Notas iniciais
Filho de um rico, Bryan Williams, junto a sua esposa e seu irmão caçula resolvem fugir do cotidiano conturbado de Londres para uma casa herdada de seu falecido pai situada nos campos dá Inglaterra. Infelizmente a viagem não termina como planejada quando eles se encontram cercados por um profundo mistério perturbador. Este é o primeiro conto da série. (O conto está incompleto, caso gostem desse princípio eu o continuarei e também começarei com os próximos contos.)

As estradas para os campos da Inglaterra pareciam meio desertas, alguns veículos passavam. Enquanto dirige por aquela estrada longa entre pradarias, ele rapidamente olha para a sua esposa no passageiro, em sua mão um jornal datando 3 de maio de 1926. Ele volta a observar a estrada com o horizonte agora alaranjado, próximo do preto vazio da noite.
Faziam já quatro anos desde a morte de sir. Williams, um rico londrino bastante reconhecido entre a população da cidade onde vivia. Seu filho, Bryan Carter Williams herdou – por ser o mais velho de três irmãos – A companhia siderúrgica de seu falecido pai, e junto dos irmãos, também herdou uma velha casa longínqua, nos campos ingleses.
A viagem estava chegando ao fim, agora o horizonte estava púrpuro com pouca luz. Bryan vira seu carro em uma estrada de terra estreita e segue para dentro da pradaria. Junto a ele e sua esposa estava o irmão caçula de Bryan, John, um jovem de dezessete anos normalmente chamado de Johnny. Eles passam por um largo bosque até que em seu meio encontram um vazio com árvores ao redor e um grande casarão.
Bryan se lembrava daquele lugar de sua infância, quando veio com Donavan, seu irmão do meio, e brincaram bastante até o dia do incêndio na mesma semana em que chegaram. Depois de então nunca mais retornaram ao local, que permaneceu em reconstrução por anos.
Johnny ergue seu olhar enquanto o carro desacelerava na frente da escadaria que dava a porta principal. O jovem se impressiona com o tamanho do lugar, afinal, era sua primeia vez no local.
“Emily, virá?” perguntou Bryan olhando para seu irmão no banco traseiro, “Sua namorada deveria conhecer o lugar. Há um lago lindo andando pela trilha atrás da casa.”
“Espero que um dia eu a traga.” Respondeu o jovem, e nesse momento Ellen dá uma leve gargalhada.
“Alguém trabalha aqui, querido?” perguntou a mulher.
“Meu pai não teve tempo de contratar os empregados, essa casa foi erguida faz uns cinco anos, pouco tempo antes de meu pai morrer, mas em sua ultima visita ele conversou com o vizinho, um velho amigo, que tem tomado conta dela.” Respondeu Bryan. “Bom, Vamos nessa?” Bryan diz e Ellen Desce do carro com as chaves, “Johnny, você me ajuda a carregar as malas.”
“Certo.” Responde o jovem. “Donavan virá?” ele pergunta.
“Creio que sim, mas ele teve que cuidar de algumas coisas no escritório.”
Os dois pegam as malas e levam para o pequeno terraço semicircular que dá a porta principal. Era uma porta dupla, grande e lisa de madeira. Ellen coloca a chave e gira lentamente. Um bafo sai de dentro do lugar, a poeira se ergue com a brisa do vento que chega sussurrando algo inaudível. Havia um grande salão com móveis antigos cobertos por lençóis, móveis que sobreviveram ao incêndio. Em ambas as laterais havia duas escadarias com um toque de antiguidade, faziam uma curva e davam em um corredor que se estendia no primeiro andar da casa, onde estavam vários quartos. Seguindo o salão, havia um corredor bastante largo porem curto com duas portas, uma na esquerda e outra na direita, e no fim de tal corredor, uma porta de vidro que guardava uma enorme biblioteca.
A principio se sentiam perdidos, mas em seguida subiram as escadas em busca dos quartos. A suíte principal foi tomada por Bryan e Ellen, e a outra grande suíte reservada para Donavan. Johnny acendia cada lamparina que encontrava, afinal estava escurecendo, e por fim foi a um quarto médio que ficava no lado esquerdo do corredor, longe das duas suítes.
Após algumas horas os três desceram as escadas e adentraram o corredor curto. Entre as duas portas havia, na direita um escritório e a esquerda a cozinha para onde iam. Olharam em volta, iluminaram o cômodo e pensaram em algo para jantar e entre as conversas riam e discutiam. Repentinamente batem na porta, Bryan encara sua mulher e irmão enquanto tentava deduzir mentalmente quem poderia ser. Ele agarra uma lamparina e caminha até a porta, espera alguns minutos e a batida se repete, “Não vai abrir, querido?” pergunta Ellen erguendo a cabeça para fora da cozinha, “Quem será?” ela pergunta em seguida.
“Não sei.” Responde Bryan, que então agarra o trinco durado daquela enorme porta e lentamente o gira.
Do outro lado estava um homem, velho, barbudo e enrugado com uma lampião e um pau seco de arvore servindo de bengala. Ele aparentava meio feliz encarando aquela porta que se abria.
“Posso ajudar?” perguntou Bryan ao ver o sujeito.
“Sou Edgar, o vizinho. Soube que viriam hoje.” Respondeu o homem e então vagas lembranças surgiram na mente de Bryan.
“Sim! Mandei uma carta.” Respondeu Bryan, “Não o reconheci de primeiro, mas bem que era um rosto familiar.”
“Os anos são cruéis.” Brinca o homem. “Vejo que chegaram em paz.”
“Sim, graças a Deus.” Disse Bryan.
“Bom, só vim dar uma olhada, qualquer coisa passe lá pela minha casa, é só descer a estrada de terra por alguns quilômetros.”
“Sim senhor!” responde Bryan com um sorriso. “Tenha uma boa noite.”
“Igualmente.” Disse o velho se virando.
Bryan então fecha a porta e a tranca, se vira e vê Ellen gargalhando silenciosamente no fim do corredor junto a Johnny. “Que foi?” perguntou Bryan.
“Toda essa tensão por um velho baixinho” disse Ellen rindo.
“Ha ha que engraçado. Sabe, dizem que um maníaco se escondia aqui por perto.”
“Me poupe, Bryan.” Disse a mulher ainda rindo.
“É verdade! Afinal, o incêndio na antiga casa foi um completo mistério.”
“Então um maníaco incendiou a casa do seu pai?” falou Ellen com um tom irônico, e logo voltou a gargalhar. “Vamos, o jantar está na mesa.”

...
Retiraram-se após o jantar. Bryan em seu quarto sentou-se próximo a janela. Era noite de lua cheia, a janela daquela suíte ficava atrás do casarão, de lá dava pra ver o quintal, a descida entre as arvores que ia ao lago e o próprio lago, a pradaria distante e os bosques no horizonte, tudo iluminado pela majestosa lua. Ellen lia um livro na cama ao lado de uma lamparina, de relance ela olha para seu marido encantado com a beleza da natureza. Ela fecha o livro, o coloca sobre os lençóis e lentamente caminha para o homem abraçando-o por trás, “É uma paz maravilhosa, não é?” ela pergunta.
“Sim.” Responde Bryan, “Uma paisagem muito linda. Não se vê algo assim entre a fumaça das chaminés”
“Londres tem sua beleza, mas está atrelada ao trabalho duro. Por isso estamos de férias.” Diz a mulher.
“Concordo. Senti falta dessa paz. Apesar de ter a presenciado apenas uma vez.”
“Quando eu era pequena.” Falou Ellen, “papai levava a mim e minha irmã para uma fazenda toda primavera.”
“Sim, uma das razões pela qual escolhi vir aqui... Além dessa beleza.”
“Me sinto uma criança novamente.”
“Você fala como se fosse uma velha...” disse Bryan brincando. “Mas é uma moça linda ainda em seus vinte e seis.” Ele a dá um beijo na bochecha e volta a admirar a paisagem.
Ellen volta para a cama, se cobre e retira suas vestimentas. “Venha pra cama, querido.” Ela disse com um sorriso. Bryan olha para sua linda esposa, se levanta seduzido e adentra os lençóis.
Uma noite de alegria que termina ainda mais feliz. Eram três horas então, e agora estavam todos a dormir, o relógio da sala movia seu pesado pêndulo, ele ainda possuía cicatrizes do incêndio, mas não o impedia de cantar seu “tick tack” clássico. E a cada tick e cada tack passavam-se os segundos.
Os grilos cantarolavam durante a noite, o vento assobiava e as corujas traziam suas participações aqui e ali, porém subitamente tudo se silenciou. Bryan e Ellen estavam em um sono profundo, Johnny também. E ao mesmo passo que tudo estava em silêncio algo começava a guinchar, e tal guincho se tornava um grito. Então outros até que se assemelhava a uma multidão gritando, gritos finos como se estivessem sufocando, Bryan acorda no susto, e ainda nu corre para a janela para ver o que estava havendo. Ellen também se espanta, se veste rapidamente e acompanha o marido. “O que está havendo?” pergunta a mulher.
“Não sei. Vou olhar.” Diz Bryan. Ele agarra um lamparina, acende e a carrega até o escritório onde a troca por um lampião.
Os gritos pareciam tensos e escandalosos, sinistros causando calafrios. Bryan abre um dos armários do escritório onde estava um velho rifle de caça do seu pai e algumas balas, ele carrega a arma e vai para a porta dos fundo que ficava na cozinha.
Ele abre a porta no mesmo momento em que Johnny chega a cozinha vindo de seu quarto. Ainda de roupão, com um rifle e um lampião, Bryan desce o pequeno caminho que ia até o lago. O som ficava mais alto a cada passo, ele estava dentro da floresta, que cercava a casa, uma floresta escura e sem vida.
Há uma luz lá, naquela vasta escuridão. Vultos passam por entre os raios alaranjados do que parecia ser luz de fogo. Eram sombras dançantes, elas gritavam, mas Bryan não enxergava quem era os donos das sombras, ele via apenas troncos de árvores em seu caminho. Apesar da luz ele ainda estava longe do fogo.
Inesperadamente, enquanto caminhava, Bryan escuta passos, ele se vira rapidamente apontando o lampião para ver quem era, mas não havia ninguém atrás. Então mais sons ao seu lado direito, e imediatamente ele se vira revelando apenas o nada e troncos de arvore. Galhos se quebram, há alguém ali, mas ele não vê ninguém. Bryan começa a circular, olhando ao seu redor. As árvores começaram a se mexer, ele começava a ficar tonto, e então vultos surgiram entre a luz de seu lampião. Os passos se aproximavam, mas ainda não havia nada. Folhas secas se quebrando, galhos se partindo, mas sem rosto, sem corpo, simplesmente vultos e a escuridão.
Por fim algo parou atrás de Bryan. Ele podia sentir que alguém, algo, respirava ofegante por trás de seu ombro, o medo o congela, ele não quer saber o que há lá, mas sente, sabe que existe um ser parado a olhar. Algo frio... morto... talvez fosse o medo, mas aquela presença lhe fazia passar mal, e tonto ele caiu ajoelhado, até sentir a forte pancada em sua nuca.

...

Notas finais
Gostou do inicio do conto? Comente o que achou e fique ligado para a continuação.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.