terá o castigo que merece.
— Certamente. Quanto ao colar de esmeraldas... quero que fique com ele.
— Oh, eu não posso...
— Combina com o bracelete que foi de sua mãe. Assim terá algo que pertenceu às suas duas mães.
— Vou guardá-lo com muito amor.
Charles aproximou-se e passou um braço em torno da cintura da esposa.
— As mulheres de minha vida estão felizes?
— Muito — Jane respondeu sorridente.
— Todos os convidados já foram embora. Alguns se mostraram surpresos por eu estar me casando com a viúva de meu irmão tão depressa, mas ninguém comentou o fato de preferir ser chamada de Jane.
— Caroline comportou-se muito bem — Jane comentou.
— Nem uma gota de champanhe — ele concordou.
— Mas estou preocupada com ela. Caroline não é como você, Mary. Não tem amigos, não se interessa por nada...
Gruver interrompeu a conversa.
— A sra. Rose está aqui, senhor.
— Ótimo. Mande-a entrar. — E virou-se para a esposa. — Caroline também me preocupa, mas creio ter encontrado uma solução.
— Qual?
— Contratei uma dama de companhia. Alguém que vai mantê-la longe de encrencas. E Helena também terá companhia.
— Helena? Mas ela já tem a sra. Gardiner.
— Refiro-me a uma companhia de brincadeiras, não a uma enfermeira.
— Afinal, quem é essa sra. Rose?
— Já vai conhecê-la.
Um minuto depois a visitante entrou na sala.
— Esperava que chegasse a tempo para o casamento — Charles indicou. Os ombros largos bloqueavam a visão da porta, onde a mulher havia parado.
— Eu tentei, sr. Bingley, mas o trem fez uma parada extra e chegou depois do horário previsto. — A voz soava familiar.
Charles afastou-se e deixou entrar a jovem que levava uma criança pela mão. Jane a reconheceu imediatamente.
— Elizabeth!
— Jane! — Ela correu a abraçá-la. — Este é Paul.
— Olá, Paul. — Jane sorriu para o menino corado e rechonchudo. — Charles, contratou Elizabeth para ser dama de companhia de Caroline?
— Isso mesmo.
Havia contado a ele sobre como a jovem perdera o marido e tivera de deixar o filho aos cuidados da irmã para trabalhar. Jane conhecera o desespero de ser a única responsável por uma criança, e rezara muito para que Elizabeth não tivesse de se casar com alguém horrível só para garantir o sustento do filho. O fato de Charles ter agido de acordo com suas preocupações tornava o amor que sentia por ele ainda maior.
— Oh, Charles! — E abraçou-o. — Você é maravilhoso.
— Mamãe, pode acomodar a sra. Rose? Quero que ela seja instalada em um quarto no segundo andar.
— Por favor, podem me chamar de Elizabeth.
— Venha comigo, querida — Mary convidou.
Assim que ficaram sozinhos, Charles beijou a esposa e toma-a nos braços para levá-la ao quarto.
— Já amamentou Helena? — ele perguntou.
— Sim, e já a coloquei no berço. Ela deve dormir até o amanhecer.
— Ótimo. Então podemos começar nossa noite de núpcias.
****
Apesar de todos os receios, Jane conseguiu entregar-se e sentir todo o prazer que Charles proporcionou. Mais tarde, saciada e exausta, ela apoiou a cabeça no ombro do marido e suspirou.
— Não pensei que fosse assim. Com o pai de Helena... — Calou-se embaraçada.
— Pode dizer tudo que quiser, meu amor. Não existem mais segredos entre nós.
— Creio que me senti atraída por ele por saber que era proibido. Meu pai havia me dado algumas escolhas, e Gaylen não estava entre elas. Descobri por que da pior maneira possível.
— Mas essa ligação deu um fruto maravilhoso, e por isso não deve lamentá-la. Hoje prometi amá-la, honrá-la e respeitá-la, mas também prometo amar e respeitar Helena. Ela é minha filha, Jane. De hoje em diante, sou o pai dela.
As lágrimas a impediram de responder.
— Você me ensinou a amar. Mostrou-me que todos têm direito a fazer suas escolhas na vida. Prometo a você que Helena, e todos os outros filhos que tivermos, terão o direito de escolher seus caminhos e realizar seus sonhos. Não tentarei transformá-los de acordo com minha opinião. Cometi esse erro com Fitzwilliam, mas aprendi minha lição.
— Todos cometem erros. Você foi generoso o bastante para perdoar os meus. Nunca me acusou pela morte de Fitzwilliam.
— Porque você não é culpada por isso. Fitzwilliam teria seguido seu caminho, mesmo que eu me comportasse de maneira diferente com ele. O fato de não ter estado em seu compartimento naquela noite não significa que teria sobrevivido ao acidente. Ninguém jamais poderá saber. Não posso me culpar pelo destino de meu irmão, e você também não deve assumir responsabilidades que não são suas.
— Disse que eu o ensinei a amar, mas está enganado. Você amou Fitzwilliam, e vejo o amor em seus olhos sempre que está com sua mãe.
— Sei que cometerei mais enganos antes de estarmos velhos e cansados, mas você vai me ajudar a manter os pés no chão e os olhos no mundo. Não é verdade, sra. Bingley?
— Certamente, sr. Bingley. Certamente.
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