Mysteries Of Space
1 The Beginning
Notas iniciais
–VOCÊ VAI IR PARA ESSA NOVA ESCOLA QUERENDO OU NÃO – gritou uma mulher de cabelos castanhos, de olhos verdes claro, (minha madrasta), a um pobre garoto de cabelos negro e olhos castanho escuro, estirado em sua bela e confortável cama, (eu).
–EU JÁ DISSE QUE NÃO VOU – gritei – E AQUILO NÃO É UMA ESCOLA – me levantei, me sentando na cama – É UM COLÉGIO INTERNO.
–ISSO É APENAS A CONSEQUÊNCIA DE SEUS ATOS – disse indo em direção a porta – agora faça logo as suas malas e desça.
Minha madrasta apenas saiu do meu quarto me deixando sozinho e desolado.
–DROGA – gritei esmurrando a parede que ficava atrás de minha cama – Isso não é justo...
Levantei e vi como meu quarto estava desarrumado, roupas jogadas em um lugar e jogos de vídeo game jogados em outro. Olhei para a cama e vi o meu canguru de pelúcia jogado no chão, sorri com isso, afinal o tenho desde os meus oito anos e agora tenho dezesseis.
–Buba (nome do canguru de pelúcia) – disse me contendo para não chorar – Mamãe...
Flash back On
–Mamãe – dizia um menino de cabelos negros como a noite e olhos castanhos escuro que penetravam de tão diferentes – a gente vai comprar meu ursinho? – perguntou sorrindo, um sorriso sincero e puro.
–Mas filho – exclamou uma linda mulher de cabelos loiros e lindos olhos verdes, sua mãe – você já está grandinho, vai completar oito aninhos – disse se agachando e ficando na altura de seu filho.
–Não me importo com isso mamãe – disse a criança ainda sorrindo – eu gosto de ursinhos – disse aumento o sorriso.
–Parece decidido– disse a mulher se levantando – vamos comprar seu ursinho – disse estendendo a mão.
A criança aumento ainda mais seu sorriso e pegou a mão de sua mãe.
Foram de carro, em uma loja chamada “coração feliz”, uma loja voltada ao publico infantil, lá se tinha de tudo, desde brinquedos até ursinhos.
A criança andava e corria na loja com uma enorme felicidade, mas para na seção de ursinhos ao ver um enorme canguru de pelúcia, abre um sorriso e com toda a felicidade do mundo pede a mãe para comprar.
–Você gostou deste canguru filho? – perguntou se aproximando e se agachando para ficar na altura do filho.
–Sim – disse olhando para o canguru e sorrindo – ele é fofo – em seguida o abraça com toda a força – compra mamãe? – perguntou.
–Claro que sim filho – disse sorrindo e se levantando – esse vai ser seu presente de aniversário.
–Eu te amo mamãe – disse a abraçando
A mãe apenas retribui o abraço o apertando fortemente e passando a mão em sua cabeça bagunçando seu cabelo.
–Eu também te amo filho – disse sorrindo – feliz aniversário.
Flash back Off
Sem perceber uma lágrima escorre por minha face ao lembrar daquele dia. Rapidamente a seco e vou para o chuveiro e tomo um banho demorado, demorado não pelo fato de demorar mesmo, mas sim pelo fato de ter várias lembranças involuntárias.
Saio do chuveiro, me enxugo e procuro alguma roupa pra colocar, Coloco uma calça jeans escura quase preta, um par de tênis all star preto e branco, uma camiseta preta e meu colar de cristais.
Com toda a preguiça do mundo faço a minha mala, e suspiro ao olhar para o relógio do meu quarto e ver que são 11h00min, infelizmente meu voo sai às 12h00min.
Desço as escadas e encontro minha madrasta fazendo o almoço com uma expressão feliz no rosto, afinal a partir de hoje a casa seria só dela.
Solto um sorriso ao pensar nisso e vejo como sou um incomodo na vida de minha madrasta e de meu padrasto.
Coloco as malas e a mochila no chão e me sento para comer, com uma expressão neutra.
–Porque você vai me mandar para um colégio interno? – perguntei olhando para o meu prato de comida – eu sou tão inútil assim?
–E ainda pergunta? – disse se virando – você simplesmente espancou o filho do governador, somente por ele ter chamado seu pai que já morreu de “vagabundo”, sinceramente somente um retardado faria isso.
Não disse nada, apenas fechei os olhos e fiquei em silencio pensando no erro que meu pai cometeu ao se casar com ela.
–Por que você se casou com meu pai? – perguntei de olhos fechado – por que eu sei que por amor não foi.
–Claro que não foi por amor – disse em um tom de deboche – foi por dinheiro, status, poder e depois que seu pai morreu eu me casei com quem realmente amo.
Apenas me levantei da cadeira, peguei minha mala e coloquei minha mochila preta nas costas e caminhei em direção a porta.
–Onde você pensa que vai – me perguntou
–Vou para o aeroporto sozinho – disse pegando na maçaneta da porta – porque se eu ficar dentro dessa casa por mais um segundo, eu te espanco – abri a porta e sai.
Dirigi-me ao aeroporto, como eu fui sozinho demorou um pouco para chegar mas consegui pegar o voo a tempo.
Já no avião, olho para a janela me lembrando de todos os momentos bons que tive neste lugar.
–Adeus Brasil – penso em voz alta – adeus... Mamãe e Papai...
"Atenção senhores passageiros, o avião esta prestes a pousar, mantenham a calma e obrigada por viajar conosco” – disse a aeromoça.
O avião pousou e os passageiros começaram a descer, esperei todos descerem para sair e ao chegar na porta do avião pergunto a aeromoça.
–Com licença – disse atraindo a atenção da aeromoça – a língua falada aqui é norueguês ou as pessoas falam mais inglês?
–A mais falada é o inglês – disse – porém em algumas cidades a língua dominante é o norueguês.
– Obrigado – disse descendo do avião
Ao descer pude sentir uma forte brisa de vento se chocar em minha face, e devo admitir que a sensação foi ótima, apesar de ser muito fria e gélida.
Peguei minhas malas que consistiam em uma mochila e uma mala de mão tamanha médio, e devo admitir que o país é realmente lindo.
Ao longe do aeroporto, pude ver as montanhas cheias de neve, os cidadãos sorrindo e ajudando uns aos outros, um país realmente lindo tanto em beleza quanto em pessoas.
–Vamos ver – abro a mochila e pego o papel com o endereço do colégio, mas o pequeno problema/detalhe que eu não percebi é que... — ta de zua que eu vou ter de ficar em uma casa afastada da escola né? – perguntei pra mim mesmo – ainda por cima com quatro pessoas?
Mas para a minha total decepção... Sim, eu terei que ficar em uma casa separada da escola com quatro pessoas.
“Isso aquele traste não me contou” – pensei com raiva lembrando do rosto daquela mulher.
_ok – suspirei – onde fica a rua... Black Tail numero 545?
15 minutos de procura
–Ainda está cedo – disse otimista – eu vou encontrar essa rua.
30 minutos de procura
–Não vou perder a esperança – disse confiante – eu vou encontrar essa rua.
45 minutos de procura
–Calma Gabriel – disse começando a me irritar – você vai encontrar essa rua.
1 hora de procura
–Não vou perder a calma – disse quase estourando de raiva – eu vou encontrar essa rua.
2 horas de procura
–AH PELO AMOR DE DEUS – gritei – ONDE FICA ESSA DROGA DE RUA?
Vejo um banco de madeira próximo a mim e não êxito em sentar.
Bem, agora está nevando e como conseqüência a rua está escorregadia, tudo na verdade está escorregadio, só então tomo vergonha na cara e coloco minhas queridas luvas de couro e minha amada touca.
Olho para frente em busca de alguma resposta milagrosa e vejo uma loja branca com alguns detalhes em preto, cor peculiar para uma loja.
Levanto do banco e vou em direção a loja e só então percebo que não é uma loja e sim uma cafeteria.
Entro e um sino toca e imediatamente uma garçonete me atende.
–Posso ajudá-lo senhor? – pergunta com um sorriso no rosto.
Ela aparenta ter a mesma idade que eu, cabelos castanhos e olhos da mesma cor, pele clara e altura normal para sua idade. Vestia acho que o uniforme da cafeteria que consistia em uma calça Jens e uma camiseta social branca com um colete marrom de pano liso.
–Wow, serviço rápido em – digo surpreso – eu gostaria de saber onde fica a rua...
Antes que eu pudesse terminar a frase, sou atingido por um prato que se quebra em meu rosto, me jogando no chão.
–Henry, seu inútil, por que você se abaixou? – perguntou uma voz feminina.
–Porque você acha? – disse Henry se levantando – eu não sou idiota de ficar na frente de um prato voador.
–Seus idiotas, vocês acertaram um cliente – disse a garçonete.
“Que belo jeito de ser recebido na Noruega” – pensei vendo estrelinhas.
Lentamente me levanto com a ajuda da garçonete, e consigo ficar de pé, apesar de ainda estar atordoado graças à pancada recebida na cabeça.
–Por favor, nos desculpe – disse amigavelmente – é que ela começou a trabalhar ontem e como já percebeu é meio agressiva.
–Ela?- pergunto ainda atordoado– ela quem?
–Rebeca – aponta para a garota – falando nisso... Venha agora mesmo pedir desculpas a ele Rebeca.
Quando viro meu rosto, vejo a responsável pelo atentado a minha pessoa.
Seus cabelos são negros da raiz até a metade do cabelo, da metade para baixo são loiros, fazendo um degrade do preto ao loiro, o que os torna extremamente bonitos e atraentes, seus olhos são cor de mel, o que combina com perfeição ao degrade de seu cabelo, sua pele é branca a fazendo se parecer Européia, não é pequena nem grande, é somente um pouco mais baixa que eu, também estava usando o uniforme da cafeteria.
–Nem morta – respondeu cruzando os braços – a culpa é dele por não se abaixar.
–Minha culpa? – indaguei indignado – você joga um prato em minha cabeça e a culpa é minha?
–Mas é claro – descruzou os braços – não é minha culpa se você não tem reflexos.
–Eu não tenho reflexo? – indaguei – é claro que eu tenho reflexo, mas é muito pouco provável um prato voar em minha cabeça, então eu não imaginei...
–Não imaginou? – me olhou descrente – com o seu tamanho deveria imaginar – disse em um tom de deboche.
–Tamanho? – perguntei – eu não sou nenhum gigante, e você também não pode falar nada.
–Como assim? – perguntou
–Nada – disse levantando a mão em um tom de brincadeira – só acho que você deveria trabalhar como lenhadora...lenhadora de bonsai.
–Retire o que disse – exigiu
–Não – sorri – você é pequena, isso é um fato, acho até que você é descendente dos lumpa-lumpa.
Vi o ódio dentro dos olhos daquela garota.
Sem prévio aviso ela desfere um soco em meu ombro me fazendo recuar dois passos.
“Ela é forte” – pensei massageando a área atingida.
–REBECA – gritou a garçonete – EU NÃO TOLERO VIOLÊNCIA DENTRO DA CAFETERIA.
–Calma Heloísa– digo – ele não machucou minha mão – disse olhando para sua mão.
“Então quer brincar?”- pensei me recompondo
–Tudo bem – disse sorrindo – ela não me machucou.
Aquilo a irritou, mas não dei bola, já estava cansado daquilo.
–Antes de qualquer coisa – disse voltando minha atenção para a garçonete – você poderia me dizer onde fica a Rua Black Tail, numero 545?
–Black Tail, numero 545? – perguntou – essa é a casa onde a gente está... Não me diga que você é o aluno transferido do Brasil.
–Sim, sou... Mas como sabe – perguntei
–É que o diretor me avisou que um aluno problemático e bem ousado, começaria a frequentar a nossa escola e como na nossa casa só temos nós três e tem lugar para quatro, eu me ofereci para te aceitar em nossa residência.
–Você ta de brincadeira com a minha cara né Heloísa – perguntou Rebeca com um olhar descrente.
–Não – disse em um tom rígido – e fica quieta e mostre um pouco de respeito com ele.
–Ele não merece respeito – disse me provocando – é um fracote.
–È... Realmente sou um fracote – disse concordando – agora, vamos as apresentações?
–Então... Meu nome é Heloísa – disse apontando para si mesma – o nome da maníaca que atacou o prato em você é Rebeca – apontou para ela – e o nome daquele preguiçoso é Henry.
Só então que eu reparei na cafeteria, um lugar bem grande, com as paredes pintadas de branco e marrom, havia muitas cadeiras e mesas espalhas como toda cafeteria, logo atrás das mesas ficava o balcão onde se faziam os pedidos, e uma porta de madeira onde dava espaço para a cozinha. Olhei para a porta onde entrei e vi que era feita de madeira com alguns detalhes pintados de branco, a parede se estendia e só então notei que não era uma parede de concreto, mas sim de vidro, era realmente uma bela cafeteria.
–Prazer – disse – meu nome é Gabriel Muniz – disse apontando para mim mesmo – e... Será que você poderia me levar até essa tal casa, porque eu não sei onde é – disse meio sem graça.
–Nem pensar – disse rebeca – se quiser ir, que vá sozinho.
–Escuta aqui o lenhadora de bonsai – disse a encarando – eu falei com a Heloísa e não com você.
–Lenhadora de bonsai? – me indagou com raiva na voz – eu nem sou tão pequena assim.
–Tenho sérias duvidas quanto a isso – disse em meio a risos.
Ela apenas sorriu um sorriso macabro, psicótico, malvado, sem dó nem piedade, enfim, um sorriso que não seria eleito o sorriso mais bonito do ano.
–È melhor você parar com isso – disse com a cabeça baixa – eu sou mais forte que você.
–Desculpa ai Senhor anão – a provoquei – não queria insultar sua grandiosa falta de crescimento.
Sem prévio aviso, ou reação física levo um soco no rosto, mais especificamente na bochecha esquerda o que me faz ir para trás e quase cair no chão, ficando de joelhos sobre o mesmo.
–REBECA – gritou Heloísa – PARE COM ISSO.
–Eu o avisei – disse dando de ombros – ficar me insultando é um grave erro.
–Sinto muito lenhadora de bonsai – disse me levantando – mas um soco tão fraco assim não vai me amedrontar
“Mas, devo admitir que foi forte” – penso passando a mão em meu ombro.
–Não foi forte? – perguntou com um olhar psicótico – então esse vai ser – disse desferindo outro soco em meu rosto, mas desta vez desvio.
–O que foi senhor anão? – provoquei – não consegue me acertar mais?
“Não devia ter dito isso” – penso ao levar um chute na cara, só que desta vez, na bochecha direita, o que me faz recuar novamente.
Antes de a maníaca psicótica me dar outro chute leva um cascudo de Heloisa a fazendo parar e reclamar.
–AI – gritou – DOEU.
–ESSA ERA A INTENÇÃO – GRITOU.
–Toma anão de jardim – disse gargalhando – toma essa...
Não termino minha querida e preciosa fala, graças ao cascudo que também levei de Heloísa,
–AI – grito ao levar o cascudo – ISSO DÓI.
–Agora – disse me ignorando – peçam desculpas um ao outro.
–Nem pensar – disse a maníaca psicótica – eu não vou pedir desculpas a esse idiota.
–Nem eu a essa anã – disse.
–Rebeca, se você não pedir desculpas eu não pinto seu cabelo de azul – ameaçou Heloísa.
–E Gabriel – disse me olhando – se você não se desculpar eu não te levo até a casa.
–Tenho uma sugestão – disse as encarando.
–Qual – perguntou Heloísa.
–Vamos fazer uma trégua até chegar nessa casa – disse olhando para Rebeca.
–Ok – disse
–Ok – disse Henry se levantando da cadeira – agora que os dois já terminaram a discussão, dá pra gente ir? Já são 6:00min – disse se aproximando
Henry... Seus cabelos são negros assim como os meus, porém seus olhos são verdes, o que o dá um contraste de diferente, sua altura se equivale a minha, sua pele é morena, porém um pouco mais clara que a minha.
–È verdade o curso – disseram Rebeca e Heloísa em uníssono.
–Espera ai que curso? – perguntei curioso.
–No caminho a gente explica – disse Heloísa.
Atualmente, eu estou em um carro indo para a tal casa, ao meu lado esquerdo está Henry, como motorista está a Heloísa e no banco da frente à maníaca psicótica.
–Você a subestima demais – disse Henry olhando para frente.
–Quem?- pergunto me virando em sua direção.
Henry me olha com um olhar de “quem você acha”, e percebo que está falando da maníaca psicótica.
–Ah, ela – disse voltando minha atenção para frente – eu não a subestimo.
–Não foi o que pareceu – disse voltando seu olhar para frente.
–As coisas nem sempre são o que parecem – disse atraindo sua atenção.
–Como assim? – perguntou curioso.
–O primeiro soco que recebi foi no meu ombro direito, ela me golpeou com um soco de direita normal que normalmente não causaria muito dano, porém seu soco foi rápido o bastante para eu não o notar, o que resultou na pancada, quando ela socou meu ombro com sua mão direita, ela levou seu quadril para frente o virando fixando toda sua força em seu punho direito, avançou com a perna esquerda dando a ela velocidade o bastante para me acertar, quando o soco me atingiu ela ligeiramente trocou de perna virando o calcanhar direito rapidamente para sua esquerda, fazendo seu quadril virar o que possibilitou me atingir com mais força, o que me fez recuar dois passos, então baseado nisso, eu posso afirmar que ela tem conhecimento sobre artes marciais – coloquei minha mão no queixo ficando pensativo – o seu segundo soco foi desferido em minha bochecha esquerda, sendo usada a mão esquerda para me atingir, ela usou a mesma técnica do primeiro soco, porém nesse soco ela deixou os dedos indicador e médio na frente dos demais, o que possibilitou mais atrito fazendo o impacto ser maior que o soco anterior, então baseado nisto, suponho que ela saiba mais de uma arte marcial – olho para a janela – ela tentou outro soco, porém desviei, mas ela conseguiu acertar um chute lateral peito de pé na minha bochecha direita, pela altura do chute posso afirmar que ela tem uma ótima abertura, o que a possibilita chutar mais alto, e a força que foi colocada em sua perna me afirma que ela possui uma grande força e resistência em suas pernas, baseado nisso e nas informações anteriores, posso lhe afirmar que ela não é fraca, ou seja, eu não a subestimo, somente a irrito, porque acho muito cômico vê-la irritada – termino sorrindo.
–Você conseguiu deduzir tudo isso apenas por ter levado dois socos e um chute? – perguntou surpreso.
Apenas dou um sorriso voltando minha atenção novamente para a janela.
–Se você prestar bastante atenção no seu oponente – disse – você conseguirá deduzir muitas coisas.
Antes que Henry pudesse falar qualquer coisa, o carro é parado bruscamente o que me faz ir para frente me fazendo colidir minha cabeça com a da pessoa da frente, que por ironia do destino é a maníaca psicótica.
–AII – gritou Rebeca – SEU INÚTIL, VOCÊ ME BATEU.
–A CULPA NÃO É MINHA SABIA? – gritei de volta — E POR QUE PARAMOS?
–HELOÍSA – gritou Henry – POR QUE VOCÊ PAROU TÃO BRUSCAMENTE?
–A GENTE JÁ CHEGOU IMBECIL – gritou Heloísa – OU VOCÊ PREFERIRIA FICAR ANDANDO PELA CIDADE?
–ANDANDO PELA CIDADE – Henry e eu gritamos em uníssono.
–MAS NÃO VÃO – gritou Heloísa descendo do carro – E É MELHOR DESCEREM AGORA.
–MEU DEUS- gritou Henry descendo – É MUITO FEMINISMO.
–CONCORDO PLENAMENTE – gritei também descendo – O MUNDO ESTÁ PERDI...
Antes que eu pudesse terminar a minha frase, sou atingido por uma mochila, o que me leva ao chão... De novo.
–CALA A BOCA SEU IDIOTA – gritou Rebeca — E PEGA LOGO ESSA MOCHILA QUE É SUA POR SINAL.
“Cara... A vida na Noruega é perigosa” – pensei me levantando
–Ok – disse Heloísa – agora que todos já pararam de gritar, vamos logo para a classe, a aula já deve ter começado.
–Mas... Tipo – disse atraindo a atenção de todos – vocês vão vestidos assim? – perguntei
De fato, eles ainda estavam com o uniforme da cafeteria, que não era um dos mais belos, e sinceramente eu não acho que o professor deixaria eles entrarem, e porque eu estou em frente a uma escola?
–Espera um pouco – disse – por que a gente está na frente de uma escola? – perguntei um pouco irritado.
“Odeio escolas” – pensei.
–Esse é o uniforme da escola – disse Heloísa andando em direção a escola, que só então notei como era.
–Cara – disse olhando a escola de baixo para cima – como essa escola é grande – mas rapidamente volto minha atenção para eles – esse é o uniforme escolar? Não é de trabalho? – perguntei.
Olharam-me com aquele olhar de “você é idiota? ” O que me irritou de certa forma.
–Claro que não imbecil – disse Rebeca – todo uniforme escolar é assim.
Solto meu olhar mortal para ela que ao ver, não tem nenhuma reação, a não ser rir
–Esse é seu olhar de mal? – perguntou debochando – fala sério.
–Escuta aqui...
Sou rapidamente cortado sem dó nem piedade, por ninguém mais, ninguém menos que Heloísa.
–Já chega – disse Heloísa elevando um pouco a voz – vocês dois só brigam, pelo amor de Deus.
–Já são 07h00min – disse Henry
–Merda, já começou – disse Heloísa, correndo em direção ao imenso colégio interno — vamos logo.
Assim, todos nós fomos correndo para o colégio, e eu como sempre, fui sem entender nada.
–Shiiiiu – sussurrou Heloísa – vamos em silencio.
Nós andávamos lentamente pelo extenso corredor da escola, por dentro a escola era ainda mais bonita, e o melhor de tudo é que tem armários escolares, tudo bem que são verdes, mas mesmo assim, o corredor era branco com pisos quadriculados no chão, devido ao silencio, podia-se ouvir os professores dando aula. Só tinha um pequeno detalhe que estava me incomodando.
–Por que a gente está engatinhando?– perguntei
–Cala a boca e fica quieto – disse Rebeca
Apenas fiquei quieto, não me entenda mal, eu não revidei porque tinha algo muito mais importante para dizer.
–A gente parece espiões – disse para Henry me virando para trás – muito legal.
–Eu sei – disse sorrindo – eu amo quando isso acontece.
–Calem a boca vocês dois – repreendeu Rebeca que estava em minha frente – vocês só sabem fazer barulho.
–Dá pra vocês calarem a boca? – disse Heloísa com misto de raiva e preocupação – se nos pegarem, é detenção na certa.
Após essa amigável conversa, fizemos silencio e continuamos a andar, até chegar em uma sala com o numero 77 na porta.
–Que desculpa nós damos? – perguntou Henry preocupado – ele não vai se convencer com qualquer desculpa.
–Eu sei que não – disse Heloísa – mas que desculpa podemos dar?
Pelo visto o clima estava tenso, e pelo visto o professor não é lá muito amigável.
–Simples – disse atraindo a atenção de todos – é só levantar e entrar – disse me levantando
–Espera...
Antes que alguém pudesse dizer qualquer coisa, entro na sala chamando a atenção de todos para mim.
–Quem é você? – perguntou o professor me olhando com uma cara de “o que esse ser está fazendo aqui?”.
“Merda, o que eu digo agora?” – pensei
–Eu vou ter que perguntar de novo? – perguntou o professor – quem é você?
Soltei um sorriso de lado e coloquei as minhas mãos no bolso de minha calça, o que o deixou curioso.
–Eu? – perguntei – eu sou o Batman.
Os alunos começaram a rir o que deixou o professor um pouco irritado.
–Escuta aqui sua peste – disse perdendo a paciência – eu sei que você não é o Batman, agora...
–Como sabe disso? – perguntei o interrompendo – você não tem provas contra a minha alegação.
–Deixe de ser ridículo – disse se aproximando – qualquer ser com o mínimo de inteligência saberia que você não é o Batman, o Batman nem existe.
–Como assim não existe? – indaguei – ele existe sim.
–Escuta aqui garoto – apontou o dedo pra mim – eu não vou tolerar esse tipo de brincadeiras.
_Escuta aqui o professorzinho sabe tudo – nesse momento a sala fez tipo “Wow” – você não tem provas concretas que provem a sua tese sobre a não existência do Batman, então é irrelevante discutir isso com você.
_Como ousa dizer isso? – perguntou irritado – você é louco? Eu sou o professor com mais credibilidade nesta escola, você é pequeno, um ser desprezível que não faria diferença se não existisse mais.
_Vou tentar rebater suas falas na ordem – disse com um olhar de tédio – sim, eu sou louco, as pessoas loucas são as melhores, não to nem ai se você é o professor com mais credibilidade nesta droga de escola, e não sei se o senhor já percebeu, mas eu sou do seu tamanho e tente não se esforçar muito, pode acabar se machucando sabe... Quando a idade chega, temos que saber nossos limites.
Eu estava simplesmente amando essa discussão, há quanto tempo não discutia assim com um professor, aquele ar de perigo que você sente amo isso.
Olho para trás e vejo Heloísa sentada chorando com a cabeça entre os joelhos.
–Ferrou geral – dizia ela em meio a choros.
Henry estava de pé com um sorriso no rosto, fazendo um joia pra mim.
“Pelo visto ele é louco também” – pensei
A maníaca psicótica estava com uma expressão séria olhando fixamente para mim o que me deu certo medo.
–Você está morto – disse estralando os dedos.
Volto minha atenção e levo um susto com a cara do professor que estava com uma veia saltada.
–Já chega disso – disse Rebeca entrando na sala e parando ao meu lado – professor, por favor, o desculpe, é que ele é o aluno novo.
Imediatamente todos da sala começaram a conversar e a fazer perguntas tipo “então ele é o aluno problemático?” “meu Deus, com um aluno desses a escola cai” entre outras que apesar de serem feitas em voz baixa não escaparam de minha audição.
A expressão do professor que antes era de extrema raiva voltou para a expressão chata que estava antes de entrar na sala de aula.
–Entendo – disse voltando – se a sua mesa – mas senhorita Canovas, posso saber por que você chegou atrasada... – olha em seu relógio de pulso – 1 hora e 30 minutos?
–Não foi só ela professor – disse Heloísa entrando sendo seguida por Henry que estava com as mãos na cabeça– a gente também se atrasou.
–Então nesse caso – disse voltando sua atenção para mim – levem esse garoto para a diretoria e lá vocês conversaram com o diretor.
Imediatamente o clima da classe ficou pesado e a respiração de todos ficou pesada, como se fosse a pior coisa do mundo.
–Ok – disseram todos em uníssono.
A maníaca psicótica me pegou pelo braço e ia me levando para fora até o professor perguntar:
–Qual o seu nome fedelho? – perguntou o professor
Olhei para Henry, Henry olhou para mim, e logo já percebi que rolou aquela química de parceiros de travessuras, tipo uma conexão de irmãos.
–Eu já disse – disse me soltando da maníaca psicótica e voltando meu olhar para o professor – eu sou o Batman.
–E eu sou o Chapolin Colorado – disse Henry
–NÃO ME VENHA COM ESSA SENHOR TALK – gritou apontando o dedo para Henry– O SEU NOME É HENRY QUE EU SEI.
–Batman e agora? – perguntou Henry aflito – me descobriram.
–Vamos para o Batmovel – disse.
E nisso saímos correndo da sala, ouvindo os berros do professor e as risadas vindas por parte dos alunos.
Logo Heloísa, e a maníaca psicótica saem da sala com a pior expressão que vocês possam imaginar.
–Gabriel – sussurrou rebeca
–Henry – sussurrou Heloísa
–VOCÊS ESTÃO MORTOS – gritaram e começaram a correr atrás de nós o que foi muito legal.
Hoje eu ganhei um irmão, e duas amigas, uma irritante e a outra uma irritante maníaca psicótica.
Mas como o mundo não é um mar de rosas, nós tivemos que ir para a diretoria e assim...
NA DIRETORIA
A sala do diretor realmente era grande, uma sala com uma mesa de madeira grande, com cadeira que roda, tudo normal, o único detalhe que eu achei estranho foi...
–Porque aqui tem tantos livros? – perguntei
E de fato, a sala do diretor era praticamente uma livraria, pelo pó e aparência deles, os livros muito provavelmente são bem antigos.
–Isso não é relevante no momento Senhor Muniz – disse o diretor que está sentado em sua humilde cadeira (mentira, não tem nada de humilde nesta sala) – o que você fez foi algo muito idiota, me falaram que o senhor era complicado, mas não achei que fosse tanto.
–Dá um tempo – disse, logo em seguida levando um chute da maníaca psicótica que sussurrou “não faça nada de idiota” – não me chame de senhor, eu não sou velho como aquele professorzinho sabe tudo.
Levo outro chute, só que agora mais forte o que me faz pular da cadeira e em seguida lançar um olhar de “meça seus atos” para a maníaca psicótica.
–Você realmente não devia ter feito isso – disse – o professor Valkimber é...
–HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – gargalhei – não me diga que o nome dele é Valkimber.
–Sim – disse confuso – Valkimber Bertólan.
–Meu Deus – disse rindo – isso por acaso é nome de gente? – perguntei – meu coelho tinha um nome mais bonito, e olha que ele se chamava Bito.
Levo outro chute, de quem? Exato, dela, da maníaca psicótica, não sei porque, mas ela pegou implicância comigo, e olha que eu sou um amor de pessoa.
–AI – gritei – você pode para de me chutar? – perguntei a encarando – isso machuca.
Antes que a maníaca psicótica pudesse dizer algo o diretor se pronunciou primeiro.
–Vamos acabar logo com isso – disse se levantando – vocês dois iram ficar na solitária por dois dias.
–Posso fazer duas perguntas vossa alteza?- perguntei com uma expressão serena.
–Claro que pode senhor Muniz – disse.
–1° porque nesta bendita sala só estamos eu e a maníaca psicótica aqui? – perguntei apontando para ela.
–Henry e Heloísa estão sendo punidos pelo professor Valkimber – nesse momento solto outro riso e levo outro chute.
“Para com isso, anão de jardim” – penso
–2° pergunta – digo – porque eu tenho que passar dois dias em uma solitária?- perguntei
–Logo descobrira– disse apertando algum botão – podem levá-los.
Logo depois disso, quatro homens de terno preto vieram para nos levar para a tal “solitária”, claro que eu resisti, mas... Um soco na divisa do nariz e da testa acaba com qualquer um, e logo após receber o soco apago e não vejo mais nada.
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