Mysteries in The Hunt
10 A tal balada
Notas iniciais
Foi complicado sairmos, pois não estávamos nada animadas para irmos a uma balada e qualquer acontecimento era motivo suficiente para pararmos.
–Vai ser rápido. Eu juro! – afirmei as meninas pela centésima vez.
–Baladas não são nosso território, Ty. Na verdade, são lugares assim que evitamos ao máximo. – resmungou Beatrice.
–Vamos ter que entrar lá? – perguntou Stella.
–Vocês, duas! Já chega. Estão me deixando louca e, olha que meu limite de tolerância a loucura é bem alto. Se não querem vir, não venham. Estão reclamando feitos dois bebês chorões. – falei.
Na hora, elas se calaram e arregalaram os olhos. Percebi que tinha feito merda, ou melhor, falado. Respirei fundo e disse:
–Eu vou ligar para a Carol. Vocês podem ir e se encontrar com as outras caçadoras. Já me ajudaram o bastante, continuo daqui em diante sozinha. – e já peguei meu celular.
–O QUE? Não! – gaguejou Beatrice.
– Ty, começamos isso juntas. Vamos terminar do mesmo jeito. – disse Stella, tomando meu aparelho das minhas mãos.
– Não. Vocês estão cansadas. Psicologicamente. Vejo isso; e não gosto nada. Agora é comigo. Eu consigo terminar isso e encontrar vocês depois. Não estou tão mal. – afirmei.
–Desculpa mesmo. Não devíamos ter surtado. Não daquele jeito. Somos centradas, calmas e unidas. Vamos continuar assim. – disse Beatrice, agora totalmente séria.
Abri a boca para reclamar, mas as palavras não sairão. Isso tinha que acabar.
–Temos que acabar com isso logo, antes que acabe com a gente. — retruquei.
–Sim. – respondeu Beatrice com um sorriso.
–Então vamos. – disse Stella na calçada.
–Vocês tem... tem certeza? Ainda posso ligar para Carol e avisar que estão voltando. Não quero que fiquem contra a própria vontade. – afirmei.
Eu não queria que elas fossem, mas também não queria que ficassem sem ao menos quiser.
–Temos. – disse Stella.
–Claro. – concordou Beatrice.
Soltei um longo suspiro e me virei de costas para elas, encarar a cidade. Eu não queria ficar sozinha, não ali. Também não queria que visse meu alivio por ainda estarem firmes, ali comigo.
– Pelo que a Carol disse, não estamos tão longe.- afirmei por fim.
Virei e as encarei.
–Não mesmo. Olhem!- disse Beatrice apontando para uma região.
Olhei na direção que Bea apontava e vi holofotes iluminando o céu noturno.
Caminhamos rápido e em silencio. Não queríamos chamar a atenção e nem sabíamos se tinha monstros na cidade. Paramos de frente a balada e vimos que a fila para entrar descia a rua, por quarteirões.
–Como vamos entrar?- perguntou Beatrice.
–Boa pergunta. E a excelente resposta é: eu não faço idéia. – respondi, colocando as mãos no bolso da minha calça.
–Entrada pelos fundos? – perguntou Stella. Todo o caminho ela ficou totalmente calada. Eu meio que sabia o que ela pensava. Estava assustada por ter tido seu primeiro surto. Ela era a mais centrada entre nós três. Eu era mais louca, Bea a mais fofa e Stella a centrada. Uma das mais velhas na caçada.
–Não sei. Se ela queria que eu viesse aqui, tem que me dá a passagem. Vamos tentar falando com o cara que está com uma prancheta nas mãos. — propus.
– Certo. Então vamos lá. – disse Stella.
Estufei o peito e endireitei a coluna. Segui com passos pesados por toda travessia da rua. Estávamos apenas com apenas com mochilas nas costas, sem arco nem flechas, pois a principio queríamos passar sem chamar atenção ou fazer confusão.
Parei junto ao homem e disse:
–Oi, boa noite. Minha...amiga... ela pagou a minha entrada para essa noite. Eu quero confirmar se meu nome está na lista. – falei ao homem.
Ele levantou uma das sobrancelhas e suspirou:
–Ok, gracinha. Qual é seu nome?- perguntou ele.
–É Ty Lee.
–Sobrenome também.
Engoli aquela frase com muita saliva e disse.
–Mertens. Ty Lee Mertens. – disse sem olha para trás. Nunca gostei do meu sobrenome. Meu nome por si, já era para lá de diferente ai vem esse sobrenome e deixa tudo de outro mundo.
–Sim .Seu nome está aqui. Pode entrar com suas amigas. – disse ele apontando para Stella e Beatrice.
– Ok. Obrigado. – caminhei até as meninas e disse: — Meu nome está na lista, como eu suspeitava.
–Vamos apenas entrar? – perguntou Beatrice.
– Por enquanto, sim. – afirmei.
Nós três nos encaramos, depois viramos para porta enquanto o homem a abria e entramos.
Lá dentro estava cheio. Adolescentes dançavam, de várias maneiras. Localizei o bar e a área vip. Tinha três andares, sendo que o primeiro a onde eu e as meninas estávamos; o segundo era um tipo de corredor ligado por várias escadas que desciam até o nosso andar; e o ultimo era coberto com um vidro preto e havia constante movimentação.
De repente uma música começou a tocar e eu a reconheci.
–É Sugar. Gosto dessa!- afirmei para as garotas.
–O que?- perguntou Stella, sem entender nada.
–A música. Seu nome é Sugar, da banda Maroon 5. Essa banda é ótima. – afirmei.
– Jura que você reparou na música?- perguntou ela.
–Sim. Adoro música. Sempre que posso, estou escutando. Relaxa, às vezes – confirmei.
– Você não tem jeito. Vamos fazer o que viemos fazer e ir embora logo, DJ- falou ela. – O que diz mesmo no bilhete?
– Agora a música está bem alta e todos dançam, tendo seus corpos iluminados por luzes coloridas. – afirmei e passei a observa as pessoas.
–Isso da pra ver. Qual é o restante?- continuo ela.
– Desconfortável, você... apenas você, vai ao local aonde possa pensar melhor e lavar o rosto! Nesse local está a pista que tanto procura. – disse.
– Lavar o rosto...hum... só pode ser no banheiro. – afirmou ela e olhou em volta. De novo música mudou e senti uma sensação boa, mas não me manifestei.
– Conhece essa também?- perguntou ela.
Fiz um sim com a cabeça.
–Isso já não pode ser coincidência. Qual é o nome dessa?
–We Cry, The Script.
–Sabe a tradução?
– Fala de três pessoas que sempre querem o melhor para eles, mas estão acabados. Jenny a jovem que já tem seu bebê, o drogado que só quer algo para amenizar a dor que sente e Mary, que era ambiciosa e queria que as mulheres tomassem um lugar de respeito no mundo, mas no final ela está casada, com filhos, marido e uma casa. Depois fala para não mentir aos nossos filhos, para cuidar deles até terem capacidade de fazer isso sozinhos. O contexto geral fala que o mundo está quebrando e nós nos destruindo aos poucos; nenhum super-herói irá ajudar, a não ser nós mesmos.
– Tudo isso de uma música?
–Sim.
– E tem ligação com a primeira.
–As duas falam de pessoas quebradas e destruídas por dentro.
–Estranho. Vamos até o bar ver se podem informar a onde está o banheiro feminino.- disse Stella, se movendo na multidão.
Segui-a assim como Beatrice.
–Você está bem?- perguntei a ela.
–Estou. Só não gosto de locais assim. Não é estranho para você está aqui, saber que uma dessas pessoas podia ser você e, agora vê que não se encaixa mais? – disse ela.
–É sim, bastante. A única coisa que reconheço são as músicas e não me parece o suficiente. Também quero ir embora. – afirmei a ela.
– Então vamos logo com isso. – disse ela.
Assenti e continuei andando. Ao me aproximar do bar reparei a enorme coleção de garrafas, algumas sendo de bebidas alcoólicas. Ignorei aquilo e me apoiei no balcão.
O Barman se aproximou.
– O que posso fazer por você? – perguntou ele com um brilho nos olhos. Sei lá se foi por instinto, mas me afastei.
– Só quero saber a onde fica o banheiro feminino. – falei, já que percebi que nenhuma das meninas lhe dirigiria a palavra.
–Nisso posso ajudar. Está vendo aquela escada ali? – disse ele apontando para a escada. Confirmei com a cabeça. – Debaixo dela, há uma porta, o banheiro.
– Obrigado. – agradeci.
– Disponha. Quando volta, lhe preparo um drink bem especial. – disse ele e piscou.
Concordei, mesmo sabendo que não beberia uma água daquele lugar. Virei-me para encontrar com as meninas, mas só vi Beatrice.
– Cadê a Stella? – perguntei.
– Não sei. Um momento ela está bem do meu lado e, no outro sumiu. – disse ela, vasculhando entre as pessoas.
–Como assim? Sumiu sumindo? – perguntei, já assustada.
–Não sei. Suspeito que ela foi atrás do banheiro sozinha. – exclamou Beatrice.
–Pois não devia. – disse bufando.
–Calma, Ty. Vamos fazer assim: Você descobriu a onde é o banheiro, certo? – perguntou ela e eu concordei. – Você vai até lá e pegue a última pista. Eu vou procurar por Stella e te encontro em quinze minutos perto da saída.
–Não é bom a gente se separar...- comecei a argumenta.
–Mas no bilhete está bem específico. Só você entra no banheiro e pegar a pista. – lembrou-me ela.
Concordei com ela e comecei a andar. Tive uma sensação ruim, mas a ignorei e fui a onde o barman mostrou. Esbarrei com algumas pessoas e quando finalmente consegui chegar ao banheiro, parecia que tinha ando por horas naquele lugar. Passei pela porta e deparei com três garotas se arrumando. Após minutos elas saíram conversando alegremente. Fui até uma das pias e olhei no espelho. Do meu lado esquerdo, pude ver por cima do ombro, algumas estátuas. Avancei rapidamente até elas e as observei. Eram todas miniaturas dos deuses; então logo passei a procurar pela estátua de Ártemis e a vi, sendo a última da fileira. Peguei-a e entrei em um dos box. Abaixei a tampa da privada e sentei, analisando cada centímetro da estátua. Nada. Comecei a bater no seu fundo que começou a quebrar.
–Tem algo aqui dentro! – falei para mim mesma.
Olhei para dentro, mas consegui ver o que tinha dentro. Eu só tinha uma escolha. Levantei, fiquei com as costas encostada-se à porta e joguei a estátua atrás do vaso com toda a minha força. Estremeci ao ouvir ela se despedaçando, mas fui ao encontro de seus destroços. Lá estava, dobrado como uma carta. Peguei-o sem muita cerimônia e o abri.
Jogo interessante e, se posso dizer, muito divertido. Fico triste em dizer que acabou mas essa é a verdade. Nos vemos logo, Ty. Curta esse tempinho que tem. Até logo.
–C.W.
– Desgraçada de uma figa! – resmunguei ao papel.
Agora sim, eu precisava lavar o rosto e esfriar a cabeça. Sai do meu box e fui até uma das pias, bufando. Joguei água no rosto e sai. Caminhei até aonde tinha combinado com Beatrice e encostei-me à parede.
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