Não Me Deixe Ir

7 Não sou sua paciente.


Notas iniciais
Hello, it´s me. Yey! Depois de uma semaninha de férias cá estou eu com mais um capitulo fresquinho para vocês :) Eu adorei os comentários - responderei amanhã pela tarde - e adoraria ver rostos novos por aqui. Eu vejo o número de acompanhamentos, e tem uma galera que não aparece. Por que fazem isso? Digam só um Hello! hahah Estarei esperando por vocês! Esse capitulo tá muito bom, eu particularmente adorei escreve-lo! Demorei para postar porque mudei o final, quis por mais uma parte para deixa-los curiosos sobre o capitulo que vem.. hihihi Será que deu certo? Eu espero que voces curtam, e que comentem depois o que acharam. Não esqueçam das perguntinhas nas notas finais :) A Claire revelará um pouco mais sobre o passado dela, e conheceremos uma peça chave para esse quebra cabeça. Uma boa leitura, e até breve! Beijão~ ps: a música do capitulo combina perfeitamente com todos os momentos, sugiro que coloquem no repeat até o final :) ps2: será que receberemos uma recomendação até o cap 8? Nunca se sabe, né.. hahah ps3:o dreamcast será postado sim, fiquem ligados que logo que eu conseguir arrumar o link postarei aqui.

And I know it's long gone

And that magic's not here anymore

And I might be okay, but I'm not fine at all..

All Too Well — Taylor Swift

(...)

Desde pequena quando tenho algum pesadelo, meu grito fica preso na garganta. Eu tento falar, mas não consigo, alguma coisa me impede de agir.

Dessa vez eu estava acordada.

— Ahn.. — gaguejou. Seus olhos estavam congelados, estáticos. Vi meu reflexo neles, e percebi que não estava diferente.

— Vou pegar um bebida. — em um movimento involuntário ele se afastou dali, nos deixando sozinhas.

— Me desculpe — Gabrielle ficou sem jeito — James perdeu o pai recentemente, ainda está muito abalado.

Bruce.

Senti meus punhos se fechando, a ferida ardendo mais ainda.

— Então vocês se conhecem? Devem ter estudado juntos, visto que ele e Sam estavam na mesma classe. — assenti sem prestar atenção. O que será que ele está sentindo agora? Porque não disse mais nada?

Não consegui decifrar seu olhar.

Não vi ódio, raiva, saudade.. nada. Era como se ele não estivesse ali de verdade.

— Claire? — voltei a fita-la.

— Desculpe! Eu estou com uma dor de cabeça terrível, mas não pude deixar de vir hoje. Não estou raciocinando muito bem. — ri fraca. Eu já estava acostumada a mentir, saía naturalmente.

— Você quer ajuda? Tem alguma coisa que eu possa fazer, talvez pegar um remédio na minha bolsa? Vou até o carro em um instante. — falou rápido. Sorri para ela.

Mesmo que eu quisesse fazer uma cena de ex-namorada que odeia a atual, eu não conseguiria. Gabrielle não era forçada, ela é naturalmente gentil. E eu gosto dela, mesmo não a conhecendo.

— Está tudo bem, eu vou até o banheiro passar uma água no rosto, volto já. — cuidei para não virar rápido demais e ficar tonta. Eu já estava mal o suficiente.

Segui procurando um banheiro, cumprimentando todos que passavam por mim. Se tem uma coisa que aprendi nesses anos de tribunal é que você precisa omitir o que sente, não deixando suas emoções transparecerem. Ninguém se importa mesmo.

Abri a porta do banheiro — uma plaquinha de madeira indicava que era ali, junto dos dizeres “aqui mora uma família feliz” — ri fraca. Chegava a ser cômico.

O contato da água com meu ferimento causou uma ardência grande, mas não era essa a dor que mais me machucava.

— Família feliz.. — bati com os punhos no granito.

Eu simplesmente não conseguia mais chorar, toda minha cota já tinha sido gasta há anos atrás com a minha mãe, pai, James.. Era demais. Perder tudo de uma só vez foi a coisa mais difícil que aconteceu na minha vida.

Ver tudo que eu tinha sendo tirado de mim sem poder fazer nada, minha casa, meu dinheiro, meu pai, era humilhante.

Pai.

Bruce.

James.

Eu queria tanto que as coisas tivessem sido diferentes.

Respirei fundo, fitando meu reflexo no espelho. Aquilo não podia me atingir mais, era passado. Meu pai morreu, Bruce morreu, assim como minha história com James. Somos duas pessoas diferentes agora, amadurecemos, e seguimos com nossas vidas. Ele está noivo de Gabrielle, e eu estou casada com meu trabalho.

— Eu quero, eu posso, eu consigo. — disse para o reflexo. Sequei minhas mãos, e saí de lá. Não precisava me esconder, eu não fiz nada.

Um garçom que passava me ofereceu um martíni.

— Obrigada. — sorri, voltando ao jardim. A noite era de Jenn, e nada estragaria isso.

— Pessoal! — Sam bateu com um garfo em sua taça, chamando a atenção para ele. A noiva estava ao seu lado, radiante. Seus olhos foram de encontro aos meus, e seu sorriso se desfez. Ela sabia que eu já tinha o visto, e sentia por isso. Balancei a cabeça afirmando que estava tudo bem, ela não tinha culpa — Hoje é um dia muito especial para mim, é meu último dia como solteiro — risos ecoaram — Estou brincando, meu amor. — beijou Jenn com carinho — Amanhã será o dia mais feliz da minha vida, e gostaria de agradecer a todos vocês por fazerem parte desse momento. Nunca imaginei que há mais de quinze anos conheceria a mulher da minha vida. — ele estava emocionado, assim como ela — Eu agradeço todas as noites por Deus ter me dado a chance de me apaixonar pela minha melhor amiga. — desviei meu olhar, notando que James me encarava.

Esse seria o nosso destino se ainda estivéssemos juntos, tenho certeza que também pensava assim. Ele desviou o olhar, segurando firme a mão de Gabrielle.

Ótimo, eu ainda me importava.

Droga.

Virei para o outro lado, dessa vez Adam me fitava. Seu rosto estava confuso, e lembrei de nossa última conversa — com o passar dos acontecimentos parecia ter sido há dias atrás, e não há 1 hora. Fui um pouco grossa com ele, reconheço, mas nada intencional.

— Assim como Sam disse, — voltei a prestar atenção nos noivos — eu agradeço todos os dias por ter uma pessoa maravilhosa ao meu lado, que me compreende, me apoia, e me ama incondicionalmente, mesmo quando eu não paro de falar. — ri sincera, Jenn é insuportável as vezes. — Eu te amo. — sorriu. Ela tinha um brilho no olhar, os dois na verdade, eles se amavam, e isso fez tudo valer a pena. Eu tive a certeza de que estava no lugar certo.

O jantar transcorreu muito bem, sentei entre a mãe e irmã de Jenn, e relembramos algumas partes da nossa infância em Madison. Me senti em família, e esqueci por instantes tudo que tinha acontecido anteriormente.

— Você lembra aquela vez que fugiu de casa e se escondeu no meu quarto? — Taylor disse — Todo mundo iria procurar você no quarto da Jenn, mas no meu? Nunca. — rimos — Você sempre foi tão esperta, Claire.

— Isso não foi suficiente. — sorri amargurada. Eu não consegui enxergar o que estava acontecendo embaixo do meu próprio nariz. — Você ainda está na faculdade, não é? — mudei de assunto.

— Sim, curso direito. — sorriu tímida.

— Quando se formar, não esqueça de mandar um currículo para mim. — me olhou surpresa — Eu lembro do seu poder de manipulação, Taylor. Você era mais nova que a gente, mas ditava o que iríamos fazer. Você é inteligente, disso não tenho dúvidas.

— Claire, obrigada. Eu mandarei sim! — disse animada — Desculpe, quero muito sair daqui. — ela estava nitidamente constrangida.

— Eu entendo você, acredite. — sorri. — Termine sua faculdade, então me ligue. — abri minha bolsa, pegando um cartão — Primeira lição, ande sempre com seu cartão. Advogado é uma coisa que todo mundo sempre precisa. — ela riu. Notei com o canto dos olhos Adam indo em direção ao bar — Com licença, eu preciso ir retocar o batom. — falei a primeira coisa que me veio em mente.

— Claro, conversamos mais tarde.

Levantei da mesa, me dirigindo até ele.

— Claire! — Jenn segurou meu braço, nos puxando para dentro da casa.

— Jenn, o que você tá fazendo? — ela me arrastou pelas escadas, entrando em um dos quartos.

— Eu sinto muito. — seus olhos estavam marejados — Eu não queria que você tivesse que passar por isso, mas Sam o convidou sem que eu soubesse.

— Ei, tá tudo bem. — a abracei — Eu não estou chateada com você, pelo contrário, estou muito agradecida por estar aqui. Posso ver claramente o quanto vocês se amam, e isso é incrível.

— Ah, Claire.. — ela chorou no meu ombro. Pude sentir suas lágrimas ultrapassando o tecido fino, tocando minha pele — Você é minha melhor amiga, eu só queria te ver feliz.

— E eu sou feliz. Do meu jeito, mas sou. — sorri fraca, ela me encarando. — James foi sim um cara muito especial pra mim, mas nunca vamos dar certo. Acabou.

— Você precisa ver o olhar dele quando falam em você, ele ainda te ama. — disse esperançosa.

— Ele está com a Gabrielle agora, vai se casar e construir uma família. Continuará seguindo os negócios do pai, e vai administrar a fazenda. Eu nunca conseguiria colocar os pés naquele lugar..

— No fundo, James sabe que você nunca o traiu, e que isso não passou de uma mentira maldosa. — balancei a cabeça. Não consegui contar nem para minha melhor amiga o que tinha acontecido de verdade.

Não foi só o boato que acabou com tudo, Jenn. Eu deixei que ele acreditasse que o traí para que me deixasse ir embora, para que não me pedisse pra ficar.

Porque se ele dissesse “fica”, eu não pensaria duas vezes.

— Jenn, amanhã você vai se casar. — segurei em suas mãos — Esqueça isso.

— Claire.. — me fitou. Balancei a cabeça.

— Eu te amo.

— Eu também te amo. — me abraçou contrariada.

Jenn é uma das únicas pessoas para quem não consigo mentir, e se eu continuasse falando sobre ele acabaria me entregando.

Não, não está tudo bem, e ela sabe disso.

Voltamos para o primeiro andar, e eu me despedi dela.

— Vai dar tudo. — sorri.

— Você vai estar lá, não vai?

— Você acha mesmo que eu perderia o casamento da minha melhor amiga? O que pensa que sou? Uma metida da cidade grande? — ela riu.

— Sei que já devo ter dito isso um milhão de vezes, mas obrigada por ter vindo. De verdade.

— Eu sei. — me abraçou de novo. — Curta seu última dia de solteira.

— Pode deixar! — ela parou um garçom, pegando uma taça de champanhe e saindo dali. Pela janela notei que Adam continuava no mesmo lugar, então andei até lá, sentando ao seu lado.

— Por favor, uma dose de uísque. Sem gelo. — pedi ao barman. Adam se se limitou a me olhar.

— Aqui. — me estendeu o copo. Sorri agradecendo, sentindo minha garganta queimar no primeiro gole.

— Quem é Mike, Claire? — disse certeiro.

De novo esse assunto?

— Por que isso importa tanto pra você, Adam? Minha vida não é o enredo do seu próximo bestseller. — me fitou em silêncio, analisando meu comportamento como sempre — Por favor, para de me analisar. Não sou sua paciente.

— Não, não é. — balançou a cabeça — Nós não somos nada, você mesma já deixou isso claro muitas vezes. — percebi que mais uma vez tinha sido grossa — Sabe, Claire, você é uma incógnita até mesmo pra mim. Eu não entendo esse seu jeito, você não é má pessoa, mas não deixa ninguém se aproximar. O que aconteceu? É relacionado ao Mike? Ao seu passado? — o encarei — Ouvi algumas pessoas comentando certas coisas.

— E você acreditou nelas?

— Prefiro acreditar na sua versão, mas você não fala nada. — ele realmente estava ofendido.

— Adam..

— Não, Claire. Eu to cansado. — levantou da cadeira, me deixando sozinha. Não pensei duas vezes e o segui, pegando meu casaco na entrada e saindo rua afora. Ele já estava na metade da quadra.

— Me desculpa. — parou abruptamente, ainda de costas pra mim — Sei que fui grossa com você, e sinto muito por isso. — aproveitei para me aproximar mais — Entendo que é natural pra você saber da vida alheia, mas eu não sou assim. Não é pessoal, mas tem coisas que eu prefiro deixar no passado.

— Não falar sobre seus problemas não faz eles sumirem. — repetiu.

— Você já disse isso.

— Vou continuar dizendo até você entender que eu não quero te prejudicar, Claire. Só queria entender você melhor. — me encarou, acariciando meu rosto. Seu toque me deixou arrepiada.

— Mas eu não quero que você me conheça. — ele revirou os olhos e continuou andando — Mike tentou me atacar quado eu era mais nova. — parou novamente — Você queria a verdade, não queria?

— Eu não sabia, Claire. — seu tom de voz mudou.

Ele estava com.. pena?

— Guarde sua compaixão para quem precisa dela. — disse com raiva — De todos os meus problemas, Mike é o menor deles.

Virei as costas, e comecei a andar na direção oposta.

— Claire, aonde você vai? — gritou.

— Pra casa. — ou para o que restou dela.

Algumas quadras depois da casa de Jenn, ficava uma lanchonete onde costumávamos comprar balas. Na época tínhamos uns 10, 11 anos. Para minha surpresa ela continuava lá.

Logo que entrei fui em direção as bebidas, pegando uma garrafa de vodca na mão. Senti que todos me encaravam.

— O que é? Nunca quiseram tomar um porre antes? — esbravejei largando uma nota de cem dólares — Fica com o troco.

Abri a garrafa com a boca, tomando o primeiro gole.

Eu não preciso da pena de ninguém, não suporto isso. Não sou nenhuma coitada, nunca fui.

Pensei em Adam, que mesmo sendo um estranho mexia comigo de uma forma única. Bebi mais um gole. Pensei em James, que nem olhou direito na minha cara. Bebi mais um gole. Pensei em meu pai, que se envergonharia da filha nesse momento. Bebi mais um gole.

O que eu estava fazendo?

Fechei a garrafa, me concentrando no lugar em que me encontrava. Eu não estava tão longe assim, só mais alguns quarteirões. Enquanto caminhava, percebi que tudo permanecia intacto, era como se eu nunca tivesse saído dali. As casas estavam pintadas das mesmas cores, as arvores podadas da mesma forma, nada tinha mudado.

Nem tudo estava intacto, a penúltima casa da rua estava em ruínas.

A minha casa estava em ruínas.

Corri até lá tentando tirar o mato da frente do portão, procurando um jeito de abri-lo. Eu precisava entrar, precisava ver com meus próprios olhos o patrimônio da minha família largado desse jeito.

Senti lágrimas em meus olhos.

Bebi mais um gole.

Consegui passar pelo portão, chegando até a porta de entrada, que estava trancada. A madeira estava velha, e naquela altura a bebida já estava fazendo algum efeito, então comecei a soca-la com força, não sentindo nenhuma dor. Um misto de emoções me movia, e eu só pensava em entrar ali.

Depois de alguns minutos lasquei uma das madeiras e puxei-a para fora, conseguindo destrancar a porta por dentro.

— Meu Deus.. — levei as mãos a boca, espantada. Tudo continuava igual, os móveis, a decoração, nada tinha mudado lá dentro.

Peguei a garrafa do chão e taquei na parede.

— Desgraçado! Você destruiu tudo! — o barulho dos cacos foi uma sinfonia para meus ouvidos, e quando dei por mim já estava ajoelhada no chão, chorando.

Senti o celular no bolso do casaco, e o peguei, discando o número que já sabia de cor.

— Alô? — a voz de James estava rouca, provavelmente ele já estava dormindo.

Desliguei.

Ele não é o pai dele, eu deveria ter entendido isso há 10 anos.

Talvez as coisas teriam sido diferente.

Talvez..

Notas finais
Uou... esse capitulo foi cheio de acontecimentos! Gostaram? Não esqueça de deixar aquele comentário maroto :) Hora das perguntinhas! Yey! 1- O que será que esse Bruce fez? 2- Será que o James sabe desse envolvimento do pai com a ruína da Claire? 3- O que vai acontecer com a relação AdamxClaire? 4- O que acharam desse momento fofo entre a Jenn e a Claire? Elas são amigas de verdade, né? Eu particularmente amei! Por hoje é só, espero que tenham curtido, e que comentem o que acharam :) Um ótimo final de semana, Se cuidem, Até breve! Beijão~