Não Me Deixe Ir

3 Bem vinda a Nebraska!


Notas iniciais
Hello, it´s me. Fala galeraaa! Assim como o capitulo da semana passada, o cap de hoje também foi programado! Yey! Que estranho falar com vocês do passado, tipo, eu nem sei o que acharam do capitulo anterior, vai que não gostaram? hahah Mentira! Espero que vocês estejam gostando de Hello, porque, como eu disse, esse projeto é bem diferente de tudo que já escrevi. Ele é bem mais maduro, e o foco é outro. A protagonista realmente é a Claire, mas não digo que vocês vão curtir só ela, querem um exemplo? Adam. Hoje vocês vão conhecer um cara bem chato, mas que vai se mostrar um homem bacana ao longo da fic. E não, ele não é o ex da Claire. Teremos também a introdução de um personagem fundamental para as próximas decisões da protagonista, quem será que vai adivinhar quem é ele(a)? O leitor que acertar ganha uma lasanha! Eu amo lasanhas :) kkk É isso, espero que curtam o capitulo, e a música. Hoje escolhi The A Team, Ed Sheeran. Sim, ela é bem clichezona, eu sei, mas tem um significado bem especial pra mim, e combina com a Claire. Amo o Ed de verdade, não só por causa da música da novela hahah Curtam aí! Até semana que vem, Uma boa leitura, Nos vemos em breve! Beijão~

And in a pipe she flies to the Motherland
Or sells love to another man
It's too cold outside
For angels to fly..

The A Team

(...)

Enquanto caminhava em direção ao check in me senti ainda mais solitária. Aeroportos em geral me fazem sentir assim, sozinha. Um lugar de encontros e reencontros, despedidas e términos, lembranças das quais eu não gosto de recordar. Quando vi um casal se beijando em uma das portas de embarque, tive um flashback. Minha despedida não foi nada parecida, não tivemos nem ao menos um término.

Talvez por isso eu não consiga seguir em frente.

Dirigi-me ao guichê número 9 para tirar a passagem, ao mesmo tempo em que escutava um homem praguejando que "estava atrasado para seu voo e a fila não andava".

Patético.

— Saísse mais cedo de casa. — falei mais alto do que deveria.

Uma senhora, acompanhada por um menino, riu baixo. Fiz sinal para que ela passasse na minha frente, mas ela não aceitou.

— Não estou tão velha assim, querida. — agradeceu. O tal homem me encarou de uma forma, como se eu fosse deixa-lo passar, claro.

— Aqui está, Srta. Walsh. — a atendente me entregou a passagem — Tenha um ótimo voo.

— Obrigada. — despachei as malas ficando apenas com minha bolsa de colo.

Passei por uma livraria ao chegar no portão 12, e contive o impulso de comprar tudo. Optei pelo livro ¨Como ser feliz até os 30¨.

Nunca fui do tipo que lê autoajuda, longe disso, mas situações de desespero pedem medidas desesperadas. Minha cabeça estava uma pilha de nervos e eu já sentia falta do trabalho. Foi assim que aprendi a suprir a necessidade de coisas que não tenho, como uma família, por exemplo. Eu sempre corro para o escritório, é minha terapia. É egoísta pensar assim, mas gosto de saber que outras pessoas possuem problemas maiores que os meus.

Não sou nenhuma Madre Teresa, nunca fui.

Sentei em uma das poltronas mais afastadas, quase no final do avião, mas antes disso tive que lidar com um flerte do piloto — que aguardava na entrada os passageiros -, novo, trinta e poucos anos, muito bonito, porém casado. A aliança dourado reluzia em seu dedo. Me senti enojada.

Homens.

Por acaso do destino a mesma senhora sentou ao meu lado no avião, sorrindo ao me reconhecer. Notei que o menino que a acompanhava não estava mais com ela, mas pude ver o topo de sua cabeça em uma das poltronas da frente.

— Meu neto resolveu viajar de última hora e não conseguimos poltronas juntas. — disse afivelando o cinto.

— Não seja por isso, posso trocar de lugar com ele sem problema nenhum. — seu rosto se iluminou.

— Imagina! — balancei a cabeça, levantando em seguida — Me chamo Carola, — disse — e meu neto é o Dexter, mas está em uma fase que só gosta de ser chamado de Dex. — revirou os olhos.

— Vou falar para ele te acompanhar. — peguei minha bolsa e segui os cabelos enrolados do menino. — Dex? — ele me encarou — Sua avó.. — Não. Não. O mesmo homem da fila estava sentado na janela ao lado dele. Pensei duas vezes se faria mesmo a troca, mas acabei por respirar fundo. — Sua avó está sentada na poltrona ao lado da minha e me ofereci para trocar de lugar, assim vocês poderão viajar juntos.

— Valeu, tia. — sorriu mostrando o aparelho nos dentes.

Tia.

Tia?

Eu tenho 28 anos. Vinte e oito.

Dei um sorriso amarelo e me sentei, ainda chocada. Notei o riso do homem e virei para encara-lo.

— Algum problema? — sua testa se enrugou, e ele tentou ficar sério.

— Sua reação quando o menino falou a palavra "tia", foi hilária. — eu não estava achando graça.

— Ahn. — afivelei o cinto, segurando minha bolsa em mãos — Que companhia agradável para as próximas oito horas. — ele nada disse, só bufou ao arrumar-se na poltrona.

As aeromoças falaram o mesmo bla bla de sempre, mas minha cabeça já estava latejando, então não ouvi nada. Em caso de algum acidente processaria sem piedade alguma esse sujeito ao meu lado, o perfume dele era forte demais, e se me dissessem que eu estava dentro de um carro acreditaria. O aroma não era dos melhores, e não conseguia me concentrar em nada.

— Sabe, próxima vez você pode muito bem não derramar o vidro de perfume na roupa. — dei uma indireta. Ele riu sarcástico.

— As mulheres gostam. — levantou uma sobrancelha.

Pude notar melhor seu rosto após a decolagem, quando as luzes se acenderam. Seus olhos eram de um verde profundo, assim como seus cabelos castanhos, que competiam com alguns fios brancos. Barba por fazer, e aquele perfume horrível. Se não fosse a personalidade babaca ele até seria atraente.

Abri a bolsa em busca do meu celular — para mim a conversa já tinha acabado — quando novamente escutei seu riso. Me limitei a olha-lo.

— Não pensei que você fosse o tipo de mulher que lê esses livros. — Oi? Peguei o livro em mãos.

— Que tipo de mulher pensa que sou? — foi a minha vez de levantar a sobrancelha.

— Grossa, autoritária, provavelmente possui um cargo alto, chuto dizer que é administradora, gosta de mandar. É confiante, autossuficiente, do tipo que tem o homem que quiser a seus pés. — fiquei sem palavras, ele era bom.

— Sensitivo? — negou com a cabeça.

— Psicólogo. — riu — Então eu acertei, a-há.

— Não, não sou grossa. O grosso aqui é você — o fuzilei — que logo na fila já começou a brigar com Deus e o mundo por conta do atraso. Por favor, não precisava daquilo. — fez uma cara de chocado.

— Eu precisava embarcar nesse avião e corria o risco de não ter mais passagens! Tenho um compromisso muito importante em Madison. — franzi o cenho.

— Isso não justifica você sair por aí irritado.

— Eu errei em outra coisa, você é advogada. — continuei olhando para o livro em minhas mãos. Eu não tinha o homem que quisesse aos meus pés. — Sou Adam, mas não o Levine.

Depois dessa coloquei meus fones de ouvido, e fechei os olhos para fingir que estava dormindo. Já eram quase duas da manhã, então acabei o fazendo de verdade.

Um barulho alto me fez acordar, e pensei que estivéssemos caindo. Talvez pudesse ser um karma, já que não prestei atenção na aeromoça enquanto ela falava.

— Obrigado. — Adam pegou a bandeja das mãos da aeromoça sorrindo. Ela estava tão hipnotizada por ele, que nem percebeu que eu tinha acordado, me deixando sem jantar.

—É sério isso? — o encarei.

— Você nunca percebeu que fala enquanto dorme? Deveria fazer terapia, quem sabe. Ajuda muito, posso te dar meu cartão.

— Ahn, não, obrigada. — guardei o celular na bolsa — Prefiro morrer de fome, como estou fazendo agora. — a aeromoça estava longe.

— Se você for mais gentil eu posso muito bem dividir com você esse sanduíche. — abriu a embalagem. Droga, tinha um cheiro bom.

— Não, vou pedir quando ela voltar. — ele riu.

— Você acha que até ela voltar vai ter sobrado alguma coisa? — começou a comer. Babaca.

Abri o livro tentando me distrair, mas parei na primeira frase.

"Ser feliz é ser autossuficiente".

Mentira.

Fechei o livro, que me causou um prejuízo de 18 dólares.

— Não gostou do que leu, ou percebeu que sua vida está muito pior?

— Por que você não engasga com esse sanduíche? — ele levantou as mãos em rendição.

Continuei fitando minhas unhas tentando não me descontrolar. É só respirar fundo, repetia mentalmente. Só estou voltando para casa, o que já é terrível, com uma companhia desagradável. Poderia ser muito pior.

Eu poderia nunca ter saído de lá.

O que o livro disse logo na contracapa é uma meia verdade, ser autossuficiente é libertador, satisfatório, mas não te faz feliz. Voltar para casa e não ter ninguém te esperando para dividir o dia com você, ou te apoiar em decisões difíceis, é solitário, triste.

Ser autossuficiente não é ser completa.

Eu estava odiando essa reflexão interna. Tudo que eu menos faço na vida é conversar comigo mesma, remoer o passado. O trabalho me ajuda nisso também, a não ter tempo para mim, mas essa viagem até Madison pode muito bem ser considerada também uma viagem interior.

Muitos "e se.." percorreram minha cabeça.

E se eu não tivesse ido embora? Talvez eu pudesse estar casando agora. E se eu não tivesse deixado que o boato tomasse tamanha proporção, será que ainda estaríamos juntos? E se eu não for a única que ainda é presa ao passado? E se eu tivesse falado alguma coisa no telefone aquele dia?

A verdade é que eu nunca o abandonei completamente. Parte de mim sempre quis ficar com ele, e ela ficou, mas a outra metade não se arrependeu de ter partido. Foi melhor assim.

Talvez..

Durante todos esses anos eu liguei pra ele. No começo eram constantes as ligações, mas nunca consegui dizer nada. Eu só ouvia a voz dele, e percebia que se conversássemos eu voltaria correndo para seus braços. Isso se ele me perdoasse.

Nunca saberei a resposta.

— O cinto, senhorita. Vamos aterrissar. — a aeromoça tocou no meu ombro, me fazendo voltar.

— Claro. — fechei a cara novamente. Ela me deixou sem jantar, assim como o babaca ao meu lado, que agora lia.

— Você não acha egocentrismo demais ler ser próprio livro? — notei Adam Van Howard em letras maiúsculas na capa.

— Não. — fechou o livro — Ele é realmente bom, você deveria ler. — me estendeu o exemplar — Dizem que o autor é um dos mais brilhantes da nova geração.

— Claro. — peguei-o em mãos — Fala sobre o que?

— "Como Esquecer o Passado.” — Estremeci, era coincidência demais. — Acredito que todo mundo precisa em algum ponto deixar o que passou para trás, só assim a pessoa vai se libertar para outras etapas da vida. — continuei em silêncio — Como disse, acho que você deveria ler.

— Está me analisando? — perguntei. Ele balançou a cabeça.

— Talvez você aprenda um novo vocabulário e deixe de ser grossa. — fiquei boquiaberta. Segurei o livro nas mãos, minha vontade era de jogar na cara dele, mas ao mesmo tempo fiquei instigada para saber mais.

Sobre o livro, não sobre ele.

Pousamos com tranquilidade, e assim que liberaram a saída corri para deixar o avião. Não queria mais contato com ele, e torci para que não descesse. Ao sair, o clima chuvoso de Madison me deu boas vindas.

O aeroporto era pequeno — apenas uma escala — e desde a última vez que estive aqui ele não mudou muito. Senti um arrepio ao andar até a esteira em busca da mala. O que eu estava fazendo aqui?

Jenny.

Vim por causa dela.

Peguei minha bagagem, e fiz o caminho que lembrava bem — ou achava que lembrava — dando de cara com apenas 1 táxi. Ótimo.

— Táxi! — gritei ao mesmo tempo que outra pessoa.

Claro.

Revirei os olhos.

O táxista nos encarou, não sabendo o que fazer. A primeira coisa que fiz foi levar minha mala até ele, mas Adam fez o mesmo.

— Achei que você fosse um cavalheiro. — o encarei.

— Tudo que você não é, é uma dama. — disse seco.

— Eu sou mulher, deveria ter prioridade. — o táxista continuou calado.

Senti minha blusa de seda grudando em meu corpo, eu estava ficando encharcada.

— Eu sou feminista. — mostrou os dentes.

— Se vocês quiserem dividir..

— Não! — falamos juntos.

— 8 horas ao lado desse senhor está de bom tamanho para minha paciência.

— Perfeito, então você aguarda aqui até ele voltar, relaxando por estar sozinha. — pegou a mala de mão, e embarcou no carro.

— Babaca! — bati no vidro.

— Se a senhorita quiser eu posso pedir para meu filho pegar nosso carro e vir até aqui. — o homem tentou ser gentil.

— Tudo bem, eu espero o senhor voltar. Não tem problema. — agradeci.

Vi o carro se afastando, e tive a certeza de que há viagens em que o menos importante é chegar. Agora eu estava sozinha, e o pior, em Madison.

— Obrigada, karma. — mentalizei.

— Você! — senti uma mão em meu ombro — Então você também desembarcou aqui? — sorri para Carola — Muito obrigada por ter trocado de lugar com meu neto.

— Não foi nada. — estava surpresa em vê-la aqui.

— Você está aguardando alguém, ahn, sua família? — mordi a bochecha.

— Não, eu.. estou esperando o táxi voltar. — sorri fraca.

— Imagina! Minha neta foi pegar o carro e logo estará aqui, te daremos uma carona. — Dex concordou.

— Não precisa, de verdade. — neguei com a cabeça.

— Querida, você está completamente encharcada. Me deixe fazer essa gentileza, por favor.

Encarei minhas botas de cano alto completamente molhadas. Eu poderia muito bem aguardar o taxista voltar, mas preferia não ficar esperando sozinha. Vai que eu encontrasse alguém? Não queria conversar com ninguém e responder as perguntas de sempre.

— Tudo bem. — sorri.

— A Elle tá ali! — Dex apontou para uma caminhonete verde musgo, que parou bem em frente a porta de entrada.

— Vamos! Entrem! — a garota abriu as portas.

Peguei minha mala, e ajudei Carola com a dela. Dex entrou primeiro, então eu o segui. Ao entrar no carro senti um cheiro familiar, há quanto tempo não andava em uma dessas.

— Gabrielle, nós vamos dar uma carona para a.. — me encarou.

— Claire, meu nome é Claire. — quase gaguejei.

— Sem problemas. — a garota sorriu - Seja bem vinda a Nebraska, Claire!

Notas finais
E então? Gostaram?? O que acharam do Adam? Curtiram ele? Esperem que voces verão muito mais diálogos engraçados entre esses dois. Sabe o que eu curti? Quando a Claire estava brigando com ele, ela pareceu feliz, pensou em outras coisas. Gostei disso. Não esqueça de deixar seu comentário que me ajuda pra caramba, okay? Muito obrigada pelo apoio! Nos vemos em breve, Um ótimo final de semana, Se cuidem! Beijão~