Notas iniciais
Olá meninas,como vão? Obrigada pelas mensagens deixadas para a minha pessoa, elas muito importantes. Gostaria de pedir mais uma vez que os fantasminhas deixem por favor mensagem sobre o que estão achando do livro,pois isso não custa nada né? Pois se tivesse mais comentários eu postaria mais vezes na semana. Bjs e att mais.


[RECAPITULANDO]

— Pois de agora em diante, quero um relatório completo de cada lugar onde a sra. Bingley estiver.

— Qual sra. Bingley, senhor?

— A mais jovem.

— Sim, senhor.

Charles aproveitou a viagem para refletir.

Por que Anne possuía tantos vestidos ousados, quase grotescos? Se era apenas um caso de preferência pessoal, por que os doara?

O fato de ninguém tê-lo informado sobre suas visitas à casa dos Crane o incomodava. Essa ati­tude, combinada ao fato de tê-la encontrado em seu quarto naquela manhã, a tornava mais me­recedora de sua desconfiança do que acreditara até então.

Anne estava tramando alguma coisa? Mas o quê?

***

Jane não sabia o que fazer. Enquanto esperava pelo retorno de Gruver, caminhava pelo pátio diante da casa sem dar importância à dor na per­na, sem se dar conta das nuvens escuras que en­cobriam o céu.

Ter sido surpreendida por Charles em seu quarto havia sido como viver um pesadelo medonho. Cair em seus braços e beijá-lo fora a realização do mais doce sonho. Mas ainda não fazia sentido.

Oh, ele estivera zangado. Até o beijo havia sido furioso.

Por que não a repelira? E por que a de­monstração de contrariedade não a detivera?

Por que ele a beijara?

Que dia!

A preocupação com a chegada da mãe de Anne a impedira de dormir nas duas noites anteriores. Depois de entrar e sair dos aposentos de Charles por duas vezes, sentira-se tão con­fiante que havia se descuidado da segurança.

Sentia um certo alívio. Fora descoberta. Charles nunca mais confiaria nela. E jamais teria outra oportunidade de fazer algo parecido.

Mas o beijo... Vira o desejo em seus olhos, e mesmo assim não tivera forças para resistir.

Não. Oferecera-se como um cordeiro ao sacrifício.

E apreciara cada minuto.

Jane parou e levou as mãos ao estômago.

Que tipo de mulher era ela para desejar um homem tão intensamente?

Já havia sofrido as conseqüên­cias por ter deixado outro homem convencê-la a abrir mão do bom senso. Permitira vergonhosas liberdades com William.

Teria o episódio e o rancor do pai servido para transformá-la em uma espécie de libertina?

O rosto corou de vergonha.

Seria uma dessas mu­lheres tolas que acreditava amar todos os homens que conhecia?

Charles nem era digno de amor.

O coração acelerado contradizia o pensamento.

Era uma idiota por permitir-se pensar nele na­quele momento. Estava indo à estação ferroviária para encontrar a mulher que selaria seu destino com os Bingley.

E se a mandassem para a prisão por ter se passado por um membro da família?

O som dos cascos dos cavalos e o ranger das rodas a alertaram para a aproximação da elegante carruagem negra puxada pelos belos animais da mesma cor. Gruver desceu e foi abrir a porta, baixando a escada.

— Desculpe o atraso, senhora. O sr. Bingley saiu mais tarde que de costume esta manhã.

Como se não soubesse!

— Não se preocupe, Gruver. Ainda temos tempo. A propósito... Minha perna está doendo muito esta manhã. Por favor, peça a um funcionário da estação para localizar a sra. Patrick. Quando encontrá-la, traga-a à carruagem, onde estarei esperando.

— Sim, senhora.

O trajeto até a estação foi breve, apesar de te­rem levado quase uma hora para concluir a via­gem. Jane ensaiou as palavras que diria quando a sra. Patrick chegasse procurando pela filha.

Gruver deixou-a sozinha para ir procurar pela visitante. Temendo desmaiar, ela respirou fundo e tentou controlar-se.

O véu negro impediria a mulher de ver seu rosto até estar acomodada. Então Gruver já estaria em seu lugar, conduzindo a carruagem para longe da estação.

Ouviu a voz de um funcionário gritando o nome da sra. Patrick. O som ecoou acima de todos os outros ruídos da estação, penetrando em seu cé­rebro como um grito estridente.

Jane olhou para as pessoas reunidas na plata­forma, ouviu o sibilar do vapor que escapava de um motor. O barulho de metais retorcidos e todo o horror daquela noite retornaram à memória em uma ava­lanche de cenas confusas, e ela teve de fechar os olhos para superar uma súbita vertigem.

Respirando fundo, não abriu os olhos enquanto não apagou da mente a visão aterrorizante. Dois homens vestidos de negro carregando uma forma estranhamente embrulhada destacaram-se da multidão, e ela ergueu os ombros. Os passos do lado de fora anunciaram que estavam bem perto. O estômago ameaçou rebelar-se.

A porta se abriu.

Ela manteve a cabeça baixa.

Alguém gemeu.

Uma voz masculina resmungou um impropério.

O farfalhar de tecidos tornou-se mais alto, a carruagem oscilou e as costas de Gruver surgiram em seu campo de visão.

Jane levantou a cabeça.

O motorista havia entrado no veículo e, com as duas mãos sob os braços da mulher, puxara-a para dentro com dificuldade. O suor ensopava seu rosto enquanto ele tentava ajeitar as pernas imóveis dentro da carruagem.

A mulher estava morta?

Jane olhou para a estranha passageira. O cha­péu de Gruver caiu e um funcionário da estação pisou nele ao introduzir a metade superior do cor­po no veículo. Depositaram a carga imóvel no ban­co à frente de Jane e a deixaram ali, as pernas estendidas sobre o banco e um braço caído, a mão quase tocando o chão.

O funcionário da estação desceu e Gruver o se­guiu, recolhendo o chapéu e tentando desamassá-lo com os dedos.

O chapéu da desconhecida caíra para o lado, re­velando cabelos ruivos com grandes mechas grisa­lhas. A boca permanecia aberta e ela roncava. O cheiro de álcool invadiu os sentidos de Jane, que olhou da passageira embriagada para o motorista.

Gruver parecia embaraçado... por ela!

E tinha todo o direito de estar. Pensava que a mulher fosse sua mãe!

O odor de bebida embrulhava seu estômago. Talvez a pobrezinha não suportasse o balanço do trem e bebesse para suportar a viagem. No en­tanto, ela não parecia ter ingerido apenas uma ou duas doses para acalmar-se. Mas podia ser pior. Pelo menos, ninguém além de Gruver testemu­nhara o estado lamentável em que chegara.

Depois de quase uma hora ouvindo o ronco ir­ritante, chegaram em casa.

Gruver desceu e abriu a porta do veículo.

— Lá em cima, senhora?

— Receio que sim. Sinto muito. Pouparia suas costas se houvesse outra solução, mas não quero deixá-la aqui, ou na sala, até Charles chegar.

— Tem razão. Não se preocupe, sra. Bingley. Posso levá-la, e o sr. Bingley jamais saberá.

— Obrigada.

Jane subiu a escada para abrir a porta do quar­to enquanto o motorista carregava a mulher embriagada com evidente esforço. Ele deixou a sra. Patrick sobre a cama e respirou fundo, como se precisasse repor as forças que perdera no caminho até ali.

— Creio que vou descansar um pouco antes de trazer a bagagem, senhora.

— Sim, é claro. Vou conversar com Penélope e a sra. Pratt para que elas providenciem um jantar especial esta noite. Ou melhor, seu jantar será especial durante o resto da semana.

Ele sorriu e saiu.

Jane olhou para a mãe de Anne com expressão horrorizada.

E agora?