Mysteries in The Hunt
16 Quem é? Porque é? Como é?
Beatrice se aproximou devagar.
–Eu não queria atrapalhar, só que a Stella disse que você parecia bem triste com o que tinha acontecido e precisasse conversar com alguém mais próximo. Mas quando cheguei, percebi que se divertia bastante com o lobo. – exclamou ela. Eu sentia aquela pontinha de mágoa em sua voz.
– Nós só estávamos distraindo a mente. Nada mudou e os problemas não se foram. – afirmei.
– Em falar em problemas, sabe aquela explicação que você prometeu nos dar? As garotas estão a exigindo. – disse ela.
– Certo. Já está bem na hora de vocês saberem das coisas. – falei, levantando do meu tronco.
O sol nascia ao leste, mas mesmo assim escolhemos deixar a fogueira acesa. Caminhei em silêncio com Beatrice pela mata até o acampamento, o que demorou uns dois minutos. Sentei numa das almofadas preparadas ali, com Beatrice do meu lado direito e a irmã de Thomas, do esquerdo.
– Como estão? – perguntei em um tom que todas pudessem ouvir.
–De saúde, ótimas. Receio dizer, mas creio que estamos melhor que você. –disse Sophia, na minha frente. Vi a cotovelada que Stella deu nela e segurei a risada.
– É, nisso vou ter que concordar. – respondi.
–Já psicologicamente, todas aqui estão confusas em relação a apenas uma coisa. – disse Hanna.
–Será que me atrevo à pergunta o que seria?- perguntei, sorrindo.
–Só você pode nos dar a resposta. – confirmou Mary.
– E o que está deixando minhas irmãs tão incomodadas? – questionei, por fim.
– Sobre as Seguidoras: sabemos como nos seqüestraram e quem são, mas não sabemos o porque. – explicou Stella.
–As três principais perguntas. –lembrei do meu tempo de estudante.
–Como é?- perguntou Carol.
–Na filosofia, você faz essas três perguntas: quem é? Por que é? E como é? –expliquei.
–Ty, por que as Seguidoras estavam atrás da gente? – perguntou Julie.
– Pelo que entendi, Casey e as outras tem um grande ódio por nós. – respondi.
–Mas por quê? – perguntou Beatrice.
–Fizemos algo contra elas? – perguntou Mary.
Neguei com a cabeça.
–Pelo que percebi, elas se formaram recentemente. A tal líder delas guarda um rancor por nós, afirmando que foram as Caçadoras de Ártemis as culpadas por sua irmã a ter abandonado. – expliquei.
– A irmã dela é uma caçadora? – perguntou Elizabeth.
–Era. – corrigi.
–Essa Casey é irmã da Jessye, não é?- perguntou Stella.
Apenas assenti.
–Eu me lembro dela, mas, por favor, prossiga Ty. – disse ela.
– Elas nutrem um ódio tão forte que chega a ser pavoroso. Elas nos odeiam e muito mais Ártemis. – disse eu.
– Mas ela sabe do que houve? Da morte da Jessye? – perguntou Leila.
– Eu acabei contando o que aconteceu e ganhei essa marca no pescoço. – falei apontando para o hematoma.
– Ela poderia ter te matado. – disse Charlotte.
– Acho que vocês ainda não entenderam, minhas queridas. Essa é a respostas de vocês. Não estávamos lá para tomar um chá e ter uma conversa amistosa, mas sim para morrer. Esse é o objetivo delas: acabarem com a caçada e as caçadoras. – esclareci.
Eu vi o espanto na cara de todas, aquilo que tentei evitar.
– Por isso não queria lhes contar nada. Queria que vocês acreditassem que tudo ficaria bem. Sem nenhuma energia negativa para piorar tudo. – acrescentei.
– Foi por isso que aceitou a ajuda do garoto tão facilmente, sem arrumar outro jeito. – disse Beatrice.
–Eu tinha que tirá-las de lá a todo custo e rápido. – falei.
– Mas se elas queriam nos matar, por que você foi e voltou viva? – perguntou Sophia.
–Ela ia me deixar por ultimo. Eu ia ter que ver todas... – então minha garganta se fechou recusando a pronunciar as palavras. Forcei-me um pouco e continuei: — ver todas morrerem. Seria a ultima a partir. Ia ser como um castigo psicológico, acabando com a minha sanidade e vontade de viver. Seria meu castigo por servi Ártemis e ser tenente.
–Seria pior que morrer! – disse Stella.
Eu vi todas mais perdidas que antes.
–Mas estamos aqui, não quer dizer que no final acabamos bem? – perguntou Carol.
–Esse é o outro problema: não acabou. Saímos de lá, graças à lua, mas elas não vão parar. – falei.
– E agora? Como vai ser?- perguntou a irmã do Thomas.
– Vamos nos preparar e lutar como sempre fizemos. – expliquei.
–Ty, lutamos contra monstros. Nunca foi contra garotas mortais. –disse Beatrice.
–Eu sei, mas receio em dizer: elas não são tão mortais assim. Tem alguma magia as protegendo. Eu pude sentir. – afirmei.
–Então vamos ter que lutar? Contra elas? – perguntou Julie.
–Sim. Paramo-las ou morremos. – falei friamente.
–E você terá coragem de matá-las? – perguntou Stella.
– Eu não ...sinceramente, não sei. – confirmei.
Stella respirou fundo e se colocou de pé.
–Se é assim, sugiro que nos preparamos. – disse ela.
–É o correto. – falei, me colocando de pé também.
Vi as caçadoras se preparando. Comendo e montando guardas. De duas em duas, eu as ordenei para que fossem há trezentos metros a cada direção em companhia de um lobo. Eu fiquei na companhia de Beatrice, Stella, Kath, Rebeca (nome da irmã do Thomas) e Artie, que seria meu comunicante entre os lobos.
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