Mysteries in The Hunt
13 Uma inimiga e um aliado.
Naquele momento minha ficha caiu (e que papelada!). Eu corria risco de morte ali. Jamais estaria segura. Nem eu, nem as Caçadoras. Qualquer segundo estava contando.
Minha expressão devia ter me entregado, pois Casey olhou para mim com um sorriso cruel.
–Fique calma, Tenente. Seu tempo ainda não acabou, mas é bem curto. Primeiro, começaremos por suas caçadoras. Uma de cada vez. Você será a última, condenada a ver suas companheiras sofrer. Esse é o preço a que tem que me pagar. –disse ela de queixo erguido.
Eu sinceramente, não sei o que deu em mim. Eu não sentia mais medo, muito ao contrário. Eu sentia raiva. E muita. Como ela ousava me ameaçar? Ameaça minha família? Isso não ia ficar assim.
Eu avancei na direção dela. Ao ver que eu me aproximava, ela pegou a lança, mas nem isso me intimidou. Com um chute, lancei a lança para o outro lado da sala.
–Você não vai machucar nenhuma das minhas irmãs. – rosnei de volta para ela.
– E quem vai me impedir? Você? – perguntou ela.
–Se for preciso, sim. – afirmei.
Vi ela mudar o peso de um pé para o outro. Dei um passo para frente e com um giro, soquei seu queixo. Ela parou com as mãos apoiadas na mesa e quando ergueu a cabeça, vi o sangue saindo pela sua boca.Tive um vislumbre do que ia acontecer, mesmo assim fiquei parada enquanto ela pegava algo da mesa e me acertava. Cai zonza no chão. Eu sentia o sangue quente que escorria da minha têmpora.
–Você é fraca. Eu esperava algo melhor. E bem melhor – disse ela.
Eu ainda estava muito brava. Deitei-me de barriga para cima e ali no chão mesmo, chutei um de seus joelhos. Não foi muito forte, mas ela acabou caindo de costas. Foi tempo suficiente para eu consegui me levantar. Olhei em volta a procura de algo para usar como arma.
–Talvez devesse ver o show por inteiro. – afirmei.
Certo. Eu estava de mãos vazias ainda. Acho que folhas de papel não seriam de muita ajuda muito menos clipes.
– E me arrepender ainda mais? Dispenso. – disse ela.
Casey veio na minha direção como um furacão. Segurou forte em minha blusa e me jogou em uma parede. Esse negócio de parede já estava ficando chato! Mas para a minha grande sorte, a parede tinha um quadro que (é claro) era protegido por um vidro. Sério, de onde essas pessoas tiram tanta força? Do além?Com o impacto, acabei quebrando o vidro e cai no chão junto com os cacos. Eu já estava me cansando de levantar do chão, então decidi ficar ali mesmo.
Escutei a porta se abri e olhei para cima. Sabe nosso colega morto Thomas? Então, ele não estava tão morto assim. Ele estava ali na minha frente. Na ocasião não fiz muita questão de ficar olhando ele, mas agora era outra história. Ele era branco com cabelos pretos e meio baixinho, tinha rosto levemente oval, com olhos verdes escuros. Um típico garoto americano.
–Caramba! Não para de sair gente morta daqui! O que me falta agora? Aparecer Sócrates? Aristóteles? – resmunguei.
– Oi para você também. – disse ele.
Fechei a cara e voltei a olhar para o chão.
– Ajude-a a se levantar e a tirem daqui! – escutei Casey dizendo.
Confesso que estava meio dolorida da briga, mas não era para tanto.
– Eu sei me levantar sozinha. – retruquei levantando do chão.
Ela parou diante de mim e disse:
–Isso não acaba aqui! – falou ela.
–Sério? Não posso nem ficar feliz em não ver sua cara feia? – afirmei com um sorriso extremamente irônico.
E foi assim que conquistei meu segundo tapa. Aquilo me surpreendeu e acabei exclamando:
– Dá para parar de me bater? Isso cansa, sua estúpida! – gritei para ela.
– Tem certeza que eu que sou a estúpida?
– Não sou eu que fico batendo nas pessoas quando não consigo responder a altura com palavras.
E olha a minha proeza de ganhar tapas. Agora eu tenho certeza que minha bochecha ia fica avermelhada por um bom tempo graças a esse terceiro tapa.
–Estou me cansando de você! – disse Casey.
–Não queria te agradar mesmo. – retruquei.
Ela se virou para Thomas e disse:
– Ajude a Livy a escoltar essa caçadora de volta a cela e tome cuidado. Ela é espertinha. – ordenou Casey.
–Ok. – respondeu ele.
–Tomarei isso como um elogio. – afirmei.
Ele pegou em meu braço como se fosse fazer seu trabalho, mas como eu já estava irritada, puxei meu membro.
–Não toque em mim! – afirmei e logo passei pela porta.
Esperei os dois ficarem atrás de mim.
–Comece a andar! – disse a guarda que Casey chamou de Livy.
Resmunguei algumas coisas que nem eu mesma entendia, mas envolvia algo com chatices, chão e dores. Eu repassava toda a conversa em minha cabeça e me sentia ainda mais confusa. Eu estava perdida em meus pensamentos quando Thomas resolveu falar.
–Livy, você parece cansada. Não quer que eu termine isso e você vá descansar?- perguntou ela.
Eu não era tola. Percebi que ele queria dispensá-la, mas porque? Tentei manter o ritmo e não olhar para trás.
–Estou bem cansada, Tom. Mas a Casey mandou...- começou ela.
–Ela não precisa saber. – continuou ele.
–Se der algo errado ...
–Não vai dar nada errado. Até parece que não confia em mim.
Escutei Livy soltar um suspiro e disse:
–Tudo bem. Se der problema, vou jogar toda responsabilidade para você.
–Ok. Bom descanso, Livy. – disse ele.
Ela parou do meu lado e disse:
– Você não vai tentar nada, não é? Não agora! – ela exclamou. Estava claro seu cansaço que eu até senti mal por pensar em escapar.
–Em que condições? Estou tão cansada quanto você! – resmunguei olhando para o chão.
– Obrigado. – disse ela em sussurros e sumiu em algum corredor.
Eu fiquei ali parada sem reação. Era estranho até para mim mas ela me tratou com educação e com ela, naquele local, eu seria educada também.
– Pode voltar a andar, Ty Lee. – disse Thomas atrás de mim.
– Finalmente descobriram meu nome! – afirmei com ironia.
–Eu sempre soube. Afinal, naquele dia, quando achou que eu estava morto, porque ainda foi educada? Porque acaba de dizer a Livy que não tentará nada? – perguntou ele num tom mais baixo.
–Não me importa que pessoa seja, se não me tratar mal, eu vou respeitar. – argumentei.
– Mas a Casey...
–Como disse: basta me tratar bem e tudo estará em paz. Se não tenho nada contra você, porque lutarei para seu mal?
– Isso é...
–...gentileza e honestidade. Algo que anda em falta entre as pessoas nos dias atuais.
–Você fala como se viesse de outra época.
–Não venho, mas basta observa. Algumas coisas estão bem visíveis, mas vê apenas a pessoa que quer.
–Faz sentido.
E assim passou alguns minutos em silencio.
– O que você quer afinal? – perguntei por fim.
–Como assim? – questionou ele. – Vire a esquerda agora.
–Dispensou a guarda e agora conversa como se fossemos velhos amigos. Entretanto, mal lhe conheço. – expliquei-me.
–Eu não tenho nada contra as caçadoras. E também, quero um favor. –disse ela, como se a ultima parte da frase fosse algum tipo de palavra-mágica que ativa bomba.
– Que tipo de favor?
– Pelo que Casey conta as outras, as Caçadoras sempre foram pior que o bicho-papão...
–Que meigo!
–... e todas ficam brava ou assustadas com isso, menos uma garota. Ela tem extrema curiosidade conhecê-las.
–E quem seria essa nobre alma que não quer nos matar?
–Minha irmã. Ela tem apenas 14 anos. E como pude observa, há jovens nessa idade na caçada também.
– O que está propondo?
– Quero que você como tenente, avalie-a. Se achar que ela está nas condições para servi sua deusa, então a levem. Casey planeja transforma essas garotas em armas de destruição, em mulheres frias e arrogantes. Não quero isso para a minha irmã.
– E o que ganho com isso?
–Além de outra caçadora? Eu posso ajudá-las a fugir. Sei aonde fica tudo aqui. É uma troca.
–E se ela não servi para a caçada?
–Ainda ajudo, e vocês a levam de volta para casa. Ela apenas seguiu sua amiga e eu entrei no barco. Agora ela não sabe se quer continuar e Casey não permitiria que ela saísse tão fácil.
– Você fala como se não fosse junto com ela.
–E não vou. Até tudo isso acabar. Ficarei e farei o possível para convencê-las que talvez atacar as caçadoras de Ártemis não resolva seus problemas.
Paramos diante o corredor aonde minhas companheiras se encontravam.
– OK. Trato feito. Tem a minha palavra. – eu disse.
Ele estendeu a mão para um aperto e eu apenas neguei com a cabeça. Ele apareceu desapontado.
– Mas uma coisa: isso aqui para a noite. As seguidoras de Órion são péssimas em atividades noturnas. Fiquem atentas. Quando chegar à hora, não terem muito tempo. – alertou ele.
–Eu agradeço e assim que puder, traga a garota. – afirmei.
Viramos em silêncio no corredor e fui presa novamente naquela cela. Eu estava com dor, mas também tinha esperanças de que as coisas poderiam da certo.
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