Máscaras & Sussurros
44 Reencontro
- Você sabe que eu acabei de sair de um longo vôo e que acabei de chegar e que gostaria muito de dormir e...
— Cala a boca, nós vamos. – me interrompeu, pegando minha bolsa no cabide por mim. – Velha, nós estamos saindo! – gritou para Tsunade, que apenas gritou de volta:
— Para de me chamar de velha, Ino!
A loira sorriu para mim e eu revirei os olhos. Tudo parecia tão perfeitamente igual. Parecia que eu nunca tinha ido embora e isso era simplesmente perfeito. Meses atrás, naquela mesma situação, eu tinha achado que estava sufocada e precisava de ar, de aventuras.
Mas ali, naquele pequeno momento com Ino me empurrando para fora da porta e minha tia gritando com ela como se fosse da família, eu percebi o quão errada eu estava. Eu amava aquilo. Aquela era minha aventura. Eu tinha todo o ar que precisava, todo o “mais” que eu tanto clamava.
Sorrindo a toa, de forma que era incomum para mim, cheguei no The Republic.
Ver a minha segunda casa era como um sonho. O barzinho parnasiano estava exatamente igual, colocado na esquina daquela ruazinha. Sorri com a visão, parecia que eu não ia naquele lugar faz anos.
Ino entrou na frente, e assim que pisei, olhei automaticamente para trás do bar. Sai estava lá, como sempre. Por que não estaria? Ele me fitou e logo desviou o olhar, mas então, percebendo quem era, voltou a me encarar novamente.
— Chérie?! – exclamou, quase derrubando a bebida que estava em mãos.
Sorri e acenei, enquanto ele andava em minha direção.
— Quando você disse que ia embora, achamos que ia voltar uma semana depois! – gritou, indignado. – Como pôde sair assim, nós...
— Não importa, estou de volta! – o interrompi. Não precisava de mais sermão.
Sai sorriu e me deu um abraço demorado. Percebi, naquele abraço, que qualquer sentimento que eu tinha por ele aos quinze anos já estava morto. Éramos só bons amigos e eu estava satisfeita com aquilo.
E ele sabia daquilo, apesar da mensagem que tinha me mandado, cobrando um adeus especial. Ele só estava chateado por eu ter ido tão subitamente.
De repente, os meus outros amigos apareceram ao meu redor e ficaram me encarando, como se não acreditassem que eu estava realmente ali.
— Bomb! – Kiba berrou mais alto do que o normal.
Fitei seus olhos e percebi o tanto eu tinha sentido falta daquele jeito escandoloso dele. Apesar de Naruto ser assim também, Kiba ainda era o Kiba, meu amigo de infância e companheiro de tantas experiências.
— Cherry, não acredito...! – Tenten disse, sem entender, se assemelhando a Hinata mais do que nunca.
Sorri ao ver seus olhos e encontrá-los castanhos e não azuis quase brancos.
— Bem vinda de volta. – Shino falou, com seu jeito drogado, que me lembrava Shikamaru.
Olhei para todos com uma mescla de nostalgia e apreciação. Eu sabia que cada um deles me lembrava alguém de Bristol e por mais errado que isso soe, aquilo era bom. Porque supria um pouco das minhas saudades.
Cada um era cada um, isso era óbvio. Mas sempre que eu sentisse saudades de Temari, eu podia olhar para Ino e ver as caracteristicas semelhantes, assim não sentiria tanta falta.
Ou olhar para Kiba e lembrar-me de como Naruto era afobado e completamente exagerado.
Mas de novo, a única pessoa que não tinha um semelhante era Sasuke. Porque ninguém conseguia englobar o que Sasuke realmente era. Ninguém chegava nem perto de se assemelhar a Sasuke.
Se antes eu tinha achado que Sai era o que mais se aproximava, agora eu percebia o quão cega eu estava.
Tentado deixar isso de lado, apreciei o fato de todos os meus amigos estarem no bar de sempre, como se fosse apenas mais uma sexta-feira comum.
Meus olhos encontraram com os de Gaara e ele apenas acenou com a cabeça. Com tudo o que eu tinha descoberto sobre o seu passado, parecia que eu estava invadindo a sua privacidade e penetrando em seu triste olhar.
Então me dei conta de que não poderia contar nada sobre meus amigos de Bristol, porque Gaara os reconheceria. Ele saberia exatamente sobre tudo o que eu estava falando e o passado iria voltar para assombrá-lo.
Suspirei e sentei-me na nossa mesa de canto, depois de receber um abraço de todos.
— Pode começar a contar. – Ino disse, sentando-se no colo de Gaara como de costume.
— Pode ser amanhã? – perguntei, fingindo cansaço. Eu realmente estava cansada, mas também eufórica para contar tudo o que tinha acontecido. Mas simplesmente não podia fazer isso com Gaara.
Eles me vaiaram, mas dessa vez eu não achei graça como tinha achado no aeroporto, em outra situação.
— Eu estou cansada, eu...
— Nem vem! – Kiba disse, sendo apoiado pelos outros.
— Cherry, somos nós, você sabe que pode falar qualquer coisa. – Tenten completou, carinhosa.
Fitei Gaara e seus olhos extremamente claros que faziam tanto contraste com o seu cabelo colorido e suspirei. Pedi desculpas mentalmente e comecei a contar tudo de forma sincera.
Tentei não mencionar as partes depressivas demais ou os meus momentos íntimos com Sasuke. Na verdade, tudo o que eu disse sobre Sasuke era que ele foi como um romance de verão.
Aquilo não tinha como ser mais mentira. Não me importei em me corrigir.
Eu tentava a todo custo não fitar os olhos de Gaara e não mencionar o nome de Temari, porque Ino poderia reconhecer.
Ficava feliz quando a conversa mudava de rumo, como acontecia frequentemente em grandes grupos. Mas Ino sempre fazia questão de voltar o foco em mim, para que eu contasse alguma outra besteira que eu tinha feito, ou explicasse melhor quem era Olívia.
Fiz todo o esforço para deixá-lo entender de que Olívia era só de brincadeira e que os meus acidentes suicidas foram só acidentes e nada intencionais. Eu sabia que tinha jurado ser honesta, mas eu não queria preocupá-los e sabia que descobrir a verdade ia destruí-los.
— Sei lá mais o que contar. – falei por fim, quando já tinha esgotado todas as minhas histórias.
— Acho que o que todos nós estamos pensando é: Oxford?! – Kiba disse, inconformado. – Desde quando você é tão esperta?
Todos riram e eu revirei os olhos, zombateia.
— Sempre fui um gênio, Kiba, você que nunca percebeu. – respondi, grata por não focarem em qualquer outra parte.
Finalmente consegui fitar Gaara e, para a minha surpresa, seus olhos estavam impassíveis, indiferentes. Ele sempre fora assim, mas eu realmente achei que sua máscara iria se quebrar com tudo aquilo.
Não sabia se tinha o afetado ou não, mas fiquei feliz por ele não surtar.
Depois de passarmos a tarde contando as novidades uns para os outros, cada um foi para o seu canto, prometendo encontrar-se no dia seguinte. Era fácil conviver com os meus amigos, percebi o porque eu tinha ficado sã todo aquele tempo. Eram eles, sempre foi por eles.
Eu estava saindo do bar, quando fui abordada por Gaara, que pegou no meu pulso. Ele ignorou as minhas cicatrizes, o que me deixou satisfeita.
Perecebi que Ino já tinha ido embora e estávamos sozinhos na escuridão da noite. Nossos cabelos coloridos brilhavam uniformemente de baixo da luz do poste da rua.
— Como vai a minha irmã? – ele perguntou, ainda completamente indiferente. Eu sabia que Gaara era uma pessoa emocional, mas só porque Ino tinha me falado. Era impossível decifrá-lo. Não era um tipo de misterioso com Sasuke ou Sai, não... Gaara era real.
Sua profundidade de emoções era ainda maior que a de Sasuke, se isso era possível e eu nunca consegui atingí-la. Duvido até que Ino conseguisse.
— Ela vai bem. – respondi, sem saber exatamente o que dizer.
— Sério? – ele estava genuinamente surpreso e eu não entendi o motivo.
— Sim. Como assim?
— Bom, Sasuke deve ter te contado o que aconteceu com o nosso irmão. – ele falou, simplesmente. Sem demonstrar nenhum sentimento. Era assustador.
— Ele não me contou. – informei, com um aperto no coração. Eu nunca dei-lhe a chance de contar. – Mas eu sei o que aconteceu... Sinto muito, Gaara. Eu entendo se você me odiar por ter ficado com Sasuke...
Os olhos claros dele formaram um tom de confusão que me surpreendeu.
— Ah... Certo. – ele disse, depois de alguns segundos de reflexão. – Você só ouviu a versão da Temari.
Pisquei várias vezes, sem entender o que ele queria dizer. Temari não mentiria sobre algo como aquilo. A versão dela era a verdade, certo?
— Como assim? – repeti a minha pergunta e ele deu um meio sorriso que não parecia ser próprio de sua face.
— Temari precisava de alguém para odiar. Para culpar. Ela não iria aguentar a morte de Kankuro sozinha. – explicou, novamente, simplesmente demais.
Franzi a testa e fiquei fitando-o sem entender. Do que ele estava falando?
— Como assim? – falei novamente, dessa vez com a voz afetada com a minha clara ansiedade.
— Acho melhor você perguntar para o Sasuke, eu...
— Não, Gaara, por favor. Me conta o que aconteceu de verdade. – pedi, quase suplicante.
Ele suspirou antes de dizer:
— Ok, vamos entrar então.
Notas finais
Então, pra quem perguntou de uma segunda temp, eu estava pensando em escrever uma fic de antes da Cherry ir para Bristol, contando as "aventuras" dela em NY. O que acham? Acho que continuar essa mesmo, não vai rolar ):
Enfim, gostaram?
Beijão :*
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